domingo, 4 de março de 2018

Comentando Me Chame pelo seu Nome (Call Me by Your Name, 2017)


Quinta-feira, assisti em casa mesmo (*infelizmente*), Me Chame pelo seu Nome, outro dos fortes candidatos ao Oscar e um dos filmes mais elogiados de 2017.  Baseado no premiado romance de mesmo nome de André Aciman e com roteiro do experiente diretor James Ivory, o filme é muito bonito e se trata de mais uma história de passagem da adolescência para a idade adulta (*coming of age*), assim como Lady Bug, só que focado no despertar afetivo e sexual do jovem Elio, interpretado de forma muito competente pelo jovem Timothée Chalamet, e um homem mais velho.  Não vou esconder os defeitos que eu vi no filme, a lentidão excessiva em alguns momentos e a longa sequência final desnecessária, são os dois principais, mas é um ótimo filme e mereceu ser indicado ao prêmio principal e às outras categorias nas quais foi listado.

Norte da Itália, 1983, o jovem Elio passa férias preguiçosas com a família, que tem uma rica origem multicultural.  Elio é introspectivo, leitor voraz e tem um grande talento para a música. A vida pacata do adolescente é abalada pela chegada de Oliver (Armie Hammer), um orientando de seu pai (Michael Stuhlbarg), um importante arqueólogo.  Elio fica incomodado pela presença de Oliver, ao mesmo tempo que se sente fascinado pelo jovem.  Frustrado, sem saber como se fazer compreender, Elio termina se envolvendo sexualmente com uma amiga, Marzia (Esther Garrel) e tenta, talvez sem nem compreender a extensão de seus atos, fazer ciúmes à Oliver.  Já o jovem arqueólogo, fica indeciso entre o avançar e ignorar o que sente pelo rapaz, afinal, Elio é somente um adolescente e Oliver teme ferir seus sentimentos, além de ofender os pais do rapaz, que lhe deram tanta hospitalidade.

Trata-se de um filme muito sensual
e erótico sem ser explícito.  
Quando Me Chame pelo seu Nome estreou, acho que estava no Rio, de férias.  As sessões eram distantes e os horários nada acolhedores.  Deixei passar.  Pensei, também, que seria mais um filme sobre a mesma coisa, adolescente que se apaixona por um adulto e vive seu primeiro amor, aquele que o marcará para toda vida, só que mostrando um romance entre dois homens.  O filme é basicamente isso, só que com excelentes interpretações, belíssima fotografia e com alguns momentos realmente tocantes.  Da mesma forma que o diálogo entre mãe e filho em Lion justificaria um Oscar de Atriz Coadjuvante, a conversa entre Elio e seu pai deveria garantir para Michael Stuhlbarg pelo menos uma indicação.  O ator, que está em Me Chame pelo seu Nome, A Forma da Água e The Post, todos filmes indicados, não foi indicado por nenhum deles.  Trata-se de uma das maiores injustiças que eu já vi e olha que o Oscar não é sinônimo de justiça.

Estou com isso dizendo que Me Chame pelo seu Nome é um filme banal?  Não, estou apontando o que ele é aos meus olhos e que eu já vi o mesmo filme antes, mas nenhum com um ator tão jovem e competente quanto Timothée Chalamet.  Não torço por ele para Melhor Ator, e ele já é o mais jovem indicado nesta categoria, pois não acho muito saudável que jovens atores, ou atrizes, recebam prêmios assim tão cedo.  Neste caso, se ocorrer, pelo menos será por um papel que realmente foi exigente e que exigiu uma grande entrega do intérprete.  Chalamet fala em três idiomas no filme (*inglês, francês e italiano*), além de tocar piano.  Pelo que li, ele realmente interpretou todas as peças.  

Elio não tem nenhum gaydar.
O ator também convence como o adolescente que oscila entre múltiplas emoções, ora, assustado e tímido, ora, ousado, mais adiante sedutor, em seguida infantil e fragilizado.  Repetindo, se não é fácil para alguém muito experiente, muito menos para quem está iniciando a carreira.  E Chalamet estava em Lady Bug e, bem, que diferença entre uma interpretação (*ele era o garoto rico, promíscuo e revolucionário da boca para fora que falava len-ta-men-te*) e outra.

