domingo, 27 de maio de 2018

Mais um capítulo do "Não Somos Racistas": Concurso Miss Brasil 2018


Já escrevi sobre concursos de Miss antes.  É como o casamento real, não é relevante e, ao mesmo tempo, é mais relevante em termos simbólicos do que muita gente imagina.  Enfim, não sabia que estava rolando o concurso, mas abri o Twitter e estava no topo do trending topics.  Fui assuntar e vi muita gente reclamando da Miss Goiás estar entre as finalistas.  Muita mesmo.  Ao memso tempo, havia uma grande torcida pela Miss Amazonas, que acabou ganhando.  Era visível o favoritismo no Twitter.  Fui fazer outras coisas.  Daí, ao voltar, confirmei a vitória da Miss Amazonas e vi esse twitt aí embaixo:



Enfim, mas depois de ler isso aí, percebi que tinha que comentar alguma coisa. O fato de não termos nenhuma mulher negra, ou que não seja identificada como socialmente branca em um concurso de Miss Brasil, raramente importa, ou é visto como um problema, salvo para quem milita contra o racismo.  Para os demais, é somente NATURAL que as mais belas estejam concorrendo.  Mulheres negras, ou com sangue negro evidente, NUNCA são bonitas.  Agora, é incrível como só o fato de termos uma mulher negra em um concurso de Miss, ou entre as finalistas, incomoda muita gente, é como se fosse uma ofensa à beleza nacional, ao bom senso, à MERITOCRACIA (*porque a gente sabe que beleza de miss não raro é fruto de muito esforço, inclusive de bisturi*). Depois de comentar no Facebook, um amigo me mandou esses comentários abaixo:
Para se ter uma ideia, dentre as 27 competidoras, tínhamos duas negras, Bahia e Tocantins (*que, talvez, nem se identifique como tal*).  E somente, só que, no mundo ideal dos racistas brasileiros, em sua grande maioria whitepardos, não deveria haver negras no Miss Brasil, porque elas não são bonitas e isso é uma "verdade universalmente aceita".  A coisa toda, claro, deve ter sido potencializada pelo fato das últimas duas misses Brasil terem sido negras, Raissa Santana (2016), depois de 30 anos de candidatas brancas vencendo em sequência, e Monalysa Alcântara (2017).  Foram 64 concursos oficiais de Miss Brasil, contando a partir de 1954, e somente três negras foram escolhidas como as mais belas do país, mas seguimos "não sendo racistas", somente realistas e a internet, claro, só potencializa o que temos de pior.

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