domingo, 16 de junho de 2019

Cambridge Spies: Algumas considerações sobre o primeiro episódio


Por causa do filme A Espiã Vermelha, acabei lembrando que tinha no meu HD a série Cambridge Spies feita pela BBC em 2003 sobre o famoso círculo de espiões chamado de Cambridge Five.  Nem sei quando baixei, suspeito que ou foi na época de Jane Eyre/2006, quando eu estava meio que fixada no Toby Stephens, ou por causa de alguma resenha do Frock Flicks.  De qualquer forma, deve estar guardada, sei lá, por quase uma década.  E algo importante, como não fiz nada até agora em relação ao mês da diversidade, acredito que Cambridge Spies ajude a sanar essa deficiência.  Ao longo do texto, vocês vão entender.

Blunt e Guy, os dois primeiros espiões.  
Ambos são homossexuais, mas o único a se expôr é Guy.
A série, que tem quatro episódios, conta a história de quatro britânicos que espionaram para a URSS: Guy Burgess (Tom Hollander),   Kim Philby (Toby Stephens), Anthony Blunt (Samuel West) e Donald Maclean (Rupert Penry-Jones).  Todos eles estudantes de Cambridge na segunda metade dos anos 1930, ou aristocratas, ou membros de famílias importantes, que acabaram se encantando pelo socialismo, ou eram anti-facistas e abraçaram o comunismo.  Blunt, o mais velho, e Guy agiam como recrutadores de espiões em potencial.  Quer dizer, se a gente vai ler sobre o grupo chamado de Cambridge 5, não fica claro se eles eram oficialmente espiões até algum tempo depois.  De qualquer forma, um monte de sujeitos acabaram passando por Cambridge e colaborando com a URSS, esses quatro são os mais famosos.

Enfim, se vocês pegarem fotos do DVD da série, verão que na frente estão Tom Hollander e Toby Stephens, os outros dois aparecem ao fundo.  Pelo menos no primeiro episódio, os dois carregam a série nas costas.  Hollander interpreta um Guy Burgess anárquico e provocativo, homossexual notório, e que abraça de todo o coração as teses socialistas igualitárias.  Ele organiza no episódio 1 a primeira greve de garçons de Cambridge ao descobrir que os sujeitos simplesmente ficavam sem salário durante as férias dos estudantes, além de ganharem muito mal.

Tom Holland não é bonito, mas seu Guy é muito sedutor. 
A interpretação é bem diferente da de Rupert Everett
para a personagem em Another Country.
Uns sujeitos facistóides da faculdade se juntam com os professores para dar uma lição em Guy.  Aliás, fiquei torcendo para o Toby Stephens embolachar todos eles, ou pelo menos seu líder, mas não rolou.  Pagam um dos garçons para transar com Guy e lhe dão o flagrante.  Ele poderia ser expulso e preso.  O garçom é demitido, mas Philby tinha visto o cara de conversa com o tal moço amante de Hitler e o alcança. O garçom retruca que Philby não sabe, nem nunca saberá o que é ser pobre e precisar pagar suas contas.  Revolução é conversa de tolos, pobres não podem ter princípios.  

O garçom tinha sido pago para transar com Guy e participar da armadilha.  Blunt pede que Philby não conte para o amigo, porque ele iria se sentir profundamente magoado.  Enquanto isso, os professores humilham Guy e dizem que não vão expulsá-lo, porque ele é um deles, não há como escapar, independente das ideias revolucionárias que ele possa ter.  Guy se sente aprisionado e a bebida, como começou a se desenhar no episódio dois, vai ser uma de suas válvulas de escape.

Philby acredita que Guy está paquerando um dos dois.
Retornando, Guy, além de comunista e recrutador, é membro da sociedade ultra seletiva de Cambridge chamada de Apóstolos.  O grupo reunia estudantes e alguns professores em reuniões e debates super seletos.  Desse grupo saíram vários colaboracionistas.  Nesse primeiro episódio, Guy recruta Philby e Maclean sob a sob a supervisão de Blunt.  A cena do primeiro contato entre eles é muito engraçada, porque Guy está observando os dois em um bar e Philby está sendo observado por uma moça.  Quando Maclean comenta, ele confirma, porque está pensando na moça, depois, fica sem graça quando entende que estão sendo observados, ou cantados, por Guy.  Há uma altercação nessa cena, porque o facistóide que comentei antes, agride a moça, uma judia, e Guy entra em cena para humilhá-lo, expondo-o como admirador de Hitler e evitando, talvez, uma briga generalizada.

Mais tarde, Philby tenta se explicar com Guy dizendo que não é como ele.  O outro, com muito bom humor, descreve todo o currículo amoroso de Philby, quantas moças ele teria namorado desde que chegou em Cambridge, e diz que não, eles não são nada parecidos.  A partir daí, se tornam amigos, ainda que Blunt não confie em Philby.  Há um agente mais velho, não consegui localizar seu nome, que também se preocupa com a admissão de Philby no círculo de espiões, porque ele não esconde suas paixões, é franco demais.

