quarta-feira, 3 de julho de 2019

Comentando Turma da Mônica: Laços (Brasil/2019): A Turminha Mais Querida do Brasil, Finalmente em Carne e Osso


Assisti com Júlia Turma da Mônica: Laços na estreia.  Como a maioria dos brasileiros, li gibis da Turma da Mônica em vários momentos de minha vida, mas nunca fui fã fervorosa das personagens e não dei mais que uma olhadela na graphic novel que originou o filme.  Não me considero o público alvo do filme, não me emocionei em nenhum momento, só lembro de ter rido com vontade uma vez, mas Júlia adorou o filme, assim como as outras crianças, mesmo alguns adultos e adolescentes pareciam realmente empolgados com a película.   O que eu quero dizer com isso?  O filme efetivamente foi satisfatório e dialogou perfeitamente com seu público.  Maurício de Souza, que é tudo menos bobo, deve correr para fazer uma sequência.

O resumo do filme é simples.  Temos Cebolinha (Kevin Vechiatto) e seus planos mirabolantes para roubar o coelhinho da Mônica (Giulia Benite).  Logo no início do filme, ele e Cascão (Gabriel Moreira) usam Floquinho para enganar Mônica e Magali (Laura Rauseo).  Não dá certo, assim como todos os planos infalíveis da personagem.  Cascão se aborrece, está cansado de apanhar da Mônica.  Cebolinha quer insistir no seu projeto de se tornar o dono da lua.  Durante a noite, Floquinho desaparece e Cebolinha fica muito triste, o que faz com que Cascão, Mônica e Magali venham apoiá-lo. 

A HQ que inspirou o filme.  Você pode
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As crianças começam a investigar e acabam descobrindo que alguém está roubando os cachorros da vizinhança.  Quem seria?  Qual a motivação?  Os adultos não acreditam neles.  As crianças decidem, então, resolver o mistério sozinhos.  Só que eles correm vários riscos e precisam aprender a confiar uns nos outros e na força de sua amizade para resolverem o mistério e voltarem sãos e salvos para casa.

Turma da Mônica: Laços é uma graphic novel, isto é, um volume único com grande qualidade de impressão, publicado em 2013 pela Panini como parte do projeto Graphic MSP.  Este é um projeto de releitura das personagens da Turma da Mônica sob a visão de vários artistas brasileiros. Laços foi escrito e desenhados pelos irmãos Vitor e Lu Cafaggi e recebeu  26º Troféu HQ Mix nas categorias Edição especial nacional e Publicação infanto-juvenil. O filme foi anunciado em dezembro de 2015 e a ansiedade em relação a ele era grande.  A produção foi bem longa.  Há detalhes aqui.


Floquinho sumiu.
Li sobre a produção e os cuidados na seleção das crianças.  O destaque maior ficou para Kevin Vechiatto, pois Cebolinha é mais protagonista do filme que os demais.  Segundo as informações, o diretor, Daniel Rezende, tentou obter as interpretações mais naturais possíveis do elenco infantil.  Os adultos liam o roteiro com antecedência, as crianças, não.  Exceção para a cena em que Cebolinha interagia com o Louco incorporado, mas que interpretado, por Rodrigo Santoro.  

O foco principal de Laços é mostrar a amizade entre os quatro integrantes da turminha e de como Mônica e Cebolinha, especialmente ele, precisam aprender a lidar com aspectos difíceis de sua personalidade e cooperar.  Ouvir o outro, reconhecer seus pontos fortes, estar disposto a ceder.  Isso é difícil tanto para crianças, quanto para adultos.  O filme, claro, oferece uma série de detalhes que o leitor dos gibis da Mônica vai reconhecer.  Eu, como pontuei lá em cima, não li tanto assim.  Por exemplo, ri da situação da Magali sonâmbula e comendo tudo o que eles tinham levado durante a noite.  Deve ser coisa que já apareceu em alguma historinha.


Sim, eles se embrenham na mata.  É um clichê.
O filme retoma uma ideia antiga do doberman como cachorro malvado.  Quem tem minha idade mais ou menos deve se lembrar como nos anos 1980 esse cachorro era visto como assassino em potencial e/ou o melhor dos cães de guarda.  O SBT repetia à exaustão o filme A Gangue dos Dobermans e muitas mães e pais colocavam medo nos filhos em relação a esses cães em especial.  Bobagem, claro, depois, os doberman foram substituídos por rottweilers e pitbulls.  Por isso, achei curioso ser exatamente um doberman.  Seria uma referência dos quadrinhos que eu não vi?

Floquinho no filme não parece com o dos gibis.  É um cachorrinho comum como qualquer outro.  Só colocaram um efeito para que ficasse um pouquinho verde.  Deveriam se esforçar mais nessa parte.  Praticamente todos os personagens secundários e terciários dos gibis (Tite, Jeremias, Xaveco, Quinzinho, Aninha etc.) fazem figuração.  Agora, o que me surpreendeu foi de não terem colocado nenhum (*que eu tenha visto*) figurante adulto negro no bairro do Limoeiro.  Parece um enclave branco com um Jeremias (Pedro Souza) solitário e uma menina com traços orientais (Isabella Nakahara).    Uma lástima.  


Eles precisam enganar o vilão e salvar os cachorros.
De resto, foi engraçado ver o Julinho (Leandro Ramos), do Choque de Cultura, fazendo uma ponta no filme.  O filme cumpre a Bechdel Rule, afinal, tem várias personagens femininas com nomes que conversam entre si sobre temas diversos.  O filme, assim como os quadrinhos originais, não abraça a campanha "Criança não Namora", investindo mesmo na ideia mais que consolidada entre os fãs de que Cebolinha e Mônica, no fundo, no fundo, se gostam.  E é só isso.  Não tenho muito mais a comentar sobre o filme.

É isso.  Turma da Mônica: Laços é um filme simpático, que atinge seu público direto no coração.  E friso o coração, porque se começarmos a refletir, talvez descubramos que ele não tem efetivamente nada demais.  Agora, repito, dado o sucesso, um segundo filme deveria ser logo encaminhado, afinal, crianças crescem rápido e o quarteto original se saiu muito bem em seus papéis.  E é uma pena que o filme tenha estreado em um circuito tão abarrotado de grandes produções.  


Lançaria Laços em outra época do ano.
Laços poderia render mais, só que competindo com os filmes de verão norte-americanos é bem complicado.  E, não, não estou pedindo reserva de mercado, estou dizendo que eu o lançaria em outro momento, não nas férias de meio de ano.  A Turma da Mônica tem público cativo, mas se você tem em cartaz Laços, Vida Secreta dos Bichos 2, Homem Aranha, talvez tenha que escolher e pode acabar ignorando um produto nacional bem executado.

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