quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Comentando Os Invisíveis - Queremos viver (Die Unsichtbaren – Wir wollen leben, 2017)


Anteontem, finalmente pude assistir o misto de drama e documentário alemão Os Invisíveis.  Ao contrário das minhas últimas experiências pouco satisfatórias no cinema, fiquei feliz em poder assistir um filme tão bom e tão pertinente nos nossos dias.  Sim, qualquer filme que fale do nazismo e da desgraça que o regime que se instalou na Alemanha entre 1933 e 1945 causou é muito importante nos dias de hoje.  O filme conta o drama dos judeus que se tornaram invisíveis em Berlim quando os nazistas decidiram banir a todos da cidade.  Eu acreditava que eram poucos, mas cerca de 7 mil judeus foram para as sombras e quase 1700 sobreviveram à guerra.

Fevereiro de 1943, o governo nazista declara que Berlim será uma zona livre de judeus. Começam as deportações dos 160 mil judeus restantes na capital da Alemanha para o Leste.  Alguns podem ainda protelar por um tempo a partida por estarem envolvidos em alguma forma de serviço visto como necessário, mas a maioria não tem alternativa.  O filme segue então quatro jovens judeus – Cioma Schönhaus (Max Mauff), Hanni Lévy (Alice Dwyer), Ruth Arndt (Rubi O. Fada) e Eugen Friede (Aaron Altaras) – que decidem que não vão partir, mais do que isso, desejam viver e, para tal, precisam se tornar invisíveis.

Ruth Arndt, jovem e já idosa.
O filme Os Invisíveis foi escrito pelo diretor Claus Räfle e sua esposa, Alejandra López.  Lendo uma matéria do Jerusalem Post vi que o projeto já se arrastava por mais de dez anos, afinal, alguns dos entrevistados já são falecidos a algum tempo.  O diretor também disse em uma entrevista que pretendia fazer um documentário puro, mas mudou de ideia.  De qualquer forma, o filme é uma mistura muito bem sucedida entre documentário, já que temos várias inserções das falas dos quatro sobreviventes, e de um filme como outro qualquer, porque acima de tudo é preciso marcar que não se trata de docudrama, com narradores e tudo mais.  Poderiam, inclusive, separar o documentário do filme e, ainda assim, ter dois materiais relevantes, cada um a seu modo.

Vou resumir rapidamente a história de cada uma das personagens centrais, ou esta resenha ficará longuíssima.  É necessário, no entanto.  Depois, comento outros aspectos do filme e a reação na sala de cinema de uma das mulheres que assistiu comigo a sessão. Os Invisíveis vai e vem costurando a história de quatro jovens judeus de classe média, reduzidos, como todos os outros, aos trabalhos forçados em fábricas, cemitérios e onde quer que os nazistas achassem por bem.  Em fevereiro de 1943, vem a ordem de deportação e alguns escolhem viver, ou tentar viver, ainda que nas sombras.  

Depois de ser abordado pela Gestapo,
a família decide que Eugen precisa se tornar invisível.
Das quatro personagens principais, somente Eugen Friede, que só tinha 16 anos, não escolheu resistir, ou se esconder, o moço foi conduzido pelos pais, por assim dizer.  Ele era o único de sua família obrigado a usar a estrela de Davi.  Tinha sido adotado pelo segundo marido de sua mãe, um ariano.  A própria mãe do rapaz parecia, pelo menos em um primeiro momento, livre da perseguição, pelo menos, por algum tempo.  Curioso que escrevendo a resenha descobri que a maior manifestação pública de civis na Alemanha nazista aconteceu exatamente em fevereiro de 1943 e foi feita por mulheres arianas casadas com homens judeus.  Elas não queriam que seus maridos fossem deportados e conseguiram.  Talvez, isso se aplicasse às esposas judias de cidadãos arianos, também.

