sexta-feira, 7 de abril de 2017

Colégios de Anime não são como os da vida real


O Rocket News 24 publicou os resultados de uma pesquisa feita pelo site My Navi Gakusei no Madoguchi com 114 fãs de anime, agora cursando a universidade.  A pergunta é o que é mostrado nos animes (*e mangás, também*) que não acontece em colégios japoneses normais.  Sabe aquelas coisas que sempre aparecem aqui e ali?  Pois é... Vamos ao resultado:

Makoto, Sailor Júpiter, mora sozinha em Tokyo.
1. Colegiais morando sozinhos – Trata-se de um clichê que não é apanágio das produções japonesas, é muito mais fácil e crível para o protagonista adolescente agir com liberdade quando os pais ou responsáveis não estão por perto.  Eles precisam morar longe, estar viajando, ou mesmo mortos, o importante é que a protagonista possa lutar contra inimigos poderosos ou mesmo descobrir o amor em paz, sem adultos para encher o saco.  Tinha lido sobre isso no livro Fadas no Divã. Psicanálise nas Histórias Infantis, vários anos atrás. Era na análise de Harry Potter, se bem me lembro.  Segundo a pesquisa, é absolutamente incomum no Japão, assim como em outros países desenvolvidos, que um adolescente more sozinho em seu próprio apartamento.  Uma pessoa respondeu “Salvo se for o dormitório de um colégio interno, eu nunca vi, ou ouvi falar de um colegial vivendo por conta própria”.  Resumindo, é uma mera fantasia.

A primeira formação do conselho de estudantes de Maria-sama ga Miteru.
2. O conselho estudantil tem muito poder – Outro dos clichês recorrentes, e vale comédia ou drama,  é a presença do Seitokai (生徒会), o conselho de estudantes.  Eles e elas podem ser o elemento estabilizador da escola, os inimigos do/a protagonista, um grupo ditatorial, enfim, há para todos os gostos.  Agora, para a maioria dos que responderam, essa coisa de conselho de estudantes mandando e desmandando, sendo os ídolos da escola, é absolutamente ridículo.  Uma pessoa que respondeu simplesmente disse que fez parte do conselho de estudantes e simplesmente não tinha autoridade nenhuma.  Tudo coisa da ficção.

Almoço no telhado da escola?  Nem pensar!
3. Escapadas no terraço do colégio – É o típico lugar no qual a/o protagonista vai para ficar sozinho/a.  No terraço acontecem conversas fundamentais para o andamento da história.  Grandes declarações de amor ou de guerra.  É onde amigos vão fazer as refeições.  é o point de qualquer colégio da ficção.  Esqueça!  Os alunos são proibidos de subir até o telhado, não raro há uma porta com cadeado. E como seria diferente?  Pensem na tentação do suicídio.

F4 são pura ficção.
4. As escolas estão cheias de gente bonita – Os colégios japoneses são cheios de adolescentes comuns, gente bonita, elegante, super glamorosa?  Enfim, só na ficção, a regra é que sejam adolescentes comuns passando pelas mesmas angústias com a aparência da maioria dos jovens dos centros modernos do mundo.  Você não vai encontrar um ikemen ou uma bishoujo em todo corredor.

Agora, pensem na imagem que é vendida do Brasil e a nossa principal vitrine são as novelas produzidas pela Rede Globo.  Uma vez saiu uma matéria no Correio Braziliense, o principal jornal de Brasília, entrevistando jovens estudantes africanos no Brasil.  Um deles, um angolano, disse que se espantou ao chegar por aqui, porque, bem, os brasileiros eram mais negros do que ele via nas novelas.  Muito mais, na verdade.

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3 pessoas comentaram:

Isso é algo que enche muito a paciência de que já assiste animes a alguns anos, falta criatividade, os autores sempre preferem o caminho fácil ao invés de escrever relações críveis entre o elenco.

O único cliché que dá para argumentar ali é o do telhado quando as escapadas são clandestinas. Eu mesmo tive algumas chaves de uma escola onde estudei, possível é, mas fora casos como o de Sakamichi no Apollon é uma pena ser tão banalizado.

Em retratos da escola, Karekano continua sendo meu favorito.

Incluir pais como personagens na trama aumenta muito o trabalho do autor.
Por isso, a saída mais fácil é os pais serem ausentes, distantes ou mortos mesmo.
É um clichê que chega a incomodar de tão comum.
Mas todas as obras de ficção tomam liberdades com relação à realidade. Faz parte.

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