terça-feira, 1 de maio de 2018

Comentando Vingadores: Guerra Infinita (Avengers: Infinity War, 2018)


Quinta-feira passada, assisti Vingadores: Guerra Infinita.  Primeira coisa a registrar, está longe de ser um filme maravilhoso e impactante, mas ele é muito bom e puxa todas as cordinhas necessárias para manter a nossa atenção.  Segunda coisa, é muito superior ao segundo Vingadores e à Guerra Civil, o que, aos meus olhos, foi um alívio.  Terceiro ponto, Thanos, e isso em se tratando de filmes da Marvel é um grande feito, é um bom vilão, não o melhor dos filmes da franquia, mas superior à média.  Desafio será fazer uma resenha sem spoilers, ou, pelo menos, grandes spoilers, então, faremos o seguinte, para quem não se importar, eu farei um texto corrido e comentarei algumas coisas depois do trailer.

Thanos (Josh Brolin) deseja recolher as jóias do infinito (*que foram sendo introduzidas ao longo dos diversos filmes da Marvel*) e, para tanto, terá que enfrentar os Vingadores e outros super-heróis da Marvel.  Para enfrentar o ser que tem status de divindade, os Vingadores precisam unir forças com os Guardiões da Galáxia, ao mesmo tempo em que lidam com diferenças entre alguns de seus integrantes.  O que vem a seguir é uma luta desesperada em vários cantos da galáxia e que cobrará um alto preço de alguns dos super-heróis.  Eu sei, foi um resumo bem sintético, mas o que tiver que comentar a mais, virá depois do trailer para quem, como eu, não se importa com spoilers.  

O ataque a Nova York é um aperitivo somente.
Vingadores: Guerra Infinita é um filme espetáculo, não se trata somente (*como se pouca coisa fosse*) de um filme de culminância dos dezoito que o precederam, mas de um grande evento midiático e que já bateu recordes de bilheteria com uma facilidade que poucos admitiriam imaginar.  Aqui, no Brasil, "roubou" o recorde de abertura do "mega sucesso imperdível" Nada a Perder, mas  como é uma trilogia, a biografia de Edir Macedo poderá derrotá-lo de uma próxima vez?  Quem sabe?  Piadas a parte, praticamente todas as personagens apresentadas no universo Marvel estavam lá, de Homem de Ferro, que inaugurou essa fase de filmes em 2008, até o elenco do Pantera Negra, que arrasou bilheterias e corações este ano.  Senti falta de Lupita Nyong'o, ao contrário do Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) e do Homem Formiga (Paul Rudd), nada foi dito sobre ela, então, imagino que não esteja no segundo filme.  

De qualquer forma, unir todo um mundaréu de gente em uma história compreensível, em vários espaços diferentes, é um grande mérito.  Os diretores – Anthony Russo e Joe Russo – fizeram um grande trabalho.  Assistindo ao filme, em um primeiro momento, pensei que a película estava um tanto irregular, mudanças bruscas de tom na narrativa, mas assistindo a crítica do Pablo Villaça, ele me alertou para uma coisa, o filme consegue captar as diferentes atmosferas dos filmes da Marvel.  O tom muda, porque ele circula entre os vários heróis que tem protagonismo temporário.  A única coisa que efetivamente não gostei, foi do excesso de piadas.  Em uma situação limite, acredito que o humor deveria ser enxugado.

Thor é resgatado pelos Guardiões da Galáxia.
No quesito humor, realmente não consigo gostar do tom que foi dado ao Thor (Chris Hemsworth) e que veio de Ragnarock.  O humor do Deus do Trovão nos seus dois primeiros filmes era involuntário, no terceiro, ele assume uma postura diferente de piadista até inconveniente e meio loiro burro, também.  No confronto com Os Guardiões da Galáxia (*1-2*), já que o grupo de heróis regata Thor, depois que Thanos destrói a nave dos Asgardianos, ele acaba levando a melhor no quesito piadinhas infames, já que Star-Lord/Peter Quill (Chris Pratt) que se sente diminuído pela beleza do outro super-herói. Sim, essas piadas à respeito do efeito que o corpo de Thor tem sobre as pessoas (*homens incluídos*) funciona, PORÉM exageraram um tanto.  E, bem, é verdade que o Chris Pratt está mais rechonchudo nesse filme.

