quinta-feira, 22 de março de 2018

Comentando os dois primeiros Capítulos de Orgulho & Paixão


Com um capítulo somente é complicado escrever uma resenha.  Por isso, e por estar cansada e sem tempo, preferi comentar depois de assistir ao segundo capítulo, ainda assim, o que vou fazer nesse texto é externar primeiras impressões.  Não temos condições ainda de falar em acertos e erros, porque mesmo o que eventualmente não me agradou, pode ser ajustado.  Não assisti ao primeiro capítulo de Orgulho & Paixão na hora da exibição, porque estava fora de casa.  Tive que assistir depois.  O segundo, consegui ver na hora que estava passando, mas com algumas interrupções (*Júlia precisa de atenção*).  

Os dois primeiros capítulos, especialmente, o primeiro, tiveram a função de apresentar os núcleos e as personagens principais, assim como o encontro entre as protagonistas.  Elisabeta (*ai, este nome*) e a família Benedito; Darcy, Camilo, sua mãe (Gabriela Duarte), Susana e a criada; Ema e sua amizade por Elisabeta; Jorge (Murilo Rosa) e o Coronel Brandão (Malvino Salvador).  Tudo foi feito de forma muito ágil e colorida.  A novela terá cor e eu gosto de cores e figurinos criativos quando elas são bem utilizadas, inclusive, para marcar as características da personalidade das personagens.  


É preciso cuidado para não virar pastelão.
A fotografia da novela também pareceu bonita, como havia pontuado antes, uma das referências óbvias é o filme Orgulho & Preconceito de 2005, como nesse fundamento o filme é muito bom, não tenho do que reclamar.  Aliás, quem assistia Tempo de Amar se acostumou ao belo, fotografia, figurino e texto tão bonitos que conseguiam, inclusive, fazer a gente relevar as falhas de roteiro (*mas eu ainda  farei um texto sobre a novela que terminou*).  Mas vamos ao que importa de verdade, pelo menos, para mim: o tom da trama, o roteiro e as personagens.  

Orgulho & Paixão será uma comédia.  Eu esperava uma dramédia, que seria aquele intermediário mais interessante, uma história séria que pode ser contada de forma engraçada em alguns momentos.  A gente sabe, quer dizer, quem já leu Jane Austen sabe, que a autora gostava de humor, só que não é bem o mesmo tipo de humor que a novela de Marcos Bernstein decidiu oferecer aos telespectadores.  Até aí, nenhuma objeção, trata-se de uma adaptação livre, o problema é se tornar uma comédia pastelão (*como bem pontuou o texto do jornalista Nilson Xavier*).  Lídia no chiqueiro, me lembra Walcyr Carrasco e, bem, deixem para ele essas piadinhas rasteiras.  Dito isso, algumas piadas funcionaram muito bem, outras nem tanto.  


Grace Gianoukas está arrasando como Petúlia. 
Foi inventada para a novela.
Continuo acreditando que a Lídia de Bruna Griphão vai roubar as cenas.  Já a empregada de Susana, vivida por Grace Gianoukas, está ótima. E a vingança que ela armou no capítulo de ontem? Já a vilã principal, Alessandra Negrini, me parece caricata ao extremo.  Eu gosto da atriz, a considero bem competente, mas a forma como ela conduz a personagem não passa a necessária dubiedade.  Ela é inspirada em Lady Susan e a original sabia enredar, seduzir, passar-se por inocente.  Só que ela herdou a parte que caberia à Caroline Bingley, a irmã que Camilo deveria ter e que assediava Darcy.  Bem, bem, Susana é tão direta, tão vulgar que o Darcy original não a toleraria.  Só que não se trata do Darcy de Jane Austen... 

Uma das coisas acertadas que a novela fez, e que eu tinha comentado em um texto anterior (*eu sei que minha sugestão nada teve a ver, mas fiquei contente*), é que alteraram a ordem das irmãs.  Como Nathália Dill, que faz Elisabeta, é bem mais velha que Pâmela Tomé, a Jane, seria melhor que a protagonista fosse mais velha.  Acertadamente, tornaram Elisabeta a primogênita e já estabeleceram que ela caminha para se tornar uma solteirona.  Da mesma forma, Camilo (Maurício Destri) sugeriu ao amigo Darcy (Thiago Lacerda) que já estaria mais do que na hora dele se casar.  Tanto Dill, quanto Lacerda, são bem mais velhos que as personagens originais do livro.


