segunda-feira, 13 de junho de 2016

Comentando X-Men: Apocalipse (X-Men: Apocalypse, 2016)


Faz exatamente três semanas semanas que assisti o terceiro filme da nova trilogia dos X-Men, Apocalipse (X-Men: Apocalypse).  Duas coisas a pontuar: primeiro, não posso acreditar que não teremos outro filme (*enfim, já sei que haverá, mas quando escrevi este parágrafo não sabia*); segundo, faz muito tempo que eu não sentia vontade de voltar ao cinema para assistir um filme de novo, só não o faço, porque as sessões mais cedo são todas dubladas, para ver legendado, teria que ir mais longe e, aí, não dá mesmo.  Nem tempo para escrever uma resenha mais complexa eu estou tendo.  Já me perguntaram se este terceiro filme seria melhor que o segundo, é difícil responder, mas como assisti Apocalipse no cinema, o impacto foi maior.  Também já vi muita gente detonando X-Men: Apocalipse, normalmente, gente que amou Guerra Civil.  Definitivamente, a percepção dessas pessoas é muito diferente da minha.  Sei que esta introdução de texto está bem louca, mas resumindo: assistam, vale muito a pena!

Vamos ao resumo tentando evitar spoilers mais gritantes.  X-Men: Apocalipse começa 3600 anos a.C., no Egito, onde um ser superpoderoso, En Sabah Nur (Oscar Isaac), pretendia transferir sua consciência para um outro corpo.  Uma conspiração, ao custo de muitas vidas, consegue prendê-lo no subterrâneo e derrotar seus aliados. Estamos agora em 1983, a agente da CIA Moira MacTaggert (Rose Byrne) investiga um misterioso culto, quando seus seguidores terminam por acordar En Sabah Nur.  O super ser está desnorteado com tudo o que vê, mas ciente de seus poderes e desejoso por dominar o mundo.  Vagando pela cidade do Cairo, ele termina por encontrar um jovem mutante, Ororo Munroe (Alexandra Shipp), que se torna a primeira dos novos Cavaleiros do, agora, Apocalipse. 

As primeira cavaleiras de Apocalipse.
Enquanto isso, Xavier (James McAvoy), junto com Hank McCoy (Nicholas Hoult), seu braço direito, abriu sua escola para jovens especiais e recebe um novo aluno, Scott Summers (Tye Sheridan), que não consegue controlar os seus poderes.  Na escola, reside uma poderosa mutante, Jean Grey (Sophie Turner), cujos poderes parecem maiores do que até os do próprio Xavier.  Magneto (Michael Fassbender) abdicou de seus poderes e se esforça por levar uma vida pacata em algum lugar da Polônia.  Seus dias de tranquilidade, porém, estão contados.  Um incidente revela sua identidade e precipita trágicos acontecimentos.  Enquanto isso, Mística (Jennifer Lawrence), promovida a grande heroína dos mutantes no último filme, que passou a agir como uma justiceira solitária que auxilia seus semelhantes, tenta encontrar Magneto e ajudá-lo, antes que seus inimigos o fação.  Só que é Apocalipse quem o encontra primeiro e o transforma em um de seus cavaleiros.  O terrível mutante deseja, também, que Xavier esteja a seu serviço.

A partir daí, os eventos se precipitam e os novos X-Men, contanto ainda com Mercúrio (Evan Peters) e Noturno (Kodi Smit-McPhee), precisam agir não somente para garantir sua liberdade em um mundo que os vê com desconfiança, medo e ódio, mas derrotar Apocalipse.  Já o vilão pretende dominar todo o mundo nem que para isso precise promover destruição em nível global e um número incontável de mortes.

Magneto só é bom, quando é mau.
Não sei se essa será a resenha que eu escreveria no calor do momento, quando saí muito impressionada do cinema, mas não tive condições de escrever o texto.  Sim, eu adorei este terceiro filme dos X-Men, iria assistir de novo sem problema e com gosto.  Perguntaram-me qual seria o melhor filme, se este, ou o segundo.  Como assisti o segundo na TV e, não, no cinema, diria sem problema que esse terceiro me impactou mais.  Agora, a cena do Mercúrio no segundo filme foi muito mais legal e, acredito, será lembrada, homenageada e satirizada por muito mais tempo.

Esse terceiro filme dos X-Men funciona tão bem, que mesmo aquela parte “Magneto, pai de família” que poderia soar exagerada e excessivamente melodramática deu certo, por assim dizer.  Ela serviu de gatilho para tirar o anti-herói, porque este Magneto do Fassbender não consegue ser vilã mesmo, do seu descanso e jogá-lo no meio da ação.  Claro, que para quem não entendeu ainda, esses novos X-Men não são o da primeira trilogia, são uma releitura a partir dela e dos quadrinhos.  Dito isso, também não são os X-Men dos comics, daí, não adianta chorar reclamando de mudança em suas origens – caso, por exemplo, dos cabelos da nova Tempestade – até porque sem essa mexida não teríamos a nova Mística, que é tudo, menos o capacho do Magneto e corpo a ser apreciado dos primeiros filmes.

