domingo, 25 de dezembro de 2011

Comentando Jane Eyre (1996)



Seguindo a minha maratona de adaptações de Jane Eyre, assisti novamente a versão de 1996. Lembro que quando vi o nome Franco Zeffirelli na direção, fiquei empolgadíssima. Afinal, adoro o trabalho do Zeffirelli e imaginava que ele fosse carregar nas cores do dramalhão, mas com bons resultados. Bem, não lembro exatamente quando assisti o filme de 1996, mas foi pouco depois do seu lançamento e lembro que achei decepcionante. Rever não mudou muito a minha opinião, salvo em um ponto: a fase da infância não é ruim. Na verdade, está entre as melhores, mas comento isso mais adiante.

A versão de Zeffirelli tem exatas 1 hora e 48 minutos. Assim como na versão de 1997, talvez 10 minutos a mais pudessem fazer diferença. Outra característica é que esta adaptação foi feita para Hollywood, então, ainda que boa parte dos atores e atrizes sejam ingleses, o objetivo era satisfazer a audiência norte americana. Como toda adaptação, era esperado que muita coisa ficasse de fora. Como já virou costume, a parte da cigana, com Rochester pregando uma peça em seus convidados, não está lá. Esta versão, no entanto, faz alterações bem "criativas", por assim dizer. St. John, por exemplo, é colocado como uma espécie de executor do testamento da Sr.ª Reed. Não há parentesco entre Jane e os Rivers (St. John, Diana, Mary), tampouco, um pedido de casamento por parte do pastor. Mas há a herança... Pelo menos isso!

Jane na fase da infância é vivida por Ana Paquin – a Sookie de True Blood – na época em que ela era vista como menina prodígio de Hollywood. E, sim, apesar de continuar achando a parte em Lowood do filme de 1970 a melhor de todas as adaptações, Paquin consegue marcar bem a personalidade de Jane. Nesta versão, tanto Jane, quanto Helen, têm seus cabelos cortados. Helen é colocada como tendo cabelos ruivos e ondulados (*no livro era outra menina*) que despertam a ira do diretor, o Reverendo Brocklehurst. Nesta versão, a professora má, Miss Scatcherd é interpretada por Geraldine Chaplin. Já a boa Miss Temple é Amanda Root, que fez a Anne Elliot de Persuasão 1995. Aliás, o ator que interpreta St. John – Samuel West – era parte do elenco dessa versão, também. Neste filme, Miss Temple é uma influência positiva sobre as meninas e muito mais ativa do que em outras adaptações. Se não é feminista, pelo menos ela incorpora bem as bandeiras que algumas mulheres levantavam no século XIX, de que o sexo feminino precisava ser bem educado para ajudar a construir um mundo melhor e conseguir um lugar nesse mesmo mundo. Ao invés de casar, ela fica como diretora de Lowood mesmo depois da partida de Jane. Acredito que o objetivo era traçar um antagonismo entre Jane, "nascida para amar", e mulheres como Miss Temple, que se dedicavam integralmente aos outros. Neste caso, dar uma educação digna para meninas em situação vulnerável ou, mesmo, miserável.

Charlotte Gainsbourg, apesar de não ser mais adolescente, faz uma boa Jane. Quer dizer, o tom do filme é excessivamente melancólico e sua Jane é assim, silenciosa, emocionalmente controlada. Uma das lambanças que fizeram no texto foi colocarem Jane chamando Rochester de idiota ("stupid") na seqüência em que ele se declara. Foi algo tão fora da linha do original que me revirou o estômago e bem em um momento fundamental, que deveria ser um dos ápices do filme. Mas, enfim, não é a mais feliz das adaptações. É tão pouco feliz que tem, talvez, o pior Rochester, William Hurt. Primeiro, ele é louro. Rochester era moreno, como todo bom herói de romance que se preze. Segundo, ele parece depressivo, excessivamente melancólico. Enfim, é um Rochester com tão pouco carisma que não consegue me arrebatar nem nas melhores cenas e falas. Compará-lo com outros Rochester, como Timothy Dalton, Toby Stephens e mesmo o Ciarán Hinds é covardia. Ele, definitivamente, não entendeu a linha de interpretação que a personagem pedia... Talvez, a culpa tenha sido da direção. E, claro, dada essa linha de adaptação, o humor do texto original não está presente no filme.

Essa adaptação de Jane Eyre é o filme de Zeffirelli mais não-Zeffirelli que eu já vi. Querem comparar? Peguem o filme que ele fez em cima do livroStoria di una capinera, de Giovanni Verga, que é de 1993 (*infelizmente, não lembro do nome em português*). Aquilo, sim, é Zeffirelli! Você termina ou se debulhando em lágrimas ou com o coração pesado... se eu encontrar esse filme para baixar (*não saiu em DVD por aqui*), prometo assistir e resenhar. Ah, sim! Nesta adaptação Blanche Ingram é loura e Lady Ingram foi transformada na gordinha má e desastrada, coisa que essa senhora arrogante estava longe de ser. Fiona Shaw, a tia má de Jane, também foi a tia má de Harry Potter, além de também fazer parte do elenco de Persuasão. Outra coisa a pontuar é que a trilha sonora é muito boa. Gosto das músicas dessa versão.

Ainda assim, até por falta de outras referências, é a versão que conduziu muita gente ao livro. A edição nacional de Jane Eyre que eu tenho é exatamente a que tem Gainsbourg e Hurt na capa. É aquilo, assim como Orgulho & Preconceito de 2005, essa versão de Jane Eyre pode ter ajudado muita gente a chegar ao original e, talvez, melhores adaptações. Com o lançamento da série de 2006 no Brasil, não há mais desculpa para ninguém ficar restrito a essa versão mediana de Jane Eyre. Para as outras resenhas, é só clicar: 1970, 1973, 1997 e 2011.

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2 pessoas comentaram:

A série de 2006, é disparada, a melhor adaptação de Jane Eyre! Toby Stephens está PERFEITO como Mr Rochester...

Por favor! Resenhe Jane Eyre 2006!!! Assistir esta versão, e no geral, gostei...mas meu Rochester preferido é o Toby, não tem jeito...

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