domingo, 1 de setembro de 2013

Parabéns para as nossas judocas!


Em uma semana em que o racismo “cordial” d@s brasileir@s aflorou como nunca, é bom terminar com uma notícia feliz. E não vou falar dos médicos cubanos ofendidos, chamados de “escravos” ou desqualificados por terem “cara de empregada doméstica” (*sabe, deve ser humilhante ter uma profissão tão necessária*), sugiro o texto da Lola.  Também não vou falar da mocinha que atravessou fora da faixa, com sinal aberto, e quase foi atropelada, mas achou que o problema era do casal de negros em um carro importado... podem ler a “desculpa” da moça, que até tem amigos negros aqui.  E basta.  Não vou, ainda que as parabenize, também, escrever sobre a vitória da seleção feminina de vôlei no Grand Prix nesta madrugada.  Posso deixar para outro dia, quem sabe... Quero, sim, parabenizar as atletas brasileiras que conseguiram a prata por equipes. Parabéns para as meninas! A maioria delas é negra, é pobre, com aquela cara de empregada doméstica, sabe?  Gente que nasceu nos morros e periferias das nossas grandes cidades e ralou muito para poder chegar a esta vitória. Uma matéria que assisti na TV esta semana dizia que, hoje, é muito difícil pertencer à seleção brasileira de judô feminino.  Por isso, uma competia por Guiné Bissau, país de origem de seu pai, outra, por Israel, já que sua mãe tem essa nacionalidade.

Érika Miranda, Rafaela Silva, Ketleyn Quadros, Maria Portela e Maria Suelen formam nossa equipe de prata no Judô, aquela que disputou no dia de hoje o título por equipes.  Houve outras que não entraram nessa competição do último dia, como Sarah Menezes, nossa primeira medalhista de ouro em judô nas Olimpíadas, e que ganhou o bronze esta semana.  Nós – como se eu tivesse feito alguma coisa – não ficamos com o ouro por equipes, as japonesas lutaram muito para conseguir essa medalha, mas o esforço das nossas atletas pelo seu esforço, dedicação, por terem que enfrentar racismo, pobreza, machismo, no país do futebol masculino quase absoluto vale mais que o ouro.  O esforço dessas moças dá esperança para outras crianças, meninos e meninas, frutos de programas sociais de ex-atletas e de ONGs, do incentivo (*restrito*) dos Governos, possam lutar por seus sonhos.


E, para quem não lembra, Rafaela Silva, nosso pioneiro ouro feminino em mundiais de judô, foi a atleta que na última Olimpíada foi maltratada por internautas que lhe enviaram frases, que, de novo, evidenciam o racismo que negamos existir, como "lugar de macaca é na jaula" e que "vc não é melhor do que ninguém porque você é NEGRA". E ainda teve quem a desqualificasse, porque, bem, ela retrucou, mulheres, especialmente negras, devem calar, engolir as ofensas sem reagir. Para quem não lembra, meu post na época está aqui.  Agora, Rafaela Silva, saída da Cidade de Deus, no Rio de janeiro, não chora de tristeza, raiva ou humilhação, suas lágrimas representam a volta por cima.

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