domingo, 28 de novembro de 2010

Comentando Zucker do Studio Seasons



Ontem, finalmente, consegui colocar as mãos no meu volume de Zucker, na Livraria Cultura. Foi encomendado e acho que não vai aparecer nas bancas de Brasília ao mesmo tempo que em São Paulo. O quadrinho é feito pelas artistas do Studio Seasons (Montserrat, Simone Beatriz e Sylvia Feer) e foi publicado pela NewPop. O primeiro ponto a ressaltar é que fico muito feliz em ver um produto nacional de qualidade chegando às livrarias e bancas do Brasil. Lembro que logo que fundou sua editora o Júnior não levava muita fé na produção nacional. A mudança de postura talvez tenha relação com o profissionalismo das moças do Studio Seasons, mas outras obras, de artistas nacionais diferentes, estão por vir.

Zucker, a história principal deste volume único com arte de Simone Beatriz e roteiro da Montserrat, foi publicada em capítulos muito curtos dentro da revista NeoTokyo. Ler tudo compilado torna o material muito mais convincente do que em fragmentos de 3 páginas. Era muito pouco para curtir de verdade. Nesse quadrinho, a protagonista Dora sai de São Paulo para receber a herança da avó que morava no Rio Grande do Sul. Lá ela descobre que apesar de ter herdado a doceria Zucker, chamada de “alma da cidade”, ela teria que disputar o livro de receitas da avó com um chef famoso e arrogante. O livro está escondido na casa e a velha senhora deixou várias pistas, pequenas charadas. Além de Dora e do chef, as outras personagens são Edgar, o gerente, e o testamenteiro, seu tio, chamado Bento. Confesso que achei um pouco cansativo o uso excessivo de gírias regionais por parte do velho Bento. Uma vez ou outra, OK, mas ficou um pouquinho forçado em alguns momentos. Sei que o objetivo era criar um clima regional, valorizar a diversidade do Brasil, e isso é ótimo, espero que elas continuem investindo nessa linha, mas faltou, a meu ver, equilíbrio. De qualquer forma, sempre que aparece algo em gauchês, temos uma nota explicativa no rodapé. Ninguém fica boiando, não.

Em Zucker há todo um elemento de realismo fantástico que vai se revelando aos poucos. E é um dos trunfos de uma história que é bem simples, direta, sem grandes complicações. Quando terminei de ler desejei que fosse um pouco maior. E havia espaço para isso, acho que a história – leve, simpática, cheia de ternura e doce como os quitutes da avó de Dora – poderia render mais. Quem sabe elas continuam em uma side story futura? Aliás, um número maios de páginas valorizariam ainda mais o material. Eu compraria de qualquer forma, sou fã do Studio Seasons e mesmo que recebesse um exemplar de brinde, ainda assim iria comprar um outro, nem que fosse para dar de presente. Mas acho que o preço de capa (R$14) poderia ser um pouco mais baixo. Sei que tiragens e qualidade da encadernação, algo que a NewPop valoriza muito, fazem diferença, no entanto, acredito que o preço do material no formato em que Zucker saiu precise e possa ser repensado (*Parece que não é, veja o que o Júnior Fonseca escreveu nos comentários*). Fora isso, temos mangás originais na banca por preços muito mais atrativos. Não estamos mais na época de Holly Avenger. A competição deve ser duríssima, especialmente porque muita gente tem preconceito em relação ao material nacional.

A segunda história, Le Bal Masqué, estava no site do Seasons desde pelo menos 2006. Eu falei dele aqui. A arte é de Sylvia Feer e o roteiro da Montserrat. É uma história bem curta sobre uma moça brasileira que está tentando uma bolsa de estudos em um conservatório de dança na Suíça. Ela é pobre e só poderá continuar se ganhar o concurso, mas seu par se acidentou e tudo parece perdido. É uma história muito bem feitinha, o roteiro bem amarrado, o drama da personagem sincero. Só que poderia ter tido a sua arte atualizada. A Sylvia Feer hoje está desenhando muito melhor do que em 2004/2005, quando provavelmente Le Bal Masqué foi feito. Daí, há um desnível em termos de qualidade na arte. E não estou dizendo isso, porque prefiro a arte da Simone Beatriz (*não vou negar algo que é verdade*), mas porque Le Bal Masqué poderia impressionar muito mais, já que tem um roteiro vigoroso.

