A revista Newtype publicou uma entrevista com Kamio Yoko, autora de Hana Yori Dango (花より男子). Está como parte 1, acredito que a segunda parte saia na próxima edição que ai este mês e ela irá falar do anime original para a Netflix. O assunto dessa primeira parte é o livro de ensaios, que eu adoraria poder ler, e, claro, Hana Yori Dango. Mesmo curtinha, é curioso ver com Kamio Yoko é apaixonada pela sua maior série e como ela foi pressionada quando começou a publicá-la. Como sempre, mantive a estrutura do original, só acrescentei um link para a Wikipedia falando de Andrew Loomis. Espero que o link para a segunda parte da entrevista circule também. Se quiser ler o original japonês, é só clicar aqui.
Meus sentimentos revelados através da escrita: Uma entrevista com Yoko Kamio, autora de Hana Yori Dango [Parte 1]
Yoko Kamio, autora de Hana Yori Dango, um marco do mangá shojo com mais de 61 milhões de cópias vendidas, publicou sua primeira coletânea de ensaios, "HanaYori Manga". Com foco na história por trás da criação de Hana Yori Dango, seus sentimentos ocultos sobre seus personagens, suas origens e as reviravoltas que enfrentou como mangaká, o livro descreve delicadamente seu cotidiano, repleto de calor, humor e melancolia.
Nesta entrevista que celebra o lançamento, conversamos em duas partes sobre tudo, desde suas reflexões por trás dos ensaios até seu trabalho mais recente, Prism Rondo, uma nova série de anime com estreia mundial exclusiva na Netflix em 15 de janeiro de 2026.
—— Esta é ua primeira coletânea de ensaios de Kamio-sensei. O que a motivou a escrevê-la?
Kamio: Minha amiga de longa data, a editora Saito (Naomi), e eu conversávamos sobre como gostaríamos de publicar um livro juntas algum dia. Então, por volta do início deste ano, o desejo de escrever ensaios realmente surgiu em mim, então decidimos fazer isso imediatamente e, de alguma forma, conseguimos publicá-lo ainda este ano. Sempre adorei ler ensaios e tinha um vago desejo de publicar um algum dia.
—— Quando mangás são publicados impressos, o artista frequentemente escreve reflexões fora dos quadros, e nos espaços que originalmente eram anúncios quando a obra foi publicada, eles preenchem o tankobon com atualizações sobre sua situação atual, então, como leitora, os ensaios de artistas de mangá parecem muito familiares.
Kamio: Exatamente. Eu também costumava desenhar meu cotidiano nesses anúncios, e muita gente me dizia: "Eu li a história principal na Margaret, mas compro o volume encadernado só por causa do anúncio de um quarto de página!" Então, como você disse, escrevi "Hana Yori Manga" como uma extensão dessa imagem. Mas, a princípio, tive dificuldade em escrever a história inteira em prosa.
—— Como você decidiu os temas para cada ensaio?
Kamio: É mais uma autobiografia, e pensei em escrevê-la principalmente enquanto me lembrava cuidadosamente de Hana Yori Dango. Conforme escrevia, descobri coisas novas: Ah, era assim que eu sempre pensava.
—— Fiquei animada ao ler os episódios sobre os relacionamentos entre Makino Tsukushi e Domyouji Tsukasa, e entre Tsukushi e Hanazawa Rui. Não importa o quanto ele tente corrigir o rumo dela, Tsukushi sempre acaba indo em direção a Domyouji.
Kamio: Houve momentos em que pensei, como se fosse problema de outra pessoa, tipo: "Essa garota (Tsukushi) realmente quer sofrer". Domyouji tinha feito coisas terríveis antes de conhecer Tsukushi, então tive dificuldade em como retratá-lo. Ao retratá-lo como um pouco tolo ou distraído, acabou assumindo a nuance de um garoto do ensino fundamental sendo grosseiro com a garota de quem gosta. Parecia que o próprio Domyouji crescia aos poucos depois de conhecer Tsukushi e finalmente era aceito pelas leitoras.
—— Domyouji também foi quem me fez rir tanto que minha barriga doía. Rui, por outro lado, é eterno...
Kamio: Sim, o príncipe. Mas, para mim, ele também foi o personagem mais difícil. Ele é um personagem que não fala muito na história, então senti que escrever este ensaio talvez tenha sido a primeira vez que consegui realmente encarar Rui. Quando pensei no que Rui devia estar sentindo na época, percebi que ele era, na verdade, um personagem com uma paixão silenciosa, o que foi muito revigorante.
—— Você não tinha consciência disso quando estava desenhando o mangá?
Kamio: Ele era uma presença gentil... como uma fonte que curava Tsukushi quando ela estava ferida, mas quando olho para trás, para ele naquela época, consigo ver que ele era muito apaixonado e tinha uma forte vontade. Isso me fez perceber mais uma vez o quão intenso ele era por dentro.
