sexta-feira, 15 de junho de 2018

31 Dias de Desafio Shoujo: Vamos ver se eu consigo vencer!



Na impossibilidade de fazer um post por dia por enquanto, vou deixar no topo este desafio que vi circulando no Twitter e vou acrescentando dia a dia as informações.  Tem um número repetido, o três, como é um mês de 31 dias, vou contar em sequência até 31.


Fushigi Yuugi, um dos primeiros
shoujo publicados no Brasil.
DIA 1 - Primeiro Shoujo que você leu: Acho que foi Fushigi Yuugi (ふしぎ遊戯) que era publicado em capítulos na revista Animerica.  Será que estou me confundindo? Consegui comprar uns números.  X (エックス), da CLAMP, era publicado lá, também.   Isso é certeza.  Eu sei que comprei um volume americano de Vampire Princess Myu (吸血姫美夕- Kyuuketsuki Miyu) antes, mas não vou considerar que li essa edição que estava bem no meio da história.


Em Waltz, Chiho Saito criou uma heroína
pouco convencional e corajosa.
DIA 2 - Shoujo Mangá Favorito de Todos os Tempos: Difícil isso... Vou colocar um shoujo que eu adoro, gosto em todos os sentidos, Waltz wa Shiroi Dress de  (円舞曲は白いドレスで) e suas continuações Lilac Nocturne (紫丁香夜想曲) e Magnolia Waltz  (白木蘭円舞曲).  Chiho Saito no seu melhor, urdiu uma bela trama, construiu personagens interessantes e nos ofereceu uma protagonista contestadora que toma nas mãos o seu destino e não fica com o primeiro cara por quem se apaixonou... nem com o segundo... ^_^  Tem resenha aqui.


Masaomi paga pelo seu orgulho e tem a chance dese redimir.
DIA 3 - "Ultimate shoujo hero crush" (*Como eu traduzo isso mesmo?! O meu crush herói de shoujo definitivo?  Fica melhor em inglês...*): Complicado, mas vamos de Masaomi de Waltz wa Shiroi Dress de (円舞曲は白いドレスで). Que começa como um oresama guy (*Não sabe o que é isso?  Clique AQUI*) semi-detestável, é largado pela mocinha (*que foge com outro na noite de núpcias dos dois*), amadurece e se torna digno dela.  E ele é o personagem masculino favorito da própria Chiho Saito. 


O melhor anime de tênis de todos os tempos.
DIA 3/Parte B - Meu shoujo Anime Favorito de Todos os Tempos: Ace Wo Nerae! (エースをねらえ!), nem vou pensar duas vezes, ainda que eu tenha várias séries do coração.  Ace wo Nerae!, a primeira temporada, capturou a atmosfera do mangá e criou sequências eletrizantes com poucos recursos tecnológicos. O uso da cor, especialmente.  Além disso, temos a música... E, sim, tinha muito drama, sangue, suor, lágrimas, akogare, incesto não consumado e uma torre na escola, porque o Osamu Dezaki gostava dessas coisas e colocou em Ace wo Nerae e, depois, no anime de Oniisama E...  (おにいさまへ…), também.
Oscar, não poderia ser outra.
DIA 4 - Heroína Shoujo Favorita: Há várias heroínas de shoujo mangá que eu gosto bastante, falei duas vezes de Waltz, por exemplo, gosto da Koto.  Gosto da Hiromi de Ace wo Nerae!.  Da Yuuri de Anatolia Story (天は赤い河のほとり). Da Kira de Mars (マース ).  Da Tsukushi Makino de Hana Yori Dango (花より男子).  De Utena... Só que a minha heroína de shoujo mangá favorita é Oscar da Rosa de Versalhes  (ベルサイユのばら) e friso bem: a do mangá.  A personagem que vemos amadurecer, que nunca se arrepende de ser um soldado, que tem senso de humor, que ama, que se mostra frágil e forte, que amadurece, que enfrenta o patriarcado, sim, que toma as decisões trágicas e se responsabiliza por elas. Que bom que esta Oscar, a que Ikeda inventou, será conhecida no Brasil em breve.