Elisabeta causando no baile.
Falando das protagonistas, Nathália Dill está muito bem.  Não me agrada o tom über-feminista que lhe deram, acredito que deveriam temperar melhor as coisas.  Detesto o tipo de personagem que não tem muita noção de quem é, em que época está e que não se pode dizer qualquer coisa para qualquer um em qualquer lugar.   Personagens assim, tendem a parecer mimadas e, não, fortes, mas, OK, a atriz sempre se entrega aos papéis e é muito competente e o terninho do baile foi resolvido de forma muito inteligente.  Muito mesmo.  A sua Elisabeta tem humor e certa malícia, mas falta o bom senso da personagem original, que nunca se colocaria em uma situação que causasse ridículo a si ou sua família.  Agora, o que não foi nada coerente é a colocarem estimulando uma das irmãs mais novas, Cecília, a se envolver com um homem conhecido por ser um casanova, Rômulo Tibúrcio, personagem de Marcos Pitombo, até agora o pior ator em cena.  

Como inseriram um interesse romântico para Lídia, um jovem militar, Randolfo (Miguel Romulo), não sei, não sei mesmo, como será trabalhada a questão de Wickham, se ele existe, se será o tal Xavier Vidal (Ricardo Tozzi) ou Diogo Uirapuru (Bruno Gissoni).  E Wickham é importante para definir a relação entre Darcy e Elisabeta.  Aliás, o primeiro encontro entre Darcy e Elisa (*vou chamá-la assim daqui por diante*) foi antes do baile.  O Darcy de Thiago Lacerda é bem diferente do original, na medida que parece muito mais aberto e sociável.  O impacto original do seu caráter aparentemente orgulhoso provavelmente não será visto em tela.  


Será que teremos a cena da camisa molhada? 
Entendedoras, entenderão... 
Neste caso, não se trata somente do tom imprimido pelo ator, da sua leitura da personagem original, parece outra pessoa.  Falo como alguém que já viu pelo menos sete interpretações - Laurence Olivier, David Rintoul, Colin Firth, Matthew Macfadyen, Elliot Cowan, Sam Riley e Matthew Rhys - e cada um o faz a sua maneira, mas sempre começam a história como pessoas reservadas, sem expressarem abertamente seus sentimentos.  O livro oferece um parâmetro, não sei se orientaram Thiago Lacerda a fazer a coisa de forma diferente.

Darcy teve um embate com a protagonista logo no primeiro capítulo, mas ele não pareceu destoar do que era socialmente esperado, ela, sim, mostrou-se até mal-educada, e voltem ao parágrafo em que comento sobre a protagonista para entender o que estou apontando, por favor.  Tentaram, no entanto, mostrar que Darcy é sério (*não me convenceram, mas...*), antiquado (*para os padrões da mocinha, o que não é algo que veio do original*), mas responsável e compassivo.  A cena do trabalhador ferido serviu para mostrar-nos que, independente do que a mocinha vier a pensar dele, nós já sabemos que ele tem um bom coração.  A vantagem de certas adaptações é que ão vemos Darcy somente a partir do que a mocinha pensa dele.  Ele pode falar por si mesmo.  A novela só está seguindo, neste caso, na boa seara de adaptações como a de BBC de 1995.


Acredito que o uso do azul no figurino de Jane é
para se remeter à imagem da Cinderela da Disney.
As demais personagens, Camilo, nosso Mr. Bingley, agora convertido em filhinho da mamãe, não segue muito diferente do original.  A Jane de Pâmela Tomé é adorável e inocente como precisava ser.  Vera Holtz está exagerada, mas a personagem permite isso, a mãe das meninas de Orgulho & Preconceito é sempre uma personagem chamativa.  Já o pai, interpretado por Tato Gabus Mendes, parece um pouco mais presente e intervencionista na educação das filhas do que o original, vide o fato de castigar Lídia.  De novo, isso não atrapalha em nada.  Como as tramas mais difíceis de encaixar, em minha opinião, são Northanger Abbey e Mansfield Park, não sei ainda o que dizer de Cecília, ou de Fanny, está última só apareceu de longe.  Acredito mesmo que tenham sido as duas tramas que vão ser mais descaracterizadas, a ponto da gente mal reconhecer alguns elementos.