— As partes sobre Nishikado Soujiro e Mimasaka Akira também foram memoráveis. Em seu ensaio, você escreve que "deixou Nishikado e Mimasaka para trás", mas ambos são incrivelmente charmosos, e houve muitos momentos em que pensei: "Ah, não, eu simplesmente não consigo escolher entre esses quatro."
Kamio: Obrigada. Idealmente, eu queria escrever de forma que qualquer um pudesse ser o interesse amoroso do protagonista, mas, bem, isso não foi fácil... porque havia dois personagens fortes. Tive mais tempo para escrever sobre Nishikado na segunda metade e fiquei feliz por poder escrever um episódio sobre Mimasaka no final.
— Quando você está serializando, sente que está desenhando a partir de uma perspectiva firmemente inserida no drama, em vez de observá-lo de uma perspectiva panorâmica?
Kamio: A Margaret, onde Hana Yori Dango foi serializado, é uma revista de mangá quinzenal, então o ritmo era muito mais acelerado do que o de revistas mensais de mangá shoujo. Eu sempre gostei de mangás shonen semanais, e como eles têm menos páginas, cada capítulo tem uma reviravolta no final, então inicialmente eu queria fazer Hana Yori Dango nesse estilo. Aliás, as pessoas costumam dizer que é um pouco como um mangá shonen. Então, eu me concentrei primeiro em desenvolver a história rapidamente, e aí, de repente, o Rui simplesmente ficava parada lá, sozinho. Acho que essa foi uma característica única da história, mas o Domyoji era muito insistente.
—É verdade, o Domyoji.
Kamio: Eles simplesmente não paravam, não paravam, e não havia espaço para nenhum movimento (risos). Mas escrever sobre eles no livro me fez perceber de verdade que tipo de crianças eles eram.
— O episódio "O Dia em que me Tornei um Mangaká", no qual você descreve a paixão que sentiu no momento em que se tornou um mangaká, também foi memorável.
Kamio: Todo mundo fica surpreso quando conto que terminei 30 páginas de storyboard em uma noite e desenhei 30 páginas em 10 dias, mas foi realmente terrível. Minha experiência desenhando mangá se limitava a ter completado 16 páginas uma vez, e este era apenas meu segundo trabalho, então eu nem sabia usar uma régua direito. Mas enfim, terminei e enviei para um prêmio. Escrevi sobre isso em um livro, mas isso já foi o suficiente para mim.
— Você escreveu que eu havia me esquecido do prêmio.
Kamio: É verdade. Por causa disso, eu sofri muito durante uns cinco anos depois. Minhas habilidades de desenho tinham piorado, e eu não fazia ideia de como criar uma história. Então, estudei o básico novamente. Eu pintava paisagens com tinta a óleo desde criança, mas desenhar pessoas é outra história, então fiz aulas de desenho e esboço, desenhei nus, estudei os livros de Andrew Loomis e aprendi sobre a estrutura das omoplatas. Mas eu estava progredindo muito lentamente, e meu editor me disse que eu precisava me esforçar mais, e a série que eu tinha conseguido publicar foi cancelada. Eu sentia que ninguém no mundo estava lendo meu mangá. Foi doloroso, e eu pensei que eu, que era tão sensível, não era adequada para esse trabalho, então pensei em desistir depois de terminar meu próximo projeto.
— Esse era Hana Yori Dango.
Kamio: Sim, era esse mesmo. Acho que foi uma boa coisa ter me arriscado e experimentado várias coisas diferentes. Pensei que, já que era minha última chance, eu poderia muito bem tentar.
—— Mas quando ouço você dizer que se magoa facilmente, fico pensando se você estava bem com as duras "cartas de fãs" que revelou em seu ensaio, vindas de Y. Eu recomendo que você leia o livro para mais detalhes, mas as cartas de Y que chegavam aos novos artistas de mangá eram bastante impactantes.
Kamio: Acho que alguns artistas ficam deprimidos ao lerem textos tão diretos, mas eu nunca me choquei com as "cartas de fãs" de Y. Na verdade, eu gostava de recebê-las. Quando eu ainda era um artista iniciante, não recebia muitas cartas, e só o fato de escrever uma carta, colocá-la em uma envelope, colar um selo e enviá-la pelo correio já era um esforço enorme da minha parte, então eu era muito grata. Houve uma época em que eu recebia cartas quase toda semana, e fiquei chocado ao ver diagramas anatômicos de músculos nelas. Ele era como o Fantasma em "O Fantasma da Ópera". Foi uma troca misteriosa e significativa. Tudo o que eu podia fazer para retribuir era escrever meu trabalho.
★Continua na Parte 2, onde ela discute suas ideias sobre mídias mistas e "Prism Rondo"!














































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