terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Mais antigo jornal em língua japonesa no Brasil deixa de ser publicado


Apareceu para mim no Twitter agorinha uma matéria do Asahi Shimbum lamentando o encerramento do mais antigo jornal em língua japonesa de nosso país, o São Paulo Shimbum.  Se primeiro número foi lançado em 12 de outubro de 1946, quando foram suspensas as proibições às publicações em japonês em nosso país por causa da II Guerra, o jornal tinha como responsabilidade fornecer informação de qualidade para a comunidade nipo-brasileira ainda dividida por causa da guerra.  O jornal também ajudava a localizar parentes que tinham se desgarrado no processo de imigração, além de prestar outros serviços à comunidade japonesa brasileira, a maior fora do Japão, somando mais de 2 milhões de pessoas.

Mas por qual motivo o jornal foi cancelado?  Segundo a matéria, o auge da publicação foi nos anos 1960, quando a primeira (issei) e a segunda (nissei) geração de japoneses no Brasil dominava o idioma.  As novas gerações não leem o jornal, porque em boa parte não dominam a língua e eu acrescentaria, também, preferem outros meios de comunicação.  Aliás, os donos do jornal sabem disso, porque pretendem continuar na internet.


Enfim, nos últimos 20 anos, o jornal, que era publicado cinco vezes por semana, vinha passando por dificuldades.  Tendo recebido o importante prêmio Kikuchi Kan, em 1977, pelos serviços prestados à comunidade japonesa, o jornal, hoje mal se mantinha de pé.  Dos 80 mil exemplares dos anos 1960, a tiragem tinha caído para 10 mil.  A última edição, datada de 1 de janeiro, foi publicada em 22 de dezembro.  Agora, o único jornal em língua japonesa ainda em circulação no Brasil é o  Nikkey Shimbun.  Há  uma matéria sobre o cancelamento do jornal no Japan Times, também.  Acabei de localizar.

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1 pessoas comentaram:

É uma pena, mas é esperado.
A cada geração, os descendentes mais e mais se afastam das tradições japonesas, e estão cada vez mais integrados na sociedade brasileira. Embora ainda haja um certo costume de chamar os descendentes de "japoneses", eles hoje são somente brasileiros. Muitos não sabem nem o básico de japonês para falar um "oi" para a batchan.

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