sábado, 24 de janeiro de 2015

Prêmio Francês celebra os quadrinhos feitos por mulheres


Anualmente, a l’Association Artémisia premia quadrinhos feitos por mulheres.  Criado por francesas, trata-se de uma celebração da bande dessinée (banda desenhada ou quadrinhos) feminina e a vencedora e anunciada sempre no dia 9 de janeiro, aniversário de Simone de Beauvoir.  O prêmio foi criado em 2007 e, desde então, premia mulheres quadrinistas de várias nacionalidades.  Nenhuma japonesa, mas um prêmio como este, imagino eu, faria pouco sentido para uma mangá-ka.

Antes que alguém pergunte da validade de prêmios assim, cabe lembrar que, pelo menos no Ocidente, quadrinhos ainda são vistos como uma atividade masculina e o seu público prioritário, mesmo em uma França, também o é. Assim, em premiações mais gerais, e muito valorizadas, dificilmente vemos mulheres em evidência.  Elas estão produzindo, claro, mas os júris de seleção podem facilmente passar batidos pelos seus trabalhos.  O Artémisia pretende exatamente dar visibilidade aos excelentes trabalhos feitos por mulheres que poderiam passar despercebidos já que os homens recebem muito mais atenção, simplesmente, por serem homens. 

Este ano, o prêmio Artémisia prestou homenagem aos mortos na Charlie Hebdo, homens cujo crime foi desenhar. Já o quadrinho premiado foi o álbum Irmina, da alemã Barbara Yelin.  A obra tem 272 páginas e acompanha a jovem alemã Irmina, que segue para a Inglaterra em 1934 para estudar e trabalhar.  Buscando sua independência, ela conhece um estudante de Oxford, inteligente, atraente, mas que tinha um pequeno problema, imigrante de Barbados, ele era negro.  O racismo dificulta o romance.  Irmina passa por problemas financeiros e precisa retornar para a Alemanha nazista e se enquadrar... Casa-se com um militante nazista, mas seu coração não compartilha da ideologia dominante, como tantos outros alemães.  O que fazer?  O resumo da obra está aqui.  


A entrega do prêmio será no dia 27 de janeiro, e será feita homenagem aos desenhistas da Charlie, e à Elsa Cayat, psicanalista que tinha coluna na publicação e única mulher morta no atentado à revista satírica francesa. Sim, vocês acreditaram mesmo que fundamentalistas só matam homens? Outra homenageada é a cartunista Catherine Meurisse, que se salvou do atentado à Charlie, porque chegou atrasada à reunião de trabalho.  Ela é uma sobrevivente, vejam que nenhuma das duas recebeu qualquer menção na grande imprensa.  Sobre essas mulheres, o silêncio, e olha que era uma mulher entre os 12 mortos, somente uma.  Será que se fosse o contrário, 11 mulheres e 1 homem, não fariam questão de marcar o seu nome?

Agradeço ao Pedro por ter me passado as informações e link sobre o Prêmio Artémisia.  Curiosamente, minha amiga Natania também me falou dele.  Acabaria tropeçando em alguma informação, mais cedo, ou mais tarde, sobre esta premiação, mas não fazia idéia de que ela existia.  Acredito que se as quadrinistas brasileiras conseguissem publicar na Europa poderiam ser candidatas ao Artémisia. 

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