quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

O que me dei de aniversário: Recomendação de livro


Fazia anos que estava namorando a coleção sobre as cores do historiador francês Michel Pastoureau.  Especializado em heráldica e simbologia medieval, a maioria dos seus livros nunca saiu no Brasil.  Da sua coleção sobre as cores - Preto, Azul, Verde e Vermelho, até o momento - somente uma saiu no Brasil. E saiu relativamente rápido, Preto: A História de uma Cor (Noir Histoire d'une couleur) foi lançado na França em 2008, aqui, em 2011.  Só que ficou nisso.

Capa Francesa.
A edição brasileira tem capa semelhante à francesa (*as norte-americanas são mais bonitas*), encadernação de luxo, lindas imagens e uma tradução que me pareceu de boa qualidade.  Tenho praticamente nenhum livro da editora do SENAC, porque, bem, eles cobram caro, mas o padrão dos livros, o quesito aparência, normalmente, é alto.

As belas capas americanas.
O estudo sobre o significado do preto começa com Egito, Roma e Grécia, como os antigos percebiam a cor e sua função, tem uma parte considerável sobre o período medieval (séc. V-XV) e segue falando de como o preto se tornou cor da moda (*primeiro corte de Borgonha, mas não de forma hegemônica, mais tarde com os espanhóis*) e como a Reforma Protestante deu um empurrão para que o preto ficasse em evidência (*sobriedade, rejeição da vaidade e do luxo etc.*).  

Vídeo mostrando o livro sobre o Vermelho, a cor favorita 
do período medieval, seguida do... Preto?  Não!  Azul!

Há alguma coisa sobre nossos dias, mas é aquilo, livro de medievalista é muito mais centrado na Idade Média e, bem, esse período para a historiografia francesa e a nossa, que a segue de perto, termina no século XV.  Séculos XVI-XVII, ainda que considerados Idade Média para os britânicos, para nós, brasileiros e para os franceses, não é.  E o que me fez comprar o livro já que eu ficava no vai não vai por anos?  A Novela Deus Salve o Rei e a irritante cantilena do "é uma novela medieval", quando faz uma mistura preguiçosa do período com a época moderna, e sua monotonia de cores que muitos passaram a ver como sinônimo da Idade Média.


Monges Cluniacenses (de negro) e Cistercienses (de branco) defendiam
suas cores e desqualificavam a dos rivais.
Curiosamente, o Medievalists, grupo do Facebook, publicou um texto sobre cores na Idade Média.  Eu não sou especialista nisso e não sabia que se trabalhava com sete cores (*se bem que sete é número mais que marcado*) durante o período: branco, amarelo, vermelho, verde, púrpura e preto.  Segundo Pastoureau, o preto não foi uma cor muito popular pelo menos até meados da Idade Média, porque estava associada ao diabo, ao inferno, ainda que fosse utilizada pelos poderosos monges de Cluny.  E que quando a ordem de Cister, outra ordem beneditina e dissidente de Cluny, houve uma querela por causa das cores, já que o novo grupo adotou o branco.  Pastoureau diz, também, que aproximadamente 25% dos brasões usavam o preto, mas que a cor verde, a do equilíbrio, era a menos utilizada, curiosamente. 

Os meus livros são menos desorganizados
que o do Michel Pastoureau.  Essa foto me fez bem, sabe?
Como são somente quatro livrinhos, vou comprar um por vez, afinal, eles custam em média 100 reais.  Comecei com o preto e encomendei a edição americana do azul.  Está muito mais em conta que a francesa.  Comprei no Amazon, o preço está bom, mas vocês podem achar a edição brasileira do Preto mais barato no Submarino, na Saraiva e nas Americanas.  Eu deveria ter checado.  Na Saraiva, é possível encomendar e buscar na loja, assim, dispensa o frete e o preço realmente fica menor.  E as outras lojas parcelam, coisa que a Amazon não faz.  Ah, e, aqui, uma entrevista em português com o Pastoureau.  Vale a leitura.

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