O primeiro beijo... O último beijo... 
DIA 5 - Melhor Cena de Beijo em Shoujo: Achei difícil esse dia, porque beijo, especialmente, primeiros beijos em muitos shoujo não são bem consensuais.  Mas lembrei de Ōoku (大奥) e da bela sequência na qual Emonnosuke, camareiro-mor da shogun Tsunayoshi finalmente se declara para a sua senhora e morre depois de, pela primeira vez, fazer amor por amor e, não, por dever e para procriação.  Emonnosuke nunca tinha sido amante da shogun, porque não queria dividi-la com outros, mas fazia amor com Tsunayoshi através dos homens que lhe apresentava.  No volume #6, já velho, ele é capaz de romper o protocolo de beijar e fazer amor com Tsunayoshi.  Lembro que, na época, chorei muito com essa sequência, e já reli várias vezes.  Um dos pontos altos da série.


E eu continuei tendo medo de Sakurako.
DIA 6 - Clichê Favorito: Um... há dois que eu gosto bastante, mas vou escolher o de roteiro, a inimiga que se torna amiga, ou aliada.  O fato das autoras japonesas favorecerem alianças entre as mulheres e, não, que se autodestruam por um homem.  Temos, por exemplo, Tsukushi e Sakurako, em Hana Yori Dango (花より男子).  A Sakurako nunca deixará de ser sinistra e uma figura meio perigosa, mas uma vez que se torna amiga da protagonista,torna-se uma aliada preciosa.


Não conhece Mars? Ainda há tempo.
DIA 7 - Casal mais Fofo: Coisa complicada... Escolher somente um?  Kira e Rei de Mars (マース).  Gosto da forma como a relação dos dois se constrói, como ambos se beneficiam com ela, como Kira se empodera (*quem leu o mangá sabe que, neste caso, o termo é realmente adequado*), como ele cura suas feridas.  Um dos melhore shoujo que eu já li.  


Nem sempre o roteiro acompanha,
mas a arte de Chiho Saito é maravilhosa.
DIA 8 - Shoujo Mangá com a Arte mais Bela: Qualquer um da Chiho Saito.  A mulher não deixa a peteca cair nem quando faz mangá Harlequin. ❤  A imagem acima é de séries mais antigas dela e ela só faz melhorar.


Hot Gimmick quase saiu no Brasil... 
DIA 9 - Ship Impopular que Você Apoiou: Realmente, tenho que passar... Acho que nunca shippei nenhum casal de shoujo mangá que não fosse aquele que a autora quisesse que a gente torcesse.  Acho que nem em Hot Gimmick (ホットギミック), mas não cheguei a torcer realmente  para que o Azusa, que parecia super boa gente em comparação com o babaca do Hiroki, ficasse com a protagonista... Nem precisou da sequência doentia em que, para se vingar do pai da menina (*que nem era culpado daquilo que o garoto achava que ele tinha feito*), o cara entrega Hatsumi para ser estuprada por uma gangue de marginais.  Sim.  Hot Gimmick é tenso.  Mas acho que não cheguei a torcer nem pelos protagonistas.  Lia pelos coadjuvantes mesmo.


