terça-feira, 14 de maio de 2019

Kate Winslet dará vida a uma pioneira da paleontologia no cinema


Mary Anning (1799-1847) foi uma pioneira da paleontologia.  Pobre, sem formação acadêmica, algo que seria praticamente impossível por questões de classe e sexo, além de órfã, ela aprendeu a identificar e catalogar fósseis. Segundo a Wikipedia, "Suas descobertas incluíram o primeiro esqueleto de ictiossauro a ser corretamente identificado; que ela e o seu irmão encontraram tinha Mary tinha 12 anos de idade; os dois primeiros esqueletos de plesiossauros já encontrados; o primeiro esqueleto de pterossauro localizado fora da Alemanha; e alguns importantes fósseis de peixes."  

Anning e seu cãozinho Tray.
Anning vendia seus fósseis e nunca obteve nenhum reconhecimento em vida por seus feitos para a ciência, quando foi acusada de ser uma fraude. Segundo o artigo da ABC, ao enviar seus feitos para a Universidade de Exeter, foi desqualificada pelo Dr. Adrian Currie, maior professor da área na época, porque sendo mulher e das classes trabalhadoras, ela não merecia crédito algum.  Depois que ela morreu, ele se arrependeu.  O timing é tudo, se o reconhecimento viesse em vida, faria toda a diferença para Mary Anning, que não era rica e lutava para sobreviver em um momento no qual as mulheres das classes trabalhadoras eram desprezadas por terem que trabalhar.   Hoje, ela é reconhecida como uma pioneira da paleontologia.  Em uma de suas escavações, seu cachorrinho, Tray, foi vitimado.

Um dos esqueletos encontrados por Anning.
Kate Winslet interpretará Anning e as filmagens começaram em março deste ano.  Segundo o The Guardian, o filme, já está despertando controvérsias.  Chamado de Ammonite, ele coloca Saoirse Ronan no papel de companheira de Mary Anning.  A família da paleontóloga nega que ela tivesse sido lésbica.  O diretor e roteirista, Francis Lee, veio à público argumentar que fez grande pesquisa sobre a vida de Anning e o que a família está pedindo é que seja omitida a orientação sexual da personagem e que se ele tornasse hetero uma personagem gay (*que não fosse lembrada por ser gay, claro*), ninguém se importaria, ou a imprensa faria escândalo por isso dando voz para não-especialistas.  E não pensem que eu não me preocupo com essas distorções, basta ler minha resenha de A Favorita.

Transformar uma personagem gay em
hetero, quase nunca dá problema.
Sem entrar no mérito da personagem ser, ou não ser, gay, ele está certíssimo nessa colocação.  De resto, quero que seja um grande filme, porque trata-se de dar visibilidade a uma mulher importante para a ciência, mais uma de tantas que a gente acaba não conhecendo e celebrando como devia.

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