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sexta-feira, 30 de agosto de 2024

Manga de Ai Yazawa vence uma das categorias da primeira edição do American Manga Awards

O American Manga Awards, patrocinado pelo Anime NYC e pelo Japan Society, contou com várias categorias e revelou os vencedores no dia 22 de agosto (*sim, mais uma matéria atrasada*).  O mangá Gokinjo Monogatari (ご近所物語), série de Ai Yazawa inédita no Brasil e publicada pela VIz, foi indicada na categoria Best New Edition of Classic Manga Series (Melhor Nova Edição de uma Série Clássica de Mangá).

O Shoujo Cave publicou uma mensagem de Ai Yazawa quando da revelação dos vencedores: "Trinta anos atrás, eu nunca imaginei que "Neighborhood Story", que criei em uma mesa apertada, frequentemente ocupada pelos meus gatos, um dia cruzaria o vasto oceano e alcançaria tantas pessoas."  Todos nós torcemos pela recuperação da autora e para que ela possa voltar a produzir mangás com regularidade.  Além disso, queremos mais Ai Yazawa no Brasil.  Gokinjo Monogatari, que é conectado com Paradise Kiss, seria uma boa pedida.  Para quem quiser, eu fiz um Shoujocast sobre Paradise Kiss.

sábado, 29 de junho de 2024

A VIZ vai republicar Anatolia Story e eu estou aqui na dúvida se compro, ou não.

Para quem não sabe, para quem é novo por aqui, sou fã da série Anatolia Story (天は赤い河のほとり) de Chie Shinohara.  Para quem não sabe, Anatolia Story tem como protagonista uma garota chamada Yuuri que acaba sendo transportada para o Império Hitita no século XIV a E.C.  Lá, ela deveria ser sacrificada pela rainha, como forma de garantir que seu filho seja o herdeiro do trono.  Yuuri é salva pelo príncipe Kail, um dos filhos mais velhos do rei, que se apaixona por ela.  Ele terminará sendo o herdeiro de seu pai, não o filho da atual rainha.  Já Yuuri, termina descobrindo que é o avatar da deusa Ishtar, a deusa de guerra e do amor.  A partir daí, ela se torna uma líder militar e figura da maior importância dentro da política hitita.  Mas ela é só uma adolescente, ela tem uma família no Japão, e ela precisa decidir se volta para casa, ou fica (*se lhe deixarem, claro*) com o príncipe que a ama e é amado por ela.  Colecionei a série, fiz scanlations de alguns volumes, tem tag da série no blog e eu resenhei cada um dos #28 volumes.  Enfim, a VIZ, porque, aqui, isso nunca deve ser publicado, vai republicar a série em formato BIG, 3X1.

Primeira coisa, pensei que, com a disparada do dólar, a série estaria mais cara.  Está em pré-venda no Amazon.  Agora, o problema, o grande problema, é saber se o texto estará sem a censura que existe na edição que eu tenho.  Vou pedir o volume 1 para confirmar, porque a primeira censura já aparece no primeiro ou segundo encadernado original. E havia problemas de tradução, também, ela parecia bem frouxa em alguns momentos. Pelos meus cálculos, se não houver algum material extra (entrevistas, a história curta que veio no fanbook, o gaiden do Ramssés, etc.), imagino que a coleção se feche com 9 volumes.  Podem excluir o primeiro gaiden, que falta não fará. Aliás, como grande fã da série, digo que ela deveria ter fechado no volume #27, não no #28, e mantido somente o gaiden Orontes no Renka, que poderia até ser maior.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

VIZ anuncia vários títulos shoujo, inclusive o relançamento de Anatolia Story


Eu tinha visto alguns dos lançamentos no Twitter, mas amigas foram me avisar que o selo ShoujoBeat da editora Viz anunciou o relançamento de Anatolia Story (天は赤い河のほとり), de Chie Shinohara, em formato 3x1, o mesmo em que saiu HanaKimi, vários anos atrás.  Anatolia Story é um dos meus mangás favoritos e eu fiz resenha de todos os volumes da série, há uma tag só para ele, aliás.

Enfim, é bom ter Anatolia Story de volta, eu não tenho lá muita esperança de vê-lo no Brasil, ou que tenha um anime (*teve musical do Takarazuka*), mas é uma série muito empolgante.  O ponto de partida da série é o seguinte: Yuuri é uma adolescente japonesa comum, mora com os pais, as irmãs, ela é a do meio, tem um namoradinho e tudo parece ir bem, até que ela pisa em uma pocinha d'água e duas mãos a puxam para o Império Hitita, no século XIV a.E.C.  A responsável pela façanha é a esposa titular do rei, Nakia, ela é uma poderosa feiticeira e tinha tido a revelação que somente sacrificando Yuuri, seu filho poderia se tornar o herdeiro do trono.


Yuuri acaba escapando, mas está completamente perdida e atordoada.  Ela é resgatada por um belíssimo jovem, que usa os poderes do vento, e ele a beija.  Seu nome é Kail, ele é o segundo filho do rei, terceiro, na verdade, mas o irmão acima dele é filho de uma mulher de condição inferior, e ele não se dá bem com a madrasta e ela quer se livrar dele.  Kail leva Yuuri para seu palácio (*e tenta tomar umas liberdades com ela*), mas e garota será capturada de novo e quase morta, mas logo será descoberto que Yuuri não é uma adolescente comum, ela é o avatar (*receptáculo dos poderes na Terra*) da deusa do amor e da guerra, Ishtar.

A partir daí, o status de Yuuri irá subir muito, ela se tornará inclusive uma líder militar, mas Nakia continuará fazendo o possível para mantê-la no passado e matá-la.  Para atingir seu objetivo, colocar seu filho no trono, ela não terá pudores, assassinará o marido, causará a morte de um dos enteados (*Zananza, irmão favorito de Kail*), colocará o país em perigo e por aí vai.  Como o Império Hitita vivia uma espécie de guerra fria com o Egito, teremos guerra com egípcios, mitani, peste (*que provará a eficácia das vacinas que a mocinha tomou*), intriga de harém etc.  

Para encher 28 volumes, teremos momentos nem tão interessantes assim ao longo da série.  E temos alguns problemas de roteiro, claro.  Kail é um poderoso feiticeiro, mas só usa seus poderes TRÊS VEZES durante toda a série.  Yuuri não parece sofrer tanto quando fica impedida para sempre de voltar para o Japão (*a autora queria que a protagonista fosse da própria antiguidade, mas o editor a forçou a recorrer ao clichê da garota deslocada no tempo*).  Praticamente todos os homens da série caem de amores por Yuuri.  O volume #28 é inútil.  Agora, para além de tudo isso, a VIZ censurou partes do texto da sua primeira edição.  Então, esse relançamento, para valer a pena para mim de verdade, tem que ser com nova tradução sem censura.  E, caso você só queira ler o mangá, tem scanlations dele todo.  Ah!  Eu achei umas fanarts lindas de Anatolia Story aqui.

