segunda-feira, 19 de março de 2018

Mais vídeos de Orgulho & Paixão: A estréia é terça!

Vejo isso e penso em Noviça Rebelde... 
Orgulho & Paixão estréia na terça-feira e eu estou realmente curiosa para ver o resultado deste mix com seis livros de Jane Austen:  Razão e Sensibilidade (1811), Orgulho e Preconceito (1813), Emma (1815), A Abadia de Northanger (1818), Lady Susan (1871) e Mansfield Park (1814).  Curiosamente, Persuasão  (1818), que poderia render bastante caso colocassem um Capitão Wentworth negro, não entrou.  A novela será praticamente toda branca, o que é lamentável.  Pelas chamadas e informações, Mansfield Park parece ser a obra pior encaixada no todo.

Tammy Di Calafiori será uma Fanny
que em nada lembra a do livro.
Enfim, mas foram liberadas mais duas chamadas da novela, uma com Darcy e Camilo (Bingley) e outra focando em Jorge (Mr. Knightley) e seu amor por Emma.


Assim, continuo com o pé atrás em relação ao Darcy de Thiago Lacerda.  Nesta chamada em particular  Assim, continuo com o pé atrás em relação ao Darcy de Thiago Lacerda.  Nesta chamada em particular , ele parece ainda mais velho.  A não ser que invistam na narrativa de que Darcy é um solteirão, vai ficar difícil encaixar as coisas na minha cabeça.  Camilo-Bingley será bem diferente do original, também.  E não sei bem se sua mãe fará as vezes das irmãs, de Caroline, em especial, daí, de repente, ter esperanças em relação a este Darcy maduro, ou de Lady Catherine De Bourgh, a tia de Darcy.  Se bem que acredito que o velho Tacísio Meira, o pai inventado de Darcy, vai ocupar o espaço de Lady Catherine e tentar impedir o romance do filho. Mas não tenho curiosidades a respeito do pai, mas de como vão encaixar a irmã de Darcy, na novela chamada de Charlotte (Isabella Santoni).  Sem Wickham, seja ele interpretado por quem for,  sem a carta, os mal-entendidos, a trama central vai se afastar muito da história que a inspirou.


Gostei da Emma de Agatha Moreira desde que a vi e gosto muito do Murilo Rosa (*o que me faz ser um tanto complacente com os papéis que ele interpreta*), daí, espero que seja legal essa interação dos dois. Lamento que tenham inventado um pai e um avô para Emma.  Acho que seria mais interessante colocar o Marcelo Faria como irmão do Jorge e viúvo da irmã de Emma.  Aproximaria mais do livro.  E teríamos os sobrinhos.  Acho que vai faltar criança nessa novela, sabe?  Mas, enfim, gostei bastante desse vídeo e imagino que a Amélia (Letícia Persiles) não seja inspirada em nenhum livro de Austen.

E ficou um casal bonito, afinal.