De resto, o volume traz propaganda dos próximos materiais do Seasons a serem publicados pela NewPop. Helena de Machado de Assis é o que eu mais espero, sai ano que vem e a arte é da Simone Beatriz. Acredito que o enfoque penda para o shoujo, como foi com Zucker e Le Bal Masqué. Oiran, para mim talvez o melhor material em estilo mangá que já começaram a sair aqui, deve sair encadernado pela NewPop e eu não vou perder. E Sete Dias em Alesh, com arte da Sylvia Feer, que assim como Oiran, foi interrompido no meio quando estava saindo no Brasil. A Prequel de Alesh está em publicação na NeoTokyo. Falando nisso, eu gostaria muito de ver as tirinhas que saíram na NeoTokyo sendo publicadas. Talvez, como bônus para engordar os volumes elas cairiam bem.

Para concluir, sinto-me muito feliz de poder ter em mãos um volume de quadrinho nacional em estilo mangá com qualidade de arte e roteiro. Espero que o trabalho do Studio Seasons possa se tornar mais e mais conhecido e que novos artistas nacionais possam ganhar espaço em nossas bancas e livrarias. Nesse sentido, a NewPop também está de parabéns, por abrir portas. Espero que elas continuem abertas por muito tempo. Para quem quiser saber mais sobre o Studio Seasons (*e vou criar uma tag para elas*) pode ler a entrevista que o grupo deu para o Shoujo Café (*1-2*) e acompanhar o Formspring do Studio Seasons que é ótimo para quem quer seguir carreira como quadrinista aqui no Brasil.

11 pessoas comentaram:

Acho muito bacana a ideia de publicação de obras nacionais. Isso prova que temos bons artistas. Li pouco sobre "Zucker" na revista NeoTokyo, mas gostei do que li, e a arte é muito bonita. Espero realmente ver esse material, assim como as outras obras, sendo publicadas por aqui, e ainda mais, espero também que cheguem nas bancas de todo o país (como aqui no interior de Goiás). Estou esperando. Caso não chegue, vou comprar pela internet mesmo. ^^

Bom Dia Valéria

Sobre a questão de preço. Não acredito que R$ 14,00 por um mangá com o acabamento de Zucker (e toda nossa linha de mangás de volumes únicos) seja cara.

Não entendo o fato de querer comparar algo com o acabamento (papel off-set, costurado, capa cartonada um pouco mais resistente) seja colocado na mesma balança de mangás em papel jornal que muitas editoras cobram R$ 12,90 e mais, mangás com a qualidade da Zucker já foram vendidos por quase R$ 19,90 por outras editoras.

Sinceramente me incomoda muito quando surgem criticas a isso. O valor deveria ser mais barato por ser um produto nacional? Para talvez alavancar as vendas?

Mas aí que apenas comenta, esquece que os custos fixos são os mesmos, seja para uma série licenciada ou para algo nacional (as vezes, os custos do produto nacional é até melhor).

Júnior, eu considero o preço elevado, sim. Não é prática somente da NewPop, destaquei fatores como tiragem como determinante de preços mais altos. No entanto, não estou comparando qualidade da encadernação da NewPop com a do que se tem como padrão para o material estrangeiro, mas, sim, que o consumidor ao colocar na balança vá preferir o mangá original (*eu estou sendo tentada a usar "de verdade"*) ao similar nacional, por prconceito, por hábito, por ser melhor em alguns fundamentos, etc., e por conta do preço, também.

Pense nisso. E, se for possível, repense os preços. Eu sei que acesso à vendagens é segredo de estado aqui no Brasil, então, sou a leiga chutando.

O problema de opiniar sem saber números é esse.

Os custos graficos no Brasil são os mais elevados do mundo. Você quer comparar valores de mangás importados com o nosso, então vamos lá...

A qualidade pode até ser superior, normalmente a grande diferença está na gramatura das páginas, o que deixa os mangás sempre mais "grossos". Porém, esses mangás se você ver o preço, custa mais caro que os valores praticados aqui. Olhei alguns aqui em casa, e os mangás custariam em média R$18,00.

Isso varia de editora pra editora, mas ainda assim é um valor maior. Se o pessoal reclama de R$ 14,00, imagine se fosse mais?

Outro detalhe... e novamente você não tem obrigação de saber disso, mas como é uma formadora de opinião acho que é importante e se interessa.

Você esquece que as contas para o lançamento de um titulo não são apenas direitos autorais, tradução, revisão e grafica.

O pessoal esquece que as editoras ganham um sócio que não investe. As distribuidoras.

