domingo, 16 de dezembro de 2018

Jornal do Shoujo Café: Japoneses escolhem o Kanji do ano, BL unindo casais de otaku, Arte, Violência e Nostalgia


Como muitas pessoas parecem ter gostado desse post chamado Jornal do Shoujo Café, acredito que ele vai continuar por algum tempo.  Há dias que eu estou mais inspirada, outros menos.  Guardei algumas notícias para hoje, mas espero não me esticar demais, pois tenho umas burocracias de trabalho para terminar.   E, só lembrando, este site é feito por uma feminista, logo minha leitura tem um filtro e os meus parâmetros estão definidos.  Se quiser continuar...  

Desastre é uma boa palavra para 2018.
1. Japoneses escolhem o kanji para "desastre" como palavra de 2018.  Desde 1995, é promovido um concurso na cidade de Kyoto, escolher a palavra do ano.  O objetivo é promover o uso do kanji, os ideogramas japoneses.  Mais de 200 mil japoneses votaram e a palavra escolhida foi  (sai), desastre.  admirável o feeling desses japoneses.😊 Vi a notícia primeiro no site do Galileu, mas está no Sora News, também.  A revelação foi feita quatro dias atrás pelo mestre em caligrafia Seihan Mori.  No SN tem vídeo dele escrevendo o ideograma.

Fãs de YURI!!! on ICE devem ter pontos bônus.
2. Homens que não discriminam BL tem mais chances de arrumar uma namorada no Japão.  O Sora News trouxe uma curiosa matéria sobre uma agência de encontros japonesas especializada no público otaku.  A tal agência, ou serviço, chama-se Tora Con e ela estava prestes a fechar.  Daí, alguém iluminado teve a ideia de somente aceitar candidatos homens que afirmassem não discriminar as mulheres por elas gostarem de BL (*Boys Love: ouça o Shoujocast sobre demografias, por favor*).  Resultado?  Agora, as tais festas/eventos são disputadíssimas.

O SN pontuou que não é a única exigência, aliás, as demais condições apontam para as desigualdades de gênero no Japão.  Tanto homens, quanto mulheres, precisam ter entre 25 e 35 anos para participarem dos eventos.  Os homens, no entanto, precisam ter emprego fixo na iniciativa privada, ou no serviço público, e receber, pelo menos, 3.5 milhões de ienes ano, algo como quase 121 mil reais, o que daria um salário médio de 9 mil por mês contando com o 13º salário (*aquele que gente no novo governo brasileiro considera um problema*).  Já as mulheres, precisam ter um emprego, mas nenhuma renda mínima lhes é imposta.  Além disso, elas precisam colocar no formulário que aceitarão os hobbies do marido, desde que "aceitáveis".  O que significa isso, não está claro, segundo o SN.

Celebração ou denúncia?
3. Um dos quadros mais violentos que já vi.  Vi esse quadro esta semana em um post do Twitter.  Trata-se de uma óbvia celebração do privilégio masculino e brando do estupro de mulheres negras.  Não acredito que eu esqueceria deste quadro que tem dois nomes, "Le rapt de la négresse" (*O Rapto da Negra*) ou "le viol de la négresse" (*O Estupro da Negra*).  O primeiro nome é um eufemismo, é utilizado em obras como "O Rapto de Europa [Por Zeus]" ou "O Rapto das Sabinas" (*pelos romanos*).  Sabemos que o que se segue ao rapto é o estupro, ainda que, como no caso das sabinas, o mito se esforce por fazer crer que as mulheres terminaram por "amar" seus estupradores e, assim, selou-se a paz.  No caso do segundo título do quadro que estou comentando, menos comum de aparecer em sites, trata-se da verdade nua e crua.  Raramente eram baseadas em afeto as relações entre senhores e escravas, o comum era o estupro, afinal, não cabia à mulher escravizada recusar ao seu senhor.

Pintado pelo holandês  Christiaen van Couwenbergh em 1632, o quadro, que uns leem como celebração, outros como denúncia, mostra bem as relações desiguais entre brancos e negros em um momento no qual a escravidão era ativamente promovida pelas nações europeias, e como é celebrado o direito dos homens de se apropriarem dos corpos das mulheres.  As em situação mais vulnerável, caso das mulheres negras ou indígenas escravizadas, mas isso poderia se estender às brancas, também.  Acabou isso?  Não.  Recentemente, soldados franceses em missões de paz da ONU na República Centro-Africana foram acusados de violar centenas de crianças que deveriam proteger.  Em seu país, pegariam, no mínimo, 15 anos, mas eles estavam na África... É o direito do senhor, não o fictício, criado para difamar a Idade Média, mas aquele fruto da violência de gênero e dos modelos hegemônicos de masculinidade.  

Nem todos os homens são iguais, alguns
podem "roubar" as esposas de outros.
4. A honra dos homens depende da honra de suas mulheres.  Como pontuei acima, a apropriação das mulheres poderia resultar em guerra (*caso das sabinas*) caso elas tivessem dono, mas e quando o senhor daquela mulher estivesse em condição inferior a do que dela queria se apropriar?  Enfim, a imagem acima trata disso.  Foi postado, também, no Twitter.  Luís XIV teve inúmeras amantes e vários filhos com elas.  Suas relações normalmente eram públicas e mesmo escandalosas resultando em humilhação para o marido traído e para a rainha da França.  Dentro de um sistema que celebra um modelo de masculinidade agressiva, humilhar os outros machos seja por sua potência sexual, seja pela força física, pelo poder ou pela riqueza, são parte do jogo.

