sexta-feira, 8 de junho de 2018

Autor é punido por comentários racistas e anime baseado em sua obra é cancelado


Apesar da complacência com Nobuhiro Watsuki, nem todo mundo tem a estrela do autor de Rurouni Kenshin (るろうに剣心) e pode sair por aí falando e/ou fazendo bobagem.  Pois bem, havia sido anunciado o anime baseado nas light novels Young Again in Another World (Nidome no Jinsei o Isekai de/二度目の人生を異世界で), cujo autor se chama Mine.  Nem sabia do que se tratava, mas o “Isekai” do título já sugere aquela coisa de protagonsita em outro mundo, neste caso, parece que a personagem central morre e acorda em outro lugar e lá começam suas aventuras.

Tudo ia bem, até que o tal Mine se empolgou no Twitter e passou a despejar ofensas racistas contra a China, que ele chamou de país de insetos (*entre outras ofensas*), e a Coréia do Sul, de nação de estupradores (*entre outros mimos*).  Estou me baseando nas traduções do Anime Herald, então, quem quiser ler em inglês, visite a página.  No caso da Coréia, o sujeitinho estava indignado com as discussões sobre as “mulheres do conforto”, meninas e mulheres (*chinesas, coreanas, filipinas, indonésias, etc.*) que foram sexualmente escravizadas pelos japoneses durante a II Guerra.  Coisa torpe.  E, bem, o Japão cometeu inúmeras atrocidades na China e Coréia durante a 2ª Guerra e mesmo antes, crimes que não foram devidamente compensados.



Obviamente, dados os precedentes de crimes cometidos por mangá-kas, ele achava que iria passar batido.  Não sei se foi por ele não ser famoso, não ter inventado um Rurouni Kenshin, ou porque mexer com prostituição e exploração de meninas seja menos ofensivo do que despejar racismo por aí, mas o fato é que a produção do anime foi cancelada.  Antes mesmo do Estúdio anunciar o cancelamento, quatro dubladores se pronunciaram dizendo que não iriam mais participar da produção: Toshiki Masuda, Megumi Nakajima, Kiyono Yasuno e Nanami Yamashita.  Pior ainda, um site do porte do Hobby Japan anunciou que não venderá mais as light novels do cara.  



Concluindo, é bom ver uma reação como essa, muito bom mesmo, especialmente, porque é ferir o sujeito no bolso.  Não sou a favor, não sou mesmo, do ostracismo eterno, mas é preciso fazer com que sujeitos que despejam discurso de ódio sejam responsabilizados por eles.  Agora, o caso somente deixa mais evidente os dois pesos e duas medidas, vide o caso de Nobuhiro Watsuki que era consumidor de pornografia com crianças e adolescentes, pagou uma multa mínima, e seu mangá já voltou a circular no Japão.  Aproveitando o embalo, queria marcar que, nos EUA, a VIZ não retomou Rurouni Kenshin: Meiji Kenkaku Romantan: Hokkaidou Hen (るろうに剣心 -明治剣客浪漫譚- 北海道編).  Ponto para os americanos desta vez.

P.S.: Agradeço à Patrícia por ter me passado essa história.  Eu estava absolutamente por fora dessa confusão.

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