Mas o que mais foi anunciado?  Colette wa Shinu Koto ni Shita (コレットは死ぬことにした) de Alto Yukimura, Hana ni Arashi (はなにあらし) de Ruka Kobachi, Vampire Knight Complete Box Set, Kagen no Tsuki (下弦の月) de Ai Yazawa, Oshi ni Amagami (推しに甘噛み) de Julietta Suzuki, 

sábado, 15 de fevereiro de 2020

Gaiden de Utena serão lançados nos EUA + uma coisa ofensiva que preciso comentar


A VIZ anunciou que os gaiden de Shoujo Kakumei Utena (少女革命ウテナ), lançados como parte das comemorações dos vinte anos da série, serão lançados nos Estados Unidos.  Segundo o release, o formato de Shoujo Kakumei Utena After Revolution (少女革命ウテナ After The Revolution) seguirá os do relançamento do mangá nos Estados Unidos o Revolutionary Girl Utena Complete Deluxe Box Set de 2017.  


Por enquanto, se eu não estiver errada, são quatro histórias, mas nada impede que saiam outras.  Aliás, bom dizer que eu não quero dólar em cotação decente par air a para a Disney, mas para não pagar os olhos da cara por produtos vendidos no Brasil orçados em dólar (*como commodities, por exemplo*)) e poder importar livros e mangás em paz.  

A charge de Aroeira.  Mais explícito, impossível.
Falando nisso, as comparações entre o ministro Paulo Guedes, que acredita ser um absurdo empregadas domésticas (*na verdade, ele falou domésticas para não falar classe média*) visitarem a Disney e Maria Antonieta foram das coisas mais ofensivas que eu vi ontem, porque a difamação contra ela foi tão bem plantada que ela continua no nosso imaginário como sinônimo de mulher deslumbrada, perdulária e incapaz de mostrar piedade pelos pobres.  

Comparem Guedes com quem ele merece, as personagens
de Chico Anysio, Miguel Falabela e Marcelo Adnet. 
Maria Antonieta não tinha poder político na esfera pública, não tinha assento no conselho de estado e, para os padrões da época e o que era exigido de uma rainha, era extremamente caridosa.  A frase "Se não tem pão, que comam brioches", não é dela, mas circulava como anedota fazia mais de um século e fora. inclusive, associada à esposa de Luís XIV, Maria Teresa. Queria que deixassem Maria Antonieta em paz e atrelassem esses homens perversos à gente da sua laia e do seu sexo biológico.

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Todas as Resenhas de 2019 - Parte 1: Mangás

Acredito que 2019 foi o ano no qual mais resenhei mangás, aqui, no blog.  Volumes inteiros, capítulos.  Às vezes aparecia alguma coisa do mangá e eu ia atrás de alguma coisa dele para opinar.  Deixei de resenhar várias coisas que li.  Satoko e Nada vol. 2, por exemplo, fui adiando e não fiz, mas devo tentar escrever a resenha quando voltar das férias.  O mesmo vale para a Rosa de Versalhes, a diferença é que os volumes 3-5 vieram comigo para o Rio. Aliás, foi o ano da Rosa de Versalhes.  Enfim, tentarei manter uma frequência semelhante este ano, maior, não sei se consigo.  Aliás, convido quem quiser a fazer guest posts para o Shoujo Café, porque há muita coisa boa que eu não tenho como ler, ou não quero mesmo, mas é de interesse do público do blog.  E lembrando e avisando para quem não sabe, tudo o que eu resenho é, ou baixado da net (scanlations), ou comprado com meu dinheiro.  Não recebo nada de editoras, então, só compro o que eu quero, o que posso, o que eu realmente acredito que vale a pena.

Este foi um dos melhores mangás que li em 2019.
Este ano passado, é preciso dizer, as editoras brasileiras lançaram muita coisa boa, muita mesmo, especialmente, para quem se interessa por shoujo, josei, mangás com autoria feminina, ou protagonistas mulheres.  Infelizmente, tivemos uns deslizes, Fruits Basket merecia um tratamento melhor da JBC, não falo de encadernação, mas de qualidade do texto mesmo, fora a manutenção de uma censura que não se explicava na primeira edição e muito menos em nossos dias.  É isso, segue a lista dos mangás resenhados no blog este ano com alerta para o que foi lançado aqui:
  1. El Halcon, capítulos 1-3 
  2. FuriFura volume #1 (Panini)
  3. Happy Mania volume #1
  4. Ōoku  volume #15 
  5. Primeiros capítulos de Yubisaki a Renren 
  6. Rosa de Versalhes volume #1 (JBC)
  7. Rosa de Versalhes volume #2 (JBC)
  8. Seito Shokun! (Atenção, Alunos!) - visão geral da série  
  9. Hana Nochi Hare ~Hanadan Next Season~ volumes 1-4 
  10. Teito Hatsukoi Shinjyu capítulos 1 e 2 
  11. Mayu, Matou volume #1 
  12. Seirou Opera primeiros capítulos 
  13. O Marido do Meu Irmão volume #1 (Panini)
  14. O Marido do Meu Irmão volume #2 (Panini)
  15. GAME ~O Jogo Proibido~ volume #1 (Panini)
  16. Satoko e Nada volume #1 
  17. Ase to Sekken: O plot é esquisito, mas o mangá é legal 
  18. Harem no Muku na Bara - Parte 1 e 2 
  19. Sabaku no Harem volume #1 
  20. Torawareta Otome (Virgin Slave, Barbarian King): Mangá e Livro 
  21. Namae wo Nakushita Kikoshi (One Night with a Rake) 

sábado, 27 de agosto de 2016

Mangá-kas homenageiam a Editora Viz pelos 30 anos de existência


Hana Yori Dango (花より男子) de Kamio Yoko.
A VIZ, editora americana, foi uma das pioneiras na publicação de mangás nos EUA.  Verdade que eles demoraram um pouco a perceber que publicar material em formato americano não era legal e que espelhar mangá muito menos, mas a VIZ teve  e tem importância gigantesca na vida de um monte de gente, inclusive na minha.  

Ore Monogatari!! (オレモノガタリ!!) de Aruko.
Já vivi de migalhas da revista Animerica e a primeira edição de Shoujo Kakumei Utena (少女革命ウテナ) em língua que eu pudesse ler é da VIZ, minha primeira leitura de Hagio Moto (They Were Eleven fracionado em formato americano e A'A), eu agradeço a eles, e, hoje, se tenho Ōoku  (大奥) em minhas mãos é por causa da VIZ.  

