sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Adultério sem culpa é o tema Anata no Koto wa Sorehodo: Sugestão de mangá


Hoje, o Comic Natalie anunciou que o volume três de Anata no Koto wa Sorehodo  (あなたのことはそれほど), de Ryo Ikuemi, foi lançado no Japão.  Ao que parece, foi um intervalo de mais de um ano em relação ao volume anterior.  Enfim, não conhecia o mangá, mas fiquei curiosa com a temática (adultério) e os comentários que li no Bakaupdates.  A história é a seguinte:
Uma vidente lhe disse uma vez, "Se case com o segundo homem pelo qual se apaixonar.".  E é isso que Miyoshi, uma secretária de um hospital oftalmológico faz.  Um dia, ela acaba esbarrando com o sujeito que foi seu amor nos tempos de escola, Arishima.  Os sentimentos são prontamente revividos e, desta vez, ela é correspondida.  Arishima e Miyoshi são ambos casados, mas não tem problema em começar um caso...  
Esbarrei neste mangá ontem e nunca tinha lido nenhuma obra de Ryo Ikuemi, mas sei que ela é muito elogiada.  Anata no Koto wa Sorehodo é interessante, bem interessante, aliás.  A narrativa é naturalista, a ênfase é nos sentimentos e relações humanas, é gente adulta agindo como gente adulta.  E nem entro no mérito do caráter, há gente leviana (*sim, é assim que eu os vejo*) como Miyoshi e Arishima por aí.  Adultos que não se preocupam com os sentimentos alheios.  Agora, o melhor do mangá é a narrativa que muda de ponto de vista.  Há scanlations, que eu tenha encontrado, de três capítulos somente.  O primeiro capítulo é narrado por Miyoshi, o segundo, por seu marido, Watanabe, o terceiro, pela esposa de Arishima, Reiko.  Imagino que o quarto seja narrado pelo próprio.



Miyoshi poderia ser a nossa mocinha padrão do shoujo mangá, se fosse um romance escolar, claro.  Em suas memórias, temos todas aquelas cenas que bem conhecemos de tantas séries, aliás, tudo é bem parecido com Ao Haru Ride  (アオハライド), por exemplo.  Só que o garoto não fica com ela, eles não fizeram o colegial juntos, se separam no final do ginasial.  Ela, no entanto, guarda as memórias do primeiro amor e não tem nenhum remorso em se atirar em um caso com esse sujeito quando o reencontra.  Ela não pensa no marido, nem na esposa de Arishima que está parindo na noite em que eles se reencontram.  Ela não parece querer que ele fique só com ela, não pede exclusividade, e o acalma dizendo que ela também é casada.  Ela está traindo pela primeira vez, já ele, bem, minha impressão é diferente.



O segundo capítulo é o do marido, das suas memórias, da forma como ele vê Miyoshi e a relação dos dois.  Watanabe é aquele cara comum, boa gente, trabalhador, que cozinha muito bem e está disposto a fazer tudo pela esposa que ama.  Essa é a imagem que temos dele logo de saída.  Ele quer ter filhos, mas Miyoshi, já envolvida com Arishima, diz "não agora, quer continuar trabalhando" para, em seguida, dizer, já alterada, que não deseja filhos de jeito algum.  Trabalho e maternidade são duas coisas que não parecem combinar no Japão, mas este não parece ser o problema de Miyoshi, ela está pensando no amante, provavelmente.  Ele se apressa em dizer que podem viver felizes só os dois, sem filhos.  Só que há algo de meio sinistro nesse homem, nesse marido tão compreensivo. 



Um dia, Miyoshi fala o nome de Arishima enquanto dorme.  A partir daí, o marido passa a investigar, tentar descobrir quem ele é, enrola a melhor amiga de Miyoshi e a faz falar demais.  Ele não é tão bobinho quanto Miyoshi acredita.  E, todos os dias, ele olha o celular da mulher até que, finalmente, o nome de Arishima aparece entre os contatos.  Ele sabe que está sendo traído.  Eu realmente não acredito que um homem que espiona o celular da esposa seja inofensivo, não... 



O terceiro capítulo é de Reika, a esposa traída.  Ela é a personagem que mais gostei na história, por assim dizer.  Filha de um casamento infeliz, ela era esforçada e trabalhadora, ajudava a sustentar a casa, economizava para a faculdade da irmã menor.  Como era boa aluna, esperava conseguir uma bosa de estudos para si.  Representante de turma, sofria bullying por ser "a certinha", mas mantinha a cabeça erguida. Seu ponto fraco, se é que havia algum, era o colega de turma, Arishima.  Eles passam todo o colegial juntos.



Reika não deveria ter a esperança de namorar o cara mais popular da escola, mas com sua personalidade firme e, ao mesmo tempo, gentil, consegue chamar a atenção do sujeito.  Ela trabalha em um restaurante coreano perto da casa dele, pelo dinheiro e pela carne.  Por conta disso, por ter dito que era "carnívora" em voz alta, as amigas de Arishima a brindam com um desenho obsceno no quadro negro... O rapaz, até então indiferente, se apressa em se desculpar, em dizer que não foi ele.  Carnívoro é gíria para quem gosta de sexo no Japão.  Mulheres que admitem gostar de carne vermelha não são lá muito bem vistas.  Arishima sempre vai ao restaurante onde a moça trabalha e, um dia, Reika consegue uma desculpa para sair do trabalho (*o cliente esqueceu alguma coisa, vou entregar*), sai correndo atrás dele, e lhe lasca um beijo no meio da rua.  É um momento libertador, acreditem.  Ele fica atônito, a rua para, mas ela, a moça certinha e reprimida comemora e volta feliz para o trabalho.



Vocês sabem que eles se casam.  E Reika larga tudo, seu sonho de universidade, para ter o lar feliz que nunca teve.  Ela, aliás, sempre acreditou que  a mãe queria se separar e o pai, desempregado, que vinha em casa de vez em quando em busca de dinheiro, não queria colocar fim ao casamento.  Era o inverso.  Ele voltava para pedir o divórcio, ela recusava. Segundo Reika, a mãe lhe disse, depois de ceder, que uma esposa não desiste do seu lugar, deve se agarrar a ele.  Reika quer fazer diferente e, apesar de aceitar ir para a casa da mãe e da avó para ter o bebê, adverte o marido com um sorriso plácido nos lábios de que ele deve se comportar.  Uma mulher como ela, convencional, desesperada por fazer diferente do que os pais fizeram, mas forte e decidida, pode fazer coisas que a gente não espera, como beijar o sujeito na rua... 


Queria o capítulo de Arishima, mas não achei ainda nem o raw.  Parece que os dois grupos que estavam traduzindo - Stiletto Hills e Blue Flor - pararam.  Espero que alguém retome, porque o mangá promete.  Detalhe, o marido de Miyoshi e Reika são desenhados de forma mais realista, com olhos apertados e traços orientais, os demais tem feições mais mangá mesmo.  Talvez isso diga algo sobre as personagens, enfim...  Recomendo a leitura. E mais, acredito que esse mangá seja forte candidato a virar filme ou dorama.  A série é publicada na revista Feel Young.

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1 pessoas comentaram:

Dei uma procurada e parece que só tem esses 3 capítulos até agora.
Não achei nem 'raw' dele por aí.
Uma pena.
Parece que todas as minha séries preferidas e as boas recomendações não são as mais populares.

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