sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Guestpost: Comentando a Edição Norte Americana de O Coração de Thomas



Esta semana, a Erika comentou no Twitter a sua leitura da edição americana de Tōma no Shinzō, clássico de Hagio Moto recém-lançado nos EUA com tradução de Matt Thorn, talvez o maior especialista na obra da mestra japonesa. A edição da Fantasgraphics parece ser primorosa, aliás, eles já tinham caprichado em outra obra da autora, A Drunken Dream and Other Stories. Se tiver alguma dúvida, veja o vídeo na página da editora, um luxo só. Eu não peço algo assim em um lançamento de Hagio Moto no Brasil, mas é realmente uma pena que uma autora tão brilhante não tenha nenhuma de suas obras lançadas em nosso país. Sei lá, nosso mercado é absurdo mesmo.

Como eu ainda não encomendei minha edição e queria as impressões dela aqui, para que tod@s pudessem ler no Shoujo Café, ela mui gentilmente aceitou escrever uma resenha. Erika, obrigada por ter aceito tão prontamente e escrito de imediato.  Desejo uma boa leitura.



Um clássico shoujo mangás da década de 70, “O Coração de Thomas” (トーマの心臓; Tōma no shinzō), de Hagio Moto, foi publicado na revista semanal Shoujo Comic entre os anos de 1973 a 1974 e recebeu diversas encadernações desde então. Considerado a obra que deu origem ao gênero shounen-ai, o mangá é ambientado num fictício colégio interno para garotos na Alemanha, em meados do século XX. Mas, ao contrário de muitas estórias que tragicamente terminam em morte, a trama de O Coração de Thomas desenvolve-se a partir de uma.

“Para Juli, uma última vez. Este é meu amor. Este é meu coração. Certamente você deve entender”.

Num dia de inverno, um estudante de quatorze anos, Thomas Werner, morre ao cair de uma passarela. Antes de morrer, porém, ele deixara para Juli Bauernfeind, seu colega de colégio, um bilhete com os dizeres acima. Dias antes, Thomas havia declarado seu amor por Juli e sido publicamente rejeitado por ele. Consciente de que o que recebera era a despedida de um suicida, Juli, aparentemente impassível, é atormentado pela lembrança de Thomas; e só piora com a chegada de um novo aluno, Erich Frühling, fisicamente muito parecido com o finado rapaz. Diferente do tímido Thomas, porém, Erich é passional e atrevido, metendo-se em várias brigas com colegas e professores – geralmente pela constante comparação entre ele e Thomas.

O Coração de Thomas possui personagens emocionalmente complexas. O enredo do mangá desenvolve-se a partir da relação entre Juli, Erich e Oskar Reiner, amigo e colega de quarto de Juli. O trio principal tem lembranças, motivos, amores e traumas. Juli é incapaz de confiar e amar; Erich possui pela mãe uma grande dependência emocional; e Oskar não expressa seu amor pelas pessoas que lhe são importantes.


Apesar de o enredo estar diretamente ligado a Juli, é a sensibilidade de Erich que induz ao desenvolvimento dos personagens. Pois, embora imaturo, Erich é bastante perceptivo; é ele quem intui o que Juli de fato sente. Uma visita à casa da família Bauernfeind faz com que ele perceba a solidão de Juli e o desespero que o faz se agarrar à sua imagem de aluno perfeito. E isso catalisa seu próprio amadurecimento, ao finalmente entender e aceitar os sentimentos de sua mãe.

Erich também percebe o quanto Oskar, por detrás da aparência de rapaz descolado e sem compromisso, sempre amou seu pai e Juli. A cena em que Juli aceita que sempre foi amado – por Oskar, por Erich, por Thomas – é muito bonita; ele finalmente se reconcilia com seu passado e sua consciência. A violência que Juli sofrera havia fechado seu coração, impedindo-o de reconhecer a felicidade e o amor dos outros.

O Coração de Thomas é, acima de tudo, um extraordinário shoujo. O conteúdo shounen-ai nunca deve ser levado em consideração como diminutivo da importância do mangá; pelo contrário, Hagio Moto é uma pioneira, ao romper com o padrão das publicações na época, juntamente com outras geniais mangakás como Keiko Takemiya e Riyoko Ikeda.


Em termos da edição americana, Matt Thorn fez um excelente trabalho de tradução no sentido de o texto fluir bem, sem frases perdidas do contexto. Ele optou por manter algumas expressões em alemão, como “guten morgen” e as descrições das séries escolares. Profundo conhecedor das obras de Hagio Moto, é dele também a introdução sobre a origem do mangá. O trabalho editorial é um primor, com papel de qualidade, boa impressão, manutenção das páginas coloridas, e uma capa dura bem bonita. Como é uma publicação acima da média, custa um pouco mais caro: 40 dólares. Ao adquirir o mangá, considero-os muito bem investidos.

P.S.: Boa parte das imagens vieram desse site aqui.

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2 pessoas comentaram:

Pelas fotos a edição americana é muito linda. Mangá de capa dura = luxo, rs.

Não li as impressões da Erika, pq estou aguardando minha edição (francesa) chegar. Assim que receber e ler, volto e comento (^_^).

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