terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Sete Recomendações de Livros para começar 2019


Uma amiga me convidou para um daqueles desafios de Facebook.  Deveria postar um livro por dia durante uma semana.  Decidi que só recomendaria livros de ficção.  Sei que sete é muito pouco, claro, mas decidi escolher livros que fossem significativos para mim e que eu consideraria bons para qualquer pessoa.  Como sempre, é possível fazer um post legal com isso, aqui está ele.  

Capa da época do filme.
Livro 1 - Entre Irmãs de Frances de Pontes Peebles.  

"Na pequena Taquaritinga do Norte, Emília e Luzia aprendem desde cedo o ofício da tia, a melhor costureira da região. Em meio a moldes, fazendas, linhas e agulhas, as moças vão tecendo caminhos inesperadamente opostos. Luzia é incorporada a um bando de temíveis cangaceiros e vai viver com eles no sertão. Mais tarde, ela acaba abraçando o ofício e recebe o apelido de Costureira, se tornando uma lenda no sertão.  Emília encontra no casamento a sua passagem para a tão sonhada vida na capital, o Recife. Sertão e cidade desafiam as irmãs a se transformarem, mas o laço que as une não se abala com as mudanças, e elas farão de tudo para tentar proteger uma à outra."

Li o livro ano passado e não fiz a resenha que ele merecia.  Faltou planejamento de tempo e quando eu vi o ano tinha terminado.  Foi o meu melhor livro de ficção de 2018 e, por isso, foi o primeiro de minha lista.  Originalmente lançado em inglês com o título de  The Seamstress em 2009, ele foi lançado no Brasil com o título de A Costureira e o Cangaceiro.  Foi o filme que fez com que o título fosse mudado e, bem, o filme é muito bom, eu fiz a resenha, mas o livro é ainda melhor.  Há diferenças consideráveis entre  a adaptação e o original, mas não a ponto de se afastarem muito, claro.

Original em inglês.
Em primeiro lugar, Luzia deveria ser uma giganta para a época, mesmo hoje, seria uma mulher de estatura fora do comum.  E ela era míope, precisava de óculos e a parte da trma ligada a isso  foi tirada.  O romance do cangaceiro Antônio e Luzia não se desenvolve da mesma forma e o Dr. Eronildes tem muito mais importância na história, despertando muito mais claramente o ciúme do cangaceiro.  Através dele, Luzia poderia ter evitado sua sina, por assim dizer.  Emília é muito mais ousada em seus planos no Recife, mais inteligente e destemida, por asim dizer, seu marido tem muito mais amantes. Já Lindalva, ela é a melhor amiga que a protagonista poderia ter e não é lésbica, nem se comporta de forma interesseira, ou predatória, mas ensina Emília a dançar. Algo que está no filme, mas foi cortado da versão minissérie que a Globo exibiu. Ela ensina Emília a dirigir, também.  E ela é uma feminista que usa sua posição social vantajosa para fazer a diferença.  

Ah, sim, na edição nacional do livro Getúlio Vargas é Getúlio Vargas mesmo, mas se vocês forem checar a edição em inglês, verão que tal e qual no filme/minissérie, seu nome foi mudado.  Não sei por qual  motivo a autora fez isso.  Outra coisa, a quantidade de termos em português na versão em inglês é muito numerosa.  Enquanto lia o livro, ficava me perguntando como a autora traduziu certas coisas, olhando a amostra do livro em inglês, me espantei, porque ela simplesmente deixou em nossa língua mesmo.  As críticas pertinentes dos leitores em língua inglesa normalmente falavam desse aspecto do livro.  E, bem, e tenho que concordar com eles.  

Nova edição brasileira.  A minha é em dois volumes.
Livro 2 - Os Pilares da Terra de Ken Follet. 