Mas a ordem de deportação chega para Eugen e o jovem é acossado na rua por um agente da Gestapo com o intuito de aterrorizá-lo, o padrasto arranja uma família de amigos comunistas que o acolha.  O garoto passará de casa em casa até ser preso no final da guerra.  O primeiro abrigo, dura pouco, os comunistas que tinham sobrado também tinham medo e não era pouco.  Na segunda casa onde fica, a família, abastada e culta, não tinha problemas com racionamento e ele flerta abertamente com a filha adolescente do casal.  Tempos felizes, apesar da guerra, mesmo sem poder sair de casa.  

Arriscando-se para que outros alemães saibam da verdade.
Alguém suspeita e ele termina indo parar na casa de uma família bem mais modesta, porém engajada, e que criou uma rede que mandava folhetos contando a verdade sobre os campos de concentração para os cidadãos alemães, a Comunidade para a Paz e Desenvolvimento (Gemeinschaft für Frieden und Aufbau).  Não conhecia esse grupo, liderado pelo advogado Hans Winkler (Andreas Schmidt), que acolheu o rapaz, e o eletricista Werner Scharff (Florian Lukas), o primeiro judeu a fugir de um campo de concentração e viver para contar a história.  Todos terminam sendo descobertos e condenados. Eugen é preso, mas sobrevive e é libertado no dia do seu aniversário de 19 anos.  Se você assistir ao filme, ou ler um verbete sobre ele, terá maiores detalhes.

Já Cioma Schönhaus, de 20 anos, era o mais calculista dos invisíveis e o mais desastrado, também.  Ele consegue atrasar sua deportação por ser um operário muito competente, mas parece não se importar muito com o destino de seus pais, ou faz questão de jogar isso para o fundo de sua mente.  Tendo se formado em uma escola de artes, torna-se um competente falsário.  Como as redes de invisíveis e apoiadores pareciam ser extensas, ou seja, pode até ser que alguém estivesse agindo isoladamente, mas a impressão que se tem no filme é que todo mundo se conhecia, ou que fazia questão de tentar se conhecer.  

Cioma não parece se importar muito com os pais
e vende tudo o que tem, antes que a Gestapo venha buscar.
Cioma, então, é apresentado à Franz Kaufmann (Robert Hunger-Bühler), um rico jurista, ex-combatente da I Guerra, condecorado com a cruz de ferro, cristão, mas prejudicado por suas origens, ele comanda uma rede de resistência de cristãos evangélicos aos planos de Hitler não somente de promover a destruição do povo judeu, mas de criar uma única igreja evangélica subordinada ao Estado (*sim, eu não conhecia nada disso, o filme me apresentou todas essas coisas).

Cioma ganha muito dinheiro com suas falsificações, munido de documentos falsos, frequenta o restaurante mais caro de Berlim, compra um barco, vive uma vida de luxos que era rara para qualquer alemão em tempos de guerra, especialmente, quando o conflito já estava virando a favor dos soviéticos.  Ele chega a narrar de como Stella Goldschlag (Laila Maria Witt), uma invisível, famosa colaboracionista (*falo dela mais além no texto*) e sua ex-colega de escola, poupou sua vida.  Mas, no fim das contas, ele era muito desastrado, primeiro, um colega usa um envelope cheio de documentos valiosos para alimentar o fogo, mais tarde, o próprio Cioma esquece uma pasta com outros tantos passes em um ônibus.  No filme, é por causa desse incidente que os nazistas chegam à Kaufmann.  

Cioma flerta com Stella, ela poderia
denunciá-lo, mas não o fez.
Sinceramente?  Ele devia ser muito bom, porque uma figura que fizesse a primeira lambança já deveria ter rodado.  Fora isso, ele mantém relações com Werner Scharff, que perde a proteção da Gestapo já pelo fim da guerra.  Ele foge junto com o tal companheiro que queimou o envelope (*não guardei no nome dele, enfim...*) e é acobertado pela secretária de Kaufmann, Helene Jacobs (Maren Eggert), outra cristã engajada na causa contra o nazismo e de resgate dos judeus.  Jacobs termina presa, mas sobrevive à guerra.  Cioma, assim como Eugen, escapa.  Seu talento para falsificação, o ajuda muito.  Não detalharei, mas ele tem verbete na Wikipedia em inglês e alemão, esse mais extenso, e mais informações do que qualquer outro na internet, porque escreveu sua biografia

Agora, as mulheres, começando pela mais conhecida delas, Hanni Lévy, no início do filme ela tem 17 anos.  Órfã, o pai morreu por excesso de trabalho forçado, a mãe, porque não recebeu a atenção que precisava, já que médicos alemães não podiam mais atender judeus.  Entregue a uma família judia, termina só quando esta é deportada e ela não estava na lista.  Com uma lesão no dedo, fruto do trabalho em uma fábrica de para-quedas, ela não pode trabalhar.  Uma noite, a jovem toma a decisão de não abrir a porta para a Gestapo quando eles batem, os policiais pensam que o apartamento já estava vazio, ou que a moça saíra.  A adolescente, então, junta todo o seu sangue frio, e foge.  

Tornando-se uma ariana como outra qualquer.
Abrigada por uma amiga cristã de sua mãe, ela tem seu cabelo descolorido, torna-se loura e muito mais ariana na aparência que muitas outras moças.  Reaprende então a andar em público como uma pessoa qualquer, sem apresentar medo, sem abaixar a cabeça.  Ela se mistura, faz questão de passear na avenida mais movimentada de Berlim.  É um teste.  E há algo de prazer e aventura no processo de se tornar invisível, tanto Hanni, quanto Ruth, quanto Cioma, deixam isso claro em seus depoimentos.  Seria uma forma, imagino, de colocar por terra a ideia de que judeus não seriam pessoas como outras quaisquer.

Hanni faz biscates à noite e em fins de semana para se manter, ao que parece, era o que muitos invisíveis faziam, conta, também, com a caridade de alemães que dividem com ela sua comida racionada.  Vejam que ter dinheiro não garantia que você tivesse comida e comparado com os dois homens sobreviventes, Hanni chegou a viver em situação de quase mendicância e ainda havia a lesão na mão que a torturava.  A Wikipedia fala que um médico alemão a atendeu sem cobrar documentos.  O filme não mostra essa bondade entre tantas que recebeu.  

Apaixonada pelo cinema.
Hanni tinha uma paixão, o cinema, e era uma das poucas coisas baratas, divertidas e que se podia fazer no escuro.  Ela sempre ia ao mesmo cinema. E não ficou claro para mim se ela estava morando na rua nessa época.  O filme sugere isso, mas a Wikipedia diz que ela sempre esteve acolhida por alguém.  Daí, e é o único quase romance inventado no filme, o filho da bilheteira, Viktoria Kolzer (Naomi Krauss), se apaixona por ela.  O moço partiria para a frente de combate em três dias, ele quer conversar com a moça bonita que sempre vê no cinema e pede que a Hanni visite sua mãe e converse com ela, pois o pai está doente e a mãe era muito solitária.  Segundo Hanni, os Kolzer a adotaram, lhe deram abrigo e salvaram sua vida.

Hanni passa a morar com Viktoria, que fica viúva, as duas se tornam como mãe e filha.  Uma das coisas que são mostradas, além da escassez de alimentos para todos no fim da guerra, é  a falta da tintura loura que era uma das peças do disfarce de Hanni.  Não havia mais o básico, quanto menos, cosméticos.  A última sequência de Hanni com a Senhora Kolzer é a da chegada dos soviéticos.  

Hanni e sua mãe adotiva precisam fugir dos soviéticos.
Um soldado vê a moça loura e a mulher de meia idade, mas ainda bonita, e diz que voltaria com seus colegas mais tarde.  Ele não acredita que Hanni era judia, afinal, não havia mais judeus em Berlim.  Hanni e sua mãe adotiva não esperaram pelos soviéticos.  Segundo a Wikipedia em alemão, andaram à pé por muito tempo para uma área na qual os oficiais soviéticos não estavam permitindo os estupros. Sobre isso, os estupros como atos de guerra, recomendo a resenha do filme Agnus Dei.  O destino de Hanni, deixo também para que vocês descubram.  Há um artigo em inglês sobre ela aqui
  
A última das protagonistas, Ruth Arndt, é a que tem a história mais fantástica, por assim dizer.  Não achei verbete na Wikipedia, nem em alemão, nem em inglês, sobre ela, mas seu testemunho é muito contundente.  a moça de vinte anos era filha de um médico judeu famoso e teve uma vida tranquila, mesmo em uma Alemanha que restringia a vida dos judeus.  Queria se divertir, queria dançar, queria namorar.  Chega a ordem de deportação e sua família decide se tornar invisível.  Uma ex-cliente de seu pai, uma dona de casa comum que tivera sua filha salva por ele, decide dar-lhes abrigo.  Só que a família e alguns amigos são gente demais para ficarem juntos.  O pai é escondido em um lugar e eu realmente não sei se ele sobreviveu.  Ruth fica com uma amiga, Ellen Lewinsky (Victoria Schulz), a mãe da moça, irmãos, ficam em outro lugar.  Seu noivo, Bruno (Rick Okon), desaparece.  

A família de Ruth e alguns amigos foram invisíveis e sobreviveram.
Eventualmente, eles se encontram.  Precisam se mudar, as casas de muitos alemães estava sendo requisitada para alojar desabrigados dos bombardeios.  Convivem com a pouca comida, com a falta de aquecimento.  Assim como Hanni, Ruth e sua amiga Ellen gostam de ir ao cinema.  Se disfarçam de viúvas de guerra, se misturam.  Há o encontro com a já citada Stella e o escape.  Agora, o que torna a experiência de Ruth mais fantástica é que ela é contratada como babá e faxineira por uma esposa de um alto oficial nazista.  O marido sabia que as moças eram judias, recebia outros oficiais em sua casa.  Era corrupto e tinha acesso à comidas e bebidas caras fruto de contrabando. Quando manda a esposa e a filha para o interior, Ruth e Ellen continuam trabalhando para ele.  A comida que conseguem recolher, alimenta a família da moça e outros judeus, seis ao todo, escondidos em uma velha fábrica.  

Como pontuei, o tom do filme é positivo, mas eu não me convenço de que não tenha acontecido em nenhum momento situações de assédio sexual mais explícito, ou mesmo estupro.  Nada do tipo transparece, salvo quando um oficial, em uma das festas do chefe de Ruth, diz que ela tem olhos de judia, tenta apalpá-la e ela diz que não existem mais judeus em Berlim.  Todos riem, ela escapa.  A Ruth idosa só diz que ela precisava ser rápida nessas horas.  

Ruth servindo aos altos oficiais nazistas
nas festas exclusivas de seu chefe.
O medo do estupro só aparece quando os soviéticos estão em cena.  Enfim, acredito que há algo de irreal nesse aspecto.  No fim da guerra, Ruth já não tem mais emprego, a única coisa que conseguem recolher, sob medo das bombas e dos soldados soviéticos, é água.  Mas a família se salva, porque a mãe de Ruth guardou os documentos originais cosidos dentro de um casaco.  Eles podem provar que são judeus, não que no momento mais dramático do final da guerra, os soviéticos estivessem muito interessados nisso.  

O filme pelo menos coloca que os soviéticos tinham motivos para odiar os alemães e desejarem vingança.  E, como historiadora, coloco o seguinte, se fizessem vingança, se pagassem na mesma moeda, não tinha sobrado um alemão, porque o que os nazistas fizeram na URSS e em outros lugares e com seus próprio povo (*judeus, ciganos, mestiços, e outros*) foi de uma selvageria difícil de acreditar.  De resto, eu chorei no filme em um momento, mas é o tipo de cena que me faz chorar SEMPRE, e que já vi em outros filmes, porque seve ter se repetido muito DE VERDADE.  

Salvos por uma oração.
Quando os soviéticos desentocam Bruno e outro moço judeu, acham que são alemães e iriam matá-los.  Eles afirmam ser judeus.  O oficial então exige que eles recitem o Shemá Israel, a primeira oração que qualquer judeu aprende, mesmo os não religiosos, como a própria Ruth, idosa, diz no seu testemunho.  Como em um filme que assisti muitos anos atrás, o oficial era judeu.  A maioria dos judeus alemães não era capaz de imaginar que havia judeus nas fileiras do Exército soviético.

Enfim, algo que me fez gostar bastante do filme foi colocarem um número equivalente de protagonistas femininas e masculinas, cumprindo a Bechdel Rule como raramente vi.  Mais do que isso, o filme mostrou a presença das mulheres nas redes ativas de apoio aos invisíveis. Mulheres comuns, donas de casa, algumas sem condições emocionais de levar muito adiante a farsa; outras que aderiram por questões ideológicas e/ou humanitárias, cristãs e comunistas; havia as que eram gratas, como a senhora que acolhe a família de Ruth.  Outras faziam uma pequena boa ação, como a velhinha que deu o maço de cigarros ao jovem Eugen no ônibus, em silêncio, sem perguntar nada.  O adolescente sequer fumava... Algumas usavam de sua condição privilegiada de mulheres ricas, de esposas de altos oficiais, enfim, o fato é que não era somente os homens que arriscavam suas vidas. 

Segundo o que li sobre Stella, ela deveria
ser muito mais branca e loura.
Em um dado momento, uma das sobreviventes, acredito que Ruth, diz que sempre nas suas palestras em escolas e universidades faz questão de dizer que foram os alemães que os salvaram.  O filme também mostra os judeus que colaboraram com os nazistas em troca de alguma coisa, proteção para si e os seus, especialmente, mas nem sempre era somente (*como se pouco fosse*) isso.  O destaque neste caso é, também, uma mulher, Stella Goldschlag, uma judia que era uma das invisíveis, mas tinha um aspecto ariano, e foi cooptada pela Gestapo em troca da segurança de seus pais.  A Gestapo não cumpriu sua parte no trato, mas Stella continuou fazendo seu serviço até o fim da Segunda Guerra e tem uma história de vida que aponta, talvez, para alguém que realmente sentia prazer em entregar pessoas para a morte.

Já me encaminhando para o fim, digo que essa resenha me deu um trabalhão, que descobri um monte de coisas ao escrevê-la, minúcias que a gente não lê por aí, mas que são importantes para compreender melhor o regime nazista e o período terrível que foi o governo de Hitler na Alemanha.  Recomendo muitíssimo Os Invisíveis - Queremos Viver e ele está em cartaz em pouquíssimas salas no Brasil.  Trata-se de um filme pertinente por abordar o tema do Holocausto dos judeus por uma perspectiva diferente, por ser alemão, por misturar de forma competente o documentário e a ficção.  É um filme importante, também, porque vivemos um momento de acirramento de ódios contra as minorias, com a desumanização, que possibilita a amplificação da violência, e a violência logo ali, no horizonte.  Você, talvez, possa ter que se tornar um invisível por ser homossexual, por ser ativista de alguma causa.  

Ruth alimentava sua família com os restos
da casa de um alto oficial nazista.
Talvez, em tempos difíceis por vir, tenha que contar com a boa vontade de quem menos espera.  E como comentei lá no início, uma mulher gritou no final da sessão, que estava bem vazia, porque era a primeira da tarde, a sessão dos idosos e da Valéria, que esse era o futuro do Brasil de certo candidato.  A velhinha que estava do meu lado se encolheu.  Apesar da sala bem vazia, um casal de idosos bem idosos mesmo, sentou do meu lado.  A senhora parecia muito emocionada ao longo de todo o filme e até imaginei que pudessem ser judeus.  O marido disse depois da manifestação acalorada "Precisamos de mais filmes assim.  As pessoas não podem esquecer."  Sim, precisamos.  As pessoas não podem esquecer, os jovens precisam aprender, e os sobreviventes estão morrendo, afinal,, já se vão bem mais de 80 anos do fim da Segunda Guerra Mundial.  

Outros genocídios e selvagerias continuam acontecendo e cabe às pessoas de boa vontade não se omitir, como os alemães que protegeram os invisíveis que arriscaram tudo, a vida, inclusive, para fazer o bem.  De resto, vote com consciência.  Hitler não tomou o poder à força, ele foi eleito pelo voto dos alemães. Alguns foram enganados, outros, uma parte considerável, se regozijava com a possível liberdade para mostrar pela violência que era superior, mais capaz, mais puro e mais digno.

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