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domingo, 5 de julho de 2026

Outros anúncios do Anime Friends: Newpop e JBC

A JBC anunciou o Artbook COLOR Shiro da CLAMP no Anime Friends ontem, segundo o site da BIblioteca Brasileira de Mangás.  O artbook COLOR Shiro foi lançado no Japão em 2024 e possui 144 páginas no total.  Tanto este artbook quanto outro chamado Kuro são fruto de uma exposição feita no Centro Nacional de Arte de Tokyo de julho a setembro de 2024.  Dessa exposição, mais de de 200 obras de arte originais coloridas da área “COLOR” foram digitalizadas e compiladas em dois livros de arte, Kuro (preto) e Shiro (branco).  Eu não sabia, mas o artbook Kuro foi licenciado pela JBC e está em pré-venda no Amazon por R$129,90.  O artbook Kuro reúne ilustrações do início da carreira do grupo e o Shiro traz material mais recente.

Já o mangá Veil, de Kotteri, que é publicado na revista Comic Ruelle e tem sete volumes no momento, é o novo título da Newpop, que tem muita coisa anunciada e não lançada faz anos.  Ele é completamente colorido e achei algumas artes parecidas com o traço de Ai Yazawa, mas pode ser impressão minha. Nunca li nada do mangá e o conhecia de uma resenha do site Lacradores Desintoxicados.  O resumo do início da série é o seguinte: "Como num filme clássico, ele e ela se encontraram por acaso. Ele era um policial de serviço na cidade. Ela era uma herdeira fugitiva. Quando ele soube que ela estava procurando emprego, decidiu contratá-la como telefonista da delegacia. Esse foi o início do cotidiano dos dois e da delicada distância que os separava.".   É visualmente muito bonito e pode ser interessante.

sábado, 20 de junho de 2026

Estúdio Mappa revela qual o seu grande projeto shoujo comemorativo dos 15 anos do Estúdio

Dia 11 de junho foi confirmado o anime de  Koiseyo Mayakashi Tenshi-domo (恋せよまやかし天使ども) de Coco Uzuki.  O boato tinha quase um ano.  Muito bem, estávamos esperando qual seria o novo projeto shoujo do Estúdio Mappa.  Enfim, ontem, foi confirmado que o projeto seria esse.  Era uma das apostas, mas a gente ficou um pouco decepcionada, porque queríamos mais um anúncio inédito.  A série, que está sendo publicada pela JBC, estreia no ano que vem.

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Confirmado o anime de Fall in Love, You False Angels (Koiseyo Mayakashi Tenshi-domo)

Finalmente, depois de quase um ano de boato, Koiseyo Mayakashi Tenshi-domo (恋せよまやかし天使ども) de Coco Uzuki teve sua animação confirmada.  Acredito que a demora era por falta de volumes de mangá.  A série faz um grande sucesso, mas estava ainda no começo.  Aliás, faz tanto sucesso que foi licenciada em vários países, inclusive no Brasil pela JBC.  O resumo abaixo é o que está no Amazon, o volume Kindle está com um preço ótimo, aliás:

"A estudante Otogi Katsura sempre interpretou o papel da garota linda e perfeita tão  bem que passou a ser alvo da admiração de todos. Tanto que o seu apelido na escola é “Anjo Arrasa-Corações”. Porém, sua verdadeira personalidade, a que tentava manter em segredo de todos, é descoberta por Toki Ninomae, um garoto misterioso que sempre a intrigou... No entanto, apesar de todos na escola considerarem Ninomae alguém tão perfeitamente angelical, ele também tinha um lado oculto...?!  Uma história de amor de duas caras (?) está prestes a começar!!!"

O nome internacional do mangá, que foi mantido pela JBC, é Fall in Love, You False Angels.  A série começou a ser publicada na revista Dessert em 2023 e tem somente 7 volumes lançados até o momento.  A estreia é prevista para 2027.  A série tem perfil no Twitter e no Instagram.  Aparentemente, o apelido da série é Koidomo.  E saiu um vídeo-teaser, também.

domingo, 24 de maio de 2026

Mangá de Suenobu Keiko irá se tornar dorama

Suenobu Keiko é conhecida no Brasil por Vitamin (ビタミン) e Limit (リミット), ambos lançados pela JBC; nada mais da autora apareceu por aqui.  Em março, ela estreou um novo mangá na revista Be Love chamado Addict (アディクト) sobre uma mulher que se vicia em jogos de azar por influência do namorado e termina endividada.  Suenobu normalmente opta por trabalhar com temas pesados e que nos deixam desconfortáveis, mas ela não é fatalista; ela costuma nos levar ao inferno e nos tirar de lá. 

Mas o mangá que irá se tornar dorama é Ochitara Owari (おちたらおわり), que teve dez volumes e foi publicado também na revista Be Love.  O resumo da história é  o seguinte: "Tsukishima Asumi se muda para um apartamento de luxo recém-construído em um prédio residencial com o marido e a filha. Mas morando no mesmo prédio está Mamiya Kumiko, uma mulher com quem ela compartilha um passado conturbado. Embora Kumiko aparente ser a mãe rica e perfeita, ela secretamente abriga uma natureza obsessiva e planos meticulosamente elaborados. À medida que as vidas das mães no prédio se entrelaçam cada vez mais, pequenos sentimentos de desconforto gradualmente se transformam em casos extraconjugais, traições e vinganças. Apesar da fachada glamorosa do prédio, sob sua aparência impecável, fervilham tensões alimentadas por diferenças de status social, renda e circunstâncias familiares, dando origem a rivalidades, ciúmes e lutas de poder implacáveis entre as moradoras."