Nana (ナナ) de Ai Yazawa.
Não tenho nenhum problema em dizer que devo mais à VIZ e outras editora norte americanas do que qualquer uma das nossas aqui, afinal, eles publicam shoujo e josei com mais constância.  Só lamento que não me permitam comprar o material digital.  Quem sabe um dia?

Momochi-san Chi no Ayakashi Ouji  (百千さん家のあやかし王子)
de Shouoto Aya.
De qualquer forma, a editora está publicando os shikishi (artboards) comemorativos enviados por 75 mangá-kas, Kamio Yoko, de Hana Yori Dango (花より男子), foi uma delas.  Parte do material foi exposto na Anime Expo e outra parte na San Diego Comic Con.  São uma beleza, não é mesmo?  Espero ficar atenta para quando publicarem mais.  Por enquanto, há dois posts (*1-2*) no blog da VIZ.  Outros virão.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Comentando Ōoku #10 e sua misteriosa capa branca


Já estou com o volume #10 de Ōoku (大奥) faz mais de um ano, eu acho.  Tinha feito uma leitura dinâmica tempos atrás, mas comprovei ao retomar o tomo que coisas desse tipo não funcionam com Ōoku.  Ainda mais, em um volume que talvez seja o mais rico da série.  Aliás, a capa branca – todas as capas da série são negras – já sinalizava algo diferente.  Branco é cor de luto em muitos países do Oriente, trata-se de um volume de muitas tragédias, ao mesmo tempo, parece ser um ponto de virada na série, ainda que já esteja claro que a série tenha entrado em um novo arco que, eu espero, deve ser o final.

Para quem não conhece a série, Ōoku, de Fumi Yoshinaga, é publicado na revista Melody.  Trata-se de uma série que trabalha com ucronia, isto é, história alternativa.  Eventos reais, personagens reais, estão lá, mas, neste caso, normalmente com seu sexo trocado, isto, porque, uma praga, chamada de Varíola vermelha, dizimou a população masculina jovem do Japão.  As mulheres, agora maioria, tiveram que assumir os postos de mando e os mais diferentes ofícios.  O Shogun – comandante político e militar supremo do país – é uma mulher e ela tem um harém, o Ōoku, que dá nome para a série.  Iniciado como um oneshot, a série fez sucesso e seguiu seu caminho.  

Okitsugi e Gennai.
Começando com a terceira shogun, Iemitsu, tendo como elemento central a oitava shogun, Yoshimune, neste décimo volume, governa Ieharu, décima governante, mas ela está morrendo...  No volume #10, temos uma corrida contra o tempo, os médicos trabalhando no Ōoku, patrocinados pela Conselheira-Chefe Tanuma Okitsugu, conseguiram descobrir uma forma de conter a doença, a inoculação, mas existem inimigos que espreitam.  Com o fim do reinado, Okitsugu sabe que seu tempo de gabinete caminha para o seu final, é preciso promover a imunização do máximo de homens e, se possível, promover as reformas necessárias para que o fechamento do Japão ao contato com o mundo exterior chegue ao fim.  

O volume #10 segue ainda sob a sombra de Yoshimune.  Não sabe quem é ela, então dê uma olhada nas resenhas dos volumes 1, 7, 8, 9, porque pode ajudar a explicar.  Temos as três netas da velha Shogun – Ieharu, Harusada e Sadanobu – no centro do jogo de poder.  Junto com elas, a conselheira mais graduada, Tanuma Okitsugi, que causa inveja por ter servido no mesmo posto duas shoguns, Ieharu e sua mãe Ieshige.  Isolada no poder, decidindo mais do que deveria, mas tudo como parte de um plano para colocá-la em desgraça, Okitsugi segue com suas reformas e com as pesquisas científicas e médicas que podem por fim à terrível varíola vermelha.  Na cabeça das quatro, ou pelo menos, de três delas a pergunta permanente parece ser “O que Yoshimune faria no meu lugar?”, as respostas, claro, estão subordinadas a crenças pessoais, orgulho de classe, amor pelo bem comum, e interesses.

Harusada, a maior vilã da série até agora.
Ao mesmo tempo, dentro e fora do Ōoku, os acontecimentos se sucedem rapidamente.  Tragédias naturais, o esfriamento do clima com a conseqüente quebra das lavouras de arroz e duas erupções vulcânicas, a do monte Iwaki (1783) e a  pior, a do monte Asama (1783), trouxeram a grande fome de Tenmei (1782-88), a alta da inflação, e a rejeição às políticas de Okitsugi, vista como uma personagem de mau agouro, que se banqueteava, vivia no luxo, agia como shogun, enquanto o povo sofria.  Fora isso, a  liberdade com que ela e Gennai entravam e saíam do Ōoku despertava insatisfação e disse-me-disse, além disso, as profissionais especializadas em medicina chinesa se sentiam desprestigiadas.

Como já sinalizado no volume anterior, por trás de muitos boatos e do aumento do ódio, está Harusada Tokugawa, a primeira vilã no sentido pleno do termo a ser criada por Fumi Yoshinaga nesta série.  Trata-se de uma personagem inteligente, cruel, fria, com uma agenda de poder muito bem planejada e que se move nas sombras, vendendo para todos uma imagem retraída e desinteressada.  Ela move as pedras com precisão e consegue atingir seus objetivos.  Suas vítimas neste volume são muitas, a  bela Okitomo, filha de Okitsugi, é morta no palácio da Shogun sob os olhos de todos sem que os mandantes do crime sejam identificados; a Shogun (*e talvez sua filha, Iemoto*) é lentamente envenenada por sua médica pessoal; Hiraga Gennai, Aonuma e Okitsugi, também encontram um destino amargo.  E, claro, essas são as vítimas com nome... 

Gennai e Aonuma
No Ōoku, Aonuma, seus discípulos mais chegados – Kuroki, Ihei e Kisuke – e Gennai se aprofundam nos estudos holandeses e na busca por uma cura para a praga.  Aonuma  já estava ciente do método chinês, isto é, aspirar raspas das feridas de um doente de varíola como forma de adoecer uma pessoa sã com uma versão mais branda da doença, tornando-a imune.  O método, no entanto, parece ser mais falho do que outro que chega relatado em um novo livro.  Segundo o relato d euma britânica, Lady Montagu, no Império Turco Otomano, era comum que uma velha sábia – ela como mulher se encontrava principalmente com outras mulheres – introduzir nas veias de uma pessoa sã o pus das feridas de alguém que tivesse contraído uma forma mais branda de varíola.  Isso era feito em um número grande de pessoas de uma vez. Era as chamadas “Festas da Varíola”.  

