sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Comentando Star Trek: Sem Fronteiras (Star Trek: Beyond, 2016)


Hoje, à tarde, assisti Star Trek: Sem Fronteiras (Star Trek: Beyond).  Terceiro filme da nova franquia e que deveria marcar as comemorações dos 50 anos de Jornada nas Estrelas.  Não estava muito animada para assisti-lo, confesso que os trailers e a associação do terceiro filme aos realizadores de Velozes e Furiosos, me fez torcer o nariz.  Depois de ter visto a película, devo dizer que o efeito Velozes e Furiosos em Star Trek: Beyond é inócuo e não compromete em nada o resultado.  O problema, a meu ver, é o roteiro frouxo, cheio de buracos que exige mais que suspensão de descrença do expectador.  Agora, é preciso ressaltar que o elenco funcionou bem, talvez melhor até que no primeiro filme e, sim, desta vez, o Kirk de Chris Pine está muito bem.  

Resumir o filme é difícil, são muitos acontecimentos que parecem relevantes para a trama, sem que, na verdade, façam sentido juntos. Vamos lá:  A Entreprise está no eu terceiro ano de sua missão original de cinco anos.  Às vésperas de completar seu aniversário, Kirk (Chris Pine) começa a se questionar sobre a validade de sua missão e pede para deixar o comando da nave.  Já Spock (Zachary Quinto) fica sabendo da morte de seu eu mais velho (Leonard Nimoy) e se questiona sobre seu papel na construção de Nova Vulcano, algo que coloca em risco sua continuação na Frota Estelar e seu romance com Uhura (Zoe Saldana).  Depois de uma missão diplomática fracassada, a Enterprise parte para uma folga na moderníssima base Yorktown.  Lá, recebem um pedido de ajuda de uma alienígena em fuga e partem para tentar resgatar sua tripulação em uma área não mapeada.  

E, mais uma vez, a Enterprise foi destruída.
Antes de chegarem ao planeta, são atacados pelo vilão, Krall (Idris Elba), que deseja se apossar de um artefato que estava na Enterprise.  Pesadamente atacada, a Enterprise termina destruída e parte da sua tripulação é atacada.  Resta a um pequeno grupo composto por Kirk, Spock, Scotty (Simon Pegg), Checov (Anton Yelchin), McCoy (Karl Urban) e a alienígena Jaylah (Sofia Boutella) tentar resgatar os companheiros e impedir que Krall destrua a Yorktown e cause pesado dano à Frota Estelar.

Vamos começar pelo que funciona em Star Trek: Sem Fronteiras: Kirk.  Se havia algo que me desagradava nos dois primeiros filmes era a imaturidade do capitão da Enterprise.  Em Sem Fronteiras, Kirk mantém seu senso de humor, há até uma deliciosa piada referencial, “Rasguei mais uma camisa” e um armário cheio delas, mas ele cresceu e se apresenta como um líder de verdade. Estranhamente, e isso é estranho mesmo, Kirk não tem nenhum affair durante todo o filme, nesse aspecto poderiam ter dado uma aliviada, até porque o capitão raramente passava um episódio da série clássica sem um romancezinho com uma ordenança, tenente ou alienígena que passasse na sua frente.

McCoy teve ótimos momentos.
Karl Urban finalmente teve todo o espaço que McCoy merecia e se mostra espetacular como o médico sulista ranzinza.  Sua interação tanto com Kirk, quanto com Spock, garantem em tela a reedição do tripé que segurava muitos episódios da série clássica.  Outro que está muito bem, apesar de dar seu próprio tempero à personagem, é Simon Pegg.  Seu Scotty é engraçado e conseguiu uma boa interação, bem ao estilo pai e filha, com a alienígena Jaylah.  Apesar dos exageros – e falo disso depois – ela é uma das coisas boas do filme e é, efetivamente, a melhor personagem feminina, já que as muitas das cenas de Uhura serviram somente para manter Zoe Saldanha em tela.