A editora tem que pagar todos seus custos não com os R$ 14,00, mas com um valor bem abaixo disso..

Mas entendo seu pensamento, é opnião pessoal, mas garanto que os numeros não batem.

“O problema de opiniar sem saber números é esse. (...) Outro detalhe... e novamente você não tem obrigação de saber disso, mas como é uma formadora de opinião acho que é importante e se interessa. Você esquece que as contas para o lançamento de um titulo não são apenas direitos autorais, tradução, revisão e grafica.”

Eu opinei, não acusei a editora de estar praticando preços superfaturados ou nada do gênero. Sei que há vários gastos embutidos no preço, qualquer pessoa adulta e que paga suas contas deve saber disso, que nada é de graça, que no Brasil cobra-se muito caro por algumas coisas. No entanto, continuo achando o preço elevado, como acho o preço de outros quadrinhos publicados aqui (*vide minha resenha de Aya da L&PM) altos. Estou pensando com base no que estou disposta a pagar, na média de salário dos brasileiros e brasileiras, que a maioria dos fãs-consumidores deve ser adolescente, e que existe um profundo preconceito com o produto nacional. O importado é sempre melhor e, no caso dos mangás, custa menos.

“Mas entendo seu pensamento, é opinião pessoal, mas garanto que os numeros não batem.”

Eu não citei números, porque eu não os tenho. Eu simplesmente disse que R$14 pelo volume me parece caro e teci uma série de elogios ao produto da sua editora. Acho que isso está claro no texto, que a crítica foi positiva e não negativa, mas foi crítica. Não poderia ser só rasgação de seda. Se eu fosse tentar comparar Zucker com outros mangás poderia soar como desqualificação e isso eu não quero nem posso fazer, especialmente em respeito ao trabalho da Montserrat, da Sylvia e da Simone Beatriz, além de todo o capricho com que você trata os mangás da sua editora. Mas se a cada vez que eu esboçar um opinião sobre preços, tiver que receber esse tipo de comentário de volta, me dando puxão de orelha (*já que sou formadora de opinião*), talvez a opção seja não comentar os produtos da NewPop, afinal, esse blog é motivo de prazer e não de aborrecimento para mim. Se for o caso, só não posso prometer não comentar o material do Studio Seasons, simplesmente porque acompanho o trabalho delas desde antes da internet e torço muito pelo sucesso.

Mas agradeço as explicações para quem não sabia dos altos custos de se publicar quadrinho no Brasil, ou que o preço de um produto traz embutido uma série de gastos.

Nós do Studio Seasons agradecemos o artigo sobre nosso trabalho Zucker.
Como a história é pequena (realmente foi feita para ser curta), quem sabe, futuramente façamos uma nova aventura para estas personagens. No momento temos de cumprir nossos compromissos com os títulos já anunciados.Compreendemos as impressões dadas pela autora, pois todas as opiniões são importantes para o aprimoramento de nosso trabalho.
Obrigada.
Montserrat - coordenadora do Studio Seasons

Nossa, até me espantei aqui.

Tipo, quando vi o anuncio e tals eu achei o preço absurdo.
Mas tipo, pensei que fosse só a historia "Zucker" e poxa, embora boa, ela é pequena... ficava pensando na finura do mangá.
Descubro agora que tem outra historia.
Que bom, me motivou a comprar.
Ainda mais sabendo que a Valéria recomenda ^^

Eu compro todo volume da NeoTokyo, já li toda historia do mangá. Como sei que gostei, comprarei.

E concordo com a Valéria sobre o preço salgado.

Comprei Zucker semana passada e só li anteontem, bem, achei a arte simpática, poderia ter mais cenários, há muitos espaços em branco, mas no geral achei a arte agradável e charmosa. A história principal achei bem fraquinha, faltou um clímax, também não gostei da disputa contra o tal chef, não gosto de personagens que são maus só por serem maus, achei infantil esse tipo de personagem, também me incomodou o jeito afetado do tal chef, mas o que eu achei realmente fraco foi o roteiro, achei a história boba, poderia ter sido melhor explorada. Sobre Le Bal Masque eu tive a impressão oposta, gostei demais da arte e da história que poderia ter tido mais umas cinco páginas para ficar perfeito, essa história para mim foi o que valeu o mangá, gostei de tudo nela. Agora é esperar por Helena, Oiran sem dúvida foi o que mais me chamou atenção, Sete dias em Aleph me pareceu aquele tipo de mangá RPGístico bobo que eu detesto, mas pode ser diferente do que estou pensando.

