domingo, 29 de setembro de 2019

Teito Hatsukoi Shinjyu caminha para o seu final + Resenha dos capítulos 1 e 2


Estava no Twitter olhando as notícias das revistas shoujo/josei japonesas e apareceu um post falando que Teito Hatsukoi Shinjyu (帝都初恋心中)  de Miko Mitsuki estava na reta final.  Não sabia nada do mangá, mas fui olhar no Bakaupdates e vi que ele está no volume #7 e começou a ser publicado na revista digital Mobile Flower e deve ter se mudado para a Sho-Comi.  Não consegui rastrear isso muito bem.  O resumo do mangá, me remeteu a Hadashi de Bara o Fume (裸足でバラを踏め), de Rinko Ueda, que eu resenhei completo no blog.

O resumo inicial de Teito Hatsukoi Shinjyu é o seguinte: Período Taishō (1912-26), Yoshino Kaoru tem 16 anos e vive com o pai, que a ama muito, ajudando-o nos negócios da família.  Um dia, seu pai é assassinado e o conde Tamaki Misono aparece em sua casa e lhe propõe casamento, dizendo que é seu dever protegê-la.  A moça não sabe o motivo do casamento, não conhece o noivo e acredita ser muito estranho o fato de um sujeito tão rico e poderoso desejar casar com alguém de condição tão inferior.  Mas eis que os dois se dão bem e se apaixonam um pelo outro.

É a única capa com Kaoru
em roupas ocidentais.
Quando começamos a história, eles estão casados faz seis meses.  Kaoru tem dificuldades em se ajustar ao estilo de vidado marido, que deseja que ela use roupas ocidentais e não quer que ela faça os trabalhos domésticos.  A moça não consegue compreender, porque ninguém lhe ensinou, que fique claro, que o marido faz parte da corte imperial e que a imagem da família é muito importante.  Ela comete uma série de deslizes e acaba chamando a atenção de um associado de seu marido, um francês, Alan Bart, que desde o início mostra que tem intenção de desgraçar Tamaki e tomar-lhe a esposa.

Enfim, achei somente scanlations dos dois primeiros capítulos, li um deles em italiano e o outro em inglês, pensei que conseguiria pelo menos o volume #1, mas parece que é o que tem mesmo.  Abrindo o resumo no volume #1, há uma informação que deve aparecer nos capítulos seguintes: Tamaki está protegendo o assassino do pai da esposa!  Como ela poderá continuar amando esse homem?  Ele está metido no assassinato?  Qual o segredo por trás de tudo isso?

Um casamento repentino.
O início de Teito Hatsukoi Shinjyu é bem lugar comum, a mocinha pobre, mas esforçada, e que ama muito o marido, o sujeito super-protetor, mas um tanto distante.  Ponto positivo é que Tamaki não parece ser tão arrogante e mesmo violento como os protagonistas de outros mangás que seguem a mesma receita.  Como é coisa que veio da Mobile Flowers, ainda que nada seja explícito, o mangá já começa com uma cena de sexo.  Eles são marido e mulher, afinal, e o lugar onde combinam melhor é na cama... ou onde quer que eles façam amor.

Logo no início, temos a questão da incompreensão de Kaoru em relação aos seus deveres de senhora de uma casa nobre.  Ela não foi ensinada, não sabe como pessoas desse círculo se comportam no dia-a-dia.  Não tem um mordomo yaoi como Hadashi de Bara o Fume para lhe orientar e seu marido não é nenhum Ijuin de Haikara-san ga Tooru (はいからさんが通る), super prestativo e compreensivo.  Ela tem que se virar sozinha e acaba cometendo uma série de pequenos equívocos.

O traço é bonitinho.
No capítulo #1, ela é orientada pelas criadas a levar a refeição que preparou para o marido no trabalho e usando o vestido ocidental que ele queria que ela usasse.  Como Kaoru tinha recusado usar a roupa, ele saíra aborrecido com ela.  A moça se sente estranha, está acostumada a usar quimono, mas decide fazer o que lhe aconselham.  Resultado?  O vilão, porque tem toda pinta de ser mesmo, chamado Alan Bart, coloca os olhos nela e decide que vai tê-la para si de qualquer jeito.  Quando descobre que ela é esposa de Tamaki, a coisa se torna mais urgente.  Vingança?  Inveja?  Não sabemos ainda.

Dentro do prédio da empresa do marido, Kaoru comete outra gafe, ela se intromete em uma conversa alterada entre um empregado e seu esposo.  Tamaki pergunta por qual motivo ela não se cala, a beija na frente de todos os funcionários e a arrasta para dentro de um escritório qualquer.  Ele não parece realmente furioso, mas lhe diz que ela não deve ir até a firma, porque lá só trabalham homens, nem usar os vestidos ocidentais na rua, porque ela é muito bonita e chama muita atenção.  E ele diz que vai puni-la e os dois fazem sexo.  Quando a moça acorda, ele se foi, mas comeu todo o almoço que ela preparou.