Se houver mais uma continuação de Jornada nas Estrelas nessa nova encarnação não sei como substituirão Anton Yelchin.  Seu Checov é importante, como era o original, e ele também cresceu na sua atuação.  Ele não é protagonista, longe disso, mas um coadjuvante eficiente em Sem Fronteiras.  O “in memoriam” que recebeu no final do filme, e que veio em seguida ao de Leonard Nimoy, me deixaram com os olhos marejados. E isso, depois, de já ter passado quase todas as cenas dele pensando “Que pena que morreu!  Tão jovem!”.

Na ponte da USS Franklin.
Sulu foi, assim como Uhura, bem mais periférico nessa continuação.  O que todo mundo deve ter ficado de olho foi na “revelação” de que personagem era gay.  Começo dizendo que, assim como o Sulu original, George Takei, ele mesmo homossexual e militante da causa LGBT, também não gostei muito dessa modificação.  Sei bem que as personagens do reboot não são as originais, logo, Sulu não precisava ser hetero e o segundo garanhão da Frota Estelar, algo que era canônico.  Sei também que representatividade é tudo.  Agora, foi tão discreta a saída do armário, com filha (*algo que está em consonância com o Sulu original*) e companheiro aparecendo em cena, que muita gente sequer percebeu do que se tratava.  Meu marido, por exemplo, só foi ligar os pontinhos, porque eu comentei depois do filme... Bem, se era para ser uma homenagem para Takei, que fizessem de forma mais clara.

Chegamos em Spock... Como comentei esse filme é muito generoso com Kirk e McCoy, mas senti que Spock foi um pouco o elo fraco da corrente.  Quinto continua ótimo, ele é Spock, por assim dizer, mas a personagem me pareceu deveras emocional nesta última sequência.  De novo, sei bem que este Spock não é o Spock de Nimoy começando pelo fato de ter uma namorada e uma relação meio instável com ela, porém, ele é Vulcano e lágrimas, risos e demonstrações afetivas diversas pedem comedimento.  No primeiro filme, isto ficou esplendidamente marcado; já neste aqui, se não teve DR (*discussão de relação*) entre Uhura e Spock, ainda assim tivemos o primeiro oficial agindo de forma intempestiva para salvá-la no planeta do vilão... Spock precisava fazer um pouco diferente.  De resto, a piadinha com o pendente “rastreável” que ele deu para a moça funcionou muito bem.

Spock ferido rendeu ótimas cenas.
Meu marido à princípio achou pouco razoável que Spock se separasse de Uhura pelo bem da “raça” vulcana, mas foi a atitude mais lógica da personagem a meu ver.  Afinal, ele mesmo um mestiço, se quisesse cooperar para a manutenção da espécie vulcana deveria procriar com alguém de seu povo, evitando que seus filhos fossem ainda menos vulcanos, por assim dizer.  Também foram bonitas – e comoventes – as cenas relacionando o novo Spock ao original recém falecido e quando ele observa a foto da antiga tripulação (*filme cinco para o cinema, se não me engano*).  Sabe aquelas jogadas que deem funcionar com os fãs da série, mas não representam ganho no roteiro?  Pois é... 

Efeitos especiais foram outro ponto alto.  Cenários do planeta era aquela coisa rochosa e que, de tão repetitiva, se tornou canônica em Jornada nas Estrelas, mas as naves os cenários, as batalhas espaciais, tudo foi lindamente apresentado.  O figurino teve mais altos que baixos.  Os uniformes – os tradicionais e os novos – eram vistosos e interessantes.  O vestuário à paisana nunca foi o forte de Jornada, mas algumas roupas eram bonitas e funcionais.  Já o look sujinho de Kirk e McCoy no final me fez lembrar dupla sertaneja, pareciam uma variação dos mesmos.