Algumas críticas que vi, uma delas assisti no Youtube em um canal especializado em filmes LGBT, foram negativas.  O filme foi acusado de ser superestimado, chato, lento demais.  Olha, o ritmo do filme, que é dirigido por um italiano, Luca Guadagnino, me pareceu um filme europeu e, não, norte-americano.  A escrita de Ivory, que já nos deu Uma Janela para o Amor, Vestígios do Dia, Maurice (*um filme com temática gay*), Retorno a Howards End etc., não costuma fazer concessões.   Daí, o filme não me pareceu ter sido feito pensando nas audiências dos EUA, como, por exemplo, Orgulho & Preconceito de 2005, mas pensando-se como um produto europeu de qualidade que poderia cair no gosto do resto do mundo. E caiu.  Pode não ser o seu tipo de filme, mas Me Chame pelo seu Nome não é de forma nenhuma um filme fraco, ruim, chato.  É lento, verdade, mas acredito que muita gente nem tenha percebido, porque a fotografia é tão linda que a gente fica meio que anestesiado.

Fazendo as pazes.
Outro ponto, os protagonistas do filme foram vendidos por muitas resenhas como gays.  O que eu vi foi dois homens bissexuais.  Elio certamente não tinha consciência de sua orientação sexual, mas Oliver, sim.  Ambos se relacionam com mulheres, e se eu tivesse desgostado do filme poderia escrever que eles usam mulheres, e parecem gostar de transar com elas.  Agora, amor mesmo, é outra história, é entre Elio e Oliver.  Como o filme está carregado de referências clássicas, cabe lembrar que amor verdadeiro, ao estilo grego, precisa ser entre iguais.  Agora, falando em transar, acredito que tenhamos mais cenas de sexo hetero do que gay em Me Chame pelo seu Nome, talvez, isso não tenha agradado a muita gente que pensou que assistiria um romance homossexual.  Curiosamente, há quem não enxergue a bissexualidade correndo solta no filme.  E já me avisaram que, no livro, a questão fica muito mais explícita.

Me Chame pelo seu Nome é um filme de época, daí a naturalidade com que Elio, um adolescente de 17 anos, compra cigarros e fuma com a maior liberdade e em local público.  Daí, eu me pego pensando no quanto sou velha.  Em 1983, eu era criança, já estamos na segunda década do século XXI, eu sou uma peça do século passado.  O que estou encaminhando aqui é o seguinte: trata-se de um filme pré-AIDS.  Ninguém se preocupa em usar proteção, ninguém fala disso.  As pessoas transam e pronto.  E a coisa era bem assim nos meios mais liberais, como o da família de Elio. Talvez, os pais de Elio, que seriam o sonho de muita gente, não vissem com tanta complacência a relação do filho com Oliver se já estivessem vivendo o momento da epidemia.

É com Marzia que Elio perde a virgindade. 
E ele não foi constrangido por ninguém.
Falando de Oliver, no filme, ele tem 24 anos. Isso não é ser muito mais velho para nossos padrões brasileiros, mas nos EUA pode gerar uma celeuma muito grande.  Lembro de quando, em um fórum norte-americano de animes, uma moça acusou Mamoru de ser pedófilo, porque, bem, ele tinha 17-18 anos e Usagi, 14 anos, no início da história.  enfim, o ator, Armie Hammer, deve ter gravado o filme com 29-30 anos e ele parece ter essa idade.  Chalamet parece mais jovem, mas Hammer poderia interpretar alguém que tivesse 35 anos e seria convincente.  Daí, reforçou-se – se propositalmente, ou não – a diferença de idade entre os dois.

Eu gostei de Oliver, porque ele tem dúvidas e escrúpulos.  Ele não quer magoar o jovem.  Até é rude com Elio para afastá-lo.  Ao contrário de Elio, ele não parece vir de uma família liberal.  Oliver não é de forma alguma o adulto insistente e assediador, mas alguém que se apaixona e só aceita a situação quando a coisa se torna irreprimível.  Não vou dizer que o pai de Elio não dê um empurrãozinho, explicarei isso mais adiante, mas nada acontece na primeira hora de filme entre os dois jovens.  Nada.  Eles se conhecem, eles se estranham, eles se divertem, eles passeiam, eles namoram mulheres.  Talvez, esta uma hora “perdida” tenha incomodado muita gente.