Injetaram uma boa dose de romance e sofrimento no filme, especialmente, expondo o drama de Visão (Paul Bettany) e da Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen), afinal, o herói tem uma das jóias do infinito cravada na testa, logo deve morrer (*Será?*), e de Peter Quill e Gamora (Zoe Saldana).  Quanto a esta última, uma das questões centrais e trágicas do filme é sua relação conturbada com o pai adotivo, que a ama, ainda que de seu jeito enviesado.  Thanos não faz o que faz por ser mau, mas ele se alça acima dos outros mortais (*porque imortal ele não é*) e acredita ter o direito de decidir por eles.  Enfim, um pai tão onipotente dificilmente se daria bem com um filho, ou filha.

Tony Stark desenvolve um carinho paternal pelo jovem Peter.
Falando em relações pai-filho, começamos o filme com Tony Stark (Robert Downey Jr.) sonhando em ter um filho com Pepper (Gwyneth Paltrow), só que o que nos oferecem é um aprofundamento da relação do Homem de Ferro com o jovem Homem Aranha (Tom Holland).  Gostando, ou não, nessa nova encarnação, o Aranha está emocionalmente ligado à Tony Stark, o admira, confia nele, e meio que obriga o super-herói playboy a se comportar de forma mais responsável dentro da medida do possível.  Escrevo isso, porque o bate-boca de Stark com o Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch) é tudo menos coisa de gente grande.  Há um duelo de egos, enfim.  E nessa história toda, pelo menos no início dela, ainda me cai do céu (*literalmente*), um Hulk (Mark Ruffalo) traumatizado e que se recusa a manifestar-se.  É meio patético, enfim, mas o Dr. Banner ajuda de outras formas.  Quem é que liga para o Capitão América (Chris Evans), afinal?

Quanto ao vilão, ele tem objetivos claros e uma personalidade consistente, não é uma criatura sedenta de poder, ou que deseja destruir mundos, ou o universo.  Ele acredita que é seu dever colocar o universo em equilíbrio, evitando a destruição de planetas por conta da superpopulação.  Mesmo sem todas as jóias do infinito, ele simplesmente elimina metade da população dos planetas que visita, sem fazer acepções de pessoas.  Ricos pobres, jovens e velhos, fêmeas e machos.  Com uma atitude de divindade, decide o que é bom e o que é mau.  Ao obter as jóias ele pode executar sua missão de forma mais rápida e limpa.  Como meu marido pontuou, além de ser ridículo essa história de universo super-povoado, pelo menos em seus quadrinhos de origem, Thanos não é poderoso como outros seres quase divinos da Marvel, por isso ele precisa das jóias e, exatamente por isso, ele pode e será derrotado no segundo filme.

Visão e a Feiticeira Escarlate tem algumas cenas ternas no filme.
Voltando para a Terra, foi bem legal ver Wakanda de novo.  Okoye (Danai Gurira) reclamando do excesso de visitantes e dizendo que quando T’Challa (Chadwick Boseman) disse que abriria o reino para o mundo, ela imaginava algo como as Olimpíadas, ou filiais do Starbucks.  O fato é que a grande batalha campal, com a participação dos Vingadores, ou parte deles, e dos guerreiros de Wakanda, além do Soldado Invernal e parte dos Guardiões da Galáxia, é uma das partes mais legais do filme.  Carga de drama extra para a situação desesperadora do Visão, ameaçado pelos minions de Thanos e Shuri (Letitia Wright) desesperadamente tentando arrumar um jeito por intermédio da ciência avançada de Wakanda retirar a jóia de sua testa.

De resto, as grandes cenas a meu ver, além da batalha em Wakanda, foram: a chegada do Capitão América, da Viúva Negra (Scarlett Johansson) e outros vingadores renegados à Escócia para salvar Visão e Feiticeira Escarlate; toda a sequência de Thanos conquistando a jóia das almas em um planeta cuja aparência foi inspirada nos Lençóis Maranhenses, ou gravada aqui; e a entrada triunfal de Thor em Wakanda brandindo seu novo martelo.  Espetacular!

