quinta-feira, 9 de março de 2017

Comentando Logan (2017)


Hoje, assisti Logan com meu marido.  Trata-se do (*suposto*) derradeiro filme de Hugh Jackman como Wolverine.  No geral, é um bom filme, não vou mentir dizendo que me emocionei, fiquei tocada, empolgada, mas é um filme legal de se assistir.  É bem violento e tem muitos palavrões, isso, para muita gente, o qualifica como adulto, particularmente, precisaria um pouco mais de esforço para isso, mas trata-se de um filme de herói e, bem, comparado com o que se costuma fazer, especialmente com personagens Marvel, foi um grande salto e com resultado positivo.  De resto, duvido que Jackman não volte a encarnar Wolverine em algum futuro filme, ou dos X-Men, ou de outro herói (*Deadpool?*) da Marvel.

O resumo básico é o seguinte, o ano é 2029 e os mutantes estão à beira da extinção.  Não se tem notícia do nascimento de nenhum novo mutante faz 25 anos.  O Prof. Xavier (Patrick Stewart) está debilitado e vive isolado em um container no México, pois não consegue mais controlar seus poderes.  Logan leva uma vida destrutiva e amarga, enquanto dirige uma limusine para viver e cuidar do Professor X.  Um dia, uma mulher o procura e pede ajuda, ele não quer ouvir, mas ela pede ajuda para levar uma menina, Laura (Dafne Keen), até um lugar seguro para os mutantes (Éden) no Canadá.  Logan recusa, mas termina sendo arrastado pelos acontecimentos e descobre que a criança, que não é a única, foi produzida em laboratório e compartilha do mesmo material genético do herói.  Só que a criança está sendo perseguida e Logan passa a ser caçado, também.

Tal pai, tal filha.
Logan dá certo por vários motivos e, não, o excesso de violência não um deles.  O elenco principal funciona muito bem.  Patrick Stewart volta ao seu papel de Xavier, agora velho e debilitado, e consegue lhe dar charme mesmo em uma condição tão debilitada.  O filme não explica – e não precisava – os motivos do colapso físico e mental de Xavier, ele tem mais de 90 anos e, ao que parece, os últimos tempos não foram nada bons para os mutantes.  Hugh Jackman sempre está bem como Wolverine, mesmo quando o filme é ruim, e, sim, Logan ser o melhor filme solo do herói é fácil, os anteriores foram terríveis.  Vi o segundo no cinema e não resenhei, aqui, no Shoujo Café, por não valer o esforço.

A menininha Dafne Keen, chamada de Laura e X-23, foi o encanto do filme.  Seu silêncio inicial, seu talento herdado de Logan, o vinco diferente que ela tem na testa e a interação com seu “pai”.  Logan fazia cara de durão, mas todo mundo sabe que ele acaba sempre ajudando garotinhas e esta, era especial, era como uma filha que ele conheceu de repente.  Juntos, eles seguem pelas estradas dos EUA, porque Logan é um road movie, também, além de se inspirar em filmes como Shane, que serve de base para a construção do relacionamento entre Laura e Logan.  Foi um trabalho bem feito, ainda que o filme pudesse ser um pouco mais curto. 

Patrick Stewart dá charme e leveza ao filme.
X-23 é uma arma letal, foi criada e treinada para isso.  Agora, e este é o primeiro ponto fraco do filme, todas as crianças são apresentadas como armas letais, criadas e treinadas para isso, para, depois, serem descartadas em favor de outra “arma” mais perfeita.  OK, está tudo entendido, mas por que o esforço em as recapturar e, não, simplesmente destruí-las?  Por que somente Laura aprece ser realmente letal, enquanto as demais crianças terminam sendo facilmente pegas por sujeitos sem poderes especiais?  A audiência pode até ignorar, mas é um rombo e tanto.  Um dos moleques, o que parecia mais velho, tinha os poderes do Magneto.  Imagine o estrago que ele poderia fazer se os vilões estavam cheios de metal em tudo?