Quem poderia encontrar um doente que estivesse com a forma mais branda?  Quem poderia sair andando pelo país?  Gennai.  Sim, ela mesma.  Só que a personagem mais interessante dos últimos volumes – cientista, escritora de contos eróticos, espírito livre – guardava um segredo.  Gennai foi alvo da vingança de uma amante desprezada.  Sim, Gennai não é bissexual, como eu imaginei, mas lésbica.  A mulher, uma atriz famosa, é manipulada por uma agente de Lorde Harusada e  Gennai é tocaiada, espancada e violentada por três homens.  Todos tinham sífilis.  Não foi o primeiro estupro de Ōoku e esse assunto nunca é tratado de forma leviana.  

O desespero de Gennai.
Yoshinaga aproveita a sequência para nos oferecer um longo flashback que nos explica como Gennai tornou-se quem é.  Desejosa de estudar e constrangida pela necessidade de chefiar sua família, sem interesse pelo casamento heteronormativo, ela consegue um escape e vira uma espécie de pária até que outra mulher, Okitsugi, reconhece seu valor.  É essa grande dama que dará à Gennai sua derradeira alegria ao suspender o banimento existente para que as mulheres pudessem se dedicar aos estudos holandeses.  Muito tarde para ela, mas não para outras meninas.  Gennai, pelo menos a personagem do mangá, é uma pessoa generosa, leve.  Impossível não amá-la.  Através dela e da Shogun, Yoshinaga mostra novamente que o domínio das mulheres não as liberta das pressões de gênero.  Se não existe simetria, ainda assim existem os imperativos sociais que tornam mais pesada a vida dos homens e das mulheres.

No Ōoku, Gennai pede a opinião de Aonuma, ela desconfia da sua doença e o veredito dele é categórico.  Sífilis.  Aonuma fica intrigado, afinal, não é comum que uma mulher passe sífilis para outra... A descoberta da violência sofrida por Gennai o deixa aterrado.  Segue-se a descrição da deterioração física e mental resultante da doença.   Depois disso, temos uma das cenas mais tristes de toda a série.  Gennai fica aterrorizada com a possibilidade de perder sua consciência, a razão, a mente que é seu único bem.  E ela não quer morrer, ela quer viver, estudar, descobrir coisas.  ELA QUER VIVER, VIVER, VIVER...  Mas o tempo urge e, mesmo doente, Gennai parte para cumprir sua missão, por Okitsugi, sua patrona e musa, por Aonuma, por seu irmão que morreu de varíola vermelha, e pelo Japão.  E ela consegue o doente, claro!

O primeiro filho de um grande nobre a ser inoculado.
A partir daí, antes até, porque ficamos sabendo do passado de Kisuki logo no início do volume, costuram-se os pequenos dramas, aquelas amenidades cotidianas que Yoshinaga sabe escrever e desenhar tão bem, com o grande drama, o fio seguro que mantém a série coesa, em um sentido mais amplo.  Assim, revemos o cozinheiro chefe Yoshizo e em uma conversa banal alimentada com arroz e enguia com Aonuma, seus discípulos e Gennai, ficamos sabendo que ele tem um jovem amante.  Aonuma fica chocado, afinal, relações homossexuais não eram proibidas?  Sim, são, mas o povo, às vezes, esquecem as regras... Sabemos, também, que Aonuma continua virgem e que alimenta uma paixão secreta.  Só não consegui ter certeza se pela Shogun, Ieharu, ou por Okitsugi.  

Concomitantemente, vemos a corrida de Aonuma e seus discípulos para testar o método de inoculação.  Primeiro, seus discípulos se voluntariam.  Sucesso.  Depois, aqueles que são “indignos dos olhos da Shogun” se oferecem, mais tarde os concubinos da Shogun e seus assistentes, até que, um Lorde oferece seu próprio filho.  O nome do grande senhor não é revelado, Aonuma alerta da possibilidade de fracasso, afinal, um em trezentos poderiam contraria a forma mais forte da doença.  O daimyo está ciente.  A inoculação é um sucesso.  Sabem quem é o menino submetido ao processo novo e ainda em testes?  O filho de Harusada.  A partir daí, ela pode finalizar o seu plano.

Okitomo é morta diante de sua mãe.
Okitomo é morta, por azar, um dos sobrinhos de Lorde Matsudaira Sadanobu morre depois de inoculado por Aonuma e a Shogun agoniza.  Doente faz muito tempo, deprimida pela perda do marido amado e da filha única, Ieharu não pode ser examinada por um homem.  Contra a vontade de outras conselheiras, ela exige que Aonuma a veja e Okitsugi consegue que médico faça uma observação indireta.  Ele é categórico, não se trata de Beriberi – deficiência de vitamina B1, algo comum entre os japoneses da época –, mas de envenenamento por arsênico.  Como a alimentação da Shogun é toda provada com antecedência, Okitsugi tem a certeza da conspiração.  No entanto, o cerco se fecha e a própria Shogun – que Yoshimune, sua avó, considerava muito precipitada em seus julgamentos – ordena que Okitsugi não a visite mais.

A partir daí, temos o desfecho das personagens que nos acompanharam nos últimos três volumes.  Personagens que vimos amadurecer, ou envelhecer.  Gente que com seus defeitos e qualidades, erros e acertos, pensava no bem do país.  Okitsugi – a personagem histórica – só muito tempo depois conseguiu um olhar favorável ou, pelo menos, equilibrado, afinal, as fontes sobre o seu período liderando o conselho foram escritas por seus adversários.  Depois de sua queda, foram suspensas todas as medidas que encaminhavam a abertura comercial e proibidos os estudos holandeses.  Tudo isso está na série, também.  


Kuroki jura vingança contra as malditas mulheres.
O que não está na história, o que é obra de Yoshinaga é o cruel desfecho de Gennai e Aonuma, assim como a crueldade de Harusada.  Ela consegue o Shogunato, seu filho está vacinado e ela suspende todas as pesquisas e elimina Aonuma.  Que os jovens continuem morrendo de varíola vermelha, somente seu filho importa.  Só que Harusada não quer ser shogun, ela deseja ser o poder por trás do trono.  Assim, ao terminarmos o volume #10 temos o primeiro governante homem desde Iemitsu.  150 anos se passaram do início da peste e, neste momento, as conselheiras não crêem que é possível que um homem possa governar.  Harusada também não acredita nas qualidades de seu filho, mas isso nunca esteve em questão, ela, agora, tem o poder como desejava. 