Tsukishima Asumi será interpretada por Ugaki Misato e Mamiya Kumiko será Shinoda Mariko.  A série estreará no horário nobre chamado de "Suiyō Platinight" (Noite de Platina de Quarta-feira) na Chukyo TV , NTV e seus canais afiliados em todo o país, no dia 1º de julho.  

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Ranking da Oricon: Semana 20-26/04

Está  no ar  o ranking dos mangás mais vendidos da semana, que é publicado semanalmente pela Oricon.  Para quem não sabe, eu publico o top 10, que esta semana não tem nenhum mangá de demografia feminina, e publico todos os shoujo, josei e BL que estão no ranking.  De destaque no top 10, temos Skip & Loafer, publicado no Brasil pela JBC e que teve duas temporadas animadas, e Hon nara Uru hodo, atual vencedor do Grande Prêmio no 30º Osamu Tezuka Awards e no 19º Manga Taisho Awards.  É uma série sobre um sebo (*loja de livros usados*) e deve ser adaptada para anime ou live action em breve.  Não comentei os prêmios, porque não havia mangá feminino indicado, acredito.

Falando em demografia feminina, Natsumo Yuujinchou continua entre os mais vendidos, a série é um fenômeno.  Temos um BL na lista, 25ji, Akasaka de e Game ~Suit no Sukima~ finalmente teve um volume lançado.  Trata-se de um mangá josei com conteúdo erótico (*mas não é TL*) e é publicado pela Panini.  Se você não sabe disso, é culpa da autora, que fica muito tempo sem publicar nada da série.

1. ONE PIECE CHOPPER’s #1
2. Blue Lock #38
3. SPY×FAMILY #17
4. Real #17
5. Isekai Ojisan #15
6. Skip & Loafer #13
7. Detective Conan #108
8. Hon nara Uru hodo #3
9. Shangri-La Frontier #26 ~Kusoge Hunter, Kami-gee ni Idoman to su~
10. Yuusha ni Zenbu Ubawareta Ore wa Yuusha no Hahaoya to Party wo Kumimashita! #7
11. Onee-chan no Midori-kun #11
13. Koi Suru Lip Tint #5
16. 25ji, Akasaka de #6
24. Natsume Yuujinchou #33
25. Game ~Suit no Sukima~ #6

domingo, 19 de abril de 2026

Mangá adaptação de o Alquimista chega ao Brasil pela JBC

 

A JBC, que não podemos esquecer que é um selo da poderosa Cia das Letras, usou a Folha de São Paulo para anunciar o mangá de  O Alquimista, de Paulo Coelho.  Ele é parte da Kadokawa Masterpiece Comics e eu fiz post no Shoujo Café  quando ele foi anunciado no Japão, em 2024.  A FSP postou um resumo da obra: ""O Alquimista" acompanha Santiago, um jovem pastor que viaja ao Egito em busca de um tesouro antigo. Na jornada, ele conhece uma cigana, um autoproclamado rei e um alquimista, que o levam a questionar a sua própria vida.".  

Ainda segundo a matéria do jornal, há  um filme baseado no livro em produção e ele pode ser dirigido por Philip Barantini da premiada série Adolescência. Lançado em 1988, O Alquimista é o livro brasileiro mais traduzido do mundo, com tradução para 88 idiomas. Lembro que quando eu estava no colégio, meu professor de Literatura do 3º ano odiava Paulo Coelho, mas o fato é que o autor pode ser a porta  de entrada para o interesse estrangeiro pela literatura brasileira.  De resto, nunca li nada do autor e nem tenho interesse. ☺️

Adaptações de clássicos da literatura para mangá são coisa comum; alguns recebem várias adaptações de autores diferentes.  Little Women, por exemplo, já foi adaptado mais de uma vez.  Quando são livros para adultos, as adaptações repetidas são menos frequentes, mas praticamente todos os livros de Jane Austen já foram transformados em mangá; já E o Vento Levou tem uma belíssima adaptação em quatro volumes e feita por uma autora importante.  Normalmente, essas coleções como a que lançou o Alquimista, usam mangá-kas de segunda e/ou terceira grandeza.  Em ambos os casos que citei, normalmente, tem autoras mais renomadas e que olham para o livro e para as adaptações para o cinema e TV com um resultado bem interessante e nada burocrático.  É muita falta de visão das editoras brasileiras não aproveitarem os 250 anos de nascimento de Jane Austen e o lançamento da nova série da BBC para lançarem a adaptação em dois volumes do livro.

Procurando por informações para o post, acabei descobrindo que além dessa adaptação de E o Vento Levou que eu tenho, saiu na revista Seventeen e é de 1977-1979, houve pelo menos mais uma feita  em 1968 para a Ribon (!!!).  Há mais imagens dela aquiATUALIZAÇÃO: Na verdade, foram TRÊS mangás de E o Vento Levou.  Foi publicado na Nakayoshi, em 1967.  A autora parece se chamar Yumiko Matsui (松井由美子) e as imagens do mangá que eu vi não parecem se inspirar no filme, mas terem uma estética própria e de acordo com o shoujo mangá  da época.

terça-feira, 7 de abril de 2026

Saíram os indicados do 50º Kodansha Mangá Awards: Quais Shoujo estão concorrendo?