Não descobri o nome desse ator, que faz o
 agente mais velho, uma espécie de mentor.
Maclean, e gente, o Rupert Penry-Jones pode ser muito bonitinho, mas como ator ele é péssimo, é apresentado como emocionalmente vulnerável.  Guy consegue trazê-lo para o grupo explorando suas fragilidades, seus problemas com o pai, um homem muito conservador e religioso, e outras coisas.  Philby se surpreende ao saber que o amigo também entrou para o grupo de espiões, porque Guy  e Blunt trabalharam com os dois separadamente, ou, pelo menos, Guy o fez.  O que me surpreende é como Cambridge se tornou um ninho de espiões e ninguém percebeu.  O serviço secreto britânico era muito deficiente mesmo, porque essa parte é História, não invenção.

Na festa de formatura, temos um grande fanserice dos moços, porque Guy, bêbado, tira a roupa e pula em um riacho.  Há nu frontal de Tom Holland, inclusive.  Depois, Rupert Penry-Jones e Toby Stephens também ficam pelados, mas só vemos o peitoral e as nádegas dos dois.  A bunda do Toby Stephens já tinha aparecido antes, logo no início do episódio, quando ele passa a noite com a moça lá da cena do bar.  O único que não tira a roupa é Samuel West, mas ele já tinha aparecido em uma cena de sexo com um outro rapaz nesse mesmo episódio.

Philby tem que se separar da primeira esposa pela Revolução.
A partir daí, o episódio quase que se centra em Plhiby que é enviado em uma missão para Viena.  Ele precisa entregar mensagens para outros elos de ligação soviéticos e termina ficando abrigado na casa de Litzi Friedman (Lisa Dillon), uma agente comunista famosa que ajudava a dar escape para judeus e comunistas perseguidos pelos nazistas.  Philby se apaixona por ela de verdade e acaba propondo casamento para salvar a vida da moça já que mais dia, menos dia, os nazistas viriam matá-la. Ela segue com ele para a Inglaterra.

Apesar de Litzi Friedman ser somente uma coadjuvante menor, ela tem uma história que daria um filme, ou uma minissérie para ela mesma.  Uma biografia e tanto.  De volta para a Inglaterra, Philby está tão visivelmente feliz e apaixonado que acaba se tornando um problema.  O agente mais velho o orienta sobre seus excessos de emoção e que um bom agente não pode se dar a esses luxos.  Já Blunt ordena que ele se separe de Litzi, ou abandone o grupo.  Casado com uma comunista tão notória, ele nunca poderia se infiltrar e espionar nos altos círculos ingleses.  A última cena do episódio é de Philby se esforçando para dizer que não ama a esposa e pedindo o divórcio.

Quer fanservice?  Tem bastante.
Ainda que a carinha triste do Toby Stephens seja fofa de se ver, achei a cena demasiado dramática.  Sendo Litzi uma agente também, ela saberia lidar com as necessidades da missão dos dois.  Seria muito mais coerente com a biografia de ambos, que continuaram amigos, talvez até amantes em segredo, que eles conversassem como adultos.  Só que a preferência foi criar aquela cena de sofrimento amoroso meio juvenil.  Não precisava disso para marcar o sofrimento de ambos os envolvidos.

Enfim, estava me coçando para escrever sobre a série.  Enfim, iniciei o segundo capítulo, Guy e Philby continuam sendo o centro da história, mas Blunt age meio que como um mestre dos fantoches.  Talvez o tom da personagem seja esse mesmo.  Vamos ver.  Não preciso dizer que é uma série centrada em homens e as mulheres são meras coadjuvantes, ainda que algumas possam ter maior participação na ação, como no caso de Litzi Friedman. 

Blunt é apresentado como frio e calculista,
mas devia ser, permaneceu incógnito na Inglaterra até 1979.
Curiosidades, salvo por Toby Stephens, que foi Mr. Rochester em Jane Eyre (2006), todos os outros estiveram em alguma adaptação de livro de Jane Austen: Rupert Penry-Jones foi o Capitão Wentworth em Persuasão (2007), Tom Hollander foi Mr. Collins em Orgulho e Preconceito (2005), Samuel West foi Mr. Elliot em Persuasão (1995), ele também estava em Jane Eyre (1996), a versão de Franco Zeffirelli, como St. John Rivers.  Vi que Benedict Cumberbatch está em Cambridge Spies.  Preciso ficar atenta, porque deve ser uma participação bem pequena mesmo.  Depois que terminar a série, faço outra resenha.


Achei esse fanvideo.  Há outros no Youtube.

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