Falando de Mariana, Chandelly Braz, a atriz mais velha entre as irmãs, não se destacou ainda.  Ela foi descrita como a mais cabeça de vento, atirada.  Concordo com quem apontou que tiraram Kitty e Mary, as irmãs originais e que não tinham tanto destaque no livro, e colocaram Cecília (Northanger Abbey) e Mariana (Razão e Sensibilidade) para ter mais material para trabalhar, mas tudo vai depender de como elas irão se inserir na trama.  Continuo não gostando de Malvino Salvador e seu Brandão, que deverá ser o par romântico de Mariana, não se aproxima em nada da personagem de Razão & Sensibilidade.  De todos que foram trazidos da obra original de Austen, ele é a mais descaracterizado.  Ele era reservado, melancólico, e o colocaram como um militar estereotipado, aquele mais raso, maníaco por ordem, disciplina, e com uma obsessão pela boa forma física.  


Esse Brandão é a coisa mais afastada do
livro original que poderiam arranjar.
Brandão parece ter sido transformado, também, em melhor amigo de Jorge, o Mr. Knightley.  Se eu até acho que Murilo Rosa está bem como a personagem, sua interpretação me lembra um pouco a de Mark Strong (*meu Mr. Knightley favorito*), ver dois homens de meia idade, no início do século XX, se reunindo para chorar as pitangas amorosas por mocinhas bem mais jovens, me parece um tanto deslocado da realidade.  Parece coisa de adolescente e eu tremi quando li o termo friendzone associado à relação entre Jorge e Ema.  Mr. Knightley ama Emma em segredo, é discreto e paciente, a corrige se necessário (*a relação, nesse caso, é bem patriarcal*), não fica se arrastando atrás dela e sendo subserviente.  A personagem de Murilo Rosa parece estar nessa situação um tanto constrangedora.  Talvez, no afã de fazer a história correr, colocam ambos - Brandão e Jorge - angustiados em se declararem.  Brandão para Mariana.  Jorge para Ema.  Espero que não precipitem as coisas.  Espero mesmo.  

E falemos de Ema para terminar esse texto que já vai longo demais.  Agatha Moreira é co-protagonista.  Ela faz uma Ema espevitada, expansiva, meio hiperativa e casamenteira como a original.  Mudaram várias questões no seu entorno.  A Emma de Austen não tem avô, mas um pai idoso, hipocondríaco, complacente com a filha caçula. E há uma irmã mais velha casada com o irmão de Mr. Knightley.  Na novela, sua família está falindo e ela não sabe.  Logo a única protagonista rica de Jane Austen deve ficar pobre...  Enfim, o que criaram de forma muito bem-sucedida foi a amizade entre Emma e Elisa.


Essa parceria será muito interessante.
E está legal de se ver a parceria entre Agatha Moreira e Nathália Dill.  Para quem torce o nariz com as adaptações, pense que já fizeram livros e outros materiais com as protagonistas de Austen se encontrando.  Desde as primeiras chamadas vi gente shippando Ema e Elisa.  Se você está vendo um casal quando olha para Ema e Elisa, faça seus fanfics e fanarts, quando fãs se empolgam com um casal e não são atendidos, eles e elas colocam-se a trabalhar na internet.  E há gente histérica que acha que a Globo vai introduzir sua (*suposta*) agenda esquerdista-gayzista-feminista na novela, acho que só a feminista vai aparecer.  Aliás, a mãe de Camilo, a vilã de Gabriela Duarte, é outra que tem um discurso feminista na ponta da língua.  Ela poderá até fingir-se conservadora, mas ela é a mulher forte e bem-sucedida em um mundo de homens.  Já Susana é comente sonsa e hipócrita.  

Enfim, Ema não percebe o amor de Jorge, assim como na obra de Austen, mas seu interesse amoroso, quando aparecer, não será tirado do livro original, ao que parece.  Outra coisa é que ela tentará empurrar Jorge para a personagem de Letícia Persiles.  Não sei se Amélia foi inspirada em uma personagem original de Jane Austen.  Acho Persiles tão boa, que ela deveria ter uma personagem de destaque.  Agora, algo que me saltou aos olhos, e talvez tenha me expressado mal no Twitter, é que ela parece triste e caracterizada como uma mulher da década de 1850.  Cabelo, postura corporal. Será que o autor tem algum plano para ela?  Eu fiquei curiosa.