Eu gostei de Zucker e não me arrependo de ter comprado. Achei a história muito simpatica, o traço tambem é bonitinho, mas nada de outro mundo. A segunda história eu também me amarrei, enfim, espero que as outras histórias tenha um pouco de drama, pra nao ficar muito superficial.

Acho bobeira o Junir vir criticar a Valeria pelo texto, deveria sim agradecer. A critica dela corresponde ao que todos nos leitores pensamos. O que Zucker tem de especial para custar 14 reais? Só porque é nacional eu tenho que pagar mais caro? E essa critica não vale somente para a NewPop, mas tambem para a JBC que trata nos consumidores como se fôssemos pessoas que moram no primeiro mundo. Recentemente a JBC cobrou mais de 20 reais pela oneshote Hiroshima, ta certo que o material é de primeira, mas ta muito caro pra um manga de 100 e poucas paginas.

A NewPop sempre coloca um valor mais elevado em seus mangas unicos e em muitos casos eu entendo o motivo e acho o preço justo. Mas mesmo que Zucker tenha recebido um tratamento otimo, acho que poderia ter saido na media de preço que a Panini cobra e olha que ela costuma caprichar, mesmo que seja papel jornal.

Zucker é bonitinho e vale a pena comprar, mas por se um manga desconhecido do grande publico e ainda nacional, deveria ter um preço mais chamativo, atrair publico para as publicações do Studio Seasons. E novamente, deixem os boggleiros fazerem suas criticas. Criticas sobre um material sobre Zucker são excelentes, pois tem muita gente que tem receio de comprar e pode se decidir a favor através de uma critica, principalmente vindo de uma pessoa como a Valeria, que tem muito prestigio entre os otakus.

Acabei de comprar Zucker e, sinceramente, esperava mais depois de ter visto a crítica da Valéria.

A história pode ser doce como você falou Val, mas pelo menos pra mim ela foi doce até demais, ficou muito boba mesmo.

A sacada do realismo mágico inesperado até que foi interessante, mas foi desenrolado de um jeito muito infantil mesmo.

A arte do desenho é muito linda, e o capricho da arte-final, aplicação de retícula, traço da desenhista são perfeitos. Mas não é só isso que ao meu ver, é a graça do "estilo shoujo". Pra mim a narrativa shoujo não foi alcançada, só a arte.

A arte é bem-feita e o roteiro é bem construído, mas ambos isolamente. Quando ocorre a junção dos dois, a narrativa pelo enquadramento, que ao meu ver é o principal de um quadrinho, é mal aplicado em favor da história.

Tudo bem que há os clichês shoujos: florzinhas (as vezes irritantemente presentes) e quadros grandes que valorizam o pensamento dos personagens.

Mas o enquadramento não me deixa andar pela história, acaba cortando o fio da meada da leitura(não foi só eu que senti isso, mais de 5 pessoas que eu emprestei pra ler), confundindo a leitura, até os balões aparecem numa ordem meio confusa.

Também não consegui me envolver com os personagens.

Sobre a história do final, realmente poderia ser mais promissora se tivesse mais páginas para ser desenvolvida. Mas acaba prendendo mais que Zucker, mesmo com a arte mais "fraca".

E olhem só, não sou uma preconceituosa criticando sobre o que não li: sempre faço questão de ler material nacional, fanzine independente ou bancado por editora.

Não acho também que só elogiar vai contribuir pra o quadrinho nacional crescer.

Dada a qualidade da arte, esperava mais da história.

A maioria dos quadrinhos em estilo mangá brasileiros que vejo, o desenvolvimento do roteiro, a narrativa em si, é a parte mais fraca, mesmo com o traço lindo de morrer e sendo "bem-feitinho". Zucker não fugiu da exceção a meu ver.

Sei que a crítica positiva da Valéria foi mais pra reconhecer o conjunto da obra do Studio Season, por ser um grupo realmente organizado no genero, com um empenho profissional no fazer quadrinhos, que cumpre prazos e tem um ritmo de produção dentro da expectativa da editora.

Recomendo ler para tirarem suas próprias conclusões.

Bem, Ludmila, você nào deixa de estar correta. Eu queria uma história mais profunda, por assim dizer, e mais longa. Mas, enfim, foi uma primeira tentativa de parceria. Vamos ver no que dá Helena, que já vem com um roteiro pré-pronto, por assim dizer. ;-)

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