Tinha como dar certo esse negócio?
O dois traços de caráter que mais saltam aos olhos no mocinho são o ciúme, daí a possessividade, os sentimentos ternos por Kaoru e o desejo sexual que sente pela mocinha.  Já ela, está naquela condição de submissão.  Ela é inferior dentro daquela sociedade e ela se sente como tal, o que é muito importante para mantê-la na defensiva nesse início de história.  Muito bem, eis o ponto de partida.  Não há nada nem de longe igualitário na relação dos dois.

No segundo capítulo, a mocinha descobre que o aniversário do marido está chegando.  Ele não lhe disse, ela quer comprar um presente, mas não tem dinheiro.  Ela passa boa parte do tempo em casa e o marido sempre paga as contas quando eles saem. Ela não recebe uma mesada, ou algo do gênero.  Não teria graça comprar um presente com o dinheiro dele e ela ainda teria que pedir.  
Vilão tipo básico bonitinho,
mas ordinário.
A mocinha vai a uma loja de departamentos.  Ela quer comprar uma gravata, mas não tem os 10 ienes necessários.  O que ela faz?  Algo absolutamente tolo e absurdo dentro daquela sociedade e contexto, mas totalmente clichê: ela arranja um emprego como garçonete em um café.  Garçonete usando quimono, não é fantasia de maid, não.

Ela está feliz por trabalhar (*não fazer nada é algo que atormenta a mocinha*), por ter seu dinheiro, esses são sentimentos com os quais as leitoras conseguem se relacionar, lembrem que mangá trabalha com a ideia de identificação.  Ser adolescente, ser pobre/classe média, querer ter seu próprio dinheiro, estar apaixonada, tudo isso é fator de identificação com as leitoras.

Kaoru usa muitos quimonos lindos.
Muito bem, a ideia tinha tudo para dar errado e dá, claro.  Ela é assediada por clientes e quem aparece para "salvá-la" é Alan Bart, o francês.  Ele a leva para a casa dele, a acalma, diz ser sócio do marido dela e faz com que ela compreenda que pode ter manchado a imagem da família de Tamaki e ofendido a sua honra.  Bart dá uma aulinha rápida de como funcionava a organização da nobreza japonesa antes da constituição do país aboli-la no pós-guerra e deixa Kaoru desesperada e aflita.  Ele diz que vai guardar segredo e pede que eles dividam outra coisinha...

Ele tenta estuprá-la.  Tamaki chega na hora e salva a esposa, mas Bart faz questão de dizer que ela se ofereceu para ele de livre e espontânea vontade, porque estava mentindo para o marido.  Tamaki leva a esposa embora, não a maltrata, não briga com ela, vai tomar banho para esfriar a cabeça.  Kaoru vai atrás dele, se desculpe e diz que merece ser punida (*com sexo violento*).  Ela lhe dá um presente, algo bem mais barato que a gravata, mas que foi o que ela conseguiu comprar.

Capa do volume #7.
Eles efetivamente fazem sexo, mas o moço diz que ele errou ao não orientá-la sobre como se comportar e colocá-la em uma situação vulnerável.  Que ele é responsável pelo incidente e que vai manter Bart longe dela.  Tamaki diz, também, que não se importa com sua posição social, ou nome de família, se importa com ela.  Kaoru fica comovida e termina fugindo do banheiro para chorar, eu imagino.  

Terminamos o capítulo dois.  Eu diria que a mocinha é bem clichê, mas o mocinho parece desviar um pouco da curva do ore-sama guy.  Quantas personagens desse tipo são capazes de pedir desculpas?  Ele pontuou alto então.  Só que há o mistério sobre a morte do pai (*e talvez da mãe*) da mocinha.  Há um segredo, embora ele deva ser inocente, ou parcialmente inocente, afinal, trata-se de outro clichê sobre mocinhos metidos em enrascadas do tipo.
É um quadro do volume #7,
por qual motivo Tamaki está amarrado?
A arte do mangá é bonita e dinâmica.  As cenas de sexo não são explícitas e são românticas.  O único defeito que vi foi em alguns quadros no qual a figura masculina, especialmente quando despida, fica um tanto deformada.  Eu continuaria lendo para ver como a autora trabalha a história.  Tem características novelescas, mas parece muito mais pé no chão que Hadashi de Bara o Fume, que caia em uns exageros enlouquecidos.

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