Olha, esse caso é de um cinismo fabuloso, porque antes de contar a história já deixo registrado que ninguém irá me convencer de que os editores não estavam cientes dessa fraude. Muito bem, vamos ao caso nojento.
A editora Shogakukan suspendeu a distribuição do mangá Joujin Kamen (常人仮面) após descobrir que seu autor, Ichiro Hajime, era na verdade Shouichi Yamamoto, autor do mangá Daten Sakusen (JP: 堕天作戦). O departamento editorial do aplicativo de mangá da plataforma Manga ONE, que pertence a Shogakukan, anunciou no dia 27 que interrompeu a distribuição digital da série e suspendeu o envio dos volumes encadernados. Um comunicado oficial explicando as circunstâncias e pedindo desculpas foi publicado no site da empresa. Tudo de forma muito discreta, sem maiores detalhes.
Mas o que o Sr. Shouichi Yamamoto fez? Segundo informações da imprensa japonesa (*colocarei todos os links no final*), em 2016, Shouichi Yamamoto atuava como professor e iniciou um relacionamento com uma aluna de 15 anos. Em uma das fontes que eu encontrei em inglês, os abusos foram descritos em detalhes, mas vou poupar vocês e dizer o seguinte: era coisa de mangá hentai guro. Os abusos se estenderam por três anos. Shoichi Yamamoto foi preso em 2020 sob a Lei de Proibição de Pornografia Infantil e condenado em processo sumário (multa de ¥300 mil). Motivo? Ele gravava e fotografava os abusos e estupros. Por conta disso, seu mangá Daten Sakusen foi interrompido sem divulgação pública da prisão ou dos crimes, a editora, a mesma Shogakukan, colocou como justificativa um "problema pessoal". Percebem como protegeram o sujeito?
Em 2021, o editor de Shoichi Yamamoto ofereceu à vítima um acordo de ¥1,5 milhão (aproximadamente 50.220 reais) com uma cláusula de confidencialidade, mas a vítima recusou (*Há suspeita de que ele tenha tentado encobrir outros casos do mangá-ka.*). A jovem desenvolveu estresse pós-traumático e outros transtornos e acabou sendo expulsa da universidade (*o termo que apareceu foi esse*), imagino que ela não deu conta. Em julho de 2022, a vítima entrou com um processo civil contra Yamamoto. Em 20 de fevereiro de 2026, o julgamento civil foi concluído com uma sentença que ordenou a Yamamoto o pagamento de 11 milhões de ienes em indenização. Isso dá mais ou menos 34 mil reais. A corte reconheceu que o professor, um adulto em posição de autoridade, se aproveitou da baixa autoestima da menina estabelecendo uma relação de dominância e a obrigando a atos sexuais contra a sua vontade. Agora, prisão que é bom, nada. Se o que eu li que ele fez é verdade, e fosse no Brasil, em situação normal, claro, ele iria para a cadeia. Poderia nem ser por tanto tempo, mas além da multa teria prisão.
Como a bomba explodiu na imprensa japonesa, a Shogakukan não conseguiu fazer como lá em 2020. E cito direto do post do Mangás Brasil: "Em comunicado próprio, a ilustradora Tsuruyoshi Eri afirmou que não tinha conhecimento do histórico judicial do roteirista quando aceitou trabalhar no projeto. Com a repercussão do escândalo, alguns autores que publicam suas obras na plataforma estão tomando atitudes para se desvincular da empresa. Eno Sumi (Aftergod) suspendeu a serialização temporariamente. Já Ryuhei Tamura (Cosmos), entrou com um pedido para remover seu trabalho do catálogo da One. Além disso, diversos mangakás e profissionais da área, tem se manifestado em solidariedade à vítima e cobram atitudes, como Ichika Yuno (Canção do Amanhecer)." O nome original de Canção do Amanhecer é Yoake no Uta (夜明けの唄).
Por conta dessa situação toda, a Shogakukan interrompeu a distribuição on-line e a publicação dos volumes da série do condenado. Pediu desculpas e admitiu que o agressor não deveria ter sido contratado como autor, expressando seu mais profundo pesar às vítimas, leitores e artistas.
Vamos lá! Eu acredito que a desenhista da série seja inocente. Ela deve ter sido escalada pelos editores para o projeto, mas não acredito mesmo que os editores e outros dentro da empresa estivessem no escuro em relação à identidade do autor. Muito provavelmente, imaginavam que a Justiça não iria condená-lo e poderiam continuar fingindo demência, afinal, quando Shouichi Yamamoto foi afastado lá atrás, ninguém sabia o motivo da suspensão da sua série. E para quem quiser comparar com o caso do Nobuhiro Watsuki (Rurouni Kenshin), ele patrocinava o abuso infantil ao comprar material pornográfico com crianças, mas ele não violou ninguém. Esse cara aí, o Shouichi Yamamoto cometeu estupros e outros abusos. Ele foi muito além, ainda que, pelo que entendi do caso, eles tenham sido enquadrados dentro da mesma lei.
Para as fontes do caso: Oricon News, Oricon em inglês, Coki, Asahi, Itmedia, Sankei, ZakZak e Anime Corner.


















































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