Sim, eu já estou torcendo, mas que
demore a acontecer, como no livro.
Terminando, o Jornal O Dia do Rio de Janeiro trouxe uma matéria sobre a estréia da novela e fragmentos de entrevista com Nathália Dill.  Achei legal algumas coisas que ela colocou, a primeira foi que leu o livro e evitou assistir ao filme.  Nada contra o filme, mas foi uma escolha sensata.  Leiam os trechos:
"Eu fiquei meio assim de ver o filme. Não queria muito. Preferi me basear nos capítulos e no livro que eu li. Mas fiquei com vontade de ver o filme. Acho que vou ver. Agora já dá, já foi, já gravei 20 capítulos. Já posso ver o filme"
 "O que eu mais gosto da Elisabeta é que ela é colorida. Ela tem um leque de emoções: humor, drama, romance e ironia", enumera. "Ela não é ranzinza, sofrida ou amarga. Pelo contrário. Ela é pra frente, alegre, aberta e observadora"
Por esses dois trechos, acredito que ela captou bem o espírito da personagem original.  Espero que haja muito da Elizabeth Bennet, nessa moça que, infelizmente, decidiram chamar de Elisabeta.  Daí, ela observou, também que:
"A vida pessoal nunca esteve desatrelada à mulher. Tanto que as perguntas são muito assim: 'E filhos?'. São perguntas muito mais voltadas para as mulheres do que para os homens. Esse 'lar' sempre esteve muito em torno do imaginário da nossa sociedade e é mais difícil de desatrelar. Por isso, fica com essa expectativa de que 'não chegou lá' ou 'não conseguiu tudo' e que 'falta um pedaço do quebra-cabeça'. Acho que ainda temos que desatrelar mais um pouco"
"O que eu acho bonito é que os dois são deslocados do tempo. Ela não concorda com a mulher ser essa mulher que tem que servir, tem que "catar" um homem porque afinal de contas era a forma que as mulheres tinham de se sustentar. A economia era baseada assim. Se elas não podiam trabalhar, tinham que escolher um homem rico, era uma forma de sobrevivência. E ele também não concordava com essa postura de 'mulheres na prateleira'. Você vai e escolhe uma que lhe serve. Então, os dois se encaixam nesse lugar, que é fora do senso comum da época", defende Nathalia."
Pois é, ainda hoje as mulheres são medidas assim.  Se casaram, ou não.  Se tem filhos, ou não.  Quando os terão.  Quantos.  Quando leio Austen e seus livros de duzentos anos atrás, eu percebo essas inquietações na autora.  Ela questiona essas obrigações, isso é muito feminista, por assim dizer.  E ao escrever isso, não estou tentando colar um rótulo em Jane Austen de liberal ou o que seja, mas ela nada contra a corrente de seu tempo ao defender que os livros de história são injustos com as mulheres, porque os homens os escreveram, ou que o dote era motivo de sofrimento e barganhas insensíveis, além, claro, de falar de amor, de casamento por afinidade e, não, necessidade, dever, classe.  

Aqui, trocaram o azul pelo amarelo na roupa de Jane. 
Figurino e fotografia devem ser destaque na novela.
A rejeição de Elizabeth a Mr. Collins é um ato subversivo, de coragem e, também, de falta de compaixão para com sua família.  Elizabeth estava fugindo de seu dever para com a mãe e as irmãs que poderiam ficar desamparadas.  Não sei se haverá um Mr. Collins na novela, na legislação brasileira não havia o empecilho de mulheres herdarem propriedade, mas poderiam arranjar um primo rico e intragável.  Apesar da Elisabeta aparecer falando que não pensa em se casar e isso chocou muita gente, ela não pensa em se casar por obrigação, por dever.  E isso a Elizabeth original também pensa.  Agora, será um absurdo colocá-la sonhando com outras coisas?  Não.  É uma adaptação e havia mais possibilidades para as mulheres em 1910, data da novela, do que no momento em que Austen escrevia.

Sim, o figurino não é realista, ou historicamente
 preciso, mas está lindo.
Quanto ao segundo trecho, acredito que Nathália Dill conseguiu compreender bem a personagem de Darcy, o original, também.  Ele tinha mulheres atiradas sobre ele o tempo inteiro.  Rico, poderia escolher, e sentia-se enfadado. Mas eis que aparece Elizabeth e ele a rejeita, luta contra si, mas termina enredado.  Nas chamadas da novela, Darcy parece muito à vontade.  Isso é ruim, mas lembra o Darcy de Laurence Olivier, como eu já coloquei em outro texto.  De repente, teremos o ponto de vista de Darcy como em O Diário de Mr. Darcy, de Amanda Granger.  É um bom livro, aliás, e tem em português.  Já deveria tê-lo resenhado.  

Só uma coisa a dizer: "Alea Jacta Est".
Concluindo esse blá-blá-blá, apesar de tudo de importante que a Nathália Dill colocou, o título da matéria foi "Nathalia Dill revela sonho de casar e ter filho".  De doer, não é?  Reduziram tudo à maternidade compulsória e a necessidade de uma mulher arrumar um homem que lhe chama de sua.  Esperemos a novela.  Devo fazer algum texto sobre Tempo de Amar, também.  A novela termina hoje e eu assisti quase toda e gostei.

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