quinta-feira, 18 de julho de 2019

Comentando 1001 Comics You Must Read Before You Die de Paul Gravett


Alguém comentou sobre o livro 1001 Comics You Must Read Before You Die: The Ultimate Guide to Comic Books, Graphic Novels and Manga de Paul Gravett.  Não conhecia o livro, mas tenho outros dois dele em casa, Graphic Novels: Everything You Need to Know e Mangá - Como O Japão Reinventou Os Quadrinhos (Manga: Sixty Years of Japanese Comics).  Já escrevi várias vezes que o melhor capítulo que li sobre shoujo mangá escrito por um homem ocidental foi feito por ele.  Fora isso, tive a honra de estar presente em uma de suas palestras no Brasil e fiquei maravilhada e encantada. Eu podia ouvi-lo falando por horas. Ele tem um conhecimento profundo de quadrinhos de várias origens e alguns de seus escritos tem como objetivo discutir o que é quadrinho e como nossa forma fechada de olhar para as HQs limita nossa percepção e diversão, também.  Enfim, acabei comprando o livro usado, porque já estava esgotado. Ele chegou ontem.

Surpresa!
Enfim, trata-se de um livro extenso, ele tem 960 páginas e os títulos são apresentados cronologicamente, ano a ano.  Com uma introdução de Terry Gillian e um artigo do próprio Gravett, o livro pode ser encarado como uma grande enciclopédia.  Nele você vai encontrar títulos óbvios e outros nem tanto.  Talvez alguns dos quadrinhos citados sejam efetivamente inacessíveis, mas é um grande painel que consegue cobrir razoavelmente América, Europa e Ásia, especialmente, Japão.  Há a presença de brasileiros   Fábio Moon e Gabriel Bá aparecem com Daytripper, Bá aparece, também, com The Umbrella Academy (*que virou série da Netflix*).  Piratas do Tietê de Laerte é uma surpresa.  E, claro, temos Turma da Mônica, cuja primeira revistinha é de 1970.

Mônica edição nº1.
As mulheres japonesas estão muito bem representadas no livro, não foi surpresa, claro, mas não esperava tanto.  O primeiro mangá de autoria feminina citado é Sazae-san de Machiko Hasegawa, já o primeiro shoujo é A Princesa e o Cavaleiro de Osamu Tezuka.  Como fã de shoujo mangá, o livro me satisfez, temos uma boa representação da geração de 1948.  A Rosa de Versalhes (Riyoko Ikeda), Kaze to Ki no Uta (Keiko Takemiya), O Coração de Thomas (Hagio Moto), Eroica Yori Ai wo Komete (Yasuko Aoike) e Hi Izuru Tokoro no Tenshi (Ryoko Yamagishi). Acho que não perdi ninguém.  Glass Mask (Suzue Miuchi) e Candy Candy (Rumiko Igarashi e Kyoko Mizuki).  Eu não incluiria Candy Candy e daria preferência para Waki Yamato, Asaki Yumemishi ou Haikara-san ga Tooru.  De qualquer forma, ela fez séries melhores que Candy Candy, cujo maior mérito é ter um anime de grande sucesso que foi exibido em praticamente todos os países do mundo que você possa imaginar.  

Candy Candy não pode ser republicado
por disputa judicial entre suas autoras.
Ele também citou Swan de  Kyoko Ariyoshi nos anos 1970.  É um mangá belíssimo que começou a ser publicado nos EUA e foi interrompido.  Não sei se saiu na França.  Como Ryoko Yamagishi foi citada por Hi Izuru Tokoro no Tenshi, não seria por Arabesque, que é considerado o mangá de balé que revolucionou o gênero no Japão.  Entrou Swan e eu gosto mais dele também, mas trata-se, basicamente, do esquema de mangá de esportes tradicional.

Swan tem uma história que mobiliza
e uma arte de encher os olhos.
Talvez, eu tenha perdido algum título, mas nos anos 1980 só vi Banana Fish de shoujo.  De mangá-ka mulher temos ainda Rumiko Takahashi com Maison Ikkoku e Lum.  A partir dos anos 1990, a coisa começa a melhorar um pouquinho.  A CLAMP tem dois títulos no livro, Chobits, cuja popularidade nãos e justifica, e XXXHolic. Temos Sailor Moon (Naoko Takeushi), Onmyouji (Okano Reiko),  Nana (Ai Yazawa), Ōoku (Fumi Yoshinaga), Nodame Cantabile (Tomoko Ninomiya) e Honey & Clover (Chica Umino).  Eu mudaria Happy Maniapor outro título de Moyoco Anno. Agora, não incluir Akiko Higashimura foi uma grande omissão.  Não precisava ser um josei, poderiam colocar Hataraki Man.  Emma de Kaoru Mori merecia estar no livro. Na verdade, Kaoru Mori merece estar no livro.

Contra-capa.
Falando em quadrinhos ocidentais feitos por mulheres, eu senti falta de Bécassine (1905) na lista. É uma história em quadrinhos importante em sua época e foi levado para outras mídias.  Sua criadora, Jacqueline Rivière, ficou obscurecida por muito tempo e não está no guia. Falando sobre mulheres, as quadrinistas ocidentais não estão bem contemplados no livro. Há uma devida atenção para as japonesas, mas as norte-americanas, francesas e outras aparecem quase como exceções.  Não foi um quadro muito equilibrado, afinal, mulheres fazem quadrinhos de qualidade no Ocidente, também.

O Google homenageou Bécassine nos seus 110 anos de criação.
Dos homens, esperava uma presença maior de Will Eisner, mas sou suspeita, além dele ser um gênio, é um dos meus favoritos.  De qualquer forma, é um livro interessante, independentemente dos reparos que eu possa colocar nele.  Foi uma boa compra, sim.  Espero que alguma editora brasileira um dia se mexa para lançá-lo aqui.  Não me surpreenderia se saísse uma atualização dele, afinal, ele so vai até 2011.

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1 pessoas comentaram:

Infelizmente não se pôde abordar todas as obras.
Essencialmente a maioria dos gibis famosos a nível global são japoneses, americanos e belgas.

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