A piadinha sobre a paternidade de Mercúrio
foi uma das melhores do filme.
Sim, eu amo essa nova trilogia.  Não vejo perfeição nela, mas aprecio a forma como conseguiram criar uma nova leitura de personagens queridos/as, como deram novo significado para a Mística, criando uma personagem que rompe com seus tutores homens, que se empodera e consegue um status de anti-heroína que ninguém esperava que ela pudesse alcançar.  Jennifer Lawrence deve ter tido importância nisso, porque para manter uma estrela do seu calibre atrelada à produção, seria necessário oferecer mais do que a média.  Aliás, a própria trilogia atrasou por causa dela, dos seus compromissos com a série Jogos Vorazes.

Verdade que a polêmica do outdoor de propaganda da Fox expôs o quanto a imagem de uma personagem feminina, mesmo sendo ela a mais poderosa do filme (*e falo de poderosa não por conta de seus poderes mutantes, que fique claro*), continua frágil.  Como coloquei no meu texto, que muita gente no Facebook odiou, o outdoor não me pareceu ofensivo, no entanto, Apocalipse bate e humilha todo mundo, porque só colocaram a Mística sendo maltratada por ele na propaganda?  Deveriam ter feito pelo menos um outdoor com o Xavier.  Quer coisa mais aterrorizante do que ver o grande líder dos mutantes em situação de terror diante de um inimigo tão superior?  Só que, aí, não pode.  Heróis homens não podem aparecer em situações constrangedoras ou submissas na propaganda.

A imagem da discórdia.
Agora, mais do que o escândalo da propaganda, que não me causou impacto, repito, foi saber que a personagem Apocalipse foi co-criada por uma mulher, Louise Simonson,e que ela foi deixada à margem da produção, na medida que seu nome não foi citado nos créditos e ela não foi convidada para a première do filme.  Sei que no mercado norte americano personagens tendem a pertencer às editoras, mas autores de sagas e criadores de personagens tendem a ser celebrados, vide Stan Lee (*Que eu adoro!*) sempre aparecendo, mas é possível, aceitável e gera escândalo marginal que uma mulher artista seja ignorada.  Daí, fica fácil dizer que mulheres não fazem quadrinhos importantes (*fora do Japão*), não tem imaginação e, enquanto isso, suas criações e criaturas estão enchendo os bolsos dos donos de estúdios e editoras.

Já que comentei sobre a autora, vamos ao vilão.  Eu nunca li nenhum quadrinho dos X-Men com Apocalipse.  Minha lembrança dele vem da animação que a Globo exibiu nos anos 1980.  Mas não pensem que eu não li alguma coisa de X-Men.  Li muita coisa do início da segunda formação, a saga de Shiar, mas o que eu li foi comprado em sebo, tudo fragmentado e incompleto. Eu não tinha renda, quando comecei a ter era bolsa de pesquisa na universidade, e dinheiro para quadrinhos era pouco e desviado de outras funções.  Enfim, mas eu sempre gostei dos X-Men, embora nunca tenha achado tanta graça em Apocalipse.  Na verdade, tendo a não gostar de personagens superpoderosas e meu medo em relação ao filme era de que não conseguissem entregar um Apocalipse que convencesse.  

Xavier apanha muito mais de Apocalipse
 do que Mística neste filme.  Cadê os outdoors?
Sério, gente, chega de vilões ridículos (*Sim, estou falando de Guerra Civil e outros filmes do universo dos Vingadores*), mas se você anuncia um super vilão cria a necessidade de um confronto à altura.  Enfim, não somente o Oscar Isaac – que eu só fui saber que estava nos filmes olhando os créditos e surtei – consegue dar dignidade e imponência ao vilão, como o roteiro entrega um confronto final decente entre ele e os X-Men.  Confronto este que coloca em evidência o trabalho de equipe como chave para a vitória do grupo. Sim, X-Men é equipe e, não, o brilho de uma só personagem.  É isso que a nova Mística precisava aprender e aceitar, a possibilidade de fazer parte de uma equipe, sem que para isso precisasse ser subordinada, subalterna.  O roteiro nos entrega isso e oferece uma Jean Grey muito melhor do que a da primeira trilogia que, para mim, sempre foi uma escolha ruim. 

Cabe então destacar que na média o elenco da nova trilogia é superior ao da primeira.  Não falo de James McAvoy e Michael Fassbender, porque os seus intérpretes originais, Patrick Stewart e Ian McKellen, são bárbaros.  Aí, a coisa está equilibrada, mas do restante do elenco.  Jennifer Lawrence, Nicholas Hoult, Evan Peters e, agora, Tye Sheridan e Sophie Turner são muito bons, ou foram muito bem dirigidos.  Nesse sentido, a qualidade geral das atuações é superior.  Alexandra Shipp foi uma boa Tempestade, mas neste filme ela ainda não é parte da equipe e não consigo separar muito bem Halle Berry da mutante.  A atriz veterana vestiu e veste ainda muito bem o manto de Ororo.  Agora, inferior mesmo, ou mal aproveitado foi Kodi Smit-McPhee.  Talvez, seu Noturno consiga se desenvolver mais no próximo filme, mas em Apocalipse ele ficou aquém do que poderia ser.