O tradicional prêmio da editora Kodansha liberou os indicados deste ano nas categorias Shounen, Shoujo e Geral (*que, para ZERO surpresa, só tem mangás seinen*).    Que quiser saber os indicados a Shounen e Geral, favor checar  o ANN ou o Comic Natalie, sobre eles só quero comentar que Kaoru Hana wa Rin to Saku (薫る花は凛と咲く) ou The Fragrant Flower Blooms With Dignity, de Saka Mikami, que muita gente fica achando que é shoujo, porque é um romance escolar, está no lugar certo, a série é shounen, como foi indicada em 2023, 2024 e 2025, é forte candidata a vencer.  Mas quem está indicado na categoria Shoujo?

  • Uruwashi no Yoi no Tsuki (うるわしの宵の月 )/Sob a Luz da Lua de Mika Yamamori.  Foi indicado em 2022, 2023 e 2024.  É um forte candidato. Publicado na Dessert (Kodansha).  Sai no Brasil pela JBC e teve anime na temporada passada.
  • Shinimodori no Mahou Gakkou Seikatsu o, Moto Koibito to Prologue kara (Tadashi Koukando wa Zero) (死に戻りの魔法学校生活を、元恋人とプロローグから (※ただし好感度はゼロ))/Re-Living My Life with a Boyfriend Who Doesn't Remember Me de Eiko Mutsuhana, Yugiri Aika, Gin Shirakawa.  Foi indicado em 2025, deve ter anime em breve. Publicado na Flos Comic (Kadokawa).
  • Taiyou Yori mo Mabushii Hoshi (太陽よりも眩しい星 )/A Star Brighter than the Sun de Kazune Kawahara.  Primeira indicação.  Teve uma primeira temporada animada ano passado e vai te continuação, provavelmente,  ainda este ano. Publicado na Betsuma (Shueisha).  Imagino que será anunciado no Brasil em breve, acredito que será pela Panini.
  • Tonari no Stella (隣のステラ)/Gazing at the Star Next Door de Ammitsu.  Foi indicado no ano passado.  Publicado na revista Betsufure (Kodansha).  Esse aqui eu não conheço.

Os favoritos, vocês devem imaginar, são os títulos da casa.  Duas séries são da Kodansha.  Os resultado sairá no dia 11 de maio.

quinta-feira, 26 de março de 2026

Saiu o trailer de Hotaru no Yomeiri (Firefly Wedding) e ele está muito bonito.

Ontem, saiu o trailer de Hotaru no Yomeiri (ホタルの嫁入り) ou Firefly Wedding, anime baseado no mangá de Oreco Tachibana, e que terminou no início do ano.  A série teve  10 volumes ao todo (*fora os gaiden, que estão em publicação*) e foi licenciada pela JBC.  

Para quem não conhece a série, ela conta a história de um casal improvável, Satoko, uma moça nobre que tem pouco tempo de vida por causa de uma doença cardíaca, e Shinpei, um assassino órfão, filho de uma prostituta, e que pode se comportar de forma violenta ou extremamente infantil.  A madrasta de Satoko quer se livrar dela e contrata assassinos, que terceirizam o trabalho para Shinpei. Ele deveria matá-la, mas acabou se apaixonando pela moça; ele a salva e exige em troca que ela aceite se casar com ele. Pelo comecinho da série, imagino que o final não seja o tipo de desfecho feliz que muita gente gosta de ver, mas duvido que decepcione.  Fiz uma resenha do início da série; ela está aqui.

A protagonista, Satoko, será dublada  por Lyn e Koki Uchiyama será Shinpei Gotou.  O site oficial do anime é este aqui.  Já sabíamos que estrearia em outubro, mas o trailer trouxe as vozes dos dubladores principais e uma animação que parece ser de primeira qualidade (*Lembram do trailer de Anatolia?*).   Está bonito.  O vídeo está  abaixo.

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Hotaru no Yomeiri (Firefly Wedding) terá uma série de gaidens a partir de fevereiro

Foi divulgado ontem que Hotaru no Yomeiri (ホタルの嫁入り) ou Firefly Wedding, seu título internacional, terá uma série de aiden publicados na plataforma Manga One.  Segundo o perfil do Twitter dos editores da Manga One Shogakukan, serão dois gaiden:

O primeiro gaiden se chamará Koi to Doku (恋と毒), Amor e Veneno.  Ele contará a história de Asagiri e Saegusa, um assassino e uma prostituta, e será um caso de amor não correspondido.  Serão duas partes, a primeira em 2 de fevereiro e a segunda em 2 de março.  O segundo gaiden se chama Hotaru no Yomeiri Gaiden -Hitokiri to Youdou- (ホタルの嫁入り外伝 人斬りと幼童-), Hotaru no Yomeiri -O Assassino e a Criança-.  Após o episódio 78, Shinpei parte em uma jornada. Esta história final oferece um vislumbre de uma pequena parte de sua vida de expiação.  Serão cinco partes ao todo e serão publicadas em 6 de abril, 4 de maio, 8 de junho, 6 de julho, 3 de agosto.  

Lembrando que o anime irá começar em outubro.  Imagino que esse volume com os gaiden saia no mês do lançamento da série de TV.  E, só para quem não lembra, Hotru no Yomeiri será publicado pela JBC no Brasil.  As ilustrações do post  são da autora original, Oreco Tachibana para comemorar o término do mangá e o anúncio oficial do lançamento do anime.

domingo, 11 de janeiro de 2026

Anime de Firefly Wedding (Hotaru no Yomeiri) estreia em outubro

Foi divulgada hoje a primeira arte do anime de Hotaru no Yomeiri (ホタルの嫁入り) ou Firefly Wedding, baseado no mangá de Oreco Tachibana, e que a estreia será em outubro.  O mangá acabou de ser encerrado no Japão.  O estúdio será o David Production e o diretor será Takahiro Kamei.  O mangá será publicado pela JBC.

