segunda-feira, 16 de maio de 2016

Comentando X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido (X-Men: Days of Future Past)



Hoje assisti finalmente X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido (X-Men: Days of Future Past), afinal, o terceiro filme estréia na semana que vem e eu não quero fazer como fiz com Capitão América, ainda mais quando se trata de um filme que, efetivamente, representa uma espécie de continuação em relação ao anterior.  Enfim, gostei muito do filme.  Ele foi enxuto, com um roteiro amarradinho, mesmo que com alguns furos, e um elenco muito bem articulado.  Lembro que fiquei muito triste por não ter visto no cinema, a tela grande teria dado mais emoção, claro, mas não tem como fazer diferente.  O Blu-ray estava aqui em casa faz tempo, deveria ter pego antes para assistir.

A história do filme, que se baseia na saga "Dias de um Futuro Esquecido" (1981), de Chris Claremont e John Byrne, trabalha com uma dupla temporalidade.  No futuro, os mutantes – e humanos que fossem seus aliados ou pudesse gera-los – são perseguidos, aprisionados e mesmo aniquilados pelos sentinelas.  O que se sabe é que a terrível arma foi desenvolvida a partir da incorporação de conhecimentos sobre o código genético de Mística (Jennifer Lawrence), a mutante capaz de se transformar em qualquer pessoa e replicar suas habilidades e/ou poderes, no caso dos mutantes.  Ela teria assassinado o Dr. Bolivar Trask (Peter Dinklage), o gênio por trás das sentinelas e que fazia pesquisas e experimentos usando mutantes.  

Kitty Prid e seu super poder.
Após o assassinato, Mística foi capturada e utilizada em pesquisas com o intuito de destruir os mutantes.  No futuro, encurralados, o Prof. Xavier (Patrick Stewart) e Magneto (Ian McKellen) enviam a consciência de Wolverine (Hugh Jackman) para seu eu do passado. Em 1973, ele precisa encontrar os jovens Xavier (James McAvoy) e Magneto (Michael Fassbender), convencê-los de que veio do futuro para que juntos possam alterar o trágico destino dos mutantes e de vários humanos, também.

Ah, foi um prazer assistir este filme.  Depois da semi-decepção do filme Guerra Civil foi muito bom ver um filme com super-heróis da Marvel bem executado, com um roteiro que funcionasse mesmo que com alguns problemas óbvios.  Eu já tinha gostado muito de X-Men: Primeira Classe e ver a evolução de algumas personagens foi muito gratificante.  Acredito que os que mais cresceram foram Magneto, que é interpretado de forma bem cínica pelo Fassbender, e a Mística da Jennifer Lawrence.  Ambos os atores dão um tom muito diferente às personagens do que o que vimos na primeira trilogia dos X-Men, verdade.  

Bom rever a Tempestade.
Meu marido não cansa de dizer que não consegue ver as mesmas personagens de Patrick Stewart e Ian McKellen em seus “eus” mais jovens, especialmente o James McAvoy.  Sim, pode ser verdade, afinal, são outras interpretações, só que eles estão em outra fase da vida, também.  Os caras passaram por muita coisa antes de chegarem lá no que foram nos antigos filmes e neste último.  Aliás, uma das coisas boas deste filme é poder rever parte do elenco dos filmes dos X-Men.  Apesar dos poucos diálogos, afinal, os caras estão em uma luta de vida e morte contra os Sentinelas, foi especialmente legal Halle Berry de volta como Tempestade.  Não posso falar o mesmo de Shawn Ashmore e Ellen Page, pois eles não fazem muita coisa na primeira trilogia, mas vê-los novamente não deixou de ser interessante, também.

Voltando lá para a Mística, acho que ela foi a melhor coisa do filme, sabe por quê?  Porque ela é a personagem feminina quase solitária no meio daqueles homens no passado e, ao mesmo tempo, é ela que vai mobilizar toda a trama e expor o machismo do Xavier.  Que Magneto não vale nada, ou melhor, que ele sacrificaria os amigos por sua agenda política, a gente sabe.  Aliás, ele volta a fazer isso neste filme, mas Xavier é que precisa tomar consciência de que não tem o direito de tutelar a Mística e que parte do estranhamento entre eles não fruto somente da paixão frustrada da moça, mas do fato dele querer dominá-la.  O filme mostra o empoderamento da Mística e isso nada tem a ver com ela ser boazinha, ou malvada, mas de ser respeitada nas suas escolhas e considerada tão racional e competente quanto os homens em cena.

Mercúrio estará de volta no novo filme?
Outra coisa legal do filme foi o Mercúrio (Quicksilver) de Evan Peters.  A personagem ficou muito mais legal do que a do filme dos Vingadores, o ator é muito simpático e, bem, as cenas com ele foram ótimas.  Destaque, claro, para a cena em que ele salva todo mundo usando seus poderes.  Ela ficou criativa, plástica, bem humorada e bonita até.  Nesta cena, aliás, ele aparece usando um walkman.  Eu fiquei meio de cara e fui fazer uma pesquisa.  Bem, ele não deveria estar usando aquilo, especialmente um fone orelhinha, mas meu marido me deu um toque que devo guardar para futuros problemas assim: a ciência no mundo dos super-heróis é muito mais avançada que a nossa.  Verdade, isso mata qualquer discussão sobre o maldito aparelho.  Voltando ao Mercúrio, o filme sugere a paternidade do moço e a cara que o Fassbender faz foi impagável.