Teacher's Pet... Uuuugh... 
DIA 10 - A Pior Série Shoujo que Você Já Leu:  Olha, quando eu considero um mangá ruim, normalmente, eu largo.  Agora, já fiz leitura dinâmica de algumas coisas bem lamentáveis.  Acredito que o mais forte candidato a pior shoujo que eu li foi Uwasa no Midori-kun!! (うわさの翠くん!!), da Go Ikeyamada.  Era tão sem pé nem cabeça e com muito fanservice e mensagens absurdas que me fez tomar ranço da autora.  É ruim, mas é ruim mesmo e eu fiz uma pequena resenha.  Agora, já que ontem falei de Miki Aihara, há dois dela que me dão nervoso.  So Bad! , que tem como protagonista uma garota brilhante, aluna com grande potencial, mas é filha de uma doméstica.  É tradição na sua família servir à Casa dos Renjo.  Os três filhos dos patrões de sua mãe, que pagam os estudos da heroína, adoram pisar nela.  Um dia, sua mãe tem um enfarto e fica impossibilitada de trabalhar e EXIGE que a garota coloque seus sonhos e estudos de lado para ocupar o lugar da mãe de empregada particular da família Renjo, com os três moleques atormentando a menina.  Só o começo da história já me dá nervoso. Ainda de Miki Aihara, temos Sensei no Okiniiri!  (先生のお気に入り!), ou Teacher's Pet.  A mocinha é professora, é feliz com o noivo, mas, um dia, vê alguém molestando no trem ou metrô (*faz tempo que li*) o que ela pensa ser uma de suas alunas... Na verdade, era um aluno e o irmão caçula do noivo da moça.  O garoto fica se sentindo humilhado e só para mostrar que é macho, violenta a professora.  Não, não considero que tenha sido consensual.  Só que ela acaba "gostando" (*clichê do gênero*) e eles começam um "relacionamento" secreto.  Obviamente, problemas irão acontecer, mas, para a autora, o importante são as situações sexuais da história... 


Ótima escoolha da JBC.
DIA 11 - Shoujo One-Shot Favorito: Fiquei pensando aqui que o que a gente (*EU*) chama de one-shot, não é one-shot.  Daí, encontrei a seguinte definição, one-shot, no Japão, é yomikiri (読み切り), e que pressupõe que o material foi publicado de uma vez só... um capítulo mais longo.  Então, estou chamando de one-shot o que não é.  Como chamar um mangá voluem único deliberadamente?  O que eu coloco aqui?  Posso escolher um volume único, então?  Vocês deixam?  acho que escolho Vitamin (ビタミン), de Suenobu Keiko.  Um volume único que fala de bullying e da superação do problema.  A JBC lançou no Brasil e merece ser lido.  Tem resenha aqui.


Ah... O drama!
DIA 12 - Melhor Coadjuvante: Poderia escolher várias personagens, mas eu citei lá em cima que meu shoujo anime é Ace Wo Nerae! (エースをねらえ!), então, vou escolher minha coadjuvante favorita e lá: Ranko Midorikawa.  A personagem tem um drama pessoa consistente, ela é meio-irmã de Jin Munakata, o treinador da protagonista, Hiromi Oka.  Ela o conhece quando criança e ele já adolescente.  Ele lhe ensina a jogar tênis como uma forma de usar sua desvantagem para os padrões japoneses, a seu favor.  Ela se apaixona por ele.  Só que ela não sabia do parentesco e que o pai de ambos havia abandonado a primeira família para ficar com sua mãe.  Jin não a abandona, nem a maltrata, mas não retribui seu amor.  Ela se  torna uma grande tenista, conhecida por sua força e resistência superior à média das mulheres que jogavam à e´poca (*era início dos anos 1970*).  Ela sonha em ter o irmão como seu treinador pessoal quando se tornar profissional.  Só que Jin prefere treinar Hiromi.  Ranko no início despreza a protagonista, não vê nela as qualidades que seu irmã percebeu.  Para ela, só existe uma rival digna, Reika Midorikawa.  Com o tempo, ela percebe o que o irmão viu em Hiromi e passa a ajudá-la, especialmente, quando descobre que o irmão tem pouco tempo de vida... Reika, no mangá, é elegante, bonita, não é somente força bruta.  No anime, graças ao traço de Akio Fujino, ela é desenhada com traços duros, quadrados, parece um tijolo.  Eu, claro, prefiro o traço do mangá.  Há imagens aqui.