E Oreco Tachibana também publicou uma ilustração em sua conta no Twitter comemorando o anime.  Acredito que hoje será publicado o último capítulo do mangá e ela fez um post de agradecimento.

Comentando o volume #2 de Uruwashi no Yoi no Tsuki (Sob a Luz da Lua): Aproveitando que o anime estreou hoje, segue a resenha atrasada.

Queria escrever algumas coisas sobre o volume #2 de Sob a Luz da Lua, título nacional de Uruwashi no Yoi no Tsuki (うるわしの宵の月), mangá de Mika Yamamori.  Eu li anteontem (*trouxe para as férias, estava atrasada*), o anime estreou hoje, já fiz resenha inclusive.  Não deu para comentar ontem.  Escrevi longamente sobre o volume #1, então, não vou fazer resumo, vou direto aos pontos que gostaria de destacar, até para que vocês não tenham overdose de uma série que é muito, muito boa.

Quando terminamos o volume #1, Ichimura propõe que Yoi saia com ele, depois, se retrai, diz que era brincadeira, mas a garota aceita a proposta.  O rapaz fica surpreso e decide fazer uma série de perguntas inconvenientes.  Se eles vão sair, o que poderão fazer?  Beijo?  Sexo?  Não conheço Ichimura  o suficiente para apostar se ele é experiente ou mais um mocinho de shoujo mangá que parece ser por ser muito disputado.  Eu apostei, por exemplo, que o Kiyoka de Watashi no Shiawase na Kekkon (わたしの幸せな結婚) seria tão virgem quanto Miyo, mas os livros me apontaram o contrário; ele só é discreto mesmo.  

Yoi fica abalada com as palavras dele e angustiada por algum tempo, sendo cobrada por Ichimura, mas termina se saindo muito bem ao redigir um contrato.  As cláusulas deixam claro o que esse período de "namoro" experimental irá deixar de fora.  E ela coloca como fora dos limites qualquer tipo de toque.  Obviamente, Ichimura vai querer derrubar as cláusulas  uma a uma e ele diz isso claramente.  Já nossa  mocinha, com o andar dos acontecimentos, até deseja isso, ainda que não consiga externar.  E Ichimura deixa claro para Yoi que ela é a primeira mulher que ele realmente quer.  Acredito que no sentido de estar ao lado, junto, não há nada nas palavras dele que me remetam ao sexual.  Não é como Kimi to Koete Koi ni Naru (キミと越えて恋になる), o mangá/anime do menino cachorro, que grita sexo desde a primeira interação entre os protagonistas.

E eles começam um novo tipo de interação.  Ela manda mensagem pelo celular, ele responde laconicamente e de forma seca.  Ela pergunta o motivo, ele diz que se respondeu é por gostar dela, porque normalmente ele nem responde.  E eles saem juntos.  Provam roupas, temos quadros lindos, porque ambos são muito bonitos.  Ele descobre que ela ama doces (*coisa de menina*).  Eles vão ao parque.  O pai de Yoi é muito gentil com Ichimura, ela fica com vergonha e ele diz que estão namorando.  Os dois estão juntos e chegam os amigos dele e temos constrangimento, porque o acordo é um segredo, mas do tipo que todo mundo parece saber.

Por  fim, nosso mocinho é confrontado com seus sentimentos.  Assim como Kiyoka, que eu citei lá em cima, Ichimura não sabe que está amando.  Kiyoka não acreditava que o amor precisasse estar presente no casamento, achava inclusive que poderia atrapalhar a relação entre marido e mulher.  Já Ichimura não entende seus sentimentos por Yoi.  É somente admiração? Vontade de estar perto de alguém que ele acredita ser atraente e que tem uma personalidade que lhe agrada? Seria algo mais?  Ele não sabe.  Nossa mocinha também não sabe direito ainda, mas ela não tem experiência alguma.  Ichimura talvez já tenha se relacionado antes, mas nunca amou e ele quer descobrir.  Terminamos o volume nesse pé.  Ele quer usar esse teste como uma forma séria de entender seus sentimentos.

O volume #3 sai este mês, mas estou no Rio e ele vai chegar em Brasília.  Só poderei ler depois de voltar pra casa.  O anime, se tudo correr bem, irei assistir.  Espero ter como encaixar as SEIS séries que eu gostaria de acompanhar.  Estou com medo de deixar várias delas pelo caminho.

Comentando o primeiro episódio de Uruwashi no Yoi no Tsuki (Sob a Luz da Lua): Um dos shoujo de maior sucesso no momento recebe uma adaptação à altura do desafio.

E estreou o anime de Sob a Luz da Lua, título nacional de Uruwashi no Yoi no Tsuki (うるわしの宵の月), série baseada no mangá de Mika Yamamori.  A animação está bonita, assume a estética shoujo mangá como instrumento para dar o tom da história, e conta com um trabalho muito potente dos dubladores, tanto os que fazem os protagonistas, quanto os coadjuvantes.  Eu resenhei o primeiro volume da série, que é publicada pela JBC, e o primeiro episódio cobriu metade desse volume.  Acreditei que iria pegar o volume inteiro, porque a gente não sabe quantos episódios a série terá, a adaptação sempre pode esticar ou criar alguma coisa nova e o mangá está no seu volume #9, #10 se a gente contar com o que ainda vai sair encardernado, mas já foi publicado na revista Dessert.  Para quem não conhece a história, um resumo:

