quarta-feira, 9 de março de 2016

E passou mais um 8 de março... e o post veio no dia seguinte!


Mais uma vez, o post do oito de março – Dia Internacional das Mulheres – está sendo escrito na madrugada do dia nove.  Fazer o quê?  Excesso de trabalho e Júlia ainda doente.  Prioridades são prioridades e a burocracia me exige entregar minhas provas trimestrais com mais de um mês de antecedência, por exemplo.  Eu até postei montes de coisas durante o dia 8, mas ter um tablete na mão não me ajuda muito na hora de compor um texto mais longo.

Enfim, o dia de comemorações no meu trabalho – o post é sobre isso – foi um tiquinho diferente da média.  Querem ver?  Não rolou nenhuma rosinha, nem bombom.  Teve brinde, sempre tem, mas foi um bloquinho.  Acaba sendo mais útil, por assim dizer.  Fora isso, no geral, foi um dia bem curioso.  Meu atual chefe imediato é casado com uma feminista – ou alguém que está se enveredando por este caminho – e fez uma preleção na reunião sobre a importância do 8 de março como um dia de lutas e que as vitórias obtidas pelas mulheres ainda não conseguiram vencer o machismo estrutural da sociedade. Outro nível, se comparado com todos os anos anteriores.


Já a Sessão Psicopedagógica da escola organizou uma campanha com os alunos e alunas para que identificassem símbolos ligados à luta das mulheres, como o número da Lei Maria da Penha, o símbolo da Campanha do Câncer de Mama, o Outubro Rosa e outros.  Nunca tinha rolado nada assim, também. Todos receberam um adesivo (*é a próxima imagem*) com uma imagem e os símbolos e números a identificar.  Havia uma cartelinha para preencher, acho que ia rolar algum brinde.

Fechando o dia – eu só dei duas aulas efetivamente ontem – quando entrei na sala, dois alunos, um deles com o adesivo da campanha no peito, veio me perguntar o que eu achava do Bolsonaro e se eu votaria nele.  Tive que pensar, afinal, a regra nº1 no colégio militar é "professor não fala de política"  (*stricto sensu da palavra, claro, porque política é mais que isso*).  Já a minha regra nº1 é "Valéria não se mete nessas tretas"; a regra nº2 é "e eu não me importo se outros fazem isso, eu não faço".  Fora isso, ainda é cedo demais para conhecer os alunos e a turma e saber se era uma pergunta sincera ou uma pegadinha mesmo.  O momento político atual é muito tenso e polarizado, não quero abrir brecha nenhuma para que minhas aulas possam ser contaminadas por ele.


Coloquei a aula no multimídia, data no quadro e tudo mais.  Voltei-me para a turma e perguntei, “onde está o garoto que me perguntou se eu votaria no Bolsonaro?”.  Ele senta na penúltima carteira e seu grupo de colegas estava bem agitado.  Ele foi apontado e levantou a mão, alguns alunos e alunas se entreolharam e eu falei “Olha, eu jamais votaria no Bolsonaro, porque nunca votaria em um candidato que defende que mulheres devem receber salários menores, porque engravidam.  Aliás, é bom poder falar isso, afinal, é Dia Internacional das Mulheres.”.  Para quem esqueceu, está aqui na entrevista para o Jornal Zero Hora.

Houve murmúrio, algumas meninas arregalaram os olhos.  O garoto ficou meio pálido e assim morreu o papo.  Foi uma inspiração de momento, claro, eu não respondi de pronto, mas foi muito semelhante a quando me perguntaram se eu votaria no Serra e eu lembrei do caso Eloá (*aqui e aqui*), a moça sequestrada e morta pelo ex-namorado em São Paulo, dizendo que nunca votaria em um sujeito que chamasse o desfecho trágico daquela lambança de “infeliz acidente”.  Espero ter passado a mensagem para a turma, enfim.


Meu 8 de março foi isso aí.  Nada de especial.  O post do ano passado foi bem melhor, o do ano anterior, também.  De qualquer forma, deixo link para um excelente texto da historiadora Diva do Couto Gontijo Muniz, minha ex-professora, lembrando a importância da data, e da espetacular campanha do Estadão que postou no Twitter uma agressão às mulheres motivada pelo fato de serem mulheres, a cada sete minutos.  Esta é a média no Brasil.

E fechando, quando este post estava quase pronto, recebi uma mensagem de uma ex-aluna falando de como minhas aulas e meus posts no Facebook foram e são importantes na vida dela.  O clipe abaixo foi feito por ela.  Eu é que me sinto muito abençoada em poder fazer parte da vida de tanta gente, a maioria, gente muito legal, honesta, crítica, batalhadora e que está fazendo diferença neste mundo.



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