terça-feira, 8 de setembro de 2015

Para quem não entende o que é gênero


Estou com o blog meio parado, fiquei doente nesse fim de semana e feriado e estou me recuperando e trabalhando.  Enfim, mas não poderia deixar passar esta fotinho que alguém distribuiu no Facebook.  Há quem não entenda  que gênero é algo construído, reforçado, performado intensamente para que se torne algo tão concreto que a gente acredite que é assim, algo natural.  Gênero tem a ver com práticas que são associadas ao masculino e ao feminino e prontamente hierarquizadas.

Meninas de rosa, meninos de azul... Pois bem, imagine agora uma menininha, um bebê, que desde cedo recebe além das roupinhas rosas, fru-frus e tudo mais que vem no pacote essa mensagem "vamos faxinar".  Amesma pessoa que mandou a foto comentou que o macacão similar do menino dizia "quero ser astronauta".  O que é mais legal, faxinar ou ser astronauta?  Uma amiga até brincou que para ser justo o macacão dos meninos deveria ter algo como "vamos virar uma laje".  Só que isso não existe.

Faxinar é uma atividade prática, necessária e não criativa, associada aos subalternos e às mulheres, claro.  Quem nunca ouviu alguém dizer "estude para não virar lixeiro!".  Limpar a casa ou seu local de trabalho ou o espaço público não deveria ser instrumento de humilhação e discriminação, mas é, afinal, em nossa tradição escravista isso reforça as hierarquias sociais.  Faxinar é coisa para quem não estudou ou coisa de mulher, seja sua mãe, esposa, filha, ou a empregada, não raro, uma mulher negra, gente que ganha pouco ou que nada ganha por seus serviços.


Semana passada noticiou-se por aí que  uma pesquisadora britânica tinha descoberto (*coisa que eu li nos anos 1980, mas abafa o caso*) que as meninas deveriam brincar menos com bonecas e brinquedos ditos femininos, porque eles reforçam a passividade, e mais com brinquedos masculinos, como blocos de montar (*Masculino?????*), porque eles estimulam a criatividade.  Obviamente, ela está certa, no entanto, como construir meninos e meninas separados, diferentes e hierarquizados em uma sociedade patriarcal sem esses signos, essas diretrizes?  Não dá, certo?

Enfim, era só apra despejar minha indignação.  Até o lego está gendrado em nossos dias.  Joguem girl + Lego no Google e vejam o que vocês recebem.  Eu queria uma imagem para ilustrar o post... De qualquer forma, não deveria haver brinquedos de menina e de menino, as crianças deveriam ser o mais livres para escolher com o que brincar e como brincar.  Infelizmente, não é assim e a doutrinação precisa começar cedo, vide o macacão que deu origem ao post.

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1 pessoas comentaram:

E como ir contra a corrente? Dá um trabalhão.
Nunca fui de doutrinar minha filha e ficava frustrado de não encontrar roupas pra ela que não fossem rosa ou similares. Sempre tentei diversificar os programas que ela via, não limitar seus brinquedos, mas mesmo assim, certas coisas ela acabou pegando só de conviver com outras crianças ou ver TV. Essas separações de "coisa de menina" e "coisa de menino" estão tão entranhadas na sociedade que se eu tento explicar pra ela que isso não existe, ela me olha com aquela cara de "tá doido, pai?".
Confesso que relaxei um pouco com isso e acabo deixando de lado, meio que conformado com a derrota. Não desisti de tudo, mas não esquento mais tanto a cabeça.

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