Wakanda é cenário para a grande batalha campal.
Não vou, obviamente, dizer em morre, mas morre bastante gente.  Algumas mortes são individualizadas, pelo menos duas delas com uma boa carga de drama.  Há uma quase morte, que se fosse levada ao extremo causaria, sim, um grande impacto, que expõe a fragilidade do filme, isto é, ser um produto infanto-juvenil para adultos.  E, bem, há a sequência final que parece um Arrebatamento, só que bem feito.  Com tanta gente perdendo a vida, ou desaparecendo, qualquer pessoa minimamente escolada em quadrinhos americanos (*ou em shounen mangá/anime*) já sacou que a coisa será desfeita.  E a jóia do tempo e das almas certamente terão papel nisso, talvez a primeira mais que a segunda.  E, não, não se trata de spoiler, é especulação minha.

Falando da Bechdel Rule, bem, não sei se ela é cumprida, porque não lembro se houve algum diálogo entre mulheres que não tenha sido sobre um homem, Thanos e Visão, especialmente.  Só que tivemos um número sem precedentes em um filme da Marvel de mulheres fortes e capazes, com importância na trama e destaque na história: Gamora, Feiticeira Escarlate, Nebula (Karen Gillan), Shuri, Viúva Negra, Mantis (Pom Klementieff), Okoye (*que faz a lésbica adormecida dentro de mim palpitar*), fora as figurantes Dora Milaje e uma das minions de Thanos.  Além disso, há Maria Hill (Cobie Smulders) na cena pós-créditos (*que dmora horrores para chegar*).  Talvez, tenha esquecido alguém.  O fato é que todas essas personagens estavam na trama por algum motivo e certamente, algumas delas terão ainda mais destaque no segundo filme.  Eu aposto, por exemplo, que Shuri terá que vestir o manto do Pantera Negra, ainda que temporariamente... 

Preparação para a batalha.
Que mais dizer?  O capitão América ficou lindo de barba, aliás, homens lindos é o que não fata no filme.  Não gostei do novo cabelo da Viúva Negra, parecia um tanto ressecado e num tom louro claro demais.  Ela estava mais bonita em outros filmes.  A cenas do Doutor Estranho valeram mais do que seu filme solo? As referências à cultura pop foram engraçadíssimas, agradecimentos aos dois Peters, o Parker e o Quill.  Jornada nas Estrelas e seu teletransporte.  Alien 2.  Sobre Footloose ser um grande filme e o Kevin Bacon o maior astro do cinema de todos os tempos... E foi engraçada a cena do Tony Stark ameaçando quem fizesse outra citação à cultura pop... E o adolescente Groot é uma graça e ajuda bastante o Thor quando precisam dele.  E tem a participação especial do Peter Dinklage.

Terminando, o filme não me impactou, ou comoveu.  Não consigo compartilhar da emotividade que muitas pessoas vem relatando nas redes sociais.  Achei Pantera Negra bem mais emocionante e o último Homem Aranha um filme superior, fora que ambos tem vilões melhores que Thanos.  De qualquer forma, esse tipo de filme, com censura 12 anos, não tem como objetivo aprofundar nada em termos de carga dramática.  Foi divertido?  Sem dúvida.  E eu veria de novo, aliás, quase fui com meu marido, mas ele teve um compromisso.  A história ficou coesa, o vilão era bom (*não muito bom, ou excelente*) e os diretores souberam lidar com uma quantidade absurda de gente, melhor ainda, ninguém perdeu sua identidade, muito pelo contrário, estavam todos bem marcados.  Agora, dos dezoito filmes da Marvel, ainda me faltam assistir dois, Homem Formiga e o Soldado Invernal, espero fazer isso em breve.


Bem, se você está aqui, nãos e importa com spoilers, aqui, o que você terá é isso. Vamos falar dos mortos.  O filme começa com o massacre da nave dos Asgardianos e, bem, a morte do Loki (Tom Hiddleston) não me convenceu.  Tampouco, a reação de luto e dor do Thor pareceu correspondente a sua perda.  Como Loki é Loki, essa é uma morte que não vai durar muito tempo.  Achei inclusive que a cena tinha que ser melhor elaborada, que foi um dos pontos baixos de um filme que, no geral, é bom.  Já  Heimdall (Idris Elba), periga ser a única morte de verdade de Os Vingadores: Guerra Infinita.

