domingo, 7 de julho de 2013

Comentando Black Bird #16: Talvez o melhor volume da série até o momento



Esta semana finalmente terminei a leitura do volume #16 de Black Bird e, bem, acredito que tenha sido o melhor da série até o momento.  Escrevo isso, porque foi tenso e dramático, como pedia o momento atual da trama, e mostrou o crescimento das personagens, coisa que nem sempre ficou evidente em volumes anteriores.  Sim, eu tenho fé que Kanoko Sakurakouji com a devida assessoria poderá se tornar uma grande mangá-ka e é possível vislumbrar isso em alguns volumes de Black Bird.  Neste caso, todo o volume #16 foi uma demonstração de seu talento em maturação.  Será que esse ritmo se mantém nos dois últimos volumes da série?  Espero que, sim.

No pé em que estamos, Misao está grávida do filho de Kyo e futuro líder do clã dos tengu.  O rapaz teve acesso ao texto completo do Senka Roku através de seu amigo Tadanobu e aquilo que todo mundo já desconfiava se confirma: o destino de Misao é morrer no parto, devorada por seu bebê youkai.  A partir daí, desenvolve-se o grande drama, pois Kyo deseja que Misao aborte o filho dos dois, mesmo que isso signifique que ele será banido, perdendo seu lugar em seu clã, e tornando-se um pária caçado por todos os youkai que desejam se apossar da senka maiden.


Neste volume, pudemos rever Tadanobu, fiel amigo de Kyo, apesar de pertencer a outro clã, e o youkai cobra apaixonado por Misao, Kensuke.  Se através do primeiro Kyo comprova o que já desconfiava, ao segundo ele recorre para obter um abortivo que Misao possa se salvar da morte certa.  O que eu posso dizer?  A preocupação de Kyo, sua disposição ao sacrifício é tocante, mas é mais importante perceber que Misao toma seu destino nas mãos.  Chega o momento em que ela mostra que não aceita que o rapaz decida se ela deve, ou não, levar a gravidez adiante.  A decisão em casos assim sempre é da mulher.  Obrigar uma mulher a abortar por qualquer motivo que seja é uma violência sem tamanho, assim como obrigá-la a parir ao preço de sua vida.

O que poderia descambar (*no Brasil, com certeza, descambaria*) para um papo pró-vida absurdo, foi a chance da autora mostrar o amadurecimento da personagem, que consegue dar a dimensão não somente da ligação que possui com a criança em seu ventre, mas, também, da percepção da tragédia que o aborto poderia representar para Kyo e seu clã.  Sim, Misao não abraça a morte como mártir feliz, ela sofre, ela deseja viver, mas sabe que se Kyo for banido, morto, ela passará para a mão de outro youkai, será estuprada, poderá engravidar e morrer do mesmo modo.  Morrer por amor serve-lhe de algum consolo, no entanto, a dor permanece.  Além disso, Misao percebe a disposição dos dai-tengu de se sacrificarem por ela e Kyo.  Como suportar isso?


Outro ponto alto do volume foi a fidelidade e a amizade dos dai-tengu por Kyo.  Primeiro, Sagami – meu dai-tengu favorito – parece disposto a impedir que Kyo aborte seu filho, porque ele é o herdeiro do clã, mais tarde, porém, ele se mostra disposto a seguir seu líder no exílio, em qualquer situação... E sua paga?  Aquela cena tocante de ser chamado pelo primeiro nome, Ryo, com aquele intimidade que em histórias assim só pode ser dispensada a um amigo.  Os outros dai-tengu também tem sua cota no drama, mas acredito que o destaque é para Sagami, dado o perfil sisudo da personagem.  Até chorar o homem chora. :)

De resto, inicia-se uma busca desesperada de qualquer informação que possa dar esperança de que Misao se salve.  Afinal, o relato do Senka Roku tem 300 anos e pode ser um caso específico, ou não?  Obviamente, os indícios dados pela criança no ventre de Misao sinalizam que não é o caso... De qualquer forma, já no fim do volume temos uma tênue esperança, Sho talvez tivesse uma pista sobre uma possível salvação para Misao.  Bem, não preciso ler spoilers – e nem peguei mesmo – para saber que Misao sobrevive.  Um mangá como Black Bird não sinaliza grandes tragédias.  O importante é saber como a autora vai desenrolar a coisa, se será feijão com arroz, algo brilhante ou decepcionante.  Como a edição americana só sai em outubro, eu estou com a brasileira da Panini para ler e resenhar.  Correndo tudo bem, teremos uma resenha do volume #17 ainda esta semana.  De qualquer forma, este volume #16 merece nota 10 e com louvor.

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1 pessoas comentaram:

Realmente concordo com tudo o que você disse. Se a autora continuar assim a série vai ser finalizada perfeitamente!

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