domingo, 26 de maio de 2019

Para quem quiser assistir uma série sobre a Mãe de Maria Antonieta


Ontem, descobri em um dos grupos da Rosa de Versalhes do Facebook, a recomendação da série em dois episódios chamada Maria Theresa. Ela foi feita em 2017 e é uma coprodução que uniu República Tcheca, Áustria, Hungria e Eslováquia, todos territórios que faziam parte do antigo Sacro Império Romano Germânico.  O material cobre somente o início da vida dessa grande imperatriz,  sua infância, adolescência e início da juventude.  O foco é em como Maria Theresa (1717-1780) se tornou a primeira imperatriz da Áustria.



Ainda que não houvesse nenhuma disposição legal que proibisse uma mulher de governar, vários territórios e Estados vizinhos (França, Prússia) do Sacro Império foram à guerra, não tanto para impedir Maria Theresa de reinar, mas para aproveitar-se do fato de ser uma mulher governante e tomar-lhe territórios.  A Guerra de Sucessão da Áustria (1740-1748)  foi vencida por Maria Theresa, ainda que ela tenha feito concessões.  A jovem imperatriz governou em seu próprio nome (*apesar de ter que aceitar que seu marido, Francisco I, fosse também coroado imperador*) e fez um governo competente e é contada entre os déspotas esclarecidos.  Tudo isso, enquanto paria 16 filhos e filhas do marido que amava profundamente.  Francisco I, aliás, diferente do Albert da Rainha Vitória, a traia aberta e sistematicamente.  Só que eram outros tempos, também... 



Maria Theresa foi muito diferente da filha famosa com quem muita gente gosta de tentar compará-la.  É preciso lembrar sempre que Maria Antonieta foi somente a consorte e sem condição de influenciar a França politicamente.   Em Versailles, fazia muito tempo que as rainhas consortes não eram sequer coroadas e não se esperava que elas tivessem qualquer poder real.  Mais comum é que as amantes titulares, as Maîtresse-en-titre, exercessem um papel muito maior.  Claro, Luís XVI aparentemente nunca teve nenhuma amante, mas, também, não era essa maravilha de homem de estado e de marido, no sentido sexual da coisa.  Enfim, para quem quiser assistir Maria Theresa está tudo no Youtube com legendas em inglês, parece que é obra de um fansuber que legenda seriados em alemão e fez pelo menos outra legendagem de obra histórica, uma sobre o imperador Maximiliano I (1459-1519). 


Enfim, a série mostra uma menina Maria Theresa se esforçando por ser digna do lugar que ocuparia, caso não tivesse um irmão.  Não havia nada nas regras de sucessão do trono que impedissem uma mulher de reinar, mas poderia ser um fator de conflito e revolta ter uma mulher no trono.  O que de feto aconteceu.  De qualquer forma, o imperador Carlos VI (1685-1740) fez de tudo para ter um filho homem, um herdeiro, mas acabou tendo que ceder e encaminhar a sucessão por meio de sua filha mais velha.  Ainda assim, acreditou demais em seus súditos e nos monarcas vizinhos, não preparando o poderoso exército que foi o que alguns de seus ministros lhe aconselharam a fazer.  


Esses esforços para gerar um varão são mostrados na série em várias sequências que nos pareceriam constrangedoras, como o desfile de quadros de conotação pornográfica que seriam recomendados para estimular tanto o imperador quanto sua esposa.  Outra cena é a que mosra a presença de um padre rezando e muitos funcionários no quarto com o casal imperial, enquanto eles copulavam.  Mas os episódios não mostram o quanto essas tentativas de procriar um herdeiro varão destruíram a saúde da imperatriz, Elisabeth Christine de Brunswick-Wolfenbüttel.  Os médicos recomendaram-lhe bebidas alcoólicas para torná-la fértil, mais tarde, a submeteram a um regime de engorda que terminou por deixá-la tão pesada que não conseguia andar.  Tinha que ser carregada.  


De qualquer forma, parece um bom trabalho de reconstituição de época e a atriz que faz Maria Theresa, Marie-Luise Stockinger, parece competente e é muito bonita.  Para quem se interessar, abaixo está o vídeo do início do primeiro capítulo, é só seguir a sequência.

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