Loki não e deixaria matar tão fácil, não mesmo.
Talvez a morte mais dramática tenha sido a de Gamora.  Eu não esperava e não tinha noção do drama que iriam criar em torno da sua relação com o vilão.  Thanos tem sentimentos, ainda que a própria filha não acredite nisso. E, claro, a dor de Quill ao saber dela colocou o plano do Doutor Estranho a perder.  Como teremos Os Guardiões da Galáxia 3, não acredito que ela ficará morta.  Talvez, o próprio Thanos traia o acordo e tente trazê-la de volta, agora que sua faxina do universo acabou.

Em relação à luta de Thanos com o homem de Ferro e outros heróis no planeta Titan, os americanos nunca conseguirão se livrar de certas amarras.  Se o universo está em risco, sabe-se lá quantos seres, a vida de um homem não pode valer mais do que tudo isso.  Quando o Doutor Estranho prefere entregar a jóia do tempo para que Tony Stark não morra, além de uma decisão ilógica, é meio anticlimático, porque aquela seria uma morte importante, em uma cena carregada de tensão.  Da mesma forma que não destruírem o Visão, de levarem ao extremo a tentativa de salvá-lo, esvaziou um pouco o drama.  Mas vem o filme dois e tudo se resolve.... 

Thanos tem que sacrificar a filha que tanto ama.
O desaparecimento dos heróis no final, de metade deles, pelo menos, não teve impacto algum de verdade.  Se você é sensível, talvez tenha se abalado, mas o único momento de alguma emoção para mim foi o jovem Peter Parker choramingando que não queria ir.  Ele é um menino que foi arrastado para uma luta de super-seres e sabe que vai morrer.  Grande interpretação de Tom Holland e Robert Downey Jr.  Só que sejamos realistas, tudo isso será revertido pelo simples fato de a Marvel contar com as personagens para outros filmes ou franquias.  Seria absurdo promover uma chacina real.  O Pantera Negra, em especial, nunca morreria, mas seu desaparecimento temporário pode servir para que Shuri vista o manto do pantera, algo que aconteceu nos quadrinhos.

E tudo terminou com a convocação da Capitã Marvel (Brie Larson)... Bem, e espero muito pelo filme da heroína.  Saber que terei que esperar quase um ano é muito chato.  Torço para que seja um bom filme e o desfecho do filme dos Vingadores supere em qualidade e bilheteria esta primeira parte.

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4 pessoas comentaram:

Está rolando teorias de que o Doutor Estranho entrega a joia, porque isso era necessário para desencadear o futuro no qual os heróis triunfam, ao final. E, quando o arrebatamento está acontecendo, ele diz ao Tony que era necessário/não havia outra solução. Tem gente acreditando que o Tony precisava ficar vivo para eles poderem vencer o Thanos, enquanto há pessoas que acham que o arrebatamento era necessário, talvez para que a Capitã Marvel fosse chamada.
Analisando as teorias, eu acredito que o arrebatamento tinha que acontecer para os heróis poderem vencer e que se o Strange não tivesse entregado a joia naquele momento, a Shuri teria tido tempo de tirar a joia do Visão e a Feiticeira de destruir a joia. Daí o arrebatamento não aconteceria e eu acho que o Thanos ficaria tão irado que destruiria praticamente todos os heróis, pois o plano dele teria dado em nada e ele teria sacrificado a filha mais amada em vão.

Ainda não vi o filme (e na certa só vou ver quando sair torrent), mas essa história de metade dos herois desapareceren tá com uma baita cara de "Herois Renascem", uma das maiores mancadas Marvel dos anos 90. Vamos torcer pra que saia direito.

Pretende assistir os filmes Marvel não-ligados ao MCU (Novos Mutantes, Venom e Aranhaverso)?

Novos Mutantes, talvez. Venom, acredito que não. E esse Aranhaverso o que é?

Eu também acho que o Dr. Estranho entregar a jóia foi pra cumprir o futuro que ele viu, o único onde eles vencem.

Nos quadrinhos é sempre assim, Thanos perde, mas sempre depois de aparentemente vencer. Foi assim na Saga de Thanos, quando ele "deixou" que o Capitão Marvel destruísse o cubo cósmico, e foi assim em Desafio Infinito, quando ele "deixou" que a Manopla do Infinito fosse roubada.

Talvez Adam Warlock também tenha alguma importância no próximo filme. O final de Guardiões da Galáxia 2 deu a entender que era ele sendo criado pelos soberanos. Nos quadrinhos, foi ele que revelou que Thanos sempre consegue o poder divino e perde logo depois, porque no fundo ele sabe que não merece.

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