domingo, 17 de janeiro de 2016

O que as crianças japonesas querem ser quando crescer? Salaryman


O resultado de uma pesquisa surpreendeu o pessoal do site Rocket News 24.  Segundo eles, a empresa Adecco fez uma pesquisa em sete países asiáticos.  A pergunta é esta aí do título.  Ao contrário de outros países nos quais as crianças – meninos e meninas entre 6 e 15 anos – sonham principalmente em serem atletas e artistas, os japonesinhos se mostram muito pragmáticos.  A profissão que lidera entre os meninos é “kaishain”, isto é, o “salaryman”, sujeito que trabalha em uma empresa, dá seu sangue por ela e, quem sabe, um dia, poderá subir na hierarquia da mesma.  Para as meninas, “kaishain” (会社員) aparece em terceiro.  Como nunca vi usarem “salarywoman”, fui checar e o que está entre parênteses depois de "kaishain" é Salaryman/OL.  Foram entrevistados 500 meninos e 500 meninas.

MENINOS 
9 (empate). Arquiteto/Gerente de Construção (2.8 por cento)
9 (empate). Paramédico/Bombeiro (2.8 por cento)
9 (empate). Engenheiro/Programador (2.8 por cento)
7 (empate). Motorista (ônibus, táxi, trem, etc.) (4.2 por cento)
7 (empate). Policial/Detetive (4.2 por cento)
6. Intelectual/Pesquisador (3.4 por cento)
4 (empate). Médico (6.2 por cento)
4 (empate). Jogador Profissional de Basebol (6.2 por cento)
3. Funcionário Público (6.6 por cento)
2. Jogador Profissional de Futebol (10 por cento)
1. Salaryman (10.2 por cento)

MENINAS
10. Cantora (2.4 por cento)
9. Mangá-ka (2.6 por cento)
8. Pianista ou Instrutora de Arte (2.8 por cento)
7. Fashion designer (3 por cento)
6. Enfermeira (4.6 por cento)
5. Funcionária Pública (4.8 por cento)
4. Médica (5.6 por cento)
3. Office Lady (5.8 por cento)
2. Professora (Pré-escola até a universidade) (6.4 por cento)
1. Pâtissière [Confeiteira] (11 por cento)

Vamos lá, em inglês, o RN24 usa “bussynessperson”, algo que é politicamente correto, mas que em nossa língua tem pouco significado e, ao mesmo tempo, mascara o sentido original japonês.  Pessoa de negócios em português brasileiro se remete muito mais ao empresário ou empreendedor, e em japonês também me parece algo que se afasta do sentido original.  De qualquer forma, é meio triste que os meninos tenham tão cedo no horizonte um trabalho que é sempre pintado como desinteressante, pouco criativo, carregado de obrigações e estresse.  



Segundo o RN24, confeiteira foi a primeira opção das meninas pelo segundo ano consecutivo, mas OL estava no top 3 do ano passado.  Há vários shoujo mangá que falam do sonho da menina de se tornar confeiteira ou chef.  Yumeiro Pâtissière (夢色パティシエール), que saia na Ribon, teve até anime, isso só para citar um famoso.  Há varios exemplos.  O mesmo vale para meninas que sonham ser cantoras, estilistas e, claro, mangá-ka.  Estranho que os meninos não sonhem em se tornarem mangáka... 

Já para os meninos, ano passado era jogador de futebol.  Somados meninos e meninas, acaba sendo a primeira opção das crianças japonesas.  Não sei como é o regime de trabalho de funcionários públicos no Japão, mas imagino que a profissão também apareça bem colocada por questões pragmáticas.  O exemplo dos pais sempre pesa, eu diria, mas pesa para o bem e para o mal... Abaixo está o top 3 de profissões para meninos e meninas nos países sondados pela pesquisa:

JAPÃO: 1. Salaryperson, 2. Professor/a, 3. Médico/a
CORÉIA DO SUL: 1. Médico/a, 2. Entertainer, 3. Policial
TAIWAN: 1. Professor/a, 2. Médico/a, 3. Cantor/a/Ator/Atriz
SINGAPURA: 1. Professor/a, 2. Policial, 3. Empresário/a
VIETNÃ: 1. Médico/a, 2. Professor/a, 3. Policial
HONG KONG: 1. Médico/a, 2. Professor/a, 3. Performer
TAILÂNDIA: 1. Médico/a, 2. Atleta Profissional, 3. Chef

De resto, apesar das profissões aparentemente chatas e depressivas, ambas as listas japonesas ainda me parecem muito próximas dos sonhos da maioria das crianças.  Quando crianças, normalmente, sonhamos com profissões “bonitas”, que implicam em serviço ao próximo e que, ao mesmo tempo, vem com a estima ou o status como bônus, ou com coisas que nem sempre parecem possíveis para os adultos, às vezes, a depender de onde estamos, quem somos, nossa classe social, são impossíveis, ou quase impossíveis mesmo.  Eu, por exemplo, se me perguntassem até os meus 12, 13 anos, diria que queria ser “desenhista de desenho animado”, enfim...

P.S.: Não sei se minha conexão está mais podre do que de costume, aqui no Rio, mas nenhuma imagem carrega.  Tentarei consertar mais tarde.

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