domingo, 10 de dezembro de 2017

Chega ao final os 16 Dias de Ativismo pelo fim da violência contra as mulheres


No dia 25 de novembro, Dia Internacional da Não-Violência contra a Mulher, começaram os 16 dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres.  O período termina no Dia dos Direitos Humanos, data estabelecida pela ONU, em 1950, dois anos após a Organização das Nações Unidas (ONU) adotar a Declaração Universal do Direitos Humanos como marco legal regulador das relações entre governos e pessoas.  O estabelecimento desse acordo internacional, do qual o Brasil é signatário, foi impulsionado pelo horror do Holocausto produzido pelos nazistas, não somente contra os judeus, diga-se de passagem, mas contra ciganos, homossexuais, deficientes físicos e mentais, soviéticos etc.


O respeito à dignidade humana por parte dos Estados, entidades que dispõe de força, afinal, os pilares da instituição na modernidade se assentam o seu monopólio e da lei, são importantes para todos nós.  É a violência dos Estados, que produziu os grandes genocídios do século XX, e pode levar populações inteiras à fome, impor-lhes o terror, impedir-lhes o direito de ir e vir, o poder sobre seus próprios corpos, os mínimos direitos de trabalho. Essas preocupações inspiraram esta data e a luta constante em várias instâncias para que mínimos direitos fossem garantidos a todos os seres humanos independente do sexo, idade, religião,  etnia etc.  Infelizmente, no Brasil, dia após dia, a mídia e políticos despreparados reforçam para a opinião pública que direitos humanos são um privilégio dos marginais, sim, eles e elas também são humanos, mas esses direitos são seus, de todos nós.  Por exemplo, em vários Estados do Brasil, o Governo se exime de pagar salários e aposentadorias, privando pessoas, famílias, idosos e idosas, de seu sustento.  Isso é desrespeito aos direitos humanos. A coisa, claro, pode ser macro, ou micro, mas direitos humanos são para todos.


Já que, aqui, no Shoujo Café,  falamos de mulheres, especialmente, pergunto: alguém lembra do caso Cláudia?  Foi a mulher negra, pobre, ferida pela PM e colocada dentro da caçamba da viatura.  Ela terminou sendo arrastada e morta.  Ano que vem, completaremos três anos de sua morte.  Mãe de família, casada, trabalhadora,  cuidava de seus filhos e ainda de sobrinhos.  Todos esperam justiça.  Você sabia que uma mulher negra, se for jovem, não era o caso de Cláudia, ela tinha a minha idade, tem duas vezes mais chance de morrer do que uma que não seja negra?  Racismo e o fato de boa parte da população pobre e miserável, especialmente, nos grandes centros, ser negra, pesa para isso.  Ser pobre, agrava a possibilidade de uma mulher ser alvo de violência.  Um outro dado que acessei faz pouco, aponta que 23% dos homicídios de mulheres no Rio de Janeiro, ocorrem na Baixada Fluminense.  Uma das áreas mais carentes do estado, não deve ser muito diferente em outrs unidades da Federação.   Fora as ameaças, as que não morrem, ou não morreram ainda.  


Se a fonte da violência nem sempre é o Estado, este, muitas vezes, faz vista grossa e se torna cúmplice ao não se esforçar por implantar na escola uma educação que enfatize os males da violência de gênero.  Sim, GÊ-NE-RO.   Se você não discute as bases machistas de sustentação de nossa sociedade, se não repensa o modelo tóxico de masculinidade que permeia a educação de nossas crianças, as coisas não vão mudar.  E situações como essa aqui: um homem, por acaso, policial, daí estar legalmente armado, é rejeitado, bebe, e, depois, mata uma moça.  Foram pelo menos 20 tiros.


Terminando, não posso esquecer de um dos maiores ataques aos direitos das mulheres em nosso país.  Não pensem que os homens - porque são eles que vão decidir mesmo - que querem confiscar a possibilidade de interrupção de gravidez nos casos previstos pela lei vão desistir, a PEC Cavalo de Tróia será votada.  Eles vão fazer o possível para tornar nossa vida, a de nossas filhas, irmãs, netas, amigas, da mulher desconhecida que vemos na condução, ainda mais miserável.  Sem mobilização, até o mínimo nos será tirado.

Agora, a parte nada a ver:


Isso, aqui, faz diferença para mim.
P.S.1: Um homem deixou um comentário acusando-me (*porque o tom era este*) de ser fã de Fidel Castro e hipócrita, portanto, ao falar de direitos humanos, porque o finado ditador de Cuba não os respeitava.   Não há um post sequer no Shoujo Café sobre Fidel e, claro, o cidadão não deve dar a mínima para a violência contra as mulheres.  De resto, eu sou tão admiradora de Fidel por sua importância histórica e pela relevância da Revolução Cubana, quanto sou de Churchill (*cito várias frases dele em minhas aulas, meus alunos e alunas podem testemunhar*), de Tito e tantos outros homens e mulheres que tiveram seu papel destacado em nossa História.  Agora, como sou pessoa adulta, sei que nenhum deles era perfeito, eram gente de carne e osso, sabe?  Há uns e outros que erram mais, erram menos, de quem a gente quer distância, enfim. Fidel, por exemplo, nunca rompeu com Franco e Franco era tudo, menos flor que se cheirasse.  Mas Churchill permitiu a destruição de Dresden como vingança, assim como a morte de milhões na Índia para que a produção de grãos de lá pudesse alimentar tropas britânicas durante a II Guerra. Enfim, fã-tiete não sou de ninguém.  Não que isso importe a quem apontou o dedo.  Esse tipo de pessoa - que desconfio ser um desafeto de longuíssima data (*odiar alguém por dez anos, ou mais, é realmente prova de afeição, porque ódio é uma forma de afeto*) - não se preocupa com violência contra as mulheres, ou direitos humanos, quer simplesmente atacar em cima do vazio, fazendo analogias sem nenhum fundamento histórico.  Aliás, para ele, quem admira Fidel, admira Pinochet.  Só por aí, já dá para tirar o tipo de gente que é.  De resto, seus comentários jamais serão publicados no Shoujo Café, ainda mais quando descolados do assunto do post.  Pode escrever á vontade, a moderação (*EU*) não vai aprovar.  Feliz Natal!

P.S.2: Pronto, agora tem um post falando de Fidel Castro no Shoujo Café! :D

P.S.3: Não adianta deixar mais comentários (*acabei de recusar mais um*).  É perda de tempo.  Monte um site para denunciar as atrocidades (*supostamente*) cometidas por Fidel Castro e seja feliz.

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