Seria a estátua do amante do imperador Adriano?
E o que Oliver estuda?  Qual o assunto do livro que está escrevendo?  A coisa não fica muito clara no filme, mas o pai de Elio é arqueólogo e parece especializado no período Helenístico (323-146 a.C.).  O filme a todo tempo toca no homoerotismo da cultura grega clássica, do período helenístico e mesmo de Roma.  Em dado momento, fala-se do imperador romano Adriano e tenho quase certeza (*podem até ter falado no filme e eu perdi*) que a estátua tirada do mar é de seu amante adolescente, Antínoo, deificado por ordem do monarca depois de sua morte.  Mais adiante, quando Oliver está se roendo de dúvidas, pensando no rapaz, no beijo que trocaram, o pai de Elio lhe mostra slides com estátuas helenísticas que estavam em Berlim.  São homens de peito nu, homens bonitos, um deles com mamilos eriçados...

A arte Helenística, mesmo suas colunatas, era sensual.  Fora isso, a todo instante a relação entre Oliver e Elio parece se remeter a pederastia pedagógica que os gregos antigos cultivavam.  Um homem mais velho (erastes) tomava como amante um adolescente (eromenos).  Em Atenas, a relação era bem vista pela maioria, mas deveria atender alguns requisitos, um deles o de que a relação deveria ser rompida quando o jovem chegasse ao final da puberdade.  Dois homens barbados não deveriam ser amantes.  Em outros lugares e época, vide o dito período Helenístico, a coisa poderia ser mais flexível, mas, em linhas gerais, era isso.  Daí, há quem defenda que Antínoo pode ter cometido o suicídio ao chegar aos 20 anos, porque, tanto ele quando o imperador, cultuavam esse modelo clássico, e o jovem não suportou a ideia de uma possível separação.  

Para saber o motivo do nome do filme, assista-o!
A relação entre Oliver e Elio emula a do erastes com seu eromenos em todos os aspectos.  No pudor inicial do jovem, que não tem o mínimo gaydar, nos cuidados do amante mais velho com Elio, assim como na separação inevitável.  Afinal, trata-se de um filme que segue o padrão dos amores que são ritos de passagem e que, via de regra, acontecem no Verão.  Não vou enumerar os tantos dos quais me lembro, mas o único entre dois homens é Me Chame pelo seu Nome.

Além da questão da orientação sexual, assumi-la publicamente, ou não, há uma outra questão de identidade presente em Me Chame pelo seu Nome.  Tanto a família de Elio, quanto Oliver, que é americano como o pai do rapaz, são judeus.  Oliver não é capaz de ostentar a sua bissexualidade, teme sua família.  Já Elio, que acredita que sua família é a única judia daquela vila do norte da Itália, não é capaz de assumir-se publicamente como judeu.  Sua família é liberal, já coloquei lá em cima, e além da média, e a questão religiosa não é algo central na vida deles.  Na convivência com Oliver, Elio repensa sua identidade judaica e assume a sua orientação sexual com muito mais coragem do que Oliver, o adulto. Falando em questões religiosas, Aciman, o autor do livro original, é um judeu egípcio.  

Oliver era tratado como genro.
Só que, de novo, há o peso da família.  Talvez uma das coisas mais encantadoras de Me Chame pelo seu Nome é a família que acolhe. Pai e mãe que cuidam, que amam, mas que não sufocam.  Há uma cena chave com a mãe do rapaz (Amira Casar) em que uma visita, não sei se parente, italiana, diz que ela tem que ver o que está acontecendo com Elio (*ele teve um sangramento nasal... parecia coisa de anime*) e ela diz que não é necessário.  Mas que mãe é você?  A visita – e os italianos do filme me pareceram muito estereotipados – cobra dela.  Anella, este é o nome da mãe de Oliver, permanece inabalável na mesa conversando sobre política.  Mais adiante, no entanto, quando o filho liga aos prantos e pede para a mãe ir buscá-lo, ele deveria voltar de trem, ela não questiona, simplesmente pega o carro e vai.  

Me Chame pelo seu Nome definitivamente não é sobre mulheres, mas gostei da representação da mãe, ainda que, tanto o pai quanto ela, me pareçam muito o pai e a mãe dos sonhos de todo adolescente.  Em especial, a cena que deveria ser a última do filme, a conversa entre pai e filho, o acolhimento, é muito, muito bonita.  Só que algo que me ficou do filme é que, talvez, ele defenda que a sexualidade, a expressão do desejo, é muito mais fluída do que aquilo que a maioria acredita.  Não vou detalhar mesmo, assistam o filme, mas é nisso que eu acredito, também.