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Legend of the Galactic Heroes nos Estados Unidos


Sabe aquelas notícias que me dão muito prazer em comentar?  Esta é uma delas.  O anime – a mais longa série de OAVs do Japão – e os romances originais de Lenda dos Heróis Galácticos (Ginga Eiyū Densetsu/銀河英雄伝説 ) foram anunciados nos EUA durante o Anime Expo 2015.  A Sentai Filmworks prometeu trazer os animes, mais de 100 episódios e filmes lançados entre 1988 e 2000.  Eu vi muito de LOGH, mas estou longe de terminar, e é a minha série de ficção científica favorita junto com Jornada nas Estrelas.  Já os romances de Yoshiki Tanaka, 10 livros principais, mais quatro gaiden, venderam mais de 15 milhões de cópias no Japão e venceram o principal prêmio de ficção científica nipônico, o Seiun Award, serão lançados pela VIZ.  

Enfim, eu acho LOGH, ou a saga dos alemães no espaço, um material muito estimulante intelectualmente, com trilha sonora marcante e personagens que mobilizam a gente, porque não são maniqueístas.  Como não torcer e admirar Yang Wen-li e Reinhard ao mesmo tempo?  E Wheling é o único historiador da ficção que não faz vergonha em nenhum momento.   


Yoshiki Tanaka também é autor de várias outras obras que viraram anime, como Arslan Senki (アルスラーン戦記), Yakushiji Ryōko no Kaiki Jikenbo (薬師寺涼子の怪奇事件簿), Sohryuden (創竜伝), e Tytania (タイタニア).  Começando a guardar meus dinheiros para comprar esses livros.  Acho difícil que o anime saia todo, impossível seria a palavra, mas vamos pensar positivo, já os livros, bem, devem sair vagarosamente, mas espero que a séire venha completa.

domingo, 5 de abril de 2015

Enxurrada de licenciamentos... nos EUA! + Ricardo III e Benedict Cumberbatch


Uma amiga me avisou que  Baraou no Souretsu (薔薇王の葬列), novo mangá de Aya Kanno, autora de Otomen  (オトメン), foi licenciado nos EUA pela VIZ.  Está em pré-venda, o primeiro volume sai no dia 9 de abril.  Com o dólar alto, dá uma dor no coração, mas não posso me esquivar de comprar uma série tão interessante.  Aliás, resenhei os primeiros capítulos no ano passado. Baraou entrou no top 20 do guia  Kono Manga ga Sugoi! (このマンガがすごい! ) e nos EUA irá se chamar Requiem of the Rose King.

 Este licenciamento prova que Otomen deve ter se saído bem nos EUA, além disso, o interesse por Ricardo III, rei inglês protagonista do mangá, pode ter ajudado.  Os restos mortais identificados como de Ricardo III, último rei inglês a morrer em combate e dono de uma má fama sem tamanho, fruto do trabalho de detração feito por seus sucessores Tudor e da pena de Shakespeare (*que estava ao seu serviço*), foram enterrados com toda a pompa na semana passada.  


Para completar, Benedict Cumberbatch, o Sherlock da BBC, foi convidado para ler um poema durante a missa (*Ricardo era Católico, ele é anterior à Reforma Protestante na Inglaterra*) e vai interpretá-lo em uma produção futura da emissora... e ainda é parente do homem!  Enfim, Ricardo III está em evidência e o interesse por ele, o último rei York, e pela Guerra das Duas Rosas, que dizimou a alta nobreza da Inglaterra por 30 anos (1455-87), só deve aumentar.

Agora, quem fez uma série de licenciamentos foi a Yen Press.  Os dois maiores destaques parecem ser o shounen de esportes Yowamushi Pedal (弱虫ペダル), de Wataru Watanabe, Gekkan Shoujo Nozaki-kun (月刊少女野崎くん), de Izumi Tsubaki.  Sim!  Agora, poderei ler esse mangá 4-koma que, talvez um dia, possa aparecer aqui pela NewPop, porque, para mim, é a única editora que teria perfil para publicá-lo.  O anime, que não resenhei, foi genial.  Uma delícia mesmo.  


Enfim, a Yen anunciou outro shoujo (*estou arrolando Gekkan Shoujo Nozaki-kun por exceção, já que entrou na seção feminina do Kono Manga ga Sugoi!*),   Sakura no Himegoto (サクラの秘事) de Akira Hagio.  A série tem aquele lance cansativo, e por vezes nojento, de relação de dono/pet entre o garoto e a garota PORÉM, tendo saído na LaLa, imagino que o rumo não seja a degradção e baixaria que apareceria em uma revista como a Sho-Comi (*anos atrás*) ou a Cheese.  Tem somente dois volumes, já Nozaki-kun já chegou ao sexto e torcemos por mais anime.


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Guestpost: O Retorno de Hana Yori Dango (ou Como o Amor do Fãs “Revive” uma Série)


O Victor deixou um comentário muito bom no post sobre a continuação de Hanadan e decidi convidá-lo para escrever sobre um assunto.  Profundo conhecedor de doramas, fã de material coreano, seria interessante ler as teorias e opiniões dele à respeito.  Fiquei feliz por ele ter aceitado o convite e escrito o seu texto com grande rapidez.  Gostaria de ter mais guestposts aqui, especialmente, de gente que entende bem de assuntos que não domino.  Não sabia que o k-drama coreano tinha inspirado uma versão indiana, enfim... Mas assevero que, para mim, a versão japonesa dorama do mangá é a melhor. ^_^  Segue o texto do Victor.  Se quiserem comentar, tenho certeza que ele responde.




Semana passada, exatamente no dia 9 de fevereiro de 2015, os fãs de mangá (shoujo) e doramas foram pegos de surpresa com o anuncio de que Hana Yori Dango, até onde se sabe o mangá shoujo mais vendido de todos os tempos, ganharia uma continuação com o nome de Hana Nochi Hare - Hanadan Next Season. Ainda escrita e desenhada por Kamio Yoko, essa “continuação” será publicada em uma das revistas do selo Shonen Jump, logo sendo classificada como um shonen, simultaneamente na Coreia e Estados Unidos.

Vou tentar, nesse texto, chegar a uma conclusão sobre esse retorno de Hana Yori Dango. Explorando as possíveis razões que levaram um mangá, já há algum tempo meio esquecido, a ganhar uma continuação em uma revista shonen e o que podemos esperar para o futuro dessa franquia, que está ganhando fôlego novamente.


Arrisco-me a dizer que Hanadan, hoje, é mais famoso pelos seus doramas (cinco, sendo um não oficial), que pelo seu mangá ou anime. Os dramas rodaram o mundo, foram traduzidos por fãs para as mais diversas línguas e chegaram de forma oficial a vários países, seja sendo exibido pela televisão, stream ou lançamento em DVD. Talvez nem todos que estejam lendo esse texto saibam, mas a versão coreana, a mais famosa e bem sucedida, foi exibida em vários países do mundo, até dublada em espanhol na America Latina, lançada em DVD nos EUA e chegou ao Brasil, de forma legal, pelo Netflix e DramaFever. Deem uma olhada na lista de países onde a série foi exibida aqui.