Noturno não atingiu minhas expectativas.
Falando no que ficou aquém, bem, minha grande decepção no filme foi o Anjo (Ben Hardy). Há sempre o risco de uma personagem ser subaproveitada em um filme com tanta gente em cena, não dá para ignorar isso, no entanto, ele é uma das X-Men originais e ele foi reduzido à figuração de luxo.  Fora que não se explica lá muito bem, dada as origens aristocráticas do moço, o que ele estava fazendo prisioneiro naquele ringue de luta entre mutantes na Alemanha Oriental.  Vi gente reclamando da forma como Psylocke (Olivia Munn) no filme.  Os argumentos vão desde sua roupa fanservice, algo que é dos quadrinhos mesmo, até sua falta de importância no filme. Bem, ela apareceu mais que o Anjo, ela tem lutas legais, tem cenas com falas relevantes, afinal, ajuda o Apocalipse a reunir seus cavaleiros e, bem, não tenho nada a reclamar da personagem.  Agora, ao contrário do Anjo, eu nunca li nada da Psylocke, minha empatia ou antipatia anterior por ela inexiste, e isso pode pesar na minha percepção da coisa.   

Algo que gostaria de destacar, agora que a resenha caminha para o final, é a seqüência do Wolverine.  Hugh Jackman é o mutante e acredito que pouquíssima gente discorde disso, já sua participação no filme foi muito além do cameo e teve função importante para, junto com Mercúrio, aliás, fazer a ponte perfeita com o segundo filme da trilogia.  Violenta na medida, ele foi importante para ajudar os novos membros da equipe se safarem de uma situação meio sem saída.  Melhor de tudo, fez sentido.  Ótima sacada, também, foi aproveitar o momento para criar um elo entre Logan e Jean Grey.  Resta saber como o quarto filme vai usar isso, porque, bem, eu espero que Hugh Jackman não se aposente no terceiro filme do Wolverine.

Sophie Turner estreou muito bem como Jean Grey.
De resto, X-Men: Apocalipse finalmente coloca James McAvoy com a cara da personagem dos quadrinhos e Xavier tem grandes momentos no filme.  Há um deslize de roteiro – e que não é pequeno, aliás – que foi a não percepção por parte dele do reaparecimento de Apocalipse.  Ele, como maior telepata do mundo, deveria sentir alguma coisa, só que deixaram toda a carga para a nova Jean Grey, e minhas expectativas em relação a esta personagem são grandes.  Foi bom e foi ruim, por assim dizer.  

Falando nela, Jean Grey, ou mais especificamente nas mulheres do filme, X-Men cumpre perfeitamente a Bechdel Rule, assim como o anterior, aliás.  Mística continua sendo a personagem feminina preponderante, pois ninguém seguraria Jennifer Lawrence na produção sem isso, mas há várias outras personagens femininas com nome, falas, que conversam entre si e não somente sobre Magneto ou Apocalipse.  X-Men: Apocalipse não é um filme feminista, mas, como o anterior, aliás, não faz feio na representação das mulheres e no espaço que lhes dá ao longo do filme.  Decepção em relação às personagens femininas, se houve alguma, aliás, foi a presença irrelevante de Jubileu (Lana Condor), mas, enfim, de repente ela aparece no próximo filme de forma mais interessante.

A sala do perigo e Xavier ao fundo.
Ao terminar o filme, ver a sala do perigo e Xavier cadeirante ao fundo deu um arrepio.  O melhor é a nova Mística como instrutora.  Preocupa-me, quer dizer, já larguei de me estressar com isso, a temporalidade.  O povo do filme parece não envelhecer.  Já se passaram mais de vinte anos e pouco se nota de mudança nas personagens, mas, pelo jeito, vai tudo seguir ao estilo das atuais novelas da Globo nesse quesito.  Agora, o que me deixou louca, afinal, ao terminar o filme não tinha certeza se haveria um quarto, é que Mercúrio não consegue confrontar Magneto e contar que é seu filho.  Sim, pessoal, esse tipo de coisa me mobiliza, mesmo que Magneto não dê a mínima para a revelação, ela precisa ser feita!  É isso!  Se puderem, assistam X-Men: Apocalipse, porque vale a pena.

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1 pessoas comentaram:

Eles sabem como foi em números? Eu acho que se eles continuam levando filmes é porque muitas pessoas vão vê-los, eu prefiro o primeiro, porque eles têm tanta coisa digital. Oscar Isaac não sabia veio neste filme, feito antes ou depois de Star Wars? Na guerra nas estrelas 7 eu realmente gostei de seu personagem mais ele é um bom filme. Devo dizer que JJ Abrahams eo resto da equipe fez fantasticamente justiça fez tantos anos de espera. Por certo, eles vão passar por HBO, Star Wars filmes são tão bons que nunca me canso de vê-los novamente e novamente.

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