domingo, 4 de outubro de 2020

O estranho caso do estudante que assumiu a identidade de outro garoto por seis meses, frequentando uma das melhores escolas do país


Há um plot relativamente comum nos shoujo mangá que é a história da garota que, por algum motivo, precisa frequentar uma escola masculina, sempre um internato, fingindo ser um rapaz.  A série mais conhecida, claro, é Hanakimi (花ざかりの君たちへ), na qual a protagonista, Misaki, faz isso por sua livre vontade, enganando sua família e, claro, todos (*ou quase*) na Osaka Gakuen.  Dia desses, vi outro mangá do tipo, um josei erótico, e deletei seu nome da memória, porque, bem, o colega de quarto guarda o segredo da menina mediante chantagem, ele dá um prazo para que ela faça sexo com ele, ou... Não recomendo, nem vou buscar o nome.

Dentro desse filão, um dos meus mangás favoritos é Boku ni Natta Watashi (僕になった私) de Aki Shimaki, já falei dele outras vezes.  A protagonista, Momoko, tem um irmão gêmeo, um garoto muito inteligente, mas super pressionado pela mãe.  O menino passa para uma escola de elite, um internato masculino, claro, foge de casa, e a mãe obriga a filha a ocupar o lugar do irmão.  Corta o cabelo da menina à força e ameaça expulsá-la de casa, se ela não aceitar ficar no lugar do irmão até que ele seja encontrado.  Se ela falhar, também não terá para onde ir.  Diferentemente de Misaki, Momoko é uma garotinha bem garotinha, bem bandeirosa e uma aluna mediana.  O mangá é muito bom.  E acabei tropeçando em uma série de 2017, derivada de game, e que teve anime, chamada  Kenka Bancho Otome (喧嘩番長 乙女), o mangá de Chie Shimada está em andamento ainda.  E há outro já terminado.


A trama de Kenka Bancho Otome é meio doida, mas em qual desses mangás citados ela não é?  OK.  Hinako cresceu em um orfanato e acreditava que não tinha nenhum parente.  A menina está feliz em iniciar o colegial e estuda em uma escola feminina.  Acabei de abrir as scanlations do primeiro capítulo e vou ter que refazer o parágrafo, porque o resumo que encontrei era bem diferente... Aos 15 anos, ela esbarra com um rapaz chamado Hikaru, ele é idêntico à garota e acabou de ser atropelado.  O rapaz, do nada, faz uma chantagem emocional para que a menina troque de lugar com ele por um dia, porque se ele não estiver presente na cerimônia de abertura, será expulso.  Só que a escola é masculina e a única no distrito voltada para rapazes com um histórico de delinquência juvenil.  

As primeiras páginas já mostram que a situação será tensa.  E o moleque, Hikaru, parece ser falso como uma nota de três reais, mas ele realmente assume o lugar da menina e lhe diz que é seu irmão gêmeo e que a procurava fazia muito tempo.  Dado o que eu já vi dessa escola em que a mocinha foi metida, é aceitável que o sujeito não queira ir para lá. Já nas primeiras páginas, aparece uma galeria de bishounen, lembrem que é um mangá derivado de jogo de relacionamento, e, como os garotos não sabem que ela é uma menina, um bocado de situações BL.  Talvez, eu leia o mangá para descobrir qual é a dessa história.


Indo para a notícia do Sora News, porque ela daria um bom ponto de partida para um mangá.  A Academia Kaisei é uma das mais prestigiadas de Tokyo e a que envia nos últimos 39 anos o maior número de formandos para a Universidade de Tokyo (*A Toudai de Love Hina*).  O exame de entrada nessa escola é um dos mais exigentes do país.  Pois bem, este ano um escândalo atingiu a instituição, durante seis meses um aluno frequentou as aulas no lugar de outro sem que fosse detectado.  Como?  Vamos lá, é enrolado.

O SN explica, e eu já sabia, que a educação obrigatória no Japão é até o ginasial, são somente 9 anos, a partir daí, o ensino médio, mesmo público, tem uma anuidade e ninguém é obrigado a frequentá-lo.  Agora, a maioria dos japoneses não vai parar de estudar aos 15 anos, é  óbvio.  Vamos lá, tentando resumir os acontecimentos.  A-kun (*é como estão chamando o rapaz que fez o exame de admissão*) passou na prova e se matriculou.  Não levou a documentação completa, ao que parece, nem fotos.  Veio o COVID-19, o ano letivo, que inicia em abril, começou virtualmente.  


B-kun, o outro rapaz, frequentou as aulas remotas e, mais tarde, começou no presencial.  A escola deu maior prazo para que ele trouxesse os documentos.  O tempo foi passando, mas a fraude acabou sendo descoberta.  como os documentos do rapaz não chegavam, a Kaisei entrou em contato com a escola anterior de A-kun.  A informação recebida foi a de que eles já tinham mandado todos os relatórios acadêmicos do jovem, mas para outra escola, a que ele frequentava  DE VERDADE. Ta! Da!

A-kun foi expulso da Academia Kaisei e B-kun proibido de entrar no campus da instituição.  B-kun não estava matriculado em escola alguma.  A-kun estava frequentando outra escola, uma comum, com meninas.  A matéria do SN não comenta o papel dos responsáveis pelos adolescentes na fraude, mas faz algumas conjeturas.  A-kun foi pressionado a prestar os exames para Kaisei por seus pais?  Mas ele fez o exame para a outra escola, também, fraudou as assinaturas dos responsáveis?  Ele não queria frequentar a Academia Kaisei, porque queria um ambiente mais livre e com meninas?  Mas eu me pergunto se a família de A-kun era tão prospera para pagar as taxas altas da Kaisei e as da outra escola, também.  E quem é B-kun, afinal? Ele se meteu nessa história toda de graça?


Como eu sou adulta, fico me perguntando seriamente sobre qual papel os pais tiveram nessa fraude muito doida.  Uniformes de duas escolas, taxas de duas escolas, filho estudando on line, filho indo para a escola que não era a correta, os pedidos de documentação.  Ninguém desconfiou?  Os pais eram pais de anime/manga, daqueles que estão trabalhando fora do Japão e o filho está sozinho em Tokyo?  Enfim, espero que venham mais detalhes dese "mistério" em breve.

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