As pernas longas, a voz grave e o rosto bonito de Yoi Takiguchi são a receita perfeita para tornar um rapaz atraente. Até que as pessoas descobrem que ela é, na verdade, uma garota! Apelidada de "príncipe" pelos colegas desde a infância, Yoi praticamente desistiu de ser vista como qualquer outra coisa, mas sofre com a situação. Até que ela encontra por acaso com Kohaku Ichimura, seu senpai e o outro príncipe da escola.  Ele fica impactado pela beleza de Yoi, mas recua ao acreditar que se trata de um rapaz para, quando o mal-entendido se resolve, se tornar insistente em conseguir a atenção da garota que pela primeira vez em sua vida está sendo cortejada e estimada não pela sua aparência andrógina.  Só que Yoi não consegue acreditar que o interesse de Ichimura é verdadeiro, ela não sabe lidar com esse tipo de atenção e ele ainda não sabe bem o que sente, ele só sabe que quer estar perto dela e admirar a sua beleza e compartilhar da sua companhia.  Como essa história irá se desenrolar?  É o que descobriremos acompanhando a série.

Assistindo ao primeiro episódio de Uruwashi no Yoi no Tsuki, só vi méritos.  A abertura deixa em evidência o gosto de Yoi por doces, algo que vai aparecer mais para frente na história.  Gostar de doces, no Japão, é coisa de mulher, da mesma forma que gostar de carne vermelha não é visto como algo muito feminino no país.  Fumi Yoshinaga discute isso em seu mangá Not Love But Delicious Foods Make Me So Happy! (Ai ga Nakutemo Kutte Yukemasu。/愛がなくても喰ってゆけます。), que tem resenha no blog.  A abertura apresenta as personagens, não sei ainda se a música me marcou ou não.

O anime começa enfatizando o desconforto de Yoi.  Ela é uma garota, mas é vista como o rapaz mais bonito da escola, mas algo ao estilo otokoyaku do Teatro Takarazuka.  Otokoyaku (homem + sombra) são as atrizes que fazem os papéis masculinos em um teatro musical no qual todas as atrizes são mulheres.  Admirar um otokoyaku é mais seguro do que se relacionar com um homem, há trabalhos acadêmicos sobre isso, porque elas são elegantes, bonitas, viris, têm uma voz treinada para ser mais grave, mas não são ameaçadoras (*gravidez indesejada é algo fora das possibilidades*), além de serem inalcançáveis, elas são um sonho de perfeição.  E a animação coloca flores ao redor de Yoi e por onde ela passa.  Era desse tipo de uso narrativo da estética shoujo que eu falei no primeiro parágrafo.

Só que Yoi é uma menina e ela não consegue lidar bem com essa atenção feminina, ainda que não tenha mais forças  para lutar, e uma espécie de escárnio masculino.  Ela sofre e essa angústia dela, o susto, a excitação, o medo de se decepcionar com Ichimura estão maravilhosamente bem traduzidos na animação.  Ichimura não sabe da história dela, não a conhecia até então, ele vê simplesmente beleza.  Como o primeiro episódio não avançou muito, e eu não darei spoilers, não sabemos muito sobre ele, salvo o ser rico, muito rico.  Só que isso pouco importa para Yoi e isso fará diferença para Ichimura.

Algo que agradeço muito ao anime é  o uso dos honoríficos.  Ichimura é inconveniente e chama Yoi de "chan", que é usado para crianças, para meninas, para mulheres com as quais o sujeito tem intimidade, na escola, na frente de outras pessoas.  Yoi nunca foi "chan" para ninguém fora seu pai e mãe, talvez.  Além disso, é algo que marca uma proximidade que eles não têm, ainda que ele já tenha tocado nela e a pego no colo (*sob protesto*).  Ele recua  e passa a chamá-la de "san", mas ele não se aguenta e é um tanto inconveniente e volta para o "chan", o que gera disse-me-disse, afinal, são os dois príncipes da escola.  Logo no início, a menina que presenteia Yoi e se declara usa "sama", que demonstra uma grande deferência.  A adaptação do mangá feita pela JBC apaga TODAS essas nuances que são importantes para a história.

Achei curioso que todos sempre usem "josei" (女性) e não "shoujo" (少女) para se referir às meninas do colégio.  É uma escolha, eu sei, mas por qual motivo usar mulher jovem e não menina/garota? Meu japonês não é suficiente para  entender, de repente, é uma nova tendência usar "josei" para adolescentes mais velhas. "Shoujo" até aparece quando alguém diz que Yoi parece o herói de um shoujo mangá e ela deseja ser tragada pela terra, porque, bem, ela nunca será a heroína, ou assim, ela acredita.  Outra coisa curiosa, que não comentei quando falei do primeiro volume do mangá, é a saia do uniforme.  Normalmente, os uniformes japoneses são desenhados com saias pregueadas ou de macho.  Usei as duas na época de escola. A saia do uniforme de Yoi é reta, sem pregas.  Já vi esse tipo de uniforme em manhwa e em escolas coreanas, tailandesas e de outros países asiáticos, mas não me lembro de ver em mangá ou em meninas japonesas.  É só curiosidade mesmo.

E eu gostei bastante do trabalho dos dubladores japoneses.  Rei Ichinomiya faz a voz de Yoi e  Ryouta Suzuki dá  a voz para Ichimura.  O trabalho da dubladora da Yoi em particular, porque ela precisa externar vários sentimentos.  E gostei do trabalho das dubladoras das melhores amigas de Yoi,  Aya Yamane (Nobara) e Momoko Seto (Kotobuki).  Quem não assiste em japonês normalmente não tem esse tipo de percepção.  Quanto à qualidade da animação, é boa, mas ainda não é a melhor possível, mas está acima de Hana-Kimi (花ざかりの君たちへ), bem acima, além da arte ser muito bonita.

