domingo, 29 de setembro de 2019

Recomendação de Vídeo: Why Anime in Latin America was... Different (and Better)


Não conhecia o canal Get In The Robot, mas um amigo repassou o vídeo no Facebook  eu parei para assistir.  Enfim, não tem legendas em português, acredito, só as automáticas em inglês, o que é uma limitação.  Mas por qual motivo o vídeo é interessante? 


Para quem não entende inglês, vou deixar meus comentários:  A apresentadora, Cristal Marie Calderon, deve ser pelo menos uma geração mais nova que eu, o que quer dizer que ela assistiu criança aos animes que apontou como icônicos para a sua geração: Dragon Ball Z, Sailor Moon, Pokemon, Saint Seya e Cowboy Bebop.  O fato dela dizer que estava na escola, provavelmente, ainda criança, quando assistiu Pokemon, já confirma isso.

Ela comenta que o sucesso dos animes na América Latina, e ela em vários momentos especifica que falante do espanhol, é que eles não foram censurados.  Saint Seya (*o anime favorito da apresentadora*) foi exibido com seus 114 episódios, enquanto nos EUA, a exibição tardia da Cartoon Network editou a tal ponto que o anime passou a ter 40 episódios e somente 32 foram exibidos, porque a audiência era baixíssima.  

Não lamento que o assédio e o fanservice ofensivo
praticado contra a personagem Yuki Mori (Lola)
tenha sido retirado de Yamato pelos norte americanos. 
Para tudo há exceção.
No Brasil, foi mais ou menos assim, o que vinha para cá passava como chegava.  Por exemplo, Yamato (Patrulha Estelar), as duas primeiras séries, chegou via EUA e veio já com censura.  Quando veio a terceira temporada, direto do Japão, deu um nó na cabeça da gente, porque muitas personagens tinham morrido e, bem, nós não tínhamos assistido essas mortes.  Curiosamente, eu até aceito algumas das censuras em Yamato, porque a forma como Lola (Yuki) era ratada era realmente ofensiva.

A apresentadora ressalta que quando havia algum rolo em países da América Hispânica, era porque o material vinha censurado de fora, como aqui, via Espanha (*animes eram muito censurados na Europa dos anos 1980*), em alguns casos raros, Sailor Moon, via Estados Unidos, mas sem toda a censura de lá.  Sailor Moon, que nós aqui recebemos do México, não contou com a censura ocorrida nos EUA, simplesmente houve mudanças nos nomes Usagi virou Serena, por exemplo, e uma confusão na dublagem com Zoisite sendo transformado em uma mulher.  OK.  A gente recebeu essa versão, mas, de resto, era Sailor Moon.  

Nos EUA, Urano e Netuno eram primas.
O problema é que, no Brasil, tivemos uma lacuna grande sem receber anime nenhum, ou quase nenhum, daí o boom com Cavaleiros do Zodíaco (*para mim, um anime mais ou menos, mas meu marido ficou bravo agora a pouco, porque falei isso.*).  Em outros países latinos, o fluxo de animes foi quase contínuo.  Por exemplo, por aqui, a gente só assistiu uns 28 episódios de Candy Candy, muito diferente do que aconteceu em outros países da América Latina.

E o que a apresentadora tem a dizer sobre isso, que é, aliás, a parte mais importante do vídeo?  Enfim, ela discute que os japoneses queriam nos anos 1980-90 entrar nos EUA de qualquer jeito.  Os americanos consideravam os animes produtos inferiores (*olha, eu diria que eles sabiam que potencialmente era competição superior mesmo*), com muitas peculiaridades culturais e que fugiriam do objetivo das animações norte americanas, isto é, vender brinquedos.  Não dariam lucro.

Por confusão, Zoicite virou mulher.
Ela comenta que muitos animes, quando chegavam aos EUA, eram tão desfigurados, tão desfigurados, como Card Captor Sakura, com o objetivo de se ajustas aos (*supostos*) gostos locais, que flopavam completamente.  Ela cita Card Captor Sakura.  Para quem não conhece, nos EUA, a série virou Card Captors em seu primeiro lançamento e foi cortada e dublada para transformar Shoran em protagonista, porque Sakura não teria apelo para os meninos.  Enfim, atitudes típicas dos gênios que acreditavam, também, que meninas e mulheres não gostavam de quadrinhos.

Tentando ampliar o mercado, empurraram por baixíssimo preço os animes para países da América Latina, onde a produção de desenhos animados praticamente não existia, porque as crianças eram vistas como uma audiência pouco lucrativa.  Quem foi criança nos anos 1980, no Brasil, deve lembrar de quão caros eram os brinquedos e que a gente só ganhava (*quando ganhava*) brinquedos mais caros em datas muito específicas.  No meu caso e do meu irmão, o brinquedo mais caro era no Natal.  Dia das Crianças era um brinquedo barato.  Aniversário, bem, a festa já era seu presente.  Ela também pontua que esses países estavam saindo de ditaduras sangrentas.  O que isso tem a ver?  Ah, quem se importa com violência de anime quando temos a real servida todos os dias?  

Sangue azul... Sério isso, gente?
Outro fator importante, e este é central para mim, é que as telenovelas prepararam terreno.  Eu já defendi várias vezes que mangás são como folhetins/novelas, obras abertas.  Mudam-se os rumos no meio do caminho, sonda-se o que a audiência deseja ler/assistir.  A gente não está no Japão e não tem impacto nisso, mas o formato nos é familiar.  E, bem, telenovela também era visto como produto inferior, culturalmente falando, porque era feito principalmente para mulheres.  Isso ela aponta no vídeo e, sim, é meio desse jeito, ainda que no Brasil tenhamos saído um pouco desse cercadinho graças, principalmente, à uma mulher chamada Janete Clair, mas isso seria assunto para outro vídeo.

Novelas eram longas, mas com histórias fechadas.  As personagens normalmente tinham seus arcos desenvolvidos ao longo dos capítulos.  Havia drama, violência, humor, romance e, em alguns casos, certa nudez e sexo.  Ainda que o Brasil tenha meio que perdido o filão para crianças e adolescentes por mais de uma década, importamos Carrossel e Rebelde para somente depois produzirmos nossas versões, os mais jovens assistiam certas novelas.  Estavam, portanto, acostumados ao formato.

Shun mulher... Bem, já comentei sobre isso
Concordo com o vídeo.
De qualquer forma, assim como os animes se tornaram o maior produto de exportação do Japão, as novelas também são os de países como Argentina, México e Brasil.  Aqui, a apresentadora nos incluiu, também.  Produtos que são exportados, ganham versões em outros países (*inclusive nos EUA*) e geram produtos.  Coisa que, no início, não era nem imaginado.  Ela reforça isso citando como os americanos estão descobrindo essa mina e comenta o Cavaleiros do Zodíaco da Netflix.  Mas chega!  Me estendi demais.

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