O sucesso dos dramas de Hanadan é tão grande, que muita gente acha que a franquia surgiu assim. Nessa última semana, vi muita gente confusa, por não saber que Boys Over Flowers (Hana Yori Dango, em inglês, e o mesmo nome por qual a versão corena ficou conhecida) é originalmente um mangá, achando que o Hana Nochi Hare é uma segunda temporada da versão coreana, já que o nome em inglês ficou Boys Over Flowers: Season 2. Compreensível e perdoável, não?


Os dramas permitem que a história chegue a mais pessoas. É muito mais fácil alguém que não é fã de cultura asiática se interesse por um drama que por um mangá. Eu fiz muitas pessoas que não assistem anime ou leem mangá, que acham coisa de criança, assistir ao drama japonês (algumas, à versão coreana). E adivinhem, elas amaram. Todas assistiram à primeira temporada em questão de dias e se apaixonaram pela história, personagens e se interessaram muito por outros dramas. Acho muito difícil alguém assistir ao primeiro episódio da versão japonesa e não se interessar, ele prende a atenção das pessoas e não entrega a história fácil.  Foi assim que eu conheci Hanadan e me encantei de cara.

Por que eu estou focando tanto nos dramas? Porque eu acho que é graças a eles que o mangá está voltando. Os dramas permitiram que Handan continuasse sendo lembrado e renovasse seu público.  O fato de que o mangá será publicado simultaneamente na Coreia e EUA deixa mais claro, a meu ver, o quanto os dramas influenciaram esse retorno: os fãs coreanos e americanos querem muito uma nova versão/continuação.


Na Coreia, Boys Over Flowers foi um fenômeno que é lembrado até hoje e deixou uma forte marca na indústria do entretenimento coreano. Eu, por ser fã de k-pop e hallyu (onde cultural coreana), acabo vendo muitos dramas e programas coreanos e, acreditem, as referências à Boys Over Flowers estão em todo lugar. Já cansei de ver programas, até dramas, em que as pessoas fazem citações, nas mais diversas situações. Quando, por exemplo, há um grupo de rapazes bonitos, dizem que é o F4 ou mulheres dizendo que eram apaixonas pelo Gu Jun Pyo (o Domyoji coreano), etc.. Quando o programa é de variedades, pode até rolar de aparecer o logo da série ou tocar o tema de abertura, quando alguma referencia é feita. Tem até programas que se chamam Grandpas Over Flowers, Sisters Over Flowers e Youth Over Flowers.  Sem falar no termo flower boy (ou boy over flowers) que pegou de vez e as pessoas sempre usam para dizer que um rapaz é muito bonito. Podemos ver exemplos desse carinho pela série aqui, onde os vocalistas da boy band mais famosa da Coreia, EXO, fazem cover do tema de abertura, mais de quatro anos depois do fim do drama, e aqui, onde o maior site de stream de dramas faz uma brincadeira de 1º de Abril.

Os coreanos querem muito um novo Boys Over Flowers. É comum, na Coreia, que os dramas ganhem uma segunda temporada quando fazem muito sucesso. Na maioria das vezes, essa temporada não tem ligação alguma com a primeira e, às vezes, quando se trata de uma adaptação de mangá, é feito um reboot invés de uma sequencia. A produtora Group 8 já confirmou que uma segunda temporada está em planos futuros, mas enquanto isso não acontece, vários outros dramas surgem com uma proposta semelhante. É imensa a lista de dramas, que surgiram depois de 2009, que trazem a história de uma garota comum rodeada por vários garotos bonitos e, muitas vezes, ricos. O canal a cabo tvN começou um bloco de dramas (o Oh! Boy) com essa temática flower boy e, na época do lançamento do primeiro, foi dito em entrevista que a intenção era recriar o sucesso de Boys Over Flowers. Os dramas são Flower Boys Ramen Shop;  Shut Up Flower Boys Band; Flower Boys Next Door e Dating Agency: Cyrano. Deem uma olhada nos pôsteres dessas séries e vejam como algumas delas lembram Hanadan. E tem o The Heirs, que é de longe o que mais lembra e tem o Lee Min Ho como protagonista, o mesmo ator que fez o Gu Jun Pyo. Alguma pessoas até brincam e dizem que The Heirs é o Boys Over Flowers 2, e a brincadeira faz muito sentido quando vemos o Lee Min Ho simplesmente repetindo o papel que lhe deu a fama em uma trama bem similar.


Já os Estados Unidos tem uma grande base de fãs de Hana Yori Dango, seja do mangá ou de algum dos dramas. O drama coreano é especialmente famoso por causa da forte conexão com o k-pop, que é um estilo musical em expansão, mas as outras versões também têm seus fãs. Pudemos ver o quanto a série é amada por lá quando, em 2013, um grupo de fãs começou um crowdfunding com o objetivo de fazer um remake. O projeto foi bastante comentado na internet, conseguiu dinheiro e foi adiante. Foram produzidos sete episódio de 45 minutos, claro, de baixa qualidade graças ao baixo orçamento.  Porém, mesmo com a baixa – ou quase inexistente – qualidade, um projeto como esse mostra às empresas o quanto a franquia é amada e que há público para ela. Se ajudou a essa continuação do mangá? Com certeza! Se um dia chegaremos a ter uma versão oficial americana de Hanadan? Não sei, mas posso dizer que já estivemos mais longe disso acontecer. E agora que k-dramas estão começando a ganhar remakes americanos, como My Love from the Star e Good Doctor, as chances estão mais altas do que nunca.

Agora sobre a razão de o mangá estar sendo publicado na Jump o meu palpite é exposição. Sabemos o quanto o nome da Jump é poderoso e o quanto isso vai dar visibilidade à franquia. Não é a primeira vez que um spin-off de um mangá shoujo é publicado em uma revista shonen, ou vice e versa, e não acho que isso vai afetar no trabalho de Kamio Yoko, vai ser mais do mesmo, apenas com um novo selo. Mas como a própria Valéria disse, se esse mangá estivesse saindo pela Margaret, iria impulsionar as vendas da revista, então deve haver um motivo para a Shueisha ter feito do modo que fez. Eu acredito que estão preparando alguma coisa para a série, talvez para comemorar os 25 anos, e esse novo mangá saindo na Jump está sendo usado como marketing. Não podemos negar que apenas o fato de sido anunciado como novo mangá da revista, fez muita gente ir procurar saber sobre a franquia. Em questão de horas, os volumes do mangá original subiram e dominaram o ranking de vendas digitais da VIZ. Se for atenção o que eles queriam, conseguiram.


