sábado, 31 de agosto de 2013

Sob o Domínio das Colegiais: o Poder das Adolescentes Japonesas



Fazia tempo que eu não traduzia um artigo para o Shoujo Café. No entanto, esse sobre o poder de consumo e de ditar moda das colegiais japonesas parecia valer a pena. Agora, vocês poderão julgar se eu estou certa. O texto foi publicado no The Wall Street Journal, mantive os links da matéria, mas as imagens eu peguei na internet com base naquilo que a autora, Manamo Okazaki descreve.

Onde as Colegiais Japonesas Dominam

por Manami Okazaki

Colegial.  Para muitas meninas, é um tempo de embaraço e namoricos sem importância.  No Japão, entretanto, as colegiais são vistas como especialistas em estilo.  Um símbolo da liberdade da juventude, elas são amplamente celebradas como ícones da moda e da cultura pop, aparecendo em mangás tais como InuYasha, e animes como Sailor Moon e filmes feitos em Hollywood como Kill Bill.

Mas elas não são somente objeto de fascínio.  Elas também tem grande poder como consumidoras.  Graças em grande parte a seus pais, elas frequentemente controlam uma receita confortável, e tem uma extraordinária habilidade para estimular novas tendências.  



Até hoje, elas foram responsáveis pela moda dos pendentes de celular, meias frouxas,  pijamas do Pikachu (como roupa de passeio, nada menos que isso), cabines de fotografias purikura, câmeras instantâneas Cheki e uma infinidade de outros itens kawaii, só para citar alguns deles.  Na verdade, mesmo na Era Taisho (1912-1926), foram as colegiais as primeiras consumidoras de itens kawaii tais como estampas, cartões e sombrinhas adornadas com ilustrações femininas do designer Takehisa Yumeji.

Enquanto pesquisava para o meu livro sobre a cultura do kawaii no Japão, eu vi hordas de colegiais imaculadas de mentirinha nas ruas de Harajuku e na loja de departamentos 109 em Shibuya depois do horário escolar.  Toyoko Yokoyama, vice-´presidente da Conomi, uma marca com sede em Harajuku de “uniformes escolares fashion” para as garotas usarem nos fins de semana, me disse que “as colegiais japonesas são ícones porque são competentes em expressarem a si mesmas.  Elas sabem a força da marca que é ser uma colegial”.  Na verdade, um dos conselheiros da Conomi é Shizuka Fujioka, que viajou por lugares como a Tailândia no papel de “embaixadora do kawaii”. Vestida com um dos uniformes da Conomi, ela espalhou o evangelho da cultura japonesa do fofinho como parte de um projeto de um projeto de diplomacia baseada no soft-power idealizada pelo ministro de assuntos estrangeiros do Japão em 2009.



Em nenhum lugar o poder de consume das garotas japonesas é mais visível do que no show bianual chamado Tokyo Girls Collection, o maior evento de moda de Tokyo, que acontece este sábado.  Ele conta com um público de mais de 60 mil pessoas, que pagam entre 5.500 e 15 mil ienes pelo ingresso.  Neste final de semana estão previstos desfiles de moda, show com o grupo feminino HKT48, comediantes, o concurso de beleza Miss TGC, e uma palestra da diretora de moda (e ex-estilista de Lady Gaga) Nicola Formichetti.

A atmosfera carnavalesca é amplificada pelo frenesi entusiasmado de uma barulhenta audiência adolescente.  Ela está em oposição flagrante à tradicional Mercedes-Benz Fashion Week, em Tóquio, que conta em grande parte com a presença de consumidores com ar entediado e a imprensa.


A maioria das marcas no Tokyo Girls Collection são de moda casual como as hiper-femininas Cecil McBee e Jouetie. O invés de exibir as tendências da próxima estação, as marcas permitem que a audiência compre roupas que estão em uso em tempo real.  As garotas fazem suas compras através do celular no site do evento, que tem mais de meio milhão de assinantes e dois milhões de visitas únicas por mês, segundo os organizadores.  Os itens comprados são entregues na casa da menina no dia seguinte.  

Muitas das 80 ou mais modelos e celebridades desta estação são meio-asiáticas, tais como a cantora e atriz nipo-polonesa Anna Tsuchiya, e a modelo bengali-japonesa-russa Rola.  Ao invés das top models intimidantes que avançam pomposamente pela passarela nos eventos de modas ortodoxos, a aparência dominantes no Tokyo Girls Collection é decididamente kawaii – muitas das modelos não tem mais de 1,65 de altura, e entram na passarela vestidas como líderes de torcida, carregando imensos pirulitos ou exibindo laços de fita nos cabelos do tamanho dos usados pela Minnie Mouse.


Trata-se de um barulhento e extravagante evento de seis horas que pode ser francamente avassalador.  Mas não pode ser batido por permitir um olhar sobre a cultura das colegiais japonesas, em toda a sua deslumbrante glória.

Manami Okazaki escreve sobre os aspectos mais coloridos da cultura contemporânea japonesa. Ela é autora de cinco livros sobre a cultura pop japonesa, incluindo, mais recentemente, “Kawaii, the culture of Cute” (Prestel UK).

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2 pessoas comentaram:

Na verdade o Tokyo Girls collection não é um evento focado em colegiais mas sim em gyarus, que são uma moda urbana muito forte no japão - a ponte de 70% das jovens japonesas se considerarem gyarus- e o ponte de encontro das jovens gyarus é o Shibuya 109 :)) as gyarus que terminam o colegial param de frequentar o Shbuya 109 e passam a comprar em lojas de suas marcas favoritas em outros shoppings. existe até o termo "graduar" que é quando uma gyaru decide não ser mais gyaru - por conta de casamento normalmente.

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