A família de Elio é liberal, mas a sociedade não é. 
Beijar em público à luz do dia, não pode.
 Falando nas cenas de sexo.  Enfim, Me Chame pelo seu Nome é um filme sensual.  Itália, verão, gente sem camisa, Armie Hammer e Timothée Chalamet são muito bonitos.  Gostei mais da sensualidade do que do sexo em si.  E há nudez, também.  Uma das cenas que causou certo furor, e digo que o filme é bem mais casto do que muita gente pensa, foi a da masturbação de Elio com um pêssego.  Foi mais sensual quando ele acariciou a fruta e a preparou, do que o ato de se masturbar em si, basicamente enfiar uma fruta já meio destroçada dentro do calção.  Daí, quando ele retira o fruto – visivelmente não era o que ele tinha enfiado dentro do short – Oliver chega.  Quando o amante tenta comer a fruta, a cena volta a ser sensual e erótica de novo.  O início e o fim foram legais, o meio, nem tanto.

Caminhando para o final, digo que a Bechdel Rule foi cumprida, porque temos mais de duas personagens femininas com nomes, mas ela só se cumpre, porque Anella, a mãe de Elio, e a criada, Mafalda (Vanda Capriolo) vão conversar sobre algum assunto doméstico.  Não gostei – e queria saber se está no livro – de colocarem uma foto de Mussolini em determinada cena.  Parece que se queria reforçar a cada momento que as tradições são mantidas na Itália, que italianos falam com as mãos e são expansivos (*talvez vale-se para o Sul, mas o filme se passa no norte, quase fronteira com a França*).  Estereótipos.  Se alguém leu o livro, por favor me ilumine, porque apesar de ter gostado de Me Chame pelo seu Nome, o livro original não entrou na minha lista de leituras futuras.

Uma das melhores cenas do filme vem no final. 
Viver e não amar é perda de tempo. 
 
Me Chame pelo seu Nome disputa o Oscar em quatro categorias: Melhor Filme, Melhor Ator (Timothée Chalamet), Melhor Canção Original (Mystery of Love, de Sufjan Stevens) e Melhor Roteiro Adaptado (James Ivory).  O filme levou roteiro adaptado no Bafta e acredito que leve o Oscar na mesma categoria.  Não sei canção, eu prefiro Remember Me de A Vida é uma Festa, mas não torço pelo filme nem na categoria ator, nem na de melhor filme.  E há um detalhe, um dos produtores do filme é o brasileiro Rodrigo Teixeira.  Se, por acaso, Me Chame pelo seu Nome vencer, um brasileiro receberá uma das estatuetas.  E não adianta me perguntar por qual motivo o filme se chama Me Chame pelo seu Nome, eu não vou dizer.  Recomendo que você assista ao filme.

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6 pessoas comentaram:

Outro comentário muito sensato e bom de ler. Acho que o filme leva Melhor Roteiro Adaptado e também prefiro a canção de Viva: A Vida é Uma Festa.

Parte 1

Excelente texto, Valéria. Já entrou para meus favoritos, junto com o seu de Cisne Negro e Moonlight. ^^

Revi o filme hoje e tenho de concordar que o ritmo é lento mesmo. Não me afeta e não acho que tenham cenas sobrando (com uma exceção), mas revendo percebi que de fato o diretor segura bastante. Acho que na primeira vez eu estava, como você colocou, anestesiado pela fotografia. E como eu já tinha dito em algum outro post, a sensação é essa que você falou mesmo, de estarmos assistindo a um filme europeu.

Só uma correção:: o Timothée Chalamet tem 22 anos e é o terceiro mais jovem indicado, não o primeiro. Em segundo lugar foi Mickey Rooney com 19 anos e em primeiro Jackie Cooper com 9.

