domingo, 15 de março de 2015

E a Miss Japão 2015 é negra!


E lindíssima, pelo menos é o que as poucas fotos que vi no Rocket News 24 me mostram.  Pelo tom da notícia, acho que é a primeira vez que uma “haafu”, do inglês “half”, metade, consegue ser eleita.  Para chegar até o topo, pelo menos para quem segue esse caminho de miss, que fique claro, Ariana Miyamoto, representante de Nagasaki, enfrentou muito racismo.  Filha de um pai afro-americano, provavelmente um militar que serviu na base local, e de uma japonesa, ela nasceu e foi criada no Japão, estudou a high school nos EUA, mas se considera uma completa japonesa. 


Segundo o RN24, ela recebeu alguns ataques racistas depois de eleita, um deles dizia que ela tinha muito sangue negro para ser considerada japonesa, no entanto, houve muito apoio, também.  O RN24 ressalta em outra notícia que o Japão se comporta de forma meio esquizofrênica em relação aos mestiços.  Modelos mestiças são consideradas lindas e aparecem em grande número nas revistas locais, inclusive muitas japonesas procuram parceiros – par casamento, ou não – com o intuito de terem crianças mestiças, ainda assim, o racismo é grande.  


Enfim, é sempre curioso ver como países europeus, Israele até o Japão lidam com a beleza negra e o Brasil elege ano após anos misses socialmente brancas e cada vez mais parecendo clones de si mesmas.  Será que ainda verei uma miss Brasil oriental ou outra negra?  Falo outra, porque a primeira e única é Deise Nunes, que foi miss em 1986. Em um país tão diverso como o Brasil, trata-se de uma admissão de racismo sem possibilidade de defesa.

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6 pessoas comentaram:

Realmente, linda.

Infelizmente o racismo ainda é forte e parece ser mais ainda nos países asiáticos, com seus padrões de beleza tão restritos e pouco convívio com estrangeiros. Nestes países, pele branca é sinônimo de beleza e a aversão a tons de peles mais escuros é grande. Eles vendem produtos e tratamentos para clarear a pele e fazem propaganda pesada de que a branca é A bonita.

No filme tailandês Crazy Little Thing Called Love, a protagonista passa por um processo de clarear a pele só para poder ser considerada bonita pelo rapaz que ela gosta.

Na Coreia, os idols Kai (grupo EXO), Tao (EXO) e Yuri (Girls' Generation) passam por várias brincadeirinhas e piadinhas por causa de seu tom de pele mais escuro. Algumas pessoas até dizem, descaradamente, que eles são negros. [Como?] Já a Hyorin (Sistar) sofreu - e provavelmente ainda sofre - preconceito por ser "negra" e "gorda". Aliás, ser gordo é outra coisa que não "pode" na Ásia, assim como ter pelos no corpo e cabelo não-liso. Jogue o nome desses idols no google para ver o absurdo.

Enquanto isso aqui no Brasil, mesmo na Bahia o estado mais negro do Brasil a maioria das candidatas a Miss do estado e consequentemente vencedoras, são brancas...

Esta notícia é realmente interessante! O preconceito pode existir, mas os jurados não se deixaram dominar por ele. Quero ver isto aqui no Brasil!
Pq aqui pessoas negras ou asiáticas sofrem preconceito no quesito beleza. o padrão "branco, magro e cabelo liso" é o que prevalece.

Infelizmente, o Miss Universo continua ano após ano cada vez mais racista. Nos últimos anos é difícil ver até mesmo entre as 10 finalistas qualquer garota que não seja branca. As orientais, as negras, indianas e tudo o que for diferente das morenas plásticas da América Latina ou louras barbie européias.
E o Brasil que fica sempre entre as 5, nem perdendo ano após ano investe em mudança. u.u

Nike-chan, o Brasil não consegue ficar entre as cinco todo ano, aliás, nem entre as dez. Pode acontecer, ou não. Agora, tem havido variação na composição das finalistas, mas quem vem ganhando no final, são as plastificadas e barbies que você pontuou.

"Modelos mestiças são consideradas lindas e aparecem em grande número nas revistas locais, inclusive muitas japonesas procuram parceiros – par casamento, ou não – com o intuito de terem crianças mestiças, ainda assim, o racismo é grande."


Posso estar enganado, mas creio que a miscigenação considerada atraente pelos japoneses é a que se dá com caucasianos, não? Os próprios brancos parecem ser o grupo racial que menos sofre preconceito no extremo oriente porque, mesmo sendo estrangeiros, têm o padrão de beleza mais disseminado pelas mídias ao redor do mundo.

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