Mars, outra vez.
DIA 13 - Shoujo Mangá que fez Você Chorar: Ai... Ai... Eu chorei com vários mangás.  Passou pela minha cabeça uma série deles, um josei, em especial, foi publicado aqui no Brasil, mas estamos somente no shoujo... Vou de Mars (マース), que me fez chorar muito em uma determinada passagem, porque eu me senti como a personagem, passando pelas situações semelhantes a de Kira.  Foi quando me casei, me mudei para Brasília, fiquei sem parentes, amigos próximos, trabalho (*por algum tempo*).  Foi bem ruim isso... Queria ter a vizinha trans da personagem na minha vida. 
Riyoko Ikeda.
Hagio Moto.
Fumi Yoshinaga.
Chie Shinohara.
Chiho Saito.
DIA 14 - Shoujo Mangá-ka Favorita: Como é que a gente escolhe algo assim?  Eu tenho várias mangá-kas favoritas e acredito que o critério para entrar nessa lista é ter produzido mais de uma obra que me impactasse.  Enfim, então vou colocar meu top 5: Riyoko Ikeda, Chie Shinohara, Hagio Moto, Fumi Yoshinaga e Chiho Saito.  Todas já mostraram sua competência reiteradamente.  


Um dos melhores amigos que já vi em mangá.
DIA 15 - Personagem de Shoujo Mangá que Você Queria ter como Amigo: Normalmente, há umas personagens coadjuvantes que são ótimo apoio para os protagonistas e, normalmente, amigos e amigas em quem você poderia confiar em qualquer situação.  Então, vamos de coadjuvante e de um shoujo recente, o o Suna, de Ore Monogatari!! (俺物語!!) é o tipo de amigo para todas as horas e sempre com uma palavra sensata a oferecer.


Ouran Host Club, vol. 3, cap. 9,
é lá que está a sequência.
DIA 16 - Seu Clichê menos Favorito: Engraçado é usar "menos favorito", porque "não gosta", ou, simplesmente, "odeia"?  Mas é fácil, para mim, escolher um clichê, trata-se do "eu poderia estuprar você se eu quisesse".  Essa celebração da cultura do estupro aparece mesmo nos shoujo mais insuspeitos.  Ouran Host Club (桜蘭高校ホスト部), por exemplo.  Ao Haru Ride ((アオハライド) tem, também.  Nem precisa ser um sujeito mal, normalmente é o amor da mocinha, ou alguém próximo.  Trata-se, boa parte das vezes de um aviso para que a menina se proteja, seja mais cuidadosa, ou, simplesmente, uma mensagem "Viu, como sou um cara legal?".  De qualquer forma, é um dos recursos dos shoujo mangá que são péssimos, já que, para muitas meninas, essas leituras tem caráter pedagógico.  Tenho um artigo acadêmico sobre isso (*AQUI*) e participei de um Podcast falando da questão, também. 


Ōoku: História Alternativa e Shogunato.
DIA 17 - Shoujo com um Plot Singular: Bem, bem, pensei em dois, mas vou ficar com  Ōoku (大奥) de Fumi Yoshinaga.  Para quem não conhece (*e há resenha de 12 volumes do mangá no blog*), trata-se de uma narrativa de história alternativa (ucronia), na qual uma doença, a varíola vermelha, dizimou a população masculina do Japão no século XVI.  Por conta disso, as mulheres tiveram que assumir as funções de mando, inclusive a chefia do shogunato.  No mangá, o isolamento do Japão se dão com o intuito de proteger este segredo que poderia levar à invasão da ilha por povos estrangeiros.  Estou devendo a resenha do volume #13, farei esta semana.  E, bem, no geral, Yoshinaga consegue manter as rédeas da história.  A questão é que ela vai ter que fazer uma coisa que normalmente não existe em histórias desse tipo, criar um ponto de convergência e de normalização da história japonesa com a do resto do mundo.  Espero que consiga... 


Hitler cientista detona a história desse shoujo mangá.
DIA 18 - O Shoujo Mais Estranho que Você já Leu: Este eu escolho por ter lido sinopse e por ter visto imagens, além do primeiro capítulo, que tem scanlations.  Eu tenho que incluir!  O primeiro shoujo gender bender, Boku no Shotaiken  (ボクの初体験), que foi publicado em 1975, na Margaret.  O protagonista, Eitaro, ama uma colega de escola, mas não se sente correspondido.  Desesperado, ele decide se matar.  Um cientista (*que é um clone de Hitler... Ou seria o próprio?*) encontra o corpo do menino ainda com vida.  Decide, então, transplantar o cérebro do adolescente para o de sua esposa, uma moça de 17 anos (*o cientista tem 42...*) que está morrendo de câncer exatamente nesse órgão.  Eitaro acorda, então, no corpo de uma mulher, casado com Hitler, volta a frequentar a escola (*os japoneses não conseguem resistir a mandar adolescentes para a escola*), onde acaba sabendo que a menina que ele pensava tê-lo rejeitado, na verdade, o amava, também.  Karma!  Agora, detalhe: ele descobre que a esposa do cientista está GRÁVIDA!  Sim, é shoujo.  Sim, é esquisito.  Sim, tem muito fanservice.  E ainda teve dorama em 1986.  A autora, Hikaru Yuzuki, continua na ativa e produz de tudo.