Acho que é isso.  Uruwashi no Yoi no Tsuki estreia com grande qualidade.   O mangá está em andamento, o que deve conduzir a mais um anime com final aberto.  E, para quem quiser, já temos três volumes lançados em língua portuguesa pela JBC.  Se você quiser comprar, eis o link do Amazon.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

FINALMENTE, anunciado o anime de Hotaru no Yomeiri (Firefly Wedding)

Como eu já escrevi, sabe-se lá quantas vezes, e disse em Shoujocast, também, que Hotaru no Yomeiri (ホタルの嫁入り) ou Firefly Wedding, de Oreco Tachibana, teria um anime, dorama e/ou live-action anunciado a qualquer momento.  E, bem, o anúncio veio hoje.  

E isso poucos dias depois da JBC anunciar o mangá.  O anime de Firefly Wedding deve chegar em 2026, talvez, na temporada de outono, acredito que antes não virá, mas não imagino que o projeto seja empurrado para 2027.  E digo mais, talvez antes do anime estrear ainda venha algum anúncio de dorama.  Hotaru no Yomeiri foi lançado no aplicativo Manga ONE em 2022. A Shogakukan publicou o volume #9 compilado em 19 de setembro. O volume #10 será lançado em 19 de dezembro. O mangá foi indicado na categoria Melhor Mangá Shoujo do 48º Prêmio Anual de Mangá da Kodansha em 2024.  A série deve fechar com 11 volumes no total.  Neste momento, faltam somente dois capítulos para o final.

Para quem não conhece a série, ela conta a história de um casal improvável, Satoko, uma moça nobre que tem pouco tempo de vida por causa de uma doença cardíaca, e Shinpei, um assassino órfão, filho de uma prostituta, e que pode se comportar de forma violenta ou extremamente infantil.  A madrasta de Satoko quer se livrar dela e contrata assassinos, que terceirizam o trabalho para Shinpei. Ele deveria matá-la, mas acabou se apaixonando pela moça; ele a salva e exige em troca que ela aceite se casar com ele. Pelo comecinho da série, imagino que o final não seja o tipo de desfecho feliz que muita gente gosta de ver, mas duvido que decepcione.  Fiz uma resenha do início da série; ela está aqui.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Shoujocast no Ar! Hagio Moto em Janeiro, Dublagens em IA, Netflix X Paramount, Jane Austen etc.


Mais um Shoujocast!  E ele terá vários assuntos, porque vou comentar algumas notícias, a chegada de Hagio Moto em janeiro e a sangrenta campanha de erradicação da violência contra as mulheres.  Essa última parte é pesada, mas a minutagem está no YouTube para que ninguém precise sofrer desnecessariamente.  Eu falei sobre muita coisa mesmo e, hoje, é dia dos Direitos Humanos e final da campanha da Erradicação da Violência contra as Mulheres.


E, só para lembrar, hoje é o Dia dos Direitos Humanos.  A escolha é por um motivo simples: mulheres são tratadas como menos que humanas em muitos momentos e aspectos, porque são consideradas mais uma propriedade, por isso tantos feminicídios do que gente de verdade.


E foram muitos feminicídios, muitos, mais do que em qualquer outro período da campanha que eu tenha acompanhado.  E alguns que nem estão nesse post emergiram mais tarde, como o da mulher que  o pai de seus três filhos matou esmagando seu crânio com uma pedra, ou outra, também mãe de três filhos, morta a facadas pelo ex dentro de casa, ou o de outra que foi espancada e atirada do 10º andar pelo companheiro.  Ele foi chorar em seu enterro fingindo que não tinha nada a ver com isso.  E um caso que me chocou tremendamente, o da moça trans de 18 anos estrangulada por um motorista de aplicativo de 19 anos.  Ele levou o cadáver até a delegacia, confessou o crime (*tinha medo que ela falasse que ele andava com mulheres trans*) e saiu livre.  LIVRE como se nada tivesse feito.  Há uma guerra contra as mulheres, além do descaso.  Peguem qualquer notícia sobre violência contra NÓS e sobre medidas de reação, ou atos e contem as risadinhas, ou olhem os comentários.  Estamos TODAS em perigo.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Anime de Sob a Luz da Lua (Uruwashi no Yoi no Tsuki) já tem data de estreia e novo trailer

 

O anime de Uruwashi no Yoi no Tsuki  (うるわしの宵の月), baseado no mangá de Mika Yamamori, já tem data de estreia: 11 de janeiro.  Para quem não conhece, o resumo/ponto de partida é o seguinte: "As pernas longas, a voz grave e o rosto bonito de Yoi Takiguchi são a receita perfeita para tornar um rapaz atraente. Até que as pessoas descobrem que ela é, na verdade, uma garota. Apelidada de "príncipe" pelos colegas desde a infância, Yoi praticamente desistiu de ser vista como qualquer outra coisa. Até que ela encontra Ichimura-senpai, o outro príncipe da escola (que é um "homem"), e experimenta como é ser vista como ela realmente é. A história dos dois príncipes do ensino médio começa aqui!"  A série está sendo lançada pela JBC e eu fiz resenha do primeiro volume.  Teremos outra temporada cheia de shoujo e jossei anime.  Será  um desespero.  É muita coisa.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

