terça-feira, 1 de janeiro de 2019

O papel de Riyoko Ikeda e da Rosa de Versalhes nas trocas culturais entre Japão e Rússia



O site Yahoo Japão publicou uma longa matéria focando em Riyoko Ikeda, convidada de honra na Feira de Livros de Moscou.  Tentarei fazer um resumo do texto e, se alguém que leia japonês quiser me corrigir, sinta-se a vontade.  

O ano de 2018, foi o ano da Rússia no Japão e a visita de Ikeda foi patrocinada pela Japan Foundation.  A mangá-ka já havia visitado o país anteriormente, ainda na época da URSS, enquanto fazia seu mangá Orpheus no Mado  (オルフェウスの窓), publicado entre 1975-81 e que acompanha em determinado momento os acontecimentos da Revolução Russa.  Ikeda fala na matéria que sua visita permitiu perceber o quão grande e contraditório é o país.   Jotei Ekaterina (女帝エカテリーナ), mangá sobre Catarina II publicada em 1983, foi uma homenagem à Rússia, país que a deixou fascinada.  A matéria ressalta que a Rosa de Versalhes (ベルサイユのばら) nunca foi publicado na Rússia, mas que a série tem um grande fandom no país.


A partir daí, Ikeda fala das disparidades entre os salários de homens e mulheres quando ela entrou na indústria de mangá, em 1967.  Eles ganhavam duas vezes mais que as mulheres, na média.   Ela relata que, uma vez, questionou o editor-chefe sobre esse tratamento diferenciado e ele respondeu “Por que você está perguntando?  É o homem que sustenta a casa.  É natural que ele receba mais.”.  Na época, não se esperava que uma mulher tivesse carreira, tampouco, que adultos lessem mangás.  Foi a sua geração que ajudou a mudar essa ideia.

Ela começa a comentar sobre A Rosa de Versalhes, a importância do apoio dos fãs.  Ikeda diz  que queria que as estudantes pudessem perceber que a História [a disciplina] poderia ser algo divertido. Só que ela recebia cartas de mulheres, também, que falavam de sua admiração por Oscar.  Daí, ela comenta que 40, 50 anos atrás, as discussões sobre as diferenças entre homens e mulheres, e as limitações impostas a essas últimas, estavam em alta.  Seu trabalho mostrava seu interesse e preocupações com os problemas sociais.


Ela relata que professores japoneses estimulam seus alunos a lerem A Rosa de Versalhes como material complementar aos seus estudos sobre Revolução Francesa e o governo dos Bourbon na França.  Quando deu uma palestra na Universidade de Bolonha, por sua vez, o intérprete lhe contou que aprendeu a usar os honoríficos japoneses lendo A Rosa de Versalhes.  Já caminhando para o fim, a mangá-ka fala do seu interesse pela vida do presidente Putin e de como gostaria de fazer um mangá sobre a vida do estadista.  

O texto termina dizendo que o Japan Foundation informou que as animações japonesas  tem feito grande sucesso nos cinemas russos e que Mirai irá estrear em 2019,  no país.  Bem, depois dessa matéria sore Ikeda, seria interessante que algum mangá da autora fosse publicado na Rússia.  E, só lembrando, a JBC prometeu a publicação da Rosa de Versalhes no Brasil.  Segundo a editora, teremos dois volumes em janeiro.

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1 pessoas comentaram:

O legal é que a Rússia é do lado do Japão. Vladivostok pra Tokyo é 1 pulo.
Ikeda embaixadora cultural. Que maravilha.

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