sexta-feira, 29 de maio de 2015

Yoshiko Kawashima: princesa chinesa, espiã japonesa e crossdresser


Pensei em publicar este post no meu blog de História, mas achei que ficaria melhor aqui, afinal, não consigo pensar em Yoshiko Kawashima (川島 芳子), nascida  Aisin Gioro Xianyu (愛新覺羅·顯玗), princesa da disnastia Qing, que governava a China desde o século XVII, sem pensar em Teatro Takarazuka e shoujo mangá.

Yoshiko Kawashima nasceu em 1907, foi adotada por uma poderosa família japonesa quando a Dinastia Qing foi destronada. Seu pai adotivo, o espião japonês Naniwa Kawashima, proporcionou-lhe uma educação extremamente liberal para a época com um currículo que envolvia dança, judô e esgrima.  Aos 20 anos, ela foi casada com um príncipe chinês, mas separou-se dele dois anos depois.  Teve envolvimentos amorosos com homens e mulheres e terminou por entrar para o serviço de espionagem japonês, atuando na China, graças aos seus múltiplos contatos. 


Em suas ações vestia-se com roupas masculinas ou femininas a depender das necessidades, sempre com grande sucesso.  Sua descrição – muito bela, educada, inteligente, capaz de se passar por uma dama perfeita ou um soldado – me lembram a imagem das atrizes do Takarazuka, ou a garota-príncipe dos shoujo mangá.  Apelidada de Dongzhen, Jóia do Oriente, ela foi retratada em vários filmes (*incluindo O Último Imperador*) e me pergunto se de algum mangá.  


As diversas fontes sobre Kawashima falam que seu sonho era restaurar a dinastia Qing, algo que não interessava nem aos japoneses, nem aos senhores da guerra chineses, ao Kuomitang (partido nacionalista) ou ao Partido Comunista.  Essa agenda própria a colocou em situações de conflito, mas, ainda assim, ela chegou a comanda em Manchukuo (Estado fantoche japonês na Manchúria) seu próprio exército de foras da lei contra a resistência chinesa.  O japoneses chegaram a lhe dar o posto de General-Coronel (*não sei como traduzir isso aqui*).


Kawashima entra em conflito com os japoneses ao criticar seus métodos truculentos na China e cai em desgraça.  Capturada pelo Kuomitang em 1945, foi julgada, condenada como traidora e executada com um tiro na nuca em 1948.  Nada mais justo pelo ponto de vista chinês.   Vejo esta personagem como outras tantas que apostaram alto e perderam, ou não, porque uma vida interessante  ela teve, com certeza!  De qualquer forma, sua trajetória daria um excelente mangá, se é que ele já não existe.

P.S.: Queria escrever sobre ela, não dava para falar nas minhas aulas... Aqui, acho que cabe bem. ^_^

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5 pessoas comentaram:

Torcendo aqui para que esse mangá exista!

Que incrível!!

No começo da descrição achei que fosse alguma história ficcional, só depois percebi que essa mulher existiu mesmo.

Essa faz jus à frase: "Garotas boazinhas vão para o céu, garotas más vão para onde quiserem".
Dava um filme e tanto.

Nossa, achei incrível e impressionante essa história! Não conhecia, muito obrigada!Torcendo para que exista um mangá agora. haha

Coronel-General era um posto arcaico equivalente no exército chinês a general de três estrelas. É um posto BASTANTE elevado!

Já houve similar nos exércitos ocidentais. Detalhes aqui:
http://pt.wikipedia.org/wiki/General

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