JBC acabou de anunciar o mangá Hotaru no Yomeiri (Firefly Wedding) no Brasil

Três dias atrás comentei que Hotaru no Yomeiri (ホタルの嫁入り) ou Firefly Wedding, de Oreko Tachibana, estava prestes a terminar.  Apostei que logo seria anunciado no Brasil e foi.  A JBC anunciou a série no seu painel na CCXP, que está acontecendo em São Paulo.  Como era uma das séries que eu gostaria muito de ver por aqui, estou muito feliz.  Firefly Wedding, que imagino que será o título nacional, conta a história de um casal improvável, uma moça nobre que tem pouco tempo de vida por causa de uma doença cardíaca e um assassino órfão, filho de uma prostituta, e que pode se comportar de forma violenta ou extremamente infantil.  Ele deveria matá-la, mas acabou se apaixonando por ela. Pelo comecinho da série, imagino que o final não seja o tipo de desfecho feliz que muita gente gosta de ver, mas duvido que decepcione.  Fiz  uma pequena resenha do início da série, ela está aqui. A série deve terminar com 11 volumes, o décimo sai ainda este mês.  Eu preferia que fosse a Panini, a JBC deixa a desejar em algumas de suas escolhas de adaptação, mas comprarei com certeza.

terça-feira, 25 de novembro de 2025

Reeditando textos antigos: Juuichinin Iru!, Hagio Moto logo estará entre nós!

Me perguntaram no Twitter hoje se eu tinha feito resenha de Fire! (ファイヤー!) para o Shoujo Café.  Disse que não tinha feito.  Ele lembrou, então, do meu primeiro site, o Shoujo House, criado lá em 2002.  Achei que tinha feito resenha pra lá, mas, na verdade, não tinha, mas acabei tropeçando, graças  ao Wayback Machine, na minha resenha de Juuichinin Iru! (11人いる!), They were eleven!, mangá que será o cartão de Hagio Moto no Brasil.  Eu comprei a edição norte-americana e a resenha foi feita com base nessa edição.  Dou detalhes no texto.  Achei que valeria a pena publicá-lo aqui, ele é de 2005, exatos vinte anos atrás.  

No Brasil, Juuichinin Iru! irá se chamar o 11º Tripulante.  É um bom título e tenta visivelmente fazer uma ponte com Alien: o 8º Passageiro.  Espero que dê certo, já está em pré-venda, o volume sai  no dia 20 de  janeiro.   Achei o preço, R$109,90, muito alto. Alguém veio me dizer que era uma edição de luxo.  Sem querer ser pessimista, acho que não será, mas só terei o que dizer quando o meu volume estiver em mãos.  Enfim, para quem quiser, 11º Tripulante está com um bom desconto na Black Friday do Amazon, está saindo por R$87,92.  Se você comprar por este link, ajuda o Shoujo Café.  Segue o texto, as  únicas correções relevantes foram gramaticais e ortográficas.

"Hagio Moto, uma das maiores mangakas japonesas, provou com They Were Eleven (Desculpe usar o título em língua inglesa, mas é que estou mais acostumado com ele) que shoujo e ficção científica podem combinar maravilhosamente bem. Se hoje, é comum ver muita gente afirmando que a revista Asuka (e sua irmã Asuka Deluxe) não seria uma revista shoujo mas, sim, mista porque teria como forte histórias de ficção científica (Cowboy Bebop), ação e fantasia (X da CLAMP), é porque traço do mangáas pessoas não têm noção de que os quadrinhos femininos não se limitam aos romances colegiais e ao tradicional mahou shoujo. Já nos anos 70, mais precisamente em 1975, Hagio Moto publicava na revista Bessatsu Shoujo uma história que se tornaria um clássico da ficção científica japonesa e arrebataria o Shogakukan Award.

They Were Eleven é uma história que tem na tensão psicológica um dos seus traços mais marcantes, ao mesmo tempo que discute as questões relativas aos papéis de gênero e ao peso das convenções sobre os indivíduos. A história, que tem somente um volume, começa resumindo o futuro da humanidade: depois da descoberta da propulsão de dobra e do fenômeno da antigravidade, os terráqueos se espalharam pela Galáxia e fundaram colônias em cinquenta e um planetas. Tudo isso em dois séculos. Com o tempo a harmonia entre a Terra e as suas colônias deixa de existir, mas a descoberta de ruínas alienígenas em um planeta faz com que as desavenças sejam superadas e se forme o Governo Pan-Terrano (o termo é esse mesmo).

Não podendo negar a existência e força dos vizinhos que encontrou, a Terra entra em uma aliança com três superpotências estelares, Lota, Segul, Saba e outras espécies menores e forma a Aliança Interestelar. Com esse novo acordo os Terranos continuam sua expansão e nos próximos quatro séculos competem com os Sabans pela supremacia. Ao fim desse período, os terranos se tornam a espécie mais populosa, seguida pelos Sabans, Seguls e Lotas. Os casamentos interespécies são comuns, pois todos são humanóides, exceto com os Lotas que se mantêm à margem dessas trocas devido à sua religião.

E chegamos então ao início da história. Dia de exame final para o acesso na Cosmo Academy, os aprovados Tada, versão animenos testes preliminares, serão alocados em grupos de dez e submetidos ao último desafio. Só que um dos grupos tem 11 componentes e não 10, como deveria ser. A partir daí, um desconfia do outro e coisas estranhas acontecem. Não há dúvida de que o 11º tripulante tem como objetivo fazer com que os outros dez fracassem. Mas como conseguir neutralizá-lo?

