domingo, 22 de março de 2009

Fãs americanos de anime festejam, mas não pagam



Não que eu acredite muito em editores, empresários ou capitalistas em geral, mas se o mercado americano consome realmente tão pouco (*e eu já tinha lido sobre isso quando o assunto é anime*), a coisa deve estar realmente feia. OK, o artigo se chama Soft Power Hard Truths / American anime fans party, but don't pay e foi publicado no jornal Daily Yomiuri On Line. De qualquer forma, espero que a coisa não caminhe realmente assim, porque senão teremos cancelamentos e falências em massa.
Fãs americanos de anime festejam, mas não pagam
Roland Kelts / Especial para o The Daily Yomiuri

Emu ma recente entrevista para o site de cultura pop ICV2.com, o fundador e CEO da Tokyopop Stuart Levy descreveu a estratégia inicial de sua companhia em 1998 como controlar o que ele chama de “os três Cs: conteúdo, comunidade e comércio.” Uma década depois, ele e outros na indústria pop do Japão e dos Estados Unidos tem sido muito bem sucedidas em dominar os primeiros dois – conteúdo e comunidade – mas estão lutando vigorosamente para completar o triângulo.

Além das prateleiras de mangá e anime nas livrarias e bibliotecas dos EUA, e das convenções de fãs todos os fins de semana, você pode ver esboços e células originais, e exibições de anime em locais intelectualizados como o Smithsonian Institution em Washington, o Pacific Asia Art Museum em Pasadena, Calif., e o Japan Society em Nova York.

Comunidades no além mar que se constituíram a partir do amor pelas mídias pop japonesas são muito apaixonadas – ansiosas não somente para dividir os seus interesses, mas ir além aprendendo japonês ou visitando o Japão. Segundo a Japan National Tourist Organization, o número de visitantes estrangeiros no Japão aumentou em 3 milhões de 2003 a 2007, com mais de 8 milhões viajando para o arquipélago, em 2007, e uma projeção de 10 milhões para o próximo ano.

“Nós tentamos com grande afinco construir a comunidade,” Levy diz, “mas nós não conseguimos lucrar indo até lá. As coisas não mudaram.”

O papel da internet em possibilitar o crescimento das comunidades sem gerar lucro tem sido muito citada. Além disso, os produtores das mídias pop japonesas estão lutando contra modelos ultrapassados e auto-destrutivos de fazer negócio.

Durante uma palestra que ministrei no Consulado Geral do Japão em Nova Yok na última semana, eu perguntei, “Por que os produtores japoneses têm que se preocupar com o mercado americano?”

Bem, por um longo tempo, eles não se preocuparam. Mas a indústria está a perdendo o seu controle sobre a próxima geração de japoneses. Isto é em parte porque a população está diminuindo, devido a anos de natalidade em declínio, mas é em grande parte devido a um modelo antiquado de negócio que está afastando jovens talentos em massa. Baixos salários, péssimas condições trabalho e oportunidades de ascensão muito limitadas são horrores suficientes. Adicione a isso a crise da economia global e uma galopante terceirização, e você tem uma clássica combinação assassina.

Um produtor com o qual falei constatou com tristeza que muitos jovens trabalhadores se queimam após apenas seis semanas de trabalho, sendo apelidados de “animadores kamikaze ".

A natureza do Fandom é diferente dentro e fora do Japão. Os japoneses geralmente aceitam o fandom de anime como um prazer pessoal para além do duro trabalho diário. Para os americanos, isso é menos que uma "válvula de escape" (em uma cultura que parece proporcionar uma variedade delas) e mais de um canal para uma celebração compartilhada. As convenções de anime são festas nos Estados Unidos – barulhentas, amigáveis e inclusivas. No Japão, o silêncio do otaku é, como se costuma dizer, ensurdecedor.

A Tokyo International Anime Fair, aberta ao público em 20 e 21 de março na Tokyo Big Sight Convention Center, ilustra bem o caso. Cosplayers amadores, as atrações principais nos eventos americanos, são estritamente proibidos, mantendo o foco sobre os criadores e os seus produtos. Os cosplayers neste fim de semana no Big Sight são pagos, contratado para promover explicitamente personagens e títulos. Qualquer convenção americana que desejar impôr restrições semelhantes veria a sua audiência despencar - e ouviria uma grande quantidade de reclamações.

Uma amostra do DVD da nova produção de Takeshi Koike, o anime Redline, chegou pelo correio do Japão, há algumas semanas, cortesia da Madhouse produções. Um thriller espacial narrado a maior corria já imaginada, as personagens de Redline são como a multidão da Cantina de Guerra nas Estrelas só que mais azedas, e sua linha narrativa é similar a de Speed Racer, no quesito velocidade, quer dizer. Ainda assim, assistindo ao anime a bordo de um vôo lotado de volta para Nova York, fiquei pensando: Legal – mas quem vai comprar isso?

"Nas convenções americanas [estes dias]", observa Levy, "em vez dos fãs anime ou mangá ficarem atrás de um título, parece que eles estão fazendo cosplay e apenas passando o tempo com os amigos... é um ambiente social."

Em outras palavras: conteúdo e comunidade, com certeza. Quem precisa de comércio?

Kelts é professor da Tokyo University, que divide seu tempo entre Tokyo e Nova York. Ele é o autor de "Japanamerica: How Japanese Pop Culture Has Invaded the U.S." (http://www.japanamericabook.com/).

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