terça-feira, 5 de abril de 2016

Comentando o retorno de Os dez Mandamentos

 

Preciso fazer um novo texto de Êta Mundo Bom e de Velho Chico, mas, como ontem estreou a nova temporada de Os Dez Mandamentos, estou tomada por certa urgência para comentar.  No momento, estou acompanhando três novelas, já que Os Dez Mandamentos acabou de estrear, e considero isso um absurdo de perda de tempo... Pior é que quando Velho Chico der seu novo salto no tempo, não irei me livrar de uma delas, afinal, estréia Liberdade Liberdade e eu precisarei dar uma olhada até por dever de ofício.  

Enfim, se você acompanha o blog, viu que eu não fiz nenhum post quanto a primeira temporada acabou.  Fiquei muito decepcionada com a forma como a Record optou por cortar a ação.  Não foi um gancho, por assim dizer, mas uma interrupção da narrativa para privilegiar o filme do cinema.  Imagino que as cenas relacionadas à destruição das primeiras tábuas da Lei e do bezerro de ouro, assim como a morte de Apuki (Heitor Martinez), sua esposa (Nanda Ziegler) e filho estejam no filme.  O fato é que começarem com um flashback (*o sonho de Ana*) não foi uma escolha feliz, por assim dizer.  Ficou confuso.  Fora que a morte de Judite, uma israelita fiel, não consegue se justificar, salvo se toda a família, com Ana incluída, fosse mortos.

Apuki desperdiçado.
Ademais, e acho que comentei no Twitter ou em outro lugar, considero que a autora, Vívian de Oliveira, errou ao transformar Apuki em vilão dessa transição do deserto.  Sendo uma novela religiosa, ele deveria ser usado para ilustrar arrependimento e conversão.  A cena dele pintando o umbral da porta com o sangue do cordeiro foi um ponto de virada muito importante, mas a autora e seus colaboradores decidiram ignorá-la.  Em contrapartida, aliviaram o lado de Arão (Petrônio Gontijo), ele, sim, um traidor no caso do bezerro de ouro.  Arão, aliás, só se salva por ser irmão de Moisés (Guilherme Winter).

Nesse retorno, o vazio deixado pela partida do Egito – eram os egípcios que rendiam as melhores cenas – se tornou ainda mais profundo.  Não que o primeiro capítulo dessa nova fase tenha sido ruim, foi longo demais, isso foi, mas a história segue seu curso sem grandes atropelos.  O problema é que foi necessário preencher o vazio com uma nova corte e novas personagens.  Entram em cena os moabitas, inimigos dos hebreus ao longo de vários livros da Bíblia.

Arão só sobrevive, porque Deus ouve a súplica de Moisés.
O primeiro problema em relação aos moabitas é a falta de referências visuais.  Estão compondo no vazio, por assim dizer.  E eu não gostei do figurino e a rainha tinha uma pinta de nova rica alpinista social.  Fora isso, há muito cetim, o rei, aliás, usa calças compridas de cetim, e tudo parece muito brega se comparado com o Egito (*que já era meio brega...*).  Tive vontade de perguntar se não tem um Esquadrão da Moda disponível para salvar esse povo de Moabe.  A produção, neste aspecto, pelo menos, pareceu mais pobre.  As novas personagens introduzidas são todas fictícias e o primeiro capítulo colocou em cena Jetro (Paulo Figueiredo), seu genro Menahem (Jorge Pontual), e as filhas que não estão no acampamento hebreu, Adira (Rayana Carvalho) e Betânia (Marcela Barrozo).

Até o capítulo de hoje, Jetro me pareceu uma personagem muito sensata.  Impossível não ter sacado que o convite (*coercitivo*) do rei de Moabe era uma armadilha.  O climão tenso marcou todas as cenas na terra de Moabe.  Além disso, Jetro parecia aqueles crentes bandeirosos, que esfrega sua fé superior a cada duas frases na cara dos outros coleguinhas.  Nesse caso, teria  sido melhor se recusar a ir.  Só que para que essas tramas inventadas andassem, ele tinha que ir até Moabe.

Leonardo Vieira como sacerdote malvado.
Talvez, reviver o passado de Betânia – que foi sacerdotisa pagã – possa render cenas interessantes.  Leonardo Vieira – apesar da composição exagerada do sacerdote Balaão – é um ótimo ator.  Nesse primeiro capítulo, ficamos sabendo que Betânia teve uma filha com ele e entregou a menina para ser sacrificada aos deuses com o coração pesado.  Balaão diz que a menina está viva... Já deu até para sacar quem é a filha dos dois, mas isso só será revelado aos poucos.  Já Adira, caiu nas graças do soberano de Moabe, mas ela é casada e a negativa de Jetro em cedê-la ao rei gera uma tragédia... Foi bom o gancho do final do capítulo, como bem comentou o Nilson Xavier.

De resto, os hebreus continuam meio chatos.  Miriã (Larissa Maciel) tocando sua harpinha (*porque líder e profetisa a novela não permite que ela seja*) e depressiva com o chove e não molha com Hur (Floriano Peixoto); Ana (Tammy di Calafiori) e Josué (Sidney Sampaio) ainda não resolvidos por conta da morte dos pais dela; as irmãs de Zípora (Gisele Itié) cheias de fogo e querendo arranjar marido; um dos filhos de Arão querendo arrumar esposa e apaixonado por uma mocinha nova na história que é revoltada e arredia... Corá continua Corá, rancoroso, invejoso, conspirando sem que os heróis pareçam perceber, e o ator, Victor Hugo, é tão bom que ele talvez possa ser um vilão que console a gente pela perda de Yunet (Adriana Garambone).  Quem sabe?

Adira deve virar centro de um grande drama.
O fato é que a fase do deserto não deve ser tão legal quanto a anterior, mas a gente se afeiçoa às personagens e segue dando uma olhadinha na trama.  Como ainda há muito o que contar, espero que a autora equilibre as tramas paralelas não suplantem o texto bíblico.  Enfim, é isso.  Não foi um retorno empolgante, mas deve ter atraído uma boa audiência para a Record.  Ainda assim, a transição não foi boa, a forma como a novela terminou e foi retomada foi bem desrespeitosa para com a audiência.

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