Falando em vilões, eles poderiam ser melhores, na verdade, deveriam.  Quando da primeira aparição de Donald Pierce (Boyd Holbrook), invadindo a limusine de Logan e tentando intimidar o herói, imaginei que ele era um mutante poderoso.  Nada disso, era só um chato que poderia ter sido eliminado algumas cenas depois, ou na mesma cena, já que Logan estava particularmente sanguinário, mas fica até o final enchendo o saco.  Sim, ele não é útil ao roteiro , nem intimida de verdade.  Richard E. Grant, que é ótimo ator e tem um dos olhos mais lindos que eu já vi (*ele foi o último Scarlet Pimpernel*), faz o cientista Zander Rice, dono da empresa Transigen, inventor das crianças mutantes e filho do criador de Logan, só que sua personagem é rasinha, pouco desenvolvida.  O filme é grande, poderiam fazer muito melhor, muito mesmo.

Laura e seus charmosos óculos.
De resto, Caliban (Stephen Merchant), que estava cuidando de Xavier no container no México, parecia uma caricatura de esposa rabugenta.  Reclamou que Logan não trazia “dinheiro” e remédios suficientes, das manhas de sangue e pus na camisa do mutante.  Aliás, Caliban passava a roupa de Logan!  Meu marido ficou falando que os diálogos dos dois pareciam briga de casal.  Depois, Caliban até tem boas cenas, verdade, mas aquelas primeiras sequências no container foram meio cômicas, ainda que não fosse a intenção. 

O filme teve duas cenas que foram bem tocantes, apesar do destaque para cenas de ação: a cruz transformada em X por Laura e a explosão de dor de Logan por causa de Xavier.   O Professor é como um pai para o mutante, ele humanizou Logan, o salvou do abismo, da selvageria.  O mutante, no filme, dá o mesmo recado para Laura, ela pode ser mais que uma máquina (*e das boas*) de matar.  A cena fofinha foi quando as crianças cortaram cabelo e barba de Logan para que ele parecesse de novo com Wolverine.  Foi bem legal, também, o uso da revista dos X-Men.  Os quadrinhos sobre os heróis são uma realidade no filme e isso incomoda Logan.

Cenas assim são comuns no filme.
De resto, o filme não cumpre a Bechdel Rule, há várias personagens femininas com nomes, Laura, Gabriela (*a mulher que pede ajuda para Logan*), as meninas mutantes, a esposa do fazendeiro etc.  Só que elas não conversam entre si e, se conversam, é sobre Logan... Não, não conversam mesmo.  Só que isso não é demérito do filme.  São dois protagonistas e um deles é uma menina.  As personagens femininas, ainda que em minoria, tem cenas de destaque no filme que é marcado por figurantes que aparecem só para morrer.  A menina protagonista é forte e capaz de se virar sozinha.  Não acho que nesse aspecto tenhamos o que reclamar.

Agora, dois comentários finais.  O filme tem muitos palavrões.  Normal, sem problema, só que as legendas colocam palavrões que não foram ditos.  Sério, meus ouvidos estavam apurados.  Há uma cena em que Logan tem uma explosão de raiva, ele berra, não diz palavra alguma e a legenda joga um “caralho”.  De resto, atrás de mim havia um sujeito que gargalhava a cada cabeça decapitada.  Gargalhava e pulava na cadeira.  Difícil de entender.

Papai.
Terminando, não há cenas pós-crédito em Logan.  O diretor, James Mangold, disse que queria fugir da fórmula.  Então, não precisa ficar sentado/a esperando.  De resto, vale o ingresso, mesmo com seus probleminhas, vale por ser o melhor filme solo de Wolverine, vale pelo frágil Professor Xavier e vale, especialmente, pela menina Laura.  Trata-se do melhor filme dos X-Men?  Não, na minha opinião.  X-Men: Dias de um Futuro Esquecido.

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1 pessoas comentaram:

O poder do Rictor (o menino mais velho e que é personagem originário dos quadrinhos) é controlar ondas de choque, o que pode gerar abalos sísmicos. Na cena em que ele usa o poder dele, ele o faz em direção ao solo de forma a jogar o carro para cima.

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