A dona da venda, que aparece com Vera Holtz,
não precisava ser branca, precisava?
É isso.  Lamento não terem pego Persuasão, a ideia do Capitão Wentworth negro, daí o impedimento para que ele se casasse com a mocinha, poderia ser muito bem utilizada na trama de Orgulho & Paixão.  De resto, não se justifica que a novela tenha um elenco totalmente branco.  Criaram várias personagens, quase todas elas poderiam ser não-brancas, como a dona da venda, o jovem militar apaixonado por Lídia e por aí vai.  Trata-se mais uma vez de perpetuar um modelo de sociedade brasileira mais branca do que ela de fato é. 

Em relação á audiência, o primeiro capítulo não bombou, por assim dizer.  Parece que, especialmente em São Paulo, a novela não conseguiu atrair atenção, e não foi porque Tempo de Amar tenha entregado a audiência em baixa. Mas acredito que a novela vá conseguir se destacar conforme for se desenrolando. Ontem, com o apagão, nem vale comentar. dizer, mas Vamos parar agora, devo ter esquecido alguma coisa, claro.  Mas escreverei mais sobre a novela em outras ocasiões.  Aí embaixo, está o vídeo de apresentação da novela que foi exibido depois do último capítulo de Tempo de Amar.

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7 pessoas comentaram:

"detesto o tipo de personagem que não tem muita noção de quem é, em que época está e que não se pode dizer qualquer coisa em qualquer lugar. Personagens assim, tendem a parecer mimadas e, não, fortes"

Que ótima colocação! Você exprimiu bem um problema recorrente que eu tenho com personagens "feministas" e "progressivos" em textos de época escritos por autores contemporâneos. Um personagem com ideias "modernas" para o período não significa um personagem que age de qualquer maneira. A Elizabeth original tinha ideias progressistas para a época (recusou ofertas de casamento porque considerou a sua felicidade mais importante do que sua estabilidade financeira futura; recusou-se a simplesmente abaixar a cabeça e concordar com pessoas hierarquicamente superiores a ela), mas ao mesmo tempo ela tinha uma rígida noção do que era ou não apropriado - vide a sua mortificação com o comportamento inadequado da sua família durante o baile de Netherfield. Comportamento esse, diga-se de passagem, nem de longe tão inapropriado quanto o da Elisabeta da novela, que deliberadamente causou um escândalo e se colocou no centro das atenções...

O personagem do Bruno Gissoni, Diogo Uirapuru, deve fazer as vezes do Wickham e do Willoughby de R&S, pois supostamente se envolverá com Lídia e com Mariana antes dessa se acertar com o Coronel Brandão. A história dele, no entanto, puxa mais pro Wickham, pois parece que ele chegou a ser amigo do Darcy e teve um envolvimento prévio com a irmã deste (Charlotte, nessa versão), que voltou a Inglaterra para se afastar dele. Logo, imagino (ou ao menos torço) que ele continuará sendo uma peça importante para a evolução da relação entre Elisa e Darcy.

O Darcy do Lacerda pode até ser um pouco mais aberto e sociável do que a sua versão literária, mas acho estranha a ideia que parece recorrente no twitter de que o original era um personagem altamente sisudo. Uma reclamação frequente é que ele sorri demais (o que, curiosamente, é uma reclamação de Darcy sobre Jane no original...), mas a verdade é que no livro Darcy sorri com certa frequência. Quando Elizabeth vê o retrato dele em Pemberley, uma das coisas que ela nota é que o sorriso da imagem é o que ela tinha visto no rosto dele várias vezes quando ele olhava para ela.

Comentei em outro texto seu que também achei um desperdício não terem aproveitado a trama de Persuasão, que poderia facilmente ter sido adaptada para colocar um ator negro num papel de destaque como o Capitão Wentworth. Você lamentou no twitter não saber como abordar o fato da novela ser tão branca, considerando que as obras de Austen também o são. Isso me trouxe em mente o fato de que existe uma personagem não-branca da Austen e que ela poderia ter se encaixado perfeitamente no contexto Brasileiro da novela.