Jaylah e Scotty
O visual dos alienígenas estava OK.  A ordenança que tem papel importante escondendo para Kirk o artefato que o vilão desejava, tinha uma aparência bem engenhosa.  Já Jaylah ficou funcional, por assim dizer.  Suas cenas de ação, aliás, foram das melhores do filme.  Já os vilões me pareceram lugar comum para os padrões de Jornada nas Estrelas.  Visual reptiliano básico, sem nenhuma ousadia.  E chegamos, enfim, no vilão.

Para além de qualquer crítica que eu tenha ao excesso de cenas de luta e ação para parecer pop, Star Trek: Beyond tem um vilão fraquíssimo e isso nada tem a ver com Idris Elba, mas a falta de motivação convincente (*Krall era mau ou louco?*) para tentar destruir a Frota Estelar, somado à explicação zero sobre como ele efetivamente conseguiu se apossar da tecnologia que lhe deu a “vida eterna” e quem eram os seus seguidores, até o fato dele (*e desculpem os spoilers*)  não saber que a USS Frankklin, sua própria nave, estava perdida no planeta.  Ora, foi esta nave que serviu de alento para Kirk e seus companheiros, possibilitando sua fuga  e a nave era originalmente do vilão.  Esquecimento ou roteiro mal arranjado?  Aliás, como a lata velha – uma nave centenária – alcançou tão rapidamente Krall e seu enxame.  Só por milagre!

Krall levou Uhura para cima e para baixo.  Motivo?  Sei lá.
Fora isso, e esta foi a parte mais irritante, ele parecia precisar de Uhura ouvindo seus planos.  E lá ia ele com Zoe Saldanha para cima e para baixo explicando seus planos malignos (*e meio injustificáveis*) para a moça.  Nem para o roteiro criar uma situação de apaixonamento do vilão ou algo que o valha.  Simplesmente, não se justifica que um ser tão poderoso precise de uma humana seguindo-o por todos os cantos.  Em que ela era diferente dos outros humanos que ele matou?  Ele se impressionou com sua coragem e sacrifício ao separar a seção disco da Enterprise?  Qual a sua função real nos planos dele?  Zero explicação.  Para mim, como o roteiro não deu espaço para Zoe Saldanha, nem para Sulu, já que ambos estavam capturados, terminaram inventando sequências inócuas para que ambos, mais ela do que ele, pudessem ficar em cena.

A única coisa que me pareceu curiosa em relação à Krall foi sua fala sobre fazer com que a Frota voltasse a ser o que era depois do terrível atentado que ele pretendia fazer contra a Yorktown.  Quase ouvi Trump falando  “make America great again”.  De qualquer forma, Krall – outrora o capitão humano da USS Franklin – era um neurótico de guerra, um veterano que simplesmente perdeu a racionalidade ao ser confrontado com o que imaginou ser o abandono por parte da Frota Estelar.  De qualquer forma, o que o roteiro mostrou foi um vilão excessivamente mau, raso em desenvolvimento, já que tudo sobre ele ficou meio desconexo e meio jogado, e mesquinho em seus objetivos.

Jaylah não quer ceder a cadeira de capitão para Kirk.
É isso.  O filme me tocou muito mais pela nostalgia do que por suas qualidades.  Se posso dizer que é melhor que o segundo, que foi bem ruim, não passa perto do primeiro, que, apesar do menor entrosamento do elenco, foi superior e reinaugurou em grande estilo a franquia no cinema.  Vi notas altíssimas em alguns sites especializados, mas daria  no máximo, estourando mesmo, um 7 para o filme.  Esperava muito mais do filme comemorativo dos 50 anos de Jornada nas Estrelas.  Quanto a Bechdel Rule, o filme não cumpre. Apesar de ter três personagens femininas com nomes e tudo mais, elas não conversaram em nenhum momento ao longo da película.

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1 pessoas comentaram:

https://www.reddit.com/r/startrek/comments/525q85/terry_farrells_departure_has_anybody_else_heard/

Voce já ouviu falar de alguma dessas coisas??

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