"Inglaterra, século XII.  Depois da morte do Rei Henrique I sem deixar um herdeiro homem, o país mergulha em um periodo conhecido como Anarquia (1139 e 1153). A filha do rei, Matilda, não é reconhecida por muitos nobres.  Alguns preferem seu primo, Estevão como rei.  A guerra dilacera o país, traições são uma constante e a sorte muda de lugar a cada batalha,ou negociação de alianças.  Enquanto isso, Philip, prior de Kingsbridge, luta contra tudo e todos para construir uma catedral grandiosa. A galeria de personagens gravitando em torno da catedral inclui Aliena, a bela herdeira banida de suas terras, Jack, um rapaz genial, mas de passado obscuro, Tom, o construtor, William, que é um nobre poderoso, cuja riqueza e violência contrabalançam a sua falta de inteligência, e Waleran, o bispo capaz de tudo para pavimentar seu caminho até o lugar do Papa, em Roma. E há Ellen, mãe de Jack, acusada de bruxaria e guardiã de muitos segredos..."

Eu tenho essa edição da época da série em casa.
Minha primeira edição foi essa aqui.
Os Pilares da Terra é um dos meus livros favoritos.  Li por recomendação da minha orientadora na faculdade.  Comprei em inglês e ele me ajudou a expandir meu vocabulário na época.  Fora isso, é uma história empolgante, com personagens muito bem construídas, um rigor histórico considerável e um mistério que somente é resolvido nas últimas páginas.  Minhas personagens favoritas do livro são Ellen e o prior Philip, mas Jack e Aliena são simpáticos.  Aliás, há muitas personagens gostáveis no livro e algumas bem detestáveis, como William e sua mãe.  Falei do livro no meu post sobe pragas literárias e resenhei o primeiro capítulo da série de TV.  E, bem, a série não é ruim, mas não chega aos pés do original. Matthew Macfadyen (Philip) e Rufus Sewell (Tom Builder) estão ótimos em seus papéis, vale assistir por eles.  

Nunca  vi esse livro em
versão integral em português.
Livro 3 - A Connecticut Yankee in King Arthur's Court de Mark Twain

"Um norte-americano do final do século XIX e com uma mentalidade cientificista e capitalista toma uma pancada na cabeça e vai parar nos tempos do Rei Arthur.  Lá, ele consegue escapar da morte e se tornar uma figura de influência na corte tentando modernizar o país e reformá-lo aos moldes do século XIX.  No seu esforço civilizatório, o ianque acaba precipitando a destruição de Camelot."

Essa história é mais do que conhecida, mesmo que você não tenha lido o livro, porque ela foi adaptada pelo cinema e animação inúmeras vezes, com adultos, crianças, bichinhos, ou mesmo robôs no papel do ianque.  Já teve adaptação musical.  Com atores negros e por aí vai.  Nenhuma das que eu vi conseguiu capturar metade do humor desse livro.  Nenhum colocou a espetacular cena das bicicletas.  Nunca encontrei uma edição de O Ianque na Corte do Rei Arthur que não seja adaptada e resumida, a minha primeira leitura foi a do livro da coleção Elefante ainda na adolescência. Mesmo com a versão recontada, eu chorei de tanto rir.  O texto integral é ainda melhor.  Recomendo muito mesmo.

Uma das capas mais bem sacadas que eu já vi.
Livro 4 - Jane Eyre de Charlotte Brönte.

"Jane Eyre é uma órfã, que mora  com sua tia paterna e primos abusivos até ser enviada para uma cruel instituição escolar chamada Lowood. Ao sair de lá, como uma jovem educada, ela assume uma posição como governanta  de uma menininha chamada Adele no Thornfield Hall. Totalmente ciente de sua condição social inferior e poucos atributos físicos, ela faz o melhor que pode e tentar manter-se íntegra. Mas Thornfield tem muitos segredos e apesar de misteriosas ocorrências que Jane não consegue compreender, ela e Edward Rochester, proprietário do lugar e guardião de Adele, se apaixonam. De repente, quando Jane está prestes a ganhar a felicidade que ela merece, um segredo sombrio vem à luz que precisa de toda a sua coragem, amor e maturidade."

Outro livro que li na minha adolescência adaptado e, mais tarde, li no original.  Jane é uma das minhas heroínas literárias favoritas e uma proto-feminista, por assim dizer.  “I am no bird; and no net ensnares me: I am a free human being with an independent will.”  (“Eu não sou um pássaro; e nenhuma rede me prende: sou um ser humano livre com uma vontade independente”).  Esta frase é fabulosa.  Jane não se vê como inferior, não aceita ser rebaixada, tampouco se submeter cegamente à vontade do homem que ama, Mr. Rochester.  E eu adoro Rochester, também.  No Shoujo Café há resenhas de várias das adaptações de Jane Eyre (*1943, 1970, 1973, 1996, 1997, 2011*), falta a de 2006, que eu gosto muito, e uma decente da de 1983.  Um dia eu resolvo isso.