Tsubomi e o espírito de sua
irmão ainda não nascida.
DIA 19 - O Shoujo mais Fofinho que Você Já Leu: Acho que não sou muito de ler coisas fofinhas... Às vezes, a arte é muito fofinha, mas a história, nem tanto.  Então, dei tratos à bola e decidi escolher o primeiro volume de Naisho no Tsubomi (ないしょのつぼみ), Yuu Yabuuchi.  Cada volume é fechado em si mesmo e o primeiro conta a história de uma menininha que está começando a entrar na adolescência.  Ela precisa lidar com sua primeira menstruação, com o interesse pelos garotos, com a confusão de sentimentos.  De resto, sua mãe está grávida, é uma gestação de risco, e a gente que lê o mangá (*ou assisti ao anime*) percebe que a nova coleguinha da escola é a irmã de Tsubomi que ainda vai nascer.  Sim, até hoje não sei o que a menina era, só sei que era tudo muito fofinho, apesar de discutir umas coisas bem sérias.
Nakia tenta de todas as formas destruir Yuuri.
DIA 20 - Melhor Vilão/Vilã de Shoujo: Não tive que pensar muito, a Rainha Nakia de Anatolia Story (天は赤い河のほとり) é uma escolha fácil.  A criatura é capaz de tudo para que seu filho herde o trono.  E qualquer coisa é qualquer coisa mesmo!  Matar, mandar matar, mandar torturar, chantagear, fazer uns feitiços barra pesada.  É ela quem traz Yuuri, a protagonista, do Japão atual para o Reino dos Hititas, 14 séculos antes de Cristo.  Seu objetivo era oferecê-la em sacrifício aos deuses.  O que ela não sabia é que a moça era o avatar da deusa da guerra e do amor, Ishtar, e que lhe traria muito problema.  De resto, como convém, Nakia tinha uma história triste, um passado que se não justifica suas atrocidades (*porque nada justificaria*), pelo menos explicam algumas de suas ações.


Há alguns volumes mornos, mas não há
barrigas, nem a história perde o interesse.
DIA 21 - Série de Shoujo Longa Favorita: Primeira coisa, não gosto de séries longas.  Acredito que a maioria das histórias possa e deva terminar com tranquilidade sem precisar se estender por muitos volumes.  Segundo ponto, boa parte das séries longas de shoujo que eu conheço, salvo as episódicas, como Eroica Yori Ai o Komete (エロイカより愛をこめて), tem a famigerada barriga, ou a autora, pressionada pela popularidade a continuar a história, se torna relaxada com a ate, por exemplo.  Dois exemplos de séries longas nas quais isso acontece?  Hanakimi (花ざかりの君たちへ) e Hana Yori Dango  (花より男子) .  Mas o que é uma série longa?  Vamos lá, meus critérios: até 10 volumes é série curta; se chega aos 20 volumes, é uma série de média duração; se passa disso, é série longa.  Se, por acaso, tem mais de 40 volumes, é muito longa.  Isso colocado, minha série longa favorita é Anatolia Story.  Há volumes frenéticos, ha volumes mornos, mas não há barriga e a autora não oferece um trabalho abaixo da média em nenhum momento, fora, claro, que chie Shinohara é mestra nos ganchos de final de volume.  Era agonia garantida por quatro meses.  São 27 volumes, mais uns quebradinhos no volume 28... Um, acabei de descobrir que poderia citar um one-shot desse volume antes, Orontes no Renka.