A VIZ disse que caso as pessoas compartilhassem os anúncios do Facebook ou Twitter mais de 200 vezes ela liberaria outro anúncio sobre a franquia. Estou ansioso por esse anúncio, mas temo sobre o relançamento do mangá em edições 3-in-1. Não que eu não queira, já que o mangá se tornou quase impossível de comprar nos EUA, mas, por favor, isso é quase que uma obrigação, quando a editora está relançando quase todos os seus grandes sucessos nesse formato. Até Skip-Beat, que ainda está em publicação e tem todos os seus volumes disponíveis, está saindo assim. Torço muito para que seja um remake do anime, cobrindo todo o mangá, sonho de todo o fã. Quem sabe um novo drama japonês, mesmo o outro sendo recente e muito bom, por que não? Se Hana-Kimi e Itazura na Kiss podem, Hanadan deve.

Não deve ser o anuncio da VIZ, mas uma nova versão coreana não iria doer. Poderiam aproveitar o luxo da primeira e corrigir os erros, como a Tsukushi lerdinha e cheia de caretas. Também seria muito bom se finalmente as versões tailandesas e filipinas saíssem do papel. Essas duas versões foram anunciadas lá para 2010 e até agora nada, enquanto a versão indiana, anunciada bem depois, já está em exibição.


É isso, depois de anos parado um dos mangás shoujo mais importantes está voltando com força e expectativas para novidades no futuro. Enquanto não sabemos qual é a surpresa que a VIZ tem para a série, podemos rever (ou ver) as diversas adaptações que essa grande história já ganhou. Para quem não conhece Hanadan, só digo que vale muito a pena. E a versão indiana, Kaisi Yeh Yaariyan, ainda está em exibição com episódios diários e aparentemente ela possui algumas similaridades com o novo mangá, como meninas no F5. Será que o C5 também é uma banda de sucesso?

Espero que tenham gostado do texto e até a próxima.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Hana Yori Dango terá continuação shounen e publicação simultânea nos EUA e Coréia do Sul


Ainda estou tentando assimilar que Kamio Yoko aceitou e os editores da Margaret, também, que ela publicasse uma continuação oficial de Hana Yori Dango (花より男子), cujo nome em japonês é Hana Nochi Hare - Hanadan Next Season  (花のち晴れ 花男), na revista Shounen Jump, ou melhor, no projeto “Jump Start” Iniciative.  Segundo entendi, os três primeiros capítulos estarão on line – não acho que seja na Jump de papel – a partir do dia 15 de fevereiro.  O curioso é que os capítulos estarão disponíveis simultaneamente nos EUA – daí a nota no ANN e na página da VIZ – e na Coréia do Sul.  Esta simultaneidade só comprava o sucesso internacional da série.


A nova série, que eu duvido que dure muito, seguirá os passos de uma nova geração de personagens na elitista Academia Eitoku.  Segundo com Comic Natalie, e os outros links citados antes, a ação se passará dois anos depois da formatura dos F4 originais de Makino Tsukushi.  Incomoda-me muito que o shoujo mangá mais vendido da história – e que agora deve ter suas vendas realimentadas – não tenha sua continuação na revista original, a Margaret.  Ao contrário de Nana, por exemplo, que atraiu um público leitor masculino fiel, Hanadan tem muitíssimo mais leitoras.  Resultado?  A Margaret perde a chance de bombar suas vendas por algum tempo.  Sei lá, é injusto, é inadequado, e duvido que a Kamio Yooko vá fazer algo diferente do seu padrão por estar em uma revista prioritariamente para garotos.  Mais ainda, não sei se o público feminino da Jump seja igualmente fã de Hanadan como é de One Piece (ワンピース) ou Prince of Tennis (テニスの王子様).  Vamos esperar... 


O CN também explicou que os volumes do Hana Yori Dango original estarão disponíveis para leitura gratuita on line e colocou um cronograma.  O volume #1 estará disponível do dia 11 ao 15 de fevereiro, os demais seguirão uma escala.  Enfim, o que eu queria que Kamio Yoko fizesse é um final decente para Tsukushi e Doumiyouji, seu reencontro depois dos estudos do rapaz no exterior.  Sim, estou com muita má vontade em relação a este novo Hanadan, muita mesmo!  Agradeço à Giovanna que me avisou da notícia.  Estou com Júlia às voltas com novos dentes e se recusando a ficar longe de mim, comer, dormir e tudo mais.  Um inferno.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Série mais adulta de Arina Tanemura será lançada nos EUA


31☆Ai Dream (31☆アイドリーム) talvez nem seja tão adulta assim, mas sair na revista Melody, a mesma de Ōoku (大奥) e outras séries mais densas, me faz crer que, sim, este é o caso.  De qualquer forma, é a primeira série de Tanemura protagonizada por uma mulher adulta, uma OL (office lady) de 31 anos, Chikage Deguchi, que acredita era a garota mais promissora de sua classe quando tinha 15 anos.  Ela era uma idol, presidente da turma, mas acabou perdendo tudo, inclusive o garoto que amava... No entanto, ela recebe a chance de voltar no passado, aos seus 15 anos e mudar sua história.  Será que ela conseguirá?  O plot é parecido com Peggy Sue, seu Passado a Espera, mas não é a primeira, nem a segunda vez que uma personagem tem a chance de voltar ao passado para tentar consertar sua vida.  O importante é sempre como um autor ou autora trabalha com o material.  

Enfim, nos EUA, o mangá irá se chamar Idol Dreams e a previsão de lançamento do priemrio volume pelo selo Shojo Beat é em novembro.  No Japão, a série tem um encadernado e outro sairá em dezembro.  Não sei qual a periodicidade que a VIZ dará a este material.  Tanemura se dividi entre 31☆Ai Dream e sua série na revista Margaret, Neko to Watashi no Kinyoubi  (猫と私の金曜日).  A notícia está no ANN.

sábado, 12 de outubro de 2013

VIZ anuncia seus novos títulos


A editor norte americana VIZ anunciou na sexta-feira, durante o New York Comic Con, seus novos títulos.  Ao contrário do que ocorre no Brasil, onde o shoujo mangá é tratado como coisa sem importância, vide o trote da JBC com Rayearth, em outros países os lançamentos tendem a ser bem escolhidos.  Enfim, a VIZ anunciou um dos top sucessos do momento, Ore Monogatari!! (オレモノガタリ!!), que tem roteiro de Kawahara Kazune, de Koukou Debut (高校デビュー),  e arte de Aruko.  Era questão de tempo e acredito que o boom do mangá virá com o anúncio de um anime, que não deve tardar.  O outro lançamento será Kurobara Alice (黒薔薇アリス), de Setona Mizushiro, que está em hiato, mas é mangá de vampiro, então...  Mizushiro parece concentrada em seu mangá josei Shitsuren Chocolatier (失恋ショコラティエ) e não se sabe quando terminará Kurobara Alice.


segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Shojo Beat e seus novos e velhos títulos em papel e formato digital