Uma das edições brasileiras.
Livro 5 - A Letra Escarlate de  Nathaniel Hawthorne.  

"Na rígida comunidade puritana de Boston do século XVII, a jovem Hester Prynne tem uma relação adúltera que termina com o nascimento de uma criança ilegítima. Desonrada e renegada publicamente, ela é obrigada a levar sempre a letra “A” de adúltera bordada em seu peito. Hester, primeira autêntica heroína da literatura norte-americana, se vale de sua força interior e de sua convicção de espírito para criar a filha sozinha, lidar com a volta do marido e proteger o segredo acerca da identidade de seu amante.  Aclamado desde seu lançamento como um clássico, A letra escarlate é um retrato dramático e comovente da submissão e da resistência às normas sociais, da paixão e da fragilidade humanas, e uma das obras-primas da literatura mundial." (Cia das Letras)

A Letra Escarlate é um livro muito humano, tocante e que expõe de várias formas o que os humanos tem de melhor e de pior.  Li o livro graças à propaganda que um amigo, colega de faculdade, fez da obra.  Ele sabia de cor passagens inteiras de A Letra Escarlate e as recitou de forma tão pungente (*e em inglês, ele era professor do idioma*), que eu precisava ler o original.  Nunca li A Letra Escarlate em português, aliás.  A protagonista do livro, Hester é uma personagem forte, a heroína que sofre uma série de afrontas e humilhações, mas que não se dobra.  Há Pearl, filha de seu adultério, uma menina estranha, que parece saída do reino das fadas.  O encantamento sobre ela só se quebra quando seu pai, o reverendo Dimmesdale, que covardemente se escondeu, se revela.  Dimmesdale também traz sua letra escarlate, só que escrita em seu próprio corpo.  Não tenho uma versão fílmica para recomendar.  A única que vi foi a ruinzinha com Demi Moore, mas recomendo muito o livro mesmo. Eu resenhei uma versão em quadrinhos do livro em 2017.


Nova edição em um volume e capa dura.
Livro 6 - As Brumas de Avalon de Marion Zimmer Bradley

A lenda do Rei Arthur sob o ponto de vista das mulheres. Historicamente falando, essa obra monumental tem mais furos do que um queijo suíço, além de ser uma peça de propaganda de ideias neopagãs, feministas e coisa e tal.  Mas eu realmente não me importo, porque a autora nos ofereceu algumas personagens espetaculares.   Viviane, a primeira dama do lago; Morgana, a grande personagem feminina do livro; Morgause, a arquiteta do caos; Igraine, com suas contradições; a infeliz Nimue... Kevin, o harpista, o segundo Merlim, que tem seu encanto e tragédia é minha personagem masculina favorita, já Arthur continua o mesmo, sempre nobre, e sempre incapaz de salvar Camelot. A autora também redesenhar o triângulo Lancelot-Guinever-Arthur, nesse caso dando carnalidade a algo que Georges Duby já tinha escrito em um, ou mais de seus livros sobre amor cortês.

Em As Brumas de Avalon, acompanhamos décadas de história com a velha ordem pagã sendo apagada da memória das pessoas, empurrada para as brumas que dão nome ao livro.  Sacerdotisas da Deusa passam a ser vistas como fadas.  Os símbolos sagrados da velha religião são cristianizados.  Derrota?  No final do livro, depois de tanto desespero, somos levados a crer que não.  Desde que eu vi esse livro na mão da Zelda Scott em Armação Ilimitada, eu precisava ler.  Na época, aos 12 anos, não teria maturidade, há muita coisa que exige que você tenha vivido mais e seja capaz de avaliar o que a autora apresenta. Acabei ganhando a coleção com 15 anos.  Ainda me embananei um pouco, mas a  leitura foi possível e saudável, por assim dizer.