Um dos melhores trabalhos de Fumi Yoshinaga.
DIA 22 - One-Shot Collection Favorita: Não entendi bem o que é isso, mas imagino que seja um volume com histórias curtas.  Uma coletânea.  Bem, lembro de algumas que gostei bastante, salvo uma, Aisubeki Musumetachi (愛すべき娘たち) ou All My Darling Daughters, de Fumi Yoshinaga.  Neste volume, há uma protagonista, mas são histórias independentes sobre amizade, amor, relação entre mães e filhas etc.  Tem resenha no blog.


O volume #9 traz uma declaração
 de amor muito tocante.
DIA 23 - Melhor Declaração: Obviamente, trata-se de declaração de amor.  Aí, tenho um problema, posso pegar  Ōoku (大奥) de novo, Emmonosuke finalmente se declarando para a shogun Tsunayoshi depois de anos e anos de serviço, já idoso e mesmo tendo a amado desde sempre.  Só que, orgulhoso, ele não queria dividi-la com ninguém, então, melhor nunca tê-la em seus braços.  Amo essa cena.  Mas há uma cena de declaração de amor que está além da declaração simples em si, uma sequência que é uma das melhores e mais intensas de Anatolia Story, especialmente, quando a gente vem no embalo da leitura de um bom volume: Yuuri desconfia que Kail tenha tido um filho com a Princesa Güzel, ela está com ciúmes e disposta a voltar par ao Japão atual (*por esse e outros motivos...*).  Kail, então, a leva à força em uma cavalgada até o túmulo de sua mãe.  Diz que somente ele e seu pai já colocaram seus pés ali e jura que não está mentindo.  É uma declaração de amor, também, de certam maneira.


Continuação  de Ouran?  Quero!
DIA 24 - Shoujo Que Você Queria que Tivesse Continuação: Por mim, a autora de Orange (オレンジ) pode continuar contando a história da perspectiva dos amigos que faltam (Takako, Hagita e Azusa) e até fazer uma prequel com o Kakeru. Se a gente considerar que virou seinen, queria uma história especial de Ouran Host Club (桜蘭高校ホスト部). Uns 3 volumes na faculdade.  Seria legal, não seria?


Shiori é uma peste.
DIA  25 - Personagem Mais Irritante: Fiquei pensando sobre isso e demorei a lembrar de alguma personagem irritante e que fosse só isso, quer dizer, qual a função dessa criatura na história mesmo?  Acabei me decidindo por Shiori, de Shoujo Kakumei Utena ( 少女革命ウテナ).  A personagem não existe no mangá, afinal, no quadrinho Juri não é lésbica.  Daí, ela está no anime e é o amor secreto de Juri e só está lá para ser perversa e tornar a vida de uma das personagens que eu mais gosto da série amarga.  Shiori seduz Ruka (*outra personagem que eu gosto muito*) só para fazer Juri sofrer, porque acredita que Juri o ame. Enfim, não li os gaiden de Utena, os novos, comemorativos dos 20 anos, mas uma das histórias é com Shiori e Juri. Não sei o que rola, não fui checar, mas acho oo fim da picada que muita gente fique shippando as duas.


