sábado, 2 de dezembro de 2017

Você não precisa gostar da Anitta para entender


Anitta, a cantora e celebridade brasileira, foi escolhida mulher do ano pela revista GQ, especializada em moda, celebridades e coisas do gênero. Quem era sua principal competidora? Bruna Marquezine.  Esta "notícia" apareceu várias vezes na minha TL (*time line*) no Facebook, mas eu não comentei nada, no entanto, hoje decidi escrever algumas linhas sobre a questão, coisa pouca. 

Quando a "notícia" aparecia na minha TL, os comentários eram todos desqualificando Anitta e quem a premiou, como se fosse a ONU, ou uma instância qualquer do governo brasileiro. Não raro, diziam que quem deveria ser premiada era a professora Helley Abreu Batista, que morreu tentando salvar criancinhas (*como a minha*) no incêndio criminoso de uma creche em Minas Gerais.

Uma das frases slut shaming mais famosas em nossa língua.
Olha, acho justo que a professora seja lembrada e honrada, que vire nome de escola, praça, melhor ainda, que seus três filhos menores de idade, um deles um bebezinho, recebam o amparo do Estado que pagava somente 1500 reais para sua mãe.  Agora, uma coisa nada tem a ver com a outra. Ademais, o que eu vi na indignação das pessoas - amigos e amigas de esquerda (*gente que supostamente paira acima dos preconceitos*) inclusos - foi o mais puro slut shaming, isto é,  eles e elas estavam estigmatizando e tentando humilhar (*porque Anitta continua faturando independente das ofensas*) uma mulher por transgredir a boa conduta social, portando-se como uma prostituta, na opinião de alguns.  E Anitta inclusive já foi ofendida nesses termos por um pastor vereador do Rio de Janeiro que a chamou de "vagabunda de quinta" em um texto intitulado "Cantora ou Garota de Programa?".

Quem faz esse tipo de coisa, não percebe ou não quer perceber que não está honrando a professora morta, mas dividindo as mulheres entre as santas e as putas, as que merecem ser honradas (*quando mortas, melhor ainda*) e as que merecem ser humilhadas, as para casar e as outras, as que merecem ser estupradas e as que se respeitam. Você não precisa ser fã de Anitta (*eu não sou*), para entender que se trata de uma atitude machista das piores.  Convém repassar essas coisas?  Você realmente acha que está honrando a professora morta, ou simplesmente reforçando os piores clichês a respeito das mulheres?  Pense um tiquinho antes de seguir com a multidão.

Bem assim para a maioria.
E mais, o salário pago para uma professora como Helley deveria ser maior motivo de revolta do que uma revista de celebridades dar um prêmio para a Anitta, Bruna Marquezine ou quem quer que seja.  É isso.

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