They Were Eleven tem duas personagens principais: Tada (Tadatos Lane), um órfão que tem poderes telepáticos, e Froll (Frolbericheri Frol), um andrógino de beleza estonteante. Ambos são as principais vítimas da suspeita dos demais. Os poderes de Tada (**que não é o único capaz de fazer coisas incomuns**) fazem com que todos desconfiem dele. Já Froll por causa de seu comportamento e aparência (**à princípio os outros o tomam por uma mulher**) acaba atraindo atenção "negativa" por assim dizer.

Hagio Moto usa Froll para discutir questões sobre as convenções entre masculino e feminino. Froll vem de um planeta onde todas as crianças nascem sem sexo definido. Até a puberdade, têm os mesmos privilégios e crescem livres, mas na adolescência se dá a intervenção: todas as famílias só desejam um filho homem, os demais serão mulheres. Admite-se também a poligamia e os homens não trabalham, deixando toda a carga para suas esposas. Froll é o caçula da família e teve tempo para ver como seu irmão e irmãs mais velhas foram tratados.  Não tem por que desejar ser mulher, mas por tradição, não tem escolha. O máximo que consegue é fazer com que seu pai o deixe tentar a prova da academia. Se falhar, seu destino está traçado e se tornará uma das esposas de um velho nobre de sua terra. Mas mesmo Froll desejando ser homem e ela não tenha percebido, seu corpo já optou, sem necessidade de nenhuma intervenção indutora. Para completar, Froll e Tada se apaixonam.

As outras personagens da história não conseguem ter tanta relevância quanto a dupla, mas também não fazem feio. Alguns vêm dos mesmos planetas, outros são os primeiros de sua raça a conseguirem chegar tão longe no processo de admissão. Há um príncipe cheio de orgulho, aristócratas que acreditam na superioridade de seu sangue ou religião, alguns que querem ser cientistas e um interessante hermafrodita com aparência reptiliana. Knu (Vidmenir Knume) é a voz da razão do grupo quando as coisas começam a ficar feias. Ele vem de um planeta parecido com o de Froll, só que seu povo não induz seus habitantes a se tornarem homens ou mulheres. A coisa acontece naturalmente na adolescência, mas alguns permanecem reptilianos e sem sexo definido. Azar? Talvez, em troca, vivam muito mais do que os outros.

A ambientação do mangá de Hagio Moto é claustrofóbica e angustiante. O começo, mostrando as cápsulas individuais onde os futuros cadetes ficam confinados para o exame, já diz tudo. A autora é sempre muito competente na definição do tom de suas histórias, mesmo que não deixe o leitor esperar pelo óbvio em termos de roteiro.Em 1986, They Were Eleven virou filme e manteve basicamente a mesma estrutura do mangá. Aliás, como só tem um volume, nada se perdeu. A mudança considerável fica por conta do character design que tornou Froll "uma moça" lindíssima e deu a Tada traços bem menos andróginos. [Estava escrito "mais" e, não, "menos", porém acredito que havia trocado as palavras.]

Não vou me prolongar falando da autora, porque já há bastante informação da autora e sua obra na seção dedicada ao Coração de Thomas. De qualquer forma, vale lembrar que o que temos de Hagio Moto publicado no Ocidente são suas histórias curtas de ficção científica. A VIZ teve o mérito de perceber o potencial da autora e escalar Rachel Thorn como tradutor [Thorn transicionou e modifiquei o texto para eliminar seu nome morto.  Infelizmente, não tenho como fazer isso em todos os textos nos quais já a citei.], fora isso, ainda lançou o filme. Infelizmente, parece que a editora não tem mais os direitos da obra e ela não pode ser republicada em formato mangá. Minha edição de They Were Eleven, por exemplo, é em formato americano, espelhado e partido em quatro revistas. Já procurei no E-Bay, lugar onde se pode encontrar as edições já esgotadas, mas não encontrei ainda o mangá em formato Graphic Novel e devo comprar a edição japonesa mesmo. Aliás, é por isso que não tenho imagens melhores. Minha esperança é que alguma editora olhe para Hagio Moto e perceba o que está perdendo. É muito injusto que seus trabalhos sejam quase restritos ao público japonês."

Quando o volume da JBC for lançado e estiver em minhas  mãos, provavelmente, em fevereiro, farei outra resenha.  Acredito que se nada mudar nas minhas opiniões sobre a história, terei o que pontuar sobre a edição nacional.

sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Revelado o nome do mangá de Juuichinin Iru! (They Were Eleven) no Brasil

A JBC vai lançar  Juuichinin Iru! (11人いる!), também conhecido como They Were Eleven, de Hagio Moto em dezembro.  O volume único é um mangá de ficção científica muito premiado e que virou anime, filme, peça de teatro etc.  Sempre, desde que me lembro de ter este blog, que este mangá fosse escolhido para ser o cartão de visita da autora no Brasil.  Minha aposta é que se ele fosse vendido como um mangá de ficção científica, ele chegaria a um público mais amplo.   Muito bem, em  uma live da JBC, ontem, foi anunciado que o nome seria 11º Tripulante!.  A ideia, imagino eu, é fazer uma ponte com Alien, o Oitavo Passageiro.  Esperava uma tradução do título original, mas foi engenhoso.  A ideia do mangá é que um grupo de 10 cadetes passaria por sua última prova em uma nave com 10 tripulantes.  Só que há 11 pessoas, logo, um não deveria estar lá?  Quem seria o impostor?  Espero realmente que as pessoas abracem Hagio Moto no Brasil e O Coração de Thomas (Tooma no Shinzou/トーマの心臓) apareça por aqui em breve.