Além das seis novelas 'tradicionais' e da epistolária Lady Susan, a obra de Austen inclui também algumas publicações inacabadas devido a sua morte precoce. Uma delas é Sanditon - um livro que foi publicado diversas vezes em sua forma fragmentária e "completado" por vários autores, inclusive uma das sobrinhas de Austen. Em Sanditon, uma das personagens que se destaca é Miss Lambe, uma herdeira caribenha e "meio mulata" (ou seja, que provavelmente tinha uma avó negra) que está estudando num seminário para moças na Inglaterra.

Uma versão brasileira da "Srta. Carneiro" apresentaria uma infinidade de possibilidades na trama da novela. Será que ela tenta esconder sua origem, para ser mais bem aceita na sociedade? Ou será que, como Chiquinha Gonzaga (que estava no auge da sua fama no período onde se passa a novela), ela tem orgulho de suas raízes? Como uma personagem como a Sra. Benedito encararia o fato de uma moça negra ser mais rica e prendada do que as sua filhas? Realmente, uma oportunidade desperdiçada...

Sobre a questão da adaptação, li apenas Persuasão e Orgulho e Preconceito então estou no grupo "melhor não opinar".
Com relação à novela em si não detestei o que vi até agora, mas tive a impressão de estar vendo quase um programa infantil, as cores vibrantes, nenhuma sutileza nas falas, atuações, ideias ou humor. A apresentação que foi feita de personagens e situações, me fizeram associar muito mais as princesas Disney do que ao pouco que conheço de Austen. Tem sido impossível olhar pra Jane e não pensar em Cinderela e Cecília e seu par romântico me remetem à Bela e a Fera, assim como Elisa,o cavalo Tornado e sua vontade de "conhecer o mundo".
Concordo muito com sua colocação sobre essa maneira de representar mulheres contestadoras que acaba soando deslocada. Gosto da atriz, mas até o momento Elisa não me pegou, ela parece estar um tom mais auto do que deveria, tanto em atuação quanto texto e me remeteu ao estereótipo de adolescente tentando impor sua personalidade e não a uma filha primogênita, adulta e teoricamente consciente de seu papel na família. Sobre Darcy também vi outro personagem, mas talvez por ele me parecer mais adequado ao contexto não me incomodei.
Vou continuar acompanhando e ver se essas impressões iniciais não se alteram.
Valéria vi um tweet seu sobre a mudança da frase de Darcy no baile, mas sabe que isso eu achei legal, me pareceu uma adaptação interessante daquela máxima que mulheres com personalidade forte (expressão que eu particularmente detesto), nunca arrumam marido.

Tenho que morder a língua porque, ao contrário do que imaginei anteriormente, estou gostando do Darcy de Thiago Lacerda. Aliás, a novela está me agradando bastante. Nunca esperei uma adaptação fiel da obra de Jane então estou satisfeita com o tom leve escolhido. Concordo que precisam tomar cuidado para não cair no pastelão. E é uma delícia ouvir diálogos que, mesmo adaptados, invocam a graça do texto original.

Que texto maravilhoso! Escreveu exatamente minhas impressões, principalmente no que falaste em relação a Elisa.

A personagem original nunca exporia a família a nenhum ridículo, além do que, estou achando essa personagem da versão brasileira muito grosseira. Em todas as cenas com Darcy, ela só dá patada.

Já a original, é eloquente, bem articulada, sem nunca perder a compostura. Sua malícia e cutucões no Darcy são sutis, inteligentes. Essa expressividade que é peculiar na personagem original foi justamente o que fisgou a atenção dele. A Beta, por sua vez, tem deixado a desejar. Está personificando um mulher descontrolada. Mimada mesmo, como disseste.

Outra coisa que ressalto no seu texto foi a colocação sobre a modernidade e a progressividade condizente com a época da trama. BRAVO! Isso mesmo, Valéria. A personagem tá deslocada nessa linha temporal. Comportamentos incoerentes.

Talvez o 1 capitulo nao tenha bombado em SP, porque caiu uma tempestade imensa e as pessoas nao conseguiram chegar a tempo... Do resto ha eloquencia no seu texto.

Eu não estava sabendo. Essa informação faz muita diferença.

Valéria, apenas quero registrar que estou fazendo um passeio por seu blog e lendo vários dos seus textos sobre a novela, bem como sobre as outras adaptações de Orgulho e Preconceito, e estou simplesmente amando! Que escrita boa a sua! Parabéns pelo clareza e pelo estilo!

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