"E Chalamet estava em Lady Bug e, bem, que diferença entre uma interpretação (...) e outra." Concordo totalmente! Aliás, não sei se você já viu alguma entrevista com ele, mas recomendo. A mudança dele é gigante. O ator é meio molecão. No filme ele consegue passar com tanta segurança e competência as nuances do personagem, o que ele está sentindo e todo o charme. Outra coisa que achei interessante é como ele tem o corpo magrinho e não se intimida. Não é à toa que tem meninas por aí fazendo vídeos dizendo que estão apaixonadas por ele por causa desse filme.

E sim, o diretor declarou que colocou o filme em 1983 por ser uma época pré-AIDS mesmo. No livro não há data, então ele poderia colocar quando quisesse. Essa questão da sexualidade aberta é trazida do livro também. O amor do Elio é o Oliver, mas ele está em fase de experimentação de gostos, sensações, prazeres e transa com a Marzia porque quer e gosta, ainda que a todo momento ele faça isso em reflexo ao Oliver. Mas ele também faz o contrário, ainda que menos. Diz que gostaria de ir para a cama com ele tendo o cheiro dela no corpo, se imagina fazendo um ménage à trois com os dois. O autor coloca bem en passant os questionamentos sobre homossexualidade. Não é o foco do livro mesmo. O importante para o personagem é experimentar prazeres, com a imagem do Oliver flutuando sobre a cabeça dele da primeira à última página.

Parte 2

Sobre a idade poder gerar muita celeuma nos EUA: pode, não, gerou. Tanto é que mais de uma crítica que li fazia questão de frisar que na Itália a idade de consentimento é 14 anos. E se você gostou da mãe, o mérito é do roteiro. Há uma personagem no livro, uma menina de dez anos que tem uma doença incurável, que ficou de fora. A cena da mãe comentando que o Oliver disse gostar muito do Elio era na verdade dessa menina. E meu livro está emprestado, então não teria como checar, mas que eu me lembre quando o Elio volta quem o busca é o jardineiro, não a mãe também.

Agora esse foco todo na cena do pêssego e as piadinhas que têm feito ao redor disso têm me cansado bastante. O coitado do Chalamet teve que ficar respondendo isso mil e uma vezes e várias resenhas ficaram fazendo gracinha com isso. Esse povo é tão infantil. O próprio ator pediu pro Kimmel não fazer piada sobre isso no Oscar.

Sobre a foto do Mussolini, aquela cena nem existe no livro. Quando o Elio se confessa para o Oliver, eles vão direto para o lugar secreto onde o Elio costuma ler livros e ficar sozinho. Não tem aquela parada para beber água. Pode ser que essa cena esteja em alguma outra parte do livro e eu não me lembre, mas acredito que foi invenção do roteirista mesmo. É a cena que eu comentei lá em cima estar sobrando, porque não acrescenta nada à história.

Quanto ao final, no livro a história continua por anos. Se não me engano até o Elio ter 38 anos e o Oliver 45. São narrados episódios específicos ao longo da vida do Elio na última parte do romance (são 4 partes no livro, acho). O término do filme é o primeiro desses episódios. Ele só se encontra pessoalmente com o Oliver anos depois, nos EUA, na universidade em que o Oliver dá aulas, quando ele já é casado e tem dois filhos crescidos e quando o Elio se convence a finalmente conhecer essa família. A história termina com o Oliver indo revisitar o Elio na Itália alguns anos depois ainda, quando os pais do Elio já tinham morrido. E fica em aberto o final dos dois. Acho que o diretor quis parar no primeiro dessa série de episódios porque é quando o personagem recebe o impacto sobre o noivado e pode se abrir para a dor que o pai dele o aconselha a sentir para não se fechar para a vida.

É isso. ^^

Ele é o mais jov3m para ator principal. Coadjuvante não é incomum indicarem crianças. Me referia a isso. 😉

"Outra coisa que achei interessante é como ele tem o corpo magrinho e não se intimida."
esse tipo de comentário não entra na minha cabeça, nao querendo ser SJW mas mano, seilá viu...

A história parece saída de um yaoi dos anos 80, quando a autoras gostavam de situar o enredo em cenários distantes do Japão.

E sobre a polêmica, ela tá longe de ser pequena. Um cara deixou de me seguir e pediu pra eu fazer o mesmo com ele no Tumblr porque eu rebloguei um gif do filme e ele "não defendia adultos f*** crianças" (aparentemente, eu defendo). Parece um daqueles casoa em que o furor de se provar "desconstruído" se casa com o velho puritanismo ianque.

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