Shuurei, uma das minhas heroínas favoritas.
Dia 26 - Uma Heroína com quem você consegue se identificar: Acho que não há protagonista de shoujo mangá com quem eu me identifique por completo.  E vejam que não é admirar, é se identificar.  Eu nunca fui Utena, nem Oscar, nem Yukino Tsukushi.  Eu já sofri bullying, mas nunca fui parecida com as protagonistas de Suenobu Keiko.  Enfim, daí lembrei da Shuurei de Saiunkoku Monogatari (彩雲国物語).  Quando li o mangá e assisti (parte) do anime, eu era adulta, mas acho que se tivesse lido adolescente a história, eu teria nela uma heroína exemplar: estudiosa, inteligente, trabalhadora, preocupada com questões sociais e POBRE, mas que sabe a importância que o dinheiro pode ter na vida das pessoas.  Shuurei deseja ser funcionária (pública) na corte do imperador, mas apesar de muito capacitada, ela tem um defeito, ser mulher.  Ela também é discriminada por ser pobre e ter mãos de quem trabalhou duro na vida.  Eu que não cheguei onde estou sem esforço, que nem sempre tive o tipo de apoio que precisava, mas sempre contei com pais atenciosos, que já ouvi umas  boas "Você acha que estudando nesse colégio vai chegar a algum lugar?" "Olha, que calada ninguém dava nada por você!", entendo bem o que Shuurei passou... Eu cheguei à segunda fase do concurso para professor/a de História do Colégio Militar como a única mulher no meio de um monte de homens e consegui atingir o objetivo. A vaga poderia não ser minha, mas eu iria brigar por ela. O mangá não mostra, mas as light novels que lhe deram origem seguem a protagonista até que ela atinge seu objetivo com a ajuda do imperador, que muda as leis, e, mesmo a amando, deixa que ela tenha a sua carreira, mesmo longe dele.  É uma heroína muito legal e a série é muito boa.  Resenhei quase todos os volumes no Shoujo Café.  O #1 e o #2 estão aqui.


Skip Beat! não me conquistou.
DIA 27 - Shoujo do Qual Você Não Gostou no Início, Mas Começou a Gostar Depois: Não tenho, porque quando não gosto de uma série, ou abandono de início, ou estabeleço um limite de três volumes.  Não mudei de opinião, largo.  Foi assim com NaNa (―ナナ―) e Skip Beat! (スキップ・ビート!), por exemplo.



DIA 28 - Shoujo do Qual Você Gostou no Início, Mas Deixou de Gostar: Fácil!  Hot Gimmick (ホットギミック).  A série começa de certa forma instigando a gente.  Os coadjuvantes são bons.  a gente acredita que a protagonista terminará crescendo, que vai se livrar do "namorado" abusivo, ou ele vai se reformar... Li até o final e, não, foi ficando muito ruim e terminou pessimamente mal.  E foi até bom que não saísse por aqui, porque a Conrad, antes de fechar sua divisão de mangás, chegou a anunciar a série.


Personagens trágicas em Ōoku são muitas,
agora, louro de verdade, só tem um.
DIA 29 - Shoujo Favorito em andamento: Ōoku (大奥) de Fumi Yoshinaga, claro!  Yoshinaga tomou para si um grande desafio, escrever uma série de história alternativa que precisa fazer o que normalmente nãos e faz, voltar à convergência.  Enfim, é uma série muito boa, ainda que com defeitos e que não tem protagonista, ou melhor, o protagonista é o espaço do harém, o Ōoku, e, não, pessoas.  A gente não pode se apegar, porque, normalmente, uma personagem atua em dois volumes, quando tem muita sorte, dura quatro.  Isso é um risco, aliás, porque muita gente quer se apegar à personagens e se perde na história, mas a série segue e com sucesso.  Dois filmes para o cinema, um dorama, e eu queria mais!



Exemplos da arte de Swan.
DIA 30 - Um Shoujo que Merece Mais Reconhecimento: Vamos lá, Swan - Hakuchou (スワン 白鳥) de Kyouko Ariyoshi.  Raras vezes vi uma arte tão bonita e uma história que, ainda que em linhas gerais tenha uma série de clichês, fosse tão emocionante.  Queremos ver a mocinha, Masumi Hijiri,  a menina pobre japonesa e sem formação, mas muito talentosa, se tornar a melhor bailarina do mundo.  A série começou em 1976, teve 15 volumes publicados nos EUA, e foi cancelada quando o selo CMX, que era da DC, morreu.  São 21 volumes ao todo, mas a autora fez continuações com a protagonista e outras personagens.  Talvez Swan não receba a atenção que merece, porque é quase contemporâneo de Arabesque (アラベスク), e Yamagichi Ryouko faaz parte do Grupo de 48 e é considerada a grande dama dos mangás de balé a partir dos anos 1970.  Uma pena!

E acabou!  Obrigada pelas participações no grupo do Facebook do Shoujo Café.  Muita gente postando todo dia.  Foi bem legal. 

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