sexta-feira, 4 de maio de 2018

Júlia e seus loooongos quatro anos...


Estou tentando retomar meu ritmo, depois de uma semana de muito trabalho e Júlia meio doentinha.  Como algumas pessoas me pedem relatos da minha experiência de maternagem, vamos lá, algumas conversas que rolaram com minha pequena esses dias.

Júlia e a fralda, essa desgraça que parece que nunca vai deixar de atormentar minha existência, que ainda faz parte da vida dela: "Quero continuar usando fralda durante toda a minha vida de 4 anos. Depois, eu paro.". Looonga vida de 4 anos. Na verdade, lembrando de quando era criança, realmente, o tempo parecia passar bem devagar.  Nossa percepção de tempo varia muito e na primeira infância, estamos aprendendo a compreender essas coisas.  Pelo menos deixou de ser "para sempre".  Antes, quando eu falava em largar a fralda, ou largar o peito, produzia-se um choro desesperado, angustiado mesmo, como se fossem arrancar dela algo fundamental para sua vida.  
A coleção da vez, os minúsculos Shopkins... 
Na verdade, ela tem dificuldade em deixar as coisas irem embora, que rasgaram, que quebraram, sempre vem pedir ao pai que use "cola forte" para consertar.  Difícil é fazer entender que nem tudo se cola, ou conserta... Não sei se isso é dela, ou de todas as crianças da idade, não sei mesmo.  Mas ela tem um espírito de colecionista e isso se manifesta desde cedo, para meu desespero.  No momento, são os Shopkins.  Eu lembro que gostava de brinquedos pequenos, que cabiam na minha mão, então, não sei se herdou de mim, ou sei lá... Falando em Shopkins, chegamos aos outros tópicos recentes:  Casais do mesmo sexo, Procriação X Adoção e Monogamia.

Para a Júlia, cor, adereços, voz tem menos
peso do que cílios como marcas de gênero.
Entrei no meu quarto anteontem e ela estava brincando com dois dos Shopkins, dois pedacinhos de lenha.  Sim coisa pequenininha.  Daí, ela me disse, "Eles são namorados e são dois meninos."  Os brinquedos são meninas, se tem longos cílios.  Quando ela era bebê, antes de introjetar essas marcas artificiais de gênero, todos os brinquedos eram meninas, agora, a maioria não é.  Olhei para ela e disse, "Está certo, há meninos que namoram com meninos, meninas que namoram com meninas, mas a maioria dos meninos namora com meninas e vice-versa".  Ela riu."Mas não podem ter filhinhos."  Crianças podem ser astutas, ela certamente estava testando minha reação, talvez, alguém tenha dito alguma coisa na escola, ou ela vai se tornar uma autora de BL, sei lá.  Também não cabe ainda entrar em detalhes, a gente fala o que é adequado à idade e na medida que a própria criança demanda. "Podem, sim.  Podem adotar e, aí, terão filhinhos.".  


Já falei de adoção para a Júlia diversas vezes e que queria adotar uma criança, mas que ela nasceu e papai não quer mais. Sim, porque eu gostaria.  E insisto que filho é filho e ponto.  Ontem, ela usou a expressão "não é filho de verdade" para se referir a uma personagem de desenho animado que foi adotada.  Eu corrigi.  Nada mais cruel do que separar filhos em verdadeiros e os que não são.  Há outras formas de explicar as coisas e Júlia é hábil com as palavras, quando quer.  Enfim, ela estava revendo o filme Missão Cegonha, que vimos no cinema e eu não resenhei no blog.  É um filme interessante, pois aborda uma série de temas sérios de forma acessível à crianças pequenas.  De qualquer forma, ela prontamente lembrou de Gumball (*está na Netflix, ela já tinha visto no Rio, e ela assiste um pouco, ainda que eu não ache lá muito OK para a idade dela*), onde uma gata e um coelho são casados, tem dois filhos naturais (*um gato e uma coelha*) e um filho peixe, que deduzo eu, é adotivo.  Só que, ao escrever este post, descobri que não é, mas não vou falar para a Júlia.
Júlia gosta de Gumball.
E como chegamos à Monogamia?  Eu ouço música no carro, já comentei que ela me pede para traduzir, pergunta se é música de filme ou novela e para contar a história do filme ou novela, por tabela (*alguns são complicados de explicar...*), pede para colocar a Rita (Pavone), dá opiniões sobre a música... "Always look on the bright side of life", da Vida de Brian, por exemplo, deve ser, na opinião dela, "uma música boba de um filme bobo".  Não está muito errada.  Preciso ter cuidado com o que coloco em português, porque ela já me perguntou coisas difíceis de explicar... Era uma música dos anos 1980 e ela disse que o sujeito que cantava era maludo.  Imagina só!  Colocar fogo na cama da moça! Na verdade, era linguagem figurada e eu não poderia explicar do que se tratava o verso (*"Eu venho como fogo incendiar sua cama"*), então, concordei que o Ritchie era maluco, sim.  Daí, estava ouvindo Conquistador Barato, do Léo Jaime, que era tema de abertura da novela Bambolê.


Ela pediu para explicar a música.  É cheia de gírias de época.  Conta a história de um sujeito namorador compulsivo.  Mamãe diz, "É errado beijar um monte de meninas.  Ele está enganando todas elas. O certo é namorar uma só." Sim, eu acredito nisso.  Quando ela crescer, pode acreditar no que quiser. Daí, ela comenta, "E se beijar um monte de meninas, vai ter um monte de filhinhos igual no Sing.".  Sing, que eu também não resenhei no blog, tem a família de porquinhos com muitos, muitos filhos, era disso que ela falava.  "Filha, quando a gente beija não tem filhinhos, ali era desenho".  Ela insistiu na história dos porquinhos e eu comentei "Se a cada beijo que eu desse no seu pai, nascesse um filhinho, você teria muitos irmãozinhos. É preciso mais que beijar para ter filhinhos."  Ela riu e continuou falando de Sing.  Espero que tenha entendido, não voltou ao assunto.

Rosita e seus muitos filhinhos.
Tudo isso na metade da longa vida dos 4 anos.  E ainda teremos 5, 6, 7, 8... Espero que ela nunca perca o bom humor (*quer dizer, às vezes, o excesso de bom humor me incomoda, sim, mas eu sou uma chata...*) e essa capacidade de fazer perguntas. Espero sempre ter condições de respondê-las, ou, pelo menos, conseguir ajuda se necessário.  De resto, acho que foi um post chato... Vocês decidem.  Há quem queira que eu grave um podcast com Júlia, mas seria uma missão impossível.

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2 pessoas comentaram:

Eu adoro a Júlia e o jeito como você conta, então, pra mim, foi adorável o post. <3

A Júlia é uma fofa e muito perspicaz, tenho uma sobrinha de 5 anos que é assim tbm, mas a mãe dela não tem toda a paciência que vc têm, dai sobra pra mim essas peguntas, mas a minha forma de ver as coisas é diferente da minha irmã, que acaba julgando o que eu ensino pra ela, eu obviamente tenho noção do que dizer pra uma criança dessa idade, mas ela tem a mente fechada e esta me privando da convivência com ela. Detalhe minha irmã é bem mais nova que eu.

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