quarta-feira, 17 de setembro de 2014

FEMEN vira quadrinho na França


O controverso grupo feminista FEMEN virou quadrinho na França.  Trata-se de um álbum de autoria de Michel Dufranne, especializado, segundo ele mesmo, em tratar de questões ligadas a grupos marginalizados ou “nas bordas”.  El já tratou, por exemplo, do drama dos homossexuais sob as leis nazistas.  Dufranne queria escrever sobre a Ucrânia e terminou esbarrando no FEMEN.  Começou sua pesquisa e teve contato, já na França, com Inna Shevchenko.  


Shevchenko, que pediu asilo político na França em 2013, é uma das fundadoras do FEMEN.  Ela saiu da Ucrânia fugindo de suposta perseguição do governo de seu país e de tentativa de intimidação pela polícia.  Curiosamente, é na França que o FEMEN tem mais militantes e grupos de ação.


O quadrinho de Dufranne é o Diário de uma militante de uma célula fictícia do FEMEN, a “Apolline Femen”.  O autor diz que se tomasse uma das células reais do FEMEN teria que ser absolutamente realista, criando uma, ele daria liberdade a si mesmo e aos seus leitores e leitoras.  O título do quadrinho é Journal D’Une FEMEN e começa com a protagonista e narradora sofrendo bullying dos colegas no trabalho e sua tomada de consciência de como a situação das mulheres é injusta.  Depois disso, se entendi bem, somos convidados a assistir as reuniões e treinamentos do Apolline FEMEN e as ações do grupo.


A arte do álbum é de Severine Lefebvre.  A entrevista de Dufranne é recheada com várias amostras do traço da artista.  Esteticamente é bem interessante, eu diria.  Agora, apesar de parecer ser um trabalho de primeira linha – pesquisa, narrativa, arte – trata-se do olhar masculino sobre um movimento de mulheres... Quer dizer, sim e não, afinal, segundo várias ativistas e o documentário "Ukraine is not a brothel", de Kitty Green, por trás do FEMEN está um homem, Victor Svyatski.  Eu, particularmente, tenho meus dois pés atrás com o FEMEN, mas vejo uma coragem muito grande em suas militantes.  Alguns de seus protestos, a maioria deles, são justíssimos, ainda que seus métodos e a ideologia por trás do grupo possa e deva ser discutida e criticada.


Agradeço ao Pedro Bouça por ter me passado o link para a entrevista do Michel Dufranne.  Quando o assunto é BD, ele é a grade fonte do Shoujo Café. :)

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