A VIZ, através de seu selo Shojo Beat, fez uma série de anúncios muito legais na Japan Expo no último domingo.  De títulos novos teremos Majo no Biyaku (魔女の媚薬), de Tomu Ohmi, será lançado com o título de Spell of Desire nos EUA.  E, mais legal ainda, mês que vem começa a sair Midnight Secretary (ミッドナイト・セクレタリ).  Devo pedir junto com Ōoku (大奥)  cujo volume #8 sai em setembro, também.  Outro dos lançamentos da VIZ é a edição 3 em 1 de High School Debut (高校デビュー/Koukou Debut0, delicioso mangá que, no original, teve 13 volumes.  Imagino que a VIZ lance os gaiden, porque seriam mais dois volumes e a edição em formato leve 3 e pague 1 ficaria com 5 tomos.  O outro título novo é Kamikaze Kaitō Jeanne (神風怪盗ジャンヌ), de Arina Tanemura.  Esse título já foi publicado nos EUA pela CMX.  Isso me eu alguma esperança de que a VIZ possa pegar outros títulos de editoras extintas, e estou pensando principalmente em Ema de Kaoru Mori, que eu nunca consegui fechar. :(

Agora, algo que me deixou contente foi ver que estão nos planos da editora relançamentos em formato digital, dentre eles, Basara (バサラ) e Hana Yori Dango (花より男子).  São títulos que eu nunca completei e, como estou querendo economizar espaço, será muito bom tê-los no tablet e computador.  Isso, claro, se o dólar não desembestar mesmo e impedir que a gente possa continuar consumindo mangás publicados nos EUA.  Será uma lástima, porque fãs de shoujo e josei têm pouco a esperar de nossas editoras brasileiras.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Dengeki Daisy termina em outubro


Segundo o ANN, o mangá Dengeki Daisy (電撃デイジー ), de Kyousuke Motomi, termina no dia 12 de outubro no Japão.  O anuncio foi feito na edição da revista Betsucomi que saiu no último sábado no Japão.  Dengeki Daisy começou a ser publicado em 2007 e conta até o momento com 14 volumes.  A série consegue boas vendagens no Japão e nos EUA, onde é publicada pela VIZ.


domingo, 7 de julho de 2013

Comentando Black Bird #16: Talvez o melhor volume da série até o momento



Esta semana finalmente terminei a leitura do volume #16 de Black Bird e, bem, acredito que tenha sido o melhor da série até o momento.  Escrevo isso, porque foi tenso e dramático, como pedia o momento atual da trama, e mostrou o crescimento das personagens, coisa que nem sempre ficou evidente em volumes anteriores.  Sim, eu tenho fé que Kanoko Sakurakouji com a devida assessoria poderá se tornar uma grande mangá-ka e é possível vislumbrar isso em alguns volumes de Black Bird.  Neste caso, todo o volume #16 foi uma demonstração de seu talento em maturação.  Será que esse ritmo se mantém nos dois últimos volumes da série?  Espero que, sim.

No pé em que estamos, Misao está grávida do filho de Kyo e futuro líder do clã dos tengu.  O rapaz teve acesso ao texto completo do Senka Roku através de seu amigo Tadanobu e aquilo que todo mundo já desconfiava se confirma: o destino de Misao é morrer no parto, devorada por seu bebê youkai.  A partir daí, desenvolve-se o grande drama, pois Kyo deseja que Misao aborte o filho dos dois, mesmo que isso signifique que ele será banido, perdendo seu lugar em seu clã, e tornando-se um pária caçado por todos os youkai que desejam se apossar da senka maiden.


Neste volume, pudemos rever Tadanobu, fiel amigo de Kyo, apesar de pertencer a outro clã, e o youkai cobra apaixonado por Misao, Kensuke.  Se através do primeiro Kyo comprova o que já desconfiava, ao segundo ele recorre para obter um abortivo que Misao possa se salvar da morte certa.  O que eu posso dizer?  A preocupação de Kyo, sua disposição ao sacrifício é tocante, mas é mais importante perceber que Misao toma seu destino nas mãos.  Chega o momento em que ela mostra que não aceita que o rapaz decida se ela deve, ou não, levar a gravidez adiante.  A decisão em casos assim sempre é da mulher.  Obrigar uma mulher a abortar por qualquer motivo que seja é uma violência sem tamanho, assim como obrigá-la a parir ao preço de sua vida.

O que poderia descambar (*no Brasil, com certeza, descambaria*) para um papo pró-vida absurdo, foi a chance da autora mostrar o amadurecimento da personagem, que consegue dar a dimensão não somente da ligação que possui com a criança em seu ventre, mas, também, da percepção da tragédia que o aborto poderia representar para Kyo e seu clã.  Sim, Misao não abraça a morte como mártir feliz, ela sofre, ela deseja viver, mas sabe que se Kyo for banido, morto, ela passará para a mão de outro youkai, será estuprada, poderá engravidar e morrer do mesmo modo.  Morrer por amor serve-lhe de algum consolo, no entanto, a dor permanece.  Além disso, Misao percebe a disposição dos dai-tengu de se sacrificarem por ela e Kyo.  Como suportar isso?


Outro ponto alto do volume foi a fidelidade e a amizade dos dai-tengu por Kyo.  Primeiro, Sagami – meu dai-tengu favorito – parece disposto a impedir que Kyo aborte seu filho, porque ele é o herdeiro do clã, mais tarde, porém, ele se mostra disposto a seguir seu líder no exílio, em qualquer situação... E sua paga?  Aquela cena tocante de ser chamado pelo primeiro nome, Ryo, com aquele intimidade que em histórias assim só pode ser dispensada a um amigo.  Os outros dai-tengu também tem sua cota no drama, mas acredito que o destaque é para Sagami, dado o perfil sisudo da personagem.  Até chorar o homem chora. :)

De resto, inicia-se uma busca desesperada de qualquer informação que possa dar esperança de que Misao se salve.  Afinal, o relato do Senka Roku tem 300 anos e pode ser um caso específico, ou não?  Obviamente, os indícios dados pela criança no ventre de Misao sinalizam que não é o caso... De qualquer forma, já no fim do volume temos uma tênue esperança, Sho talvez tivesse uma pista sobre uma possível salvação para Misao.  Bem, não preciso ler spoilers – e nem peguei mesmo – para saber que Misao sobrevive.  Um mangá como Black Bird não sinaliza grandes tragédias.  O importante é saber como a autora vai desenrolar a coisa, se será feijão com arroz, algo brilhante ou decepcionante.  Como a edição americana só sai em outubro, eu estou com a brasileira da Panini para ler e resenhar.  Correndo tudo bem, teremos uma resenha do volume #17 ainda esta semana.  De qualquer forma, este volume #16 merece nota 10 e com louvor.