quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

"Quem matou foi o namorado?"


Minha filha tem três anos.  Estamos de férias no Rio de Janeiro, na casa da vovó e do vovô.  Eles assistem muitos noticiários populares no SBT, Record e Bandeirantes.  Isso significa que vários crimes são narrados e a criança é como uma esponja.  Fora isso, Júlia sempre está atenta,  mesmo quando parece distraída.  Hoje, Datena estava mostrando o enterro da professora de ioga gaúcha que estava fazendo turismo em Florianópolis.  Ela foi morta quando ela e o marido entraram em uma comunidade (*tem isso em Florianópolis, também*) por engano.  Mais um erro de GPS.  Segue o diálogo curto entre minha mãe e a filhinha:

Vovó: "Mataram a moça."
Júlia: "Quem matou foi o namorado?"

Expliquei que foi um crime comum, mas Júlia já percebeu a grande quantidade de feminicídios e ela está  associando namorado e assassino, pois, não raro é  quem diz que ama que comete o crime.  É péssimo isso, pois a maioria dos namorados-marido-companheiros não mata, mas, infelizmente, a maioria das mulheres mortas no Brasil são vítimas dos homens que diziam amá-las.  Espero que a criança compreenda isso, também.  Sendo tão atenta, talvez, ela já saiba disso, mas a  pergunta me deixou triste e alarmada ao mesmo tempo.

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