A minha edição é esta aqui.
As Brumas de Avalon foi adaptado para a TV, mas merecia mais.  A versão que fizeram ficou muito aquém do original.  Não acredito, no entanto, que venha uma adaptação nova, uma minissérie monumental, tão cedo.  Bradley, que já faleceu, foi acusado por seus filhos de abusar deles e permitir que outros abusassem.  Coisa feia mesmo, então, não acho que nenhuma produtora esteja disposta a se aproximar de suas obras, não no momento em que vivemos.  Para quem se interessar, As Brumas teve nova edição.  A minha é a antiga, em quatro volumes e coloridinha.  Tenho em inglês, também, mas foi um livro que não consegui ler, porque a tentativa de Bradley de escrever em inglês arcaico me pareceu muito confusa e truncada.  E olha que tanto Hawthorne, quanto Twain, fazem isso nos livros que coloquei na lista e eu li no original.


Nunca vi essa edição nas
livrarias, mas adorei
 a capa.
Livro 7 - Orgulho & Preconceito de Jane Austen. 

"O romance retrata a relação entre Elizabeth Bennet (Lizzy) e Fitzwilliam Darcy na Inglaterra rural do século XVIII. Lizzy possui outras quatro irmãs, nenhuma delas casadas, o que Sra. Bennet, mãe de heroína, considera isso um absurdo. Só que nenhuma delas tem um dote vantajoso, o que as desvaloriza no mercado dos casamentos.  Quando Sr. Bingley, jovem de posses, aluga uma mansão próxima da casa dos Bennet, Sra. Bennet vê nele um possível marido para uma de suas filhas. De fato, ele parece se interessar bastante por Jane, sua filha mais velha, logo no primeiro baile em que ele, as irmãs e o Sr. Darcy, seu amigo, comparecem. Enquanto Sr. Bingley é visto com bons olhos por todos, Sr. Darcy, por seu jeito frio, é mal falado. Lizzy, em particular, desgosta imensamente dele, por ele ter ferido seu orgulho na primeira vez em que se encontram. A recíproca não é verdadeira. Mesmo com uma má primeira impressão, Darcy realmente se encanta por Lizzy, sem que ela saiba do fato. A partir daí o livro mostra a evolução do relacionamento entre eles e os que os rodeiam, procurando apresentar também, desse modo, a sociedade do final do século XVIII."

Tinha que terminar com Jane Austen e Orgulho & Preconceito.  É um dos meus livros favoritos, é o livro favorito de muita gente.  Mr. Darcy talvez seja o homem mais desejado da literatura.  Lizzy é maravilhosa.  Os diálogos são ótimos e a história se desenrola com muita elegância e um humor que só Austen tem. Ainda na dúvida?  Que tal pegar uma das adaptações?  Eu recomendo muito a de 1995 com Colin Firth como Mr, Darcy, mas há o filme de 2005, também, que costuma agradar aos mais jovens  Este ano, teremos outra adaptação para a TV.  Enfim, se  quiser começar a ler Jane Austen, Orgulho & Preconceito é um bom lugar para começar.  E há muitas edições nacionais.  Você pode escolher as  mais bonitas, as mais caras, as de bolso, as bilíngues, enfim, tem para todos os gostos.

É isso.  Uma lista curta.  Eu acabei tendo que eliminar livros que eu gostaria de incluir, como O Rei de Ferro, Helena, Os Três Mosqueteiros. A lista poderia ficar imensa.  De qualquer forma, todos esses  livros foram importantes para mim em algum momento da minha vida.  Alguns continuam sendo muito importantes até hoje.

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3 pessoas comentaram:

Ótima lista! E me chamou particularmente a atenção o Ken Follett, que é um dos autores que pretendo conhecer esse ano. Já me indicaram ele mais de uma vez, mas só parei para dar uma olhada nas obras dele ano passado, pesquisando sobre livros que se passam no período da primeira guerra. E, caramba, acho que tenho esse livro do Twain em algum lugar por aqui. Vou procurar!

Fiquei curioso para saber como esse livro foi catalogado, literatura americana? Literatura brasileira em língua estrangeira? kk

Já li As Brumas de Avalon duas vezes. A primeira vez, quanto bem jovem, foi com essa edição que antiga, cuja foto está no texto.
Mas essa edição tem um problema. A tradução do último livro foi feita por uma pessoa diferente dos 3 primeiros, e o texto ficou horrível e muito difícil de ler. Tem passagens onde a tradução ficou o contrário do que está escrito no original.

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