Que outros pontos comentar?  À princípio, é complicado ver um Xavier sem poderes.  Quando vi os trailers e algumas cenas soltas, como a do Mercúrio que citei, foi estranho vê-lo andando.  Entender que ele estava submetido a um tratamento e que a droga de Fera (Nicholas Hoult) promovia uma troca cruel, ele andaria, mas perderia os poderes foi interessante.  Xavier amargo e sem esperança, viciado em drogas é algo que a gente não espera ver mesmo.  E foi muito boa a interação do McAvoy com o Hugh Jackman, que é sempre excelente na sua composição do Wolverine.

Quem é o vilão, afinal?
Fica difícil definir que é o vilão do filme.  O Dr. Trask é um cara mau.  A analogia que se quer fazer é entre ele e os médicos de campo de concentração, claro.  Na sua busca de uma arma contra os mutantes, que ele vê como ameaça à humanidade, ele os tortura, dilacera, mata para obter informações médicas e do seu DNA.  É fácil compreender o ódio de Mística e a cena dela vendo os arquivos foi muito boa.  Jennifer Lawrence e Peter Drinklage são muito bons e tornam a sequência na qual ela toma a forma do doutor uma das melhores.  Só que há Magneto e ele mais que nunca cresce como vilão e de poderes mais que evidentes.  Aliás, Magneto é a pior propaganda que os mutantes podem ter e poderia ser a melhor desculpa para uma perseguição a todos eles.

Voltando ao futuro, porque no filme não há presente, temos os novos poderes de Kitty Pride.  Eu sei que há liberdade para criar, mas achei muito estranho que uma super-heroína que tem como habilidade atravessar superfícies sólidas me aparecer com um poder tão espetacular quanto enviar consciências para o passado.  Gostei muito da Blink (Fan Bingbing).  Não conhecia a heroína e seu poder para abrir portais ficou bem impressionante mesmo.  Já que estou falando das personagens femininas, preciso tentar estabelecer se o filme cumpre, ou não, a Bechdel Rule.  Bem, há várias personagens femininas com nomes, mas elas não conversam entre si.  As conversas são geralmente delas com as personagens masculinas.  Agora, o filme tem algo de feminista se levarmos em conta a forma como a personagem da Mística é construída.

Blink e seus muitos portais.
Falando do futuro, ele foi composto de forma desesperadora.  Escuro, frio.  A caçada aos mutantes tinha sido eficaz e eles estão reduzidos a um punhado de indivíduos lutando pela sobrevivência.  As seqüências dessa luta desesperada foram muito bem produzidas e este futuro claustrofóbico e sem esperança deu ao filme uma dimensão de seriedade que não pareceu artificial, mas bem palpável e fácil de sentir, por assim dizer.  Afinal, são personagens queridas que vemos sofrendo e morrendo em rápida sucessão.

Concluindo, não gostei do filme trabalhar com a idéia de uma única linha temporal.  Fica claro que o roteiro não trabalha com múltiplas realidades, ainda que trabalhe com a possibilidade de eventos incontornáveis, porque é dito que Kitty Pride está enviando a consciência de Bishop (Omar Sy) e outros companheiros para o passado com o intuito de evitar que os Sentinelas os destruam.  Dito isso, ela está mudando a mesma linha temporal faz muito tempo.  E o mesmo é mostrado ao final com Wolverine acordando no futuro.  Já a informação de que Kennedy, o presidente, era um mutante poderia ser melhor trabalhada.

Mística.
É isso.  Ficou curta a resenha, eu sei, mas não queria dar muitos spoilers.  X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido é muito bom e manteve a peteca lá em cima para o último filme da trilogia.  Se não é fiel ao quadrinho original – que eu não li, minha referência é o desenho animado que passava nos anos 1990 – não faz mudanças desastradas como no caso de Guerra Civil.  Fora isso, dá uma dignidade e presença muito grande para a Mística e apresenta em tela – pelo menos no futuro – vários motivos pelos quais os X-Men são tão queridos, a sua diversidade com a presença de mulheres e várias etnias diferentes no grupo e a forma de abordar problemas contemporâneos utilizando as personagens.  Agora, é torcer para conseguir ver o terceiro filme o mais rápido possível, pena que já sei que nãos erá na sexta-feira da estréia,

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1 pessoas comentaram:

O Mercúrio estará no próximo filme, sim. Tem até um trailer dele falando que o Magneto é o pai dele. ^^ Como a cena da cozinha foi uma das mais comentadas desse filme e parece ser considerada por muita gente a melhor da série junto com aquela do Noturno no início do segundo filme, deram um jeito rapidinho de trazer ele de volta. Vai ter outra sequência nesse estilo no próximo.

Fico feliz que você tenha gostado. X-men são meus supers favoritos. E gostei de todos os filmes, mesmo do terceiro da primeira trilogia que tanta gente fala mal. Espero que o próximo não decepcione.

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