Enfim, Madame de Montespan, a da foto, foi amante do rei por 13 anos.  Quando perdeu seu lugar de favorita (Maîtresse en titre), caiu em desgraça e se envolveu em famoso caso de feitiçaria e venenos, tem filme sobre isso, inclusive.  Muito antes disso, porém, seu marido, Louis Henri de Pardaillan de Gondrin, não aceitou bem o fato de ser corneado pelo rei.  Ao invés de se aproveitar da situação como muitos, começou a dar escândalo e planejou uma vingança.  

A bela Montespan.
Começou a dizer que iria frequentar os piores bordéis do país, se contaminar com doenças venéreas, infectar a esposa e, assim, fazer com que o rei adoecesse.  Obviamente, o rei não aceitou isso pacificamente e o exilou em suas terras. Quem manda ser bocudo? Quer se vingar e sai anunciando para todo mundo. Condenado a não poder deixar suas terras, e não pode mesmo, porque Luís XIV viveu bastante para os padrões de sua época, e mandou rezar miss anual pela esposa, como se ela estivesse morta, enquanto ele viveu.

Prisão perpétua aos 16 anos.
5. Crianças abusadas punidas como adultos.  Eu poderia falar de vários casos de crianças vítimas esta semana.  Começando com os pais mal educados e violentos que agrediram um garotinho no bairro vizinho ao meu e se tornaram alvo de críticas de toda a imprensa nacional, passando pelo padrasto que sequestrou e matou a enteada e tantos outros.  Casos tristes, casos cruéis, uns sem conserto, ou compensação.  No entanto, quero falar que me impressionou desde que soube dele meses atrás.  Cyntoia Denise Brown, nascida em 1988, foi condenada à prisão perpétua em 2011 pela lei do Estado do Tennessee por assassinato e roubo.

A jovem nunca conheceu seu pai, sua mãe era alcoólatra e, depois de seu nascimento, usuária de drogas.  Sem condições de sustentá-la, e depois de passar por situações de miséria e violência, a mãe a colocou para adoção.  Aos 16 anos, Cyntoia fugiu e acabou sendo cooptada, prostituída e drogada.  Seu cafetão a espancava e violentava.  em 6 de agosto de 2004, ela foi "contratada" por um homem de 43 anos.  "“Johnny estava me acariciando, depois me agarrou entre as pernas muito forte. Ele me olhou de um jeito, tipo, um olhar muito feroz, e eu senti um calafrio. Achei que ele ia me bater ou fazer alguma coisa assim comigo. Mas aí, ele rolou para o lado e se esticou. Então, achei que ele não ia me bater, achei que ele ia pegar uma arma", afirmou a garota em seu testemunho." 

O documentário.
Cyntoia alega que ficou com medo, porque o homem tinha muitas armas em casa, ela roubou um dos revólveres dele e tentou escapar, mas o homem sacou de uma arma e ela conseguiu ser mais rápida.  A perícia não confirmou a versão da moça, o sujeito era um atirador do Exército, e ela foi condenada à 51 anos de prisão, o mínimo para apelar por uma condicional.  Em 2011, um documentário trouxe atenção para o caso Cyntoia Brown e várias celebridades saíram em seu apoio pedindo que sua pena fosse revista.  As leis atuais do estado não teriam condenado Brown, ela era uma adolescente e o Estado tinha a responsabilidade de zelar por ela.  Outras vozes apontam que muitos estados norte-americanos punem crianças prostituídas e traficadas como se fossem adultas e culpadas de sua miséria.  Cyntoia seria somente uma vítima extrema, afinal, irá passar toda a sua vida atrás das grades. Esta semana, no dia 6, a Suprema Corte do Tennessee confirmou a sentença.  Talvez, se ela não fosse negra, o resultado fosse outro, a luta continua, no entanto.

6. Faça um exercício.  leia o texto abaixo e reflita, antes que a teocracia nos engula a todos, afinal, há gente do novo governo clamando por um governo orientado por princípios religiosos cristãos (*de qual cristianismo falam, confesso que não sei*), ou pela igreja (*qual também não sei*) e precisamos nos precaver.

7. Christopher Reeve era um grande ator.  O The Mary Sue postou um texto intitulado "Top 5 Reasons Why Richard Donner’s Superman Remains a Superhero Classic" (Cinco Maiores Razões porquê o Super-Homem de Richard Donnes Permance um Clássico dos Filmes de Super-Herói).  O primeiro filme do Super-Homem está completando 40 anos.  Faz muitos anos que não assisto ao filme, mas uma cena em particular me fez desejar rever a película:


Christopher Reeve, nesta cena, é absolutamente convincente como um sujeito que está interpretando duas personagens, o Super-Homem e Clark Kent.  Não é simplesmente colocar e tirar um óculos, percebem?  Enfim, Reeve nos deixou muito cedo.  Nascido em 1952, ele sofreu um acidente enquanto cavalgava em  27 de maio de 1995.  Ficou tetraplégico, lutou para continuar ativo, mas faleceu precocemente em 2004.  Outro filme que